Fotos: César Ovalle/ Divulgação
Por Bruno Dias
Mesmo sem ter obrigação de lançar de um disco por ano, o NX Zero acaba de colocar no mercado “Sete Chaves”, terceiro álbum de estúdio que traz inovações estilísticas na sonoridade do grupo, que se diz mais maduro para experimentar.
Foram pouco mais de três meses de pré-produção e gravações, feitos em meio a uma rotina exaustiva de shows e um pequeno período de bloqueio do vocalista Di Ferrero, que se espelhou em artistas tarimbados da música nacional para superar o “trauma”. “Estava vendo uma entrevista do Chico Buarque e ele falou que travou e não conseguiu escrever nada durante um ano. Se o cara pode, quem sou eu? Aí eu fiquei mais tranquilo, comecei a viver mais as coisas”, revela Di, que também buscou inspiração em novos lugares, como o Rio de Janeiro. “Conheci os caras do Afroreggae e dei umas voltas com eles nas comunidades, em Vigário Geral, Complexo do Alemão. Isso mexeu pra caramba comigo”.
Muito satisfeitos com o resultado final de “Sete Chaves”, que mais uma vez contou com a produção de Rick Bonadio, o NX Zero buscou influências diversas para aplicar em seu terceiro trabalho de estúdio, como Green Day e Audioslave. “A gente apelidou as músicas. ‘Espero a Minha Vez”, como é uma música grande, chamamos de Aerosmith. ‘Zerar e Recomeçar’ é meio Incubus; ‘Confidencial’ era Green Day, tem Foo Fighters também”, explica Di.
“Sete Chaves” acaba de esgotar sua primeira tiragem limitada de 30 mil cópias, que trazia o CD dentro de um material gráfico mais elaborado, para os fãs do NX Zero se sentirem privilegiados por adquirir o produto. “Lutamos muito para isso. Levamos a ideia pro Rick e ele falou: ‘eu não gosto muito, mas se vocês quiserem’. Ele disse que tem medo do encarte rasgar”, conta Dani. “É uma versão mais cara, para mostrar que somos artistas que valorizamos nosso trabalho”, completa Caco.
O Abril.com conversou com Di, Dani Weksler (bateria), Caco Grandino (Baixo), Fi Ricardo (guitarra), Gee Rocha (guitarra e vocal) em São Paulo. Os jovens integrantes do NX Zero deram mais detalhes sobre as gravações de “Sete Chaves”, além de terem comentado a relação deles com a fama:
Abril.com: Vocês estão praticamente lançando um disco por ano. Isso afeta a criatividade da banda?
Di Ferrero: Na real, não é que temos que lançar um disco por ano, mas é um momento da hora pra gente fazer isso. Um momento onde está todo mundo olhando pra gente. Então porque não fazer isso? No primeiro CD a gente pensou, ‘será que vamos lançar um disco por ano por causa dessa correria?’. Acho que daqui a pouco todo mundo vai ter sua família e já vai ficar mais difícil.
Rolou muita pressão pra fazer este novo disco?
Di: A pressão foi totalmente nossa. Isso acabou sendo uma coisa muito boa. E quando as músicas ficaram meio que prontas a gente mostrou pro Rick [Bonadio] e ele falou: ‘está do c***, o disco está pronto. Vamos agora fazer os arranjos. Experimentar e tentar fazer coisas diferentes. Tentar mudar, mudar o som’.
Gee: Esse disco o Rick gostou tanto das músicas que acabou sendo o trabalho que ele mais participou. Ele quis fazer uma parada que nunca fizemos em termos de gravação, testando timbres de baixo, guitarra, bateria, microfone.
Fez muita diferença disco poder experimentar?
Fi: Nós fomos bem objetivos na hora de compor e na hora de gravar deu oportunidade pra poder experimentar mais. A gente já chegou com a o arranjo, aí o lance foi só testar os timbres.
Vocês chegaram com o repertório fechado?
Di: Fizemos a pré-produção do disco no mesmo estúdio onde íamos gravar. Então a gente ficou tudo junto e foi legal. Fomos fazendo as musicas.
Gee: A pré-produção foi nos meses de julho e agosto. Em setembro rolou a gravação, mas teve várias músicas que foram feitas no começo do ano, e desde que saiu o “Agora” (2008) a gente já começou.
“Subliminar” foi a faixa que mais deixou claro esse lance da experimentação. Esse pode ser um novo rumo a ser seguido pelo NX Zero nos próximos trabalhos?
Di: Foi muito louco isso daí. A gente tentou fazer essas músicas de vários jeitos. Até o Rick falou, ‘vamos tentar fazer uma parada funk’. E acabou sendo muito da hora.

Se sentiram mais preparados para fazer esse tipo de coisa?
Dani: A gente comparou ela com coisas que gostamos, tipo Red Hot Chili Peppers, Maroon 5. Nos sentimos bem tocando e é isso que importa.
Caco: “Subliminar” foi a faixa mais difícil para fechar na verdade. Fizemos umas seis versões dela. Quem deu essa ideia final foi o Rick. Eu particularmente tive problemas com essa musica, era contra. Mas depois que eu a ouvi mixada, abriu as vozes, os detalhes de metais, achei que ficou legal, com uma cara diferente.
Vocês já tocaram essas músicas novas em shows?
Di: A gente está tocando só duas por enquanto, já que nosso show de lançamento da turnê nova vai ser só em março. Mas enquanto a gente não chega lá vamos experimentando algumas como “Só Rezo” e “Espero a Minha Vez”, mas daqui a pouco vamos colocar mais músicas novas.
E como o pessoal recebeu essas novas canções?
Di: Esse é o que CD que ficamos mais satisfeitos, a resposta do público foi absurda, 100% até agora.
Dani: A grande graça de isso estar acontecendo é que não foi nada planejado, não pensamos em soar diferente para agradar a galera. O mais legal é quando um amigo mais velho, que gosta de outro som, tipo o Martin [guitarrista da Pitty] elogia. Ele escutou ‘Zerar e Recomeçar’ e ficou de joelho na sala da minha casa e falando: c***, que guitarra f***. Isso pra mim é tudo, seus brothers curtindo o som.
Como está a relação de vocês com a fama? Dá pra sair na rua tranquilamente?
Dani: As pessoas se sentem mais próximas. Esses dias fui com o Diego ao cinema e a galera já chega: e aí Di, firmeza?
Di: Essa semana rolou uma coisa muito engraçada no Rio. Eu estava lá na praia, na boa, aí entrei no mar e veio um cara vendendo biscoito Globo e o cara me chamou pelo nome: ‘Di, você quer um biscoito Globo?’. Achei demais. [risos]
E a privacidade?
Dani: Depende do tipo de abertura que você dá. Já rolou oportunidade de sair na “Caras”. Se você dá liberdade pro cara entrar na sua casa e mostrar isso, os caras vão querer isso pra sempre.
Di: Nossa ideia é nunca deixar perder o foco pra música, tanto é que muita gente fala que somos os bonzinhos.
Fi: Melhor ter essa fama do que de estrela filho da p***.
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