
Foto: Divulgação/Site Oficial
[TEXTO: PRISCILA TIEPPO]
Mais de um ano se passou desde que a dupla Edson e Hudson anunciou a separação aos fãs, deixando claro que não parariam de cantar e seguiriam a carreira solo. Neste quesito, Edson saiu na frente. O cantor resgatou suas raízes sertanejas e investiu em um CD que representasse sua nova fase. Assim, nasceu “Edson e Você”, lançado pelo cantor no mês passado, com participações de Pelé, Zezé Di Camargo e Carlinhos da Silva.
Sobre ter entrado no estúdio sem a companhia do irmão, com quem dividiu os palcos por 28 anos, Edson foi enfático: “pela incompatibilidade musical que estávamos vivendo, eu, sinceramente, não senti falta”.
Veja a entrevista com o sertanejo à Abril.com:
Abril.com: Quando você começou a pensar no CD solo?
Edson: Quando eu e o Hudson anunciamos a separação eu já comecei a pensar nisso, mesmo durante a turnê de despedida. Para fazer o CD, eu busquei a sonoridade que a nossa dupla tinha nos últimos trabalhos. Ficamos em estúdio entre agosto e setembro do ano passado. O processo demorou uns três meses até a finalização.
Você compôs a maioria das músicas, né?
Sim, eu já era compositor da dupla e não foi difícil. Fiquei bem feliz com o resultado.
E qual foi a sensação de entrar em estúdio sem o Hudson?
Eu e ele vivíamos uma incompatibilidade musical tão grande que eu, sinceramente, não senti falta. Na dupla, a gente era uma dupla sertaneja que tinha um guitarra nas músicas, mas, com o tempo, isso foi ficando demais e me incomodava um pouco.
O Hudson também está trabalhando em um projeto solo?
Ele faz uma mistura de pop e rock. É um belo disco, estou torcendo muito por ele, porque ele é meu irmão e merece.
Sobre o seu trabalho, como foi gravar com o Pelé? Como surgiu o convite, a ideia? (os dois cantam juntos a música “Sou Brasileiro”)
Eu fiz a música com o Flavinho [produtor do disco] e aí veio na minha cabeça o Pelé. Pensei: ‘imagina se ele gravar comigo?’ e tudo na nossa vida começa com um sonho, né? Aí eu pensei como poderia chegar nele. Um dia, toca meu telefone e era ele: ‘fala, xará, é o Pelé’. Eu não sabia o que fazer, fiquei muito feliz. Hoje, considero ele como um irmão. Ele é uma pessoa simples, como ser humano, como cidadão A gente até gravou um clipe, que é exclusivo no CD e vamos fazer apresentações juntos.
Ele mandou bem na hora de cantar?
Mandou muito bem, fiquei muito satisfeito. E ele é muito bom compositor. A música ficou engraçada, ficou bonita, ficou para cima. O brasileiro é muito animado.
E com o Carlinhos da Silva, como foi? (o intérprete do Mendigo canta a música “Aaah Taaah” com Edson)
Eu costumo dizer que este CD foi uma coisa que rolou na emoção. A gente estava indo em uma balada e tinha uma menina muito bonita lá, aí de um comentário a gente fez a música. Já com a gravação com o Zezé Di Camargo rolou porque ele teve um problema vocal, ele passou por uma cirurgia e eu o admiro muito. A música diz que quem canta não para e ele disse: ‘quero gravar com você’ e aconteceu. Essa canção tem a ver com a minha separação do Hudson e com o Zezé. A música é tão forte que virou o nome da minha turnê.
Você chegou a mostrar o trabalho para o Hudson?
Sim, eu mostrei, mas não sei a opinião dele. Ele é muito crítico e se não tivesse gostado de alguma coisa, teria falado. Eu também ouvi o disco dele e achei maravilhoso.
E, depois da separação, como ficou a relação com os fãs da dupla?
A gente tinha 15 fãs-clubes oficiais e os 15 fãs continuam me acompanhando e aí surgiram mais 12. Eu me senti como uma criança que foi pegada no colo pelos fãs. Sou devoto dos meus fãs, porque o verdadeiro artista é o público, são eles que fazem o artista.
Sobre a nova safra de sertanejos, o que você acha?
Eu lembro da época que surgiu o Zezé Di Camargo, aí teve o ‘Amigos’ e isso abriu muitas portas para os sertanejos. Essa meninada nova só veio a somar. Eu gosto do estilo musical de todos eles, porém eu acho que vai ter uma hora que vai dar uma balançada e só quem tem talento vai ficar. Tem muita gente que critica porque é chamado de sertanejo universitário, mas eu acho que é uma bobeira se preocupar com isso. Hoje, para se ter uma ideia, toca sertanejo em bares de MPB da Barra da Tijuca, no Rio
E quais duplas você acha que vão sobreviver?
Você quer me colocar me maus lençóis, né? (risos) Mas tem uma galera muito boa, muito focada. Mas quem eu acho que sobrevive…posso citar alguns que conheço, como Fernando e Sorocaba, Maria Cecília e Rodolfo, João Neto e Frederico, Jorge e Mateus, Hugo Pena e Gabriel. Todos eles são bons, não têm frescura, sabe? Uma vez, em um hotel, a gente foi fazer um show e aquele monte de sertanejo se reuniu para tocar lá mesmo. A maioria ficou até o outro dia cantando. Os sertanejos se defendem, são unidos, a gente é do povo.
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