
Foto: Divulgação/Globo
[TEXTO: PRISCILA TIEPPO]
O primeiro capítulo de “Escrito nas Estrelas” foi tenso e dinâmico, ao mesmo tempo. A autora Elizabeth Jhin apostou na dinâmica para apresentar os personagens e apresentar os temas a serem desenvolvidos na nova novela das 18h, que estreou na última segunda-feira (12); e na tensão, para prender a atenção do telespectador.
Falando de pressentimentos, previsões de uma cartomante e ligações com o passado, o texto da estreia deu o tom espiritual e místico da novela. Por outro lado, apresentou as dificuldades de estudantes de Medicina que estagiam em uma favela e a riqueza de uma clínica conceituada no ramo da reprodução assistida. O conflito maior, neste quesito, acontece entre pai e filho. Ricardo (Humberto Martins) e Daniel (Jayme Matarazzo) discutem feio por três vezes sobre o assunto no mesmo capítulo.
O filho mantém a postura de ajudar aos pobres e lhes prestar atendimento, enquanto o pai quer que ele participe de um congresso sobre reprodução artificial e se dedique mais à carreira e ao seu “futuro brilhante como médico”. Porém, ambos não terão tempo de resolver este incompatibilidade de visões sobre a mesma profissão. Daniel sofre um acidente de carro e morre para continuar na novela como espírito.
No meio dos dois, está Viviane, interpretada por Nathália Dill, que protagoniza sua segunda novela na Globo. E ela já não tem mais nada da Santinha, que viveu em “Paraíso”.
A heroína do folhetim mora em uma favela, vive trabalhando em “biscates” para ganhar dinheiro, sustentar o pai (viciado em jogo e que se envolve em um assalto) e ainda arruma tempo para lutar por direitos de seus colegas de comunidade.
Ao apresentar o ambiente em que a mocinha vive, “Escrito nas Estrelas” reviveu cenas recentes que ocorreram no Rio de Janeiro, na última semana. Uma enchente destrói barracos e o posto médico da favela. Vendo o desespero das pessoas machucadas, Viviane organiza uma multidão que vai a clínica de Ricardo, em uma zona nobre do Rio, para que os moradores sejam atendidos por Guilherme (Marcelo Faria), o médico que coordena o posto da favela. Após muita discussão, ela consegue que eles entrem no hospital e recebam cuidados.
Ao mesmo tempo, Daniel abandona o pai no congresso, em São Paulo, e segue para a cidade para prestar socorro a todos. No meio desta confusão, depois de ambos brigarem muito com os outros, eles se conhecem, quando a deicidida e “estressadinha” Viviane se esconde no carro do estudante para fugir da polícia – após uma forte perseguição e a acusação de estar envolvida no assalto a uma joalheria, cometido por seu pai, Jofre.
Antes de sofrer o acidente com o carro, Daniel deixa uma corrente, com pingente de anjo, para Viviane, que deverá ser a ligação dos dois, depois da morte do menino rico.
Em tudo que foi mostrado na trama, vale, também, destaque para o vilão Gilmar, vivido por Alexandre Nero. O ator não lembra mais os papeis ”boa praça” que fez tanto em “A Favorita”, como em “Paraíso”. Além da mudança de visual, o olhar e a postura também mudaram, demonstrando a maldade do médico que vive.
Já o mocinho, Jayme Matarazzo, pode engrenar nas cenas como espírito e dar um ar mais natural a Daniel. Esta é sua estreia como protagonista de novela. O ator participou da minissérie “Maysa”, dirigida por seu pai, Jayme Monjardim, que conta a história de sua avó.
Todos os contrastes citados aqui dão o tom à novela. Pobreza e riqueza, espiritualidade e ceticismo, interesses egoístas e generosidade, ação e comoção – tudo no mesmo capítulo. Se a novela seguir o ritmo dinâmico, tem tudo para prender a atenção do público.
Em tempo: “Escrito nas Estrelas” superou a antecessora na estreia. A trama marcou 26 pontos de média, enquanto “Cama de Gato”, estreou com 25, de acordo com a coluna “Zapping”, do jornal “Agora São Paulo”.
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