
Foto: Divulgação/SBT
[TEXTO: PRISCILA TIEPPO]
Afastada das novelas, desde que participou de “Da Cor do Pecado” (2004), da Globo, Luciana Vendramini está de volta à TV em “Uma Rosa com Amor” do SBT. A atriz interpreta a socialite Ninica na trama e contou que sofreu para construir a personagem que tem uma vida leve, diferente da sua.
Além disso, Luciana falou sobre a depressão e o TOC (Transtorno Obssessivo-Compulsivo) que teve, carreira e namoro.
Veja a íntegra da entrevista à Abril.com:
Abril.com: Luciana, conte um pouco sobre sua personagem em “Uma Rosa com Amor”.
Luciana Vendramini: A personagem é a Ninica, que está no núcleo da socialites, patricinhas, das peruas com quem ela anda ela. Mas, entre elas, ela é a única que tem uma profissão, é jornalista. Ela também não está preocupada em fazer fofoca como as outras, que são bem o “mundo Daslu”. A Ninica é atrapalhada, é engraçada, tem humor.
Você se inspirou em alguma personagem ou em alguém para compor o papel?
Eu achei que tinha a ver com os filmes da Cameron Diaz, assisti todos os filmes dela para entender a leveza da personagem. Ela é leve, apesar de ter preocupações em voltar a trabalhar, mas a trama não fica o tempo todo focada nisso. Também coloquei um pouco daquela coisa boba da Pheebe, do “Friends”.
É o seu retorno à TV, né? A última novela foi “Da Cor do Pecado”.
Sim, em 2004. Depois, fui morar em Nova York e voltei para fazer a peça “A Bruxa Morgana” com a Rosi Campos. Para mim, não tem essa coisa de escolher emissora, eu acho que é bom que tenha outras emissoras mesmo. O que importa é o espaço, o papel e a vontade. A gente gosta de trabalhar com quem gosta de trabalhar com a gente.
Como surgiu o convite?
O convite foi feito primeiro pela Íris Abravanel e depois o Tiago Santiago [autor da novela] também me convidou.
E como está sendo interpretar a Ninica?
Eu estou achando divertido, porque os papéis que me chamam atenção são os mais conflituosos. Não é meu universo a felizinha, então para mim é mais difícil interpretá-la. É fácil para quem vive essa vida leve, a minha vida não tem nada a ver com a da Ninica. Até dei uma voltinha na Daslu, coisa que não tinha feito antes, para ver como as meninas se comportam e elas só falam de roupas, viagens e homens.
Você acha que a personagem tem a ver com sua nova fase, mais leve, depois de se recuperar do TOC e da depressão?
Eu tive TOC, mais do que depressão. A depressão vem quando você não vê um resultado imediato. Mas eu acho que está sendo ótimo. Quando eu me tratei, em 2002, depois de 4 anos de tratamento, eu consegui ficar bem e eu quis voltar a estudar com o Antunes Filho e ele aceitou que eu voltasse, o que é difícil de acontecer, e lá tive a certeza que eu conseguiria fazer coisas muito interessantes. Lá, eu fiquei dois anos, e logo depois fiz a peça “4.48 Psicose”, que é um monólogo e a personagem conta sobre a depressão. No texto, ela sentia vontade de morrer, porque o sofrimento era muito agudo, é um texto bem complexo.
Você usou a personagem como um desabafo sobre a doença?
É, soou um pouco como cartase, mas eu me diverti muito fazendo. Tanto que o diretor ficou chocado com o resultado, pois foram apenas 28 dias pra decorar, ensaiar e estrear. Ficamos oito meses em cartaz, quando o previsto era menos. E aí foi a minha volta e eu quis voltar pelo teatro, em 2004.
Como foi o tratamento?
As pessoas potencializam demais os problemas e TOC você trata. Só que é uma doença que vem como uma porrada, você não consegue fazer nada e eu quis me tratar, foi muito difícil e é um tratamento muito caro. Comecei em 1998 e fiquei 4 anos me tratando. Foi um pouco demorado porque eu evitava o remédio e exige medicação. Até aceitar, eu estudei muito o assunto e descobri que é um problema químico e aí eu aceitei.
Você sabe o que desencadeou a doença?
Como a Psicologia é muito recente, não tem uma explicação exata. A minha médica mesmo fala não tem como dizer uma causa. E eu queria isso, e não encontrei essa resposta e eu ficava a mercê do invisível e eu queria um motivo. Mas não tive.
Neste período, então, você estudou bastante sobre o assunto?
Passei quatro anos lendo tudo sobre transtornos. Eu melhorei, em 2002, mas ainda pisando em ovos, querendo ficar lá só com o Antunes [Filho], que é muito intenso e eu o admiro mesmo assim.
E em Nova York, você foi lá para estudar?
Fui para lá em 2005 e morei dois anos. Fiquei estudando, dando um tempo para mim, coisa que eu não tinha desde os 13 anos, quando comecei a trabalhar e não parei mais. Lá, pude ter uma vida normal, pude viver, tinha um namorado que é americano. Foi bom.
Você está namorando?
Sim, estou, mas ele não é do meio. Não quero ninguém do meio.
Por quê?
Porque é muito complexo e eu gosto da diferença das profissões.
A sua primeira Playboy teve toda a polêmica da sua idade [Luciana tinha apenas 16 anos na época] e você sempre foi considerada um símbolo sexual, como você vê isso hoje?
Hoje eu não teria feito a Playboy. Foi muito precoce e naquela época eu me achava madura. Imagina, com 16 anos eu era virgem e era muito inocente. Às vezes, a rebeldia tem um preço caro, foi um trabalho que me deixou mais tímida do que eu já sou. Até hoje, a nudez comigo é difícil. Hoje eu tenho maturidade pra entender isso.
Depois, veio o segundo ensaio nu.
No segundo ensaio, em 2004, eu já estava mais madura, já me divertia mais e pensei: ‘porque não dessa vez?’ Ainda assim, fiquei tímida, mas já tinha mais maturidade, já tinha passado dos 30 anos.
Tendo passado pelo TOC, pela experiência de começar a trabalhar cedo e tudo que aconteceu até aqui, como você avalia a sua carreira?
Agora sim eu tenho uma carreira com conteúdo. E não é só pela vivência, mas por ter estudado mais. Eu dou muito valor para quem estuda, porque a ansiedade não permite que faça isso, às vezes. Você fica aprendendo pelos personagens que chegam e não vai atrás do conhecimento e eu acho que é nesse momento que você mostra se gosta do que faz ou se gosta só de aparecer. Hoje, eu estou preparada para tudo, desde interpretar um personagem de Cameron Diaz até fazer um ‘4.48 Psicose’. Eu só preciso ouvir “ação”, não preciso me preparar, já estou pronta.
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