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Márcio Vito sobre “5x Favela”: “se tem alguém que pode falar de favela é quem mora lá”

Foto: Divulgação

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[TEXTO Bruno Dias]

Depois dos sucessos de “Cidade de Deus” e “Tropa de Elite”, onde a estética da pobreza e as favelas cariocas foram expostas para o mundo, ninguém imaginava que algum outro filme pudesse alcançar os mesmos resultados. Fora isso, muitos já começaram a torcer o nariz para a banalização desse tipo de temática. E foi justamente quando não se esperava outra produção de sucesso nesse estilo, que o filme colaborativo “5x Favela, Agora por nós mesmos”, projeto coordenado pelo cineasta Cacá Diegues e Renata Magalhães, que estreou na última sexta (27) nos cinemas brasileiros, surpreendeu críticos ao redor do mundo e tem tudo para conquistar o público no Brasil.

Para se ter ideia, “5x Favela, Agora por nós mesmos” foi muito aplaudido durante o Festival de Cannes deste ano e sagrou-se o grande vencedor da 3ª edição do Festival de Cinema de Paulínia, levando para casa sete prêmios, entre eles o de melhor filme (júri popular e júri oficial), melhor ator e atriz coadjuvante (Márcio Vito e Dila Guerra) e roteiro (Rafael Dragaud).  “Foi uma surpresa para mim e para a Dila Guerra também. São muitos personagens, é uma troca de bola constante. Surpreendeu porque poderia ser qualquer um de nós, poderia ter ido para qualquer outra pessoa com muita justiça”, conta Márcio Vito sobre o prêmio recebido em Paulínia.

Em Cannes, a exibição no festival serviu para confirmar a qualidade de “5x Favela”, mesmo tendo outros filmes com uma temática parecida sendo passados no evento. “Tivemos uma recepção pré-filme que foi muito legal. Depois, podia ser só mais uma delicadeza do público e acabou que isso se multiplicou por 10. Fomos muito aplaudidos. Era muito legal estar lá e ver uma senhora francesa com uma bolsa do festival de 30 anos atrás. Estar lá já era do caralho e além disso conseguir tocar as pessoas, foi incrível”, relembra Vito.

A experiência de ir para Cannes este ano foi ainda mais marcante para Márcio Vito, pois ano passado o ator não pode ir para o festival representar o longa “No Meu Lugar”, de Eduardo Valente, por estar gravando “Caminho das Índias”, da TV Globo. E se não bastasse ter ido com “5x Favela”, Vito também  foi ao evento francês com o filme “A Alegria’, de Felipe Bragança e Marina Meliande, que estreia na segunda semana de setembro. “Tive a sorte de ir com dois filmes esse ano. Ano passado quando não conseguir ir eu pensei que nunca mais iria para Cannes”, afirma o ator.

A banalização dos filmes sobre a violência nas favelas e o cotidiano nas comunidades foi uma preocupação inicial para Márcio Vito quando ele foi convidado para fazer o papel do eletricista Lopes no episódio “Acende a Luz”, de Luciana Bezerra. “Escutava muito as pessoas falando que não aguentavam mais essa temática de favela”, revela Vito, que viu essa rusga se dissipar quando soube que o projeto seria encabeçado por sete diretores iniciantes, todos saídos de comunidades. “Tudo depende de como você conta uma história. Fale sobre o que você conhece. Para ser universal, descreva seu quintal, olhe para dentro de si. Esse filme tem essa essência, se tem alguém que pode falar de favela é quem mora lá.”

Após o reconhecimento da crítica pelo trabalho em “5x Favela”, Márcio Vito recebeu alguns convites de trabalho, mas prefere manter a postura que sempre teve em sua carreira, de continuar atuando naquilo que lhe dá prazer e com pessoas legais, que ele confia. No currículo do ator estão trabalhos na TV (“Malhação ID”, “Força-Tarefa”, “Caminho das Índias”), teatro e cinema (“Meu Nome Não É Johnny”, “Muito Gelo e Dois Dedos d’Água”, “Quase Dois Irmãos” e “A Ostra e o Vento”).

Ao ser questionado sobre qual dessas áreas da dramaturgia mais o agradava, Márcio Vito citou o falecido ator Fernando Torres, com quem contracenou em “A Ostra e o Vento”. “Onde precisar de um ator eu quero que pensem em mim”, afirmou o ator, que completou. “Eu sou ator, se precisar de um ator para animar uma festa de crianças, eu to dentro. Tem gente que fala que faz teatro porque ama, TV porque precisa e cinema porque merece. Pra mim isso é uma piada.”

Veja mais:

Assista ao trailer de “5X Favela”

“5x Favela” é o vencedor do Paulínia Festival de Cinema

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7 Comentários para “Márcio Vito sobre “5x Favela”: “se tem alguém que pode falar de favela é quem mora lá””

  1. janaina disse:

    realmente somente quem vive neste local podemos falar o que passamos,somos discriminados quando falamos onde moramos o olhar muda,a fisonomia,as palavras se perdem na verdade mesmo sendo um cidadao de bem,eles ficam com medo de nos achando que quem mora em favela ou morro faz parte do trafico ou ate mesmo dos homens sanguinarios temos que respeitar a diferença,cada um vive la do jeito que acha melhor.

  2. janaina disse:

    moro na favela do rio de janeiro e vivo isso de perto e horrivel dias de operaçao sao muitos moradores e crianças pessoas de bem que pagam o preços por traficantes se estiverem na rua e atigindo por balas perdidas,na realidade como um cidadã do bem acho que isso nao tem mais fim,temos somente que chorar e pedir a deus nossa criaçinhas de volta mais seria impossivel DEUS devouve-la

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