BLOGs / TV por Jorge Brasil

Ninguém é de ninguém em ”Fina Estampa”

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012 por jorgebrasil

Rene (Danton Vigh), Tereza Cristina (Cristiane Torloni) e Pereirinha (José Mayer) - Foto: Divulgação

Não bastasse Tereza Cristina (Christiane Torloni) fazer o que bem entende sem que nada aconteça de fato com a Víbora do Nilo (descontando a cena ridícula em que ela foi amarrada e obrigada a dizer que era uma vira-lata), Fina Estampa também se revelou uma terra de ninguém no que se refere ao amor. É isso mesmo. Tereza Cristina dispensou Renê (Dalton Vigh), o marido que dizia idolatrar como se fosse uma blusa velha. E caiu na cama de Pereirinha (José Mayer), que é simplesmente marido de sua inimiga número 1: Griselda (Lilia Cabral).  Esta também se faz de tão honesta, mas embarcou no romance com Renê, ainda casado com a Jacaroa do Nilo, mas manteve Guaracy (Paulo Rocha) no cabresto. Só por garantia, sabe como é? E mesmo ciente de que o portuga está envolvido seriamente com Esther (Júlia Lemmertz), Griselda não vai dar a mínima para a estilista e, se atracará aos beijos e abraços com o gajo. Pensa que a bandalheira acabou? Que nada!

Rene (Dalton Vigh), Griselda (Lília Cabral) e Guaracy (Paulo) - Foto: Divulgação

Esta não será a primeira vez que Esther leva chifre na novela. Aquele amor imenso entre ela e Paulo (Dan Stulbach), regado a muitos beijos, abraços e afagos em público, sucumbiu ao simples desejo da moça de ser mãe. Egoísta da planta do pé à ponta do cabelo, Paulo não quis dividir a mulher com um bebê, mas soube passa-la para trás com Marcela (Suzana Pires), enquanto ainda era casado com ela. E, logo depois de expulsá-la de sua vida, se jogou na cama de Vanessa (Milena Toscano).  Mas pensa que Esther é apenas vítima dessa história? Não!!! Mesmo namorando Guaracy, ela vai trocar beijos calientes com o ex-marido, praticamente na cara do dono da padaria. Credo!

A sobrinha de Crô (Marcelo Serrado) obviamente só estava com Paulo para tentar ascender socialmente, já que seu objeto de desejo (em parte pelo mesmo motivo) sempre foi o chef do Brasileiríssimo. Ao ficar sabendo que o cozinheiro botou Pereirão para correr de sua vida, ela trata de dar um pé na bunda de Paulo e volta a ser recepcionista do restaurante de Renê. E não é que, dessa vez, vai pintar um clima entre os dois? Fala sério, né? Esse estilo “o que cair na rede é peixe” de Aguinaldo Silva criar seus núcleos amorosos está impregnado em toda a novela. Até mesmo Crô, que parecia tão apaixonado por seu namorado secreto e chorou até morrer com o corpo de Fred (Carlos Vieira) sem vida em seus braços, revelou dias depois do falecimento do rapaz que “um homossexual não tem um namorado só”. E que é viciado em homens com tatuagens de escorpião no pé. Repentinamente, Ferdinand (Carlos Machado), Baltazar (Alexandre Nero), um dos moradores do Recanto da Zambeze e surgiram com desenhos absolutamente idênticos no pé direito, assim como era com Fred. Isso, sinceramente, não dá para engolir. Mas nem com muita água! É querer subestimar demais a inteligência de o público fazer metade dos homens do elenco terem tatuagens iguais no mesmo ponto exato do pé. Será que foi uma moda surgida em alguma novela? De Aguinaldo Silva, certamente…

Antenor (Caio Castro), Patrícia (Adriana Birolli) e Alexandre (Rodrigo Hilbert) - Foto: Divulgação

Até mesmo com o mais fofo casal de Fina Estampa, Amália (Sophie Charlotte) e Rafael (Marco Pigossi), a sacanagem tomou conta. Apesar de ser verdadeiramente apaixonado pela moça, Rafa não só se prostituiu com Mirna (Ângela Vieira), como também transou horrores com Zuleika (Juliana Knust) no escritório da Fashion Motors. Imagina o que o garanhão faria se não gostasse realmente da Amália? Em todos os núcleos, essa fragilidade de sentimentos se manifesta. Patrícia (Adriana Birolli) ciscou com Alex (Rodrigo Hilbert) e teve a falta de vergonha na cara de voltar para Antenor (Caio Castro), que, por sua vez, passou bons momentos na cama de Bia (Monique Alfradique).  Guaracy, mesmo tão apaixonado por Griselda, jogou muito charme para Dagmar (Cris Vianna), que preferiu os braços musculosos de Quinzé (Malvino Salvador), mas agora fica nesse chove não molha com Albertinho (André Garolli) e vai se envolver com Wallace (Dudu Azevedo). E o lutador esqueceu Teodora (Carolina Dieckmann) de um dia para o outro, se divertiu com Zuleika e ficará caidinho pelas “empadas” da bonitona. Espelho, espelho meu, existe alguém mais volúvel do que Quinzé? Ele é descaradamente apaixonado pela safada da Teodora, parecia gostar de Dagmar, está só se distraindo com Deborah (Ana Carolina Dias) e ainda se deu muito mal com a loura má vivida por Fiorella Matheis. Estou chegando a conclusão de que ele realmente merece a Teodora… Até Nanda (Luma Costa), tão boazinha, foi esquecer o então michê, Leandro (Rodrigo Simas), com a ajuda do bonitão Victor (Fábio Keldani). Mas ninguém duvide que ela trocará o salva-vidas pelo lutador novamente. Fato!

Para que ninguém diga que fui muito inflexível, Tia Íris (Eva Wilma) & Alice (Thaís de Campos), Álvaro (Wolf Maya) & Zambeze (Totia Meirelles), Solange (Carol Macedo) & Daniel (Guilherme Boury), Edvaldo (Rafael Zulu) & Glória (Mônica Carvalho) e Baltazar & Celeste (Dira Paes) são os casais mais bem resolvidos e fiéis de Fina Estampa. Mesmo porque já ficou claro que Celeste adora levar uns tabefes do Zoiudo na hora H… E logo, logo vamos descobrir que o picareta do Enzo (Júlio Rocha) é verdadeiramente apaixonado por Danielle (Renata Sorrah) e será o ombro amiga da médica nos momentos terríveis que ela terá de enfrentar. É… Onde menos se espera a gente pode encontrar um sentimento sincero, em meio pântano que serve de pasto para os casais “românticos” de Fina Estampa.



As Brasileiras estreia com o pé direito e, Record acerta com Rei Davi

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012 por Contigo!

Janaína (Juliana Paes) e Valquiria (Leona Cavalli) ajudam Anderson (Marcos Palmeira) a ir para o hospital

Bem! Mesmo que não tivesse sido absolutamente divertido e delicioso, A Justiceira de Olinda – episódio de estreia de As Brasileiras – já teria servido como uma espécie de Enem (só que muito honesto e sem picaretagem) para Juliana Paes provar que nasceu para interpretar Gabriela no remake da novela de 1975 que estreia esse ano. Sua Janaína tinha o corpo moreno, sedoso e gostoso que só Gabriela tem e também a mesma sensualidade selvagem e o temperamento doce e arretado da personagem de Jorge Amado. Pois Juliana Paes foi tudo isso e muito mais. Foi também engraçada e totalmente convincente numa história surreal. Janaína, mesmo tendo cometido um crime abominável, conquistou a simpatia de todo mundo, e se tornou uma inesquecível anti-heroína da TV. É isso! Gostei demais da estreia de As Brasileiras.

Para quem cometeu a besteira de não assistir A Justiceira de Olinda, a trama falava da deslumbrante Janaína. Desejada por todos os homens do bairro e invejada pelas mulheres, ela era incondicionalmente apaixonada pelo marido, Anderson (Marcos Palmeira), mesmo ele tendo um pequeno inconveniente: um órgão sexual abaixo da metragem exigida para um pernambucano porreta. E, mesmo assim, foi esse ”atributo” que Janaína decidiu cortar pela raiz, quando imaginou estar sendo traída. E justamente com sua melhor amiga, Valquíria (Leona Cavalli). Realmente não é lá algo que nenhuma mulher gostaria de descobrir. O melhor de tudo é que a cena de decapitação do pênis de Anderson, que tinha tudo para ser chocante, mesmo numa comédia, foi leve e engraçada. Mérito da diretora Chris D´Amato e do casal de protagonistas que entrou no clima non sense da história.

Mas Janaína descobria que tudo não passava de um equívoco e tentava correr atrás do prejuízo. A partir daí, com o dito cujo num saquinho de gelo, e o pobre Anderson se remoendo de dor, A Justiceira de Olinda, virou uma comédia rasgada, em que todos os atores (mesmo os mais coadjuvantes e figurantes) conseguiram se destacar. Eu ri muito com o caminhoneiro olhando para o órgão cortado e exclamando, penalizado: ”Ai, homi, que merda!” (risos). Cyria Coentro (Vizinha), Maria Helena Pader (Recepcionista), Fernando Ceylão (Médico) e George Sauma (Feirante) estavam bem e Leona Cavalli provou mais uma vez a atriz completa que é. Geralmente implico com Marcos Palmeira, mas, dessa vez, ele me pegou de jeito e curti demais seu atarantado Anderson. Mas foi Juliana – e como deveria ser mesmo – a rainha da noite. Linda, leve e à vontade num papel que era a sua cara.

O texto de Marcos Bernstein foi outra delícia do programa, valorizadíssimo não só pelos atores, mas também pela narração perfeita do mestre Daniel Filho. Na boca do veterano, frases como ”Fofoqueiro de Olinda não esquece nem a invasão holandesa, quanto mais acidente nos países baixos do vizinho!” e ”Como se diz em Pernambuco: tava ficando despirocado!” ganharam ainda mais sabor.  A abertura, reunindo todas as impressionantes estrelas dos 22 episódios, foi parecida com a de As Cariocas (2010), o que foi ótimo para manter a unidade e o parentesco com a série original. O mais engraçado é que na estreia de As Cariocas eu não curti a abertura e, hoje, adoro. Nada como um dia depois do outro mesmo… Graças ao alto astral e deboche de A Justiceira de Olinda, As Brasileiras estreou com o pé direito. E que venham, entre outras, A Inocente de Brasília, A Indomável do Ceará, A Mascarada do ABC, A Perseguida de Curitiba e, claro, A Apaixonada de Niterói (risos)…

REI DAVI DECOLA COM FORÇA..

Leonardo Brício

Eu simplesmente detestei o primeiro capítulo de Rei Davi. Achei tudo exagerado demais, os atores fora do tom e, para piorar, com uma caracterização péssima.  Cabelos horrendos, maquiagens mal feitas e cenário/figurinos que mais pareciam saídos de um (ruim) desfile de escola de samba. Mas a minissérie da Record foi me pegando aos poucos. O segundo episódio achei mais bem acabado e tive a certeza de que os jovens Leandro Léo (Davi) e Eline Porto (Mical) e o veterano Gracindo Jr. (Rei Saul) eram de longe os melhores do elenco. Rei Davi evolui a cada nova parte exibida, o que me deixa muito feliz já que o investimento da emissora no projeto envolveu não só muito dinheiro (algo em torno de R$ 25 milhões), mas também doses cavalares de paixão e vontade de acertar.

 

No campo de batalha, ao verem o pequeno Davi, Golias e Aquis, o rei dos filisteus

O melhor momento da série até agora foi o duelo entre o pequeno Davi e o gigantes Golias, confesso, a única passagem da vida do protagonista que eu conhecia.  A cena foi muitíssimo bem realizada. A Record caprichou na parte técnica, com uma fotografia lindíssima e tomadas bem ousadas. Os diretores criaram um bom clima de suspense e, apesar de todo mundo já saber o que iria acontecer, foi impossível não ficar ansioso e tenso com a coragem do pequeno pastor de ovelhas. A equipe de efeitos visuais optou por gravar a luta, alternando movimentos rápidos com uma esperta câmera lenta, principalmente, na hora de mostrar a trajetória da bendita pedra que derrubou o gigante filisteu. O público praticamente participou da briga junto com o jovem herói. Muito acertada ainda a decisão de manter o texto num tom contemporâneo e coloquial, impedindo que Rei Davi tivesse aquele tom emproado de época, que poderia ter sido fatal não só para a atuação dos atores, como também para a compreensão do espectador.

Agora, o que mais me incomodou lá na estreia da série, continua me tirando do sério agora. Ainda acho de muito mal gosto o cabelo e a maquiagem dos atores. O mesmo não acontecendo com as atrizes, que estão lindíssimas e, principalmente, muito bem vestidas. O que é a cara de Abner (Iran Malfitano), Eliã (Eduardo Sermerjian), Jonatas (Cláudio Fontana) e Eliabe (Rodrigo Phavanello)? Parecem um bando de travestis e não de guerreiros. Ou seriam guerreiros-travestis?  Fiquei com pena também de Roney Vilela (Doegue). O coitado não merecia ficar tão horroroso.
Vou esperar que Leonardo Brício (Davi adulto), Renata Dominguez (Bate-Seba), Maria Ribeiro (Mical) e Camila Rodrigues (Merabe) tomem conta de vez de seus personagens para fazer uma nova avaliação. Até lá, Roger Gabeth (Amnon), Léo Rosa (Absalão) e Julia Fajardo (Tamar) também entrarão na história e estou curioso para ver como será desenvolvido o núcleo familiar de Davi. De qualquer maneira, espero que Rei Davi continue melhorando a cada novo capítulo. O público da Rede Record merece.



Entre a maturidade de O Brado Retumbante e o amadorismo de Corações Feridos

sábado, 28 de janeiro de 2012 por jorgebrasil

Domingo Montagner deu um show em O Brado Retumbante

Sabe qual foi a sensação que me deu depois de, durante duas semanas, assistir a Corações Feridos, no SBT, e, logo depois, emendar em O Brado Retumbante, na Rede Globo? A mesma de ao sair da peça montada por um amigo para conferir O Despertar da Primavera. Eram dois musicais, sendo que o trabalho do meu amigo, coitado, era extremamente amador. Um grupo sem experiência e vivência de palco, o que resultou num dos momentos mais constrangedores da minha vida, já que precisei dizer mirando no olho dele, o que achei de sua estreia como dramaturgo e diretor. Foi duro! Já O Despertar da Primavera, nem era uma superproduções, mas o texto era tão bom, a direção impecável e o grupo de atores/cantores tão extraordinários que fiquei morrendo de pena e (ao mesmo tempo) raiva do meu amigo, tamanha a diferença de qualidade entre as duas produções.

José Wilker, Murilo Armacollo e Luiz Carlos Miele: problemas para o presidente

Pois foi assim mesmo que fiquei. O Brado Retumbante foi impecável, do início ao fim. O inevitável gostinho de quero mais ficou dentro de mim e também um desejo muito grande de que a Globo produza uma segunda parte ou transforme o programa em seriado. Mas nem vou criar expectativas em relação a isso, já que o protagonista Domingos Montagner está escalado para a próxima trama de Glória Perez e não quero ficar amargurado. Até hoje não me conformo por A Cura simplesmente ter acabado cheia de lacunas, dúvidas e questões a serem desenvolvidas. Na verdade, eu estava com um pé atrás em relação a O Brado Retumbante, porque não tenho a menor paciência para temas políticos. Mas ao ler a sinopse, fiquei curioso para ver o tratamento que o autor, Euclydes Marinho, iria dar para um personagem tão complexo como Paulo Ventura. Político idealista, ético e incansável na luta pela moralização da política brasileira, Paulo Ventura é tudo que o povo sempre sonhou. É quase um Don Quixote, com a diferença que ele não lutou contra moinhos de vento e sim com monstro realmente terríveis com quem a gente, infelizmente, se depara todos os dias. Só que, ao mesmo tempo em que ele é um político tudo de bom, na vida pessoal Paulo só fez trapalhadas. Expulsou o filho, Júlio (Murilo Armacollo), de casa por ser homossexual, nunca soube lidar com a bipolaridade da filha, Marta (Juliana Schalch), e era um galinha de marca maior. Paulo Ventura nunca traiu seu eleitorado, em compensação encheu a cabeça da esposa, Antônia (Maria Fernanda Cândido), de chifres e se entregou ao álcool quando ela lhe deu o troco. Ou seja: um herói imperfeito, um ser humano comum como qualquer um de nós, magnificamente vivido por Domingos Montagner.

Mariana Lima e Maria Fernanda Cândido: as duas mulheres do presidente

Nunca vi uma obra tão transparente quanto O Brado Retumbante. Amei a seriedade, inteligência e talento com que contou a trajetória de Paulo Ventura, um acidental presidente do Brasil. O grande barato do programa foi o tratamento dado ao universo político nacional, geralmente abordado com humor e chacota. Nossos políticos na ficção já eram corruptos, safados, amorais, só que também engraçados, caricatos e, por isso mesmo, totalmente perdoáveis. Desta vez, não. Toda repugnância que existe nesse meio foi jogado na cara do público e isso é muito bom para que a gente aprenda a votar. Mas infelizmente, a série teve uma baixa audiência, só revelando o quanto o grande público prefere produções mais fáceis de digerir. Realmente assistir a algo que faça pensar naquela hora da noite, não é fácil não. Mesmo assim, O Brado Retumbante teve seus momentos de humor. Um pouco mais escrachado no texto de Beijo (Otávio Augusto) e bem mais irônico nos outros núcleos. Mas, no geral, o tema é tratado com total seriedade e em tom de denúncia. Todas essas corrupções, safadezas e negociatas que tanto lemos nos jornais estiveram lá reveladas em letras bem grandes. O jogo político, muitas vezes sujo e sem compreensão para a maioria de nós, foi retratado sem didatismo, mas muito fácil de ser compreendido. Muito bom mesmo.
Além do ótimo Domingos Montagner, todo o elenco da minissérie merece aplausos. Maria Fernanda Cândido – que sempre achei muito apática – estava muito bem como a primeira-dama; Maria do Carmo Soares roubou todas as cenas como a venenosa mãe do presidente e José Wilker e Otávio Augusto mais uma vez se superaram como os safados Floriano e Beijo. Curti demais também Mariana Lima (Fernanda), Cacá Amaral (Saldanha), Valter Santos (Werneck), Leopoldo Pacheco (Tony), Hugo Carvana (Mourão), a já citada Juliana Schalch e o mitológico Luiz Carlos Miele, como o satânico Senador Nicodemo. Uma equipe nota 10, que fez de O Brado Retumbante um programa inesquecível.

Flávio Tolezani e Patrícia Barros: lindos e esforçados

Mas antes desse banquete para o cérebro, tive que digerir Corações Feridos… Tive muita boa vontade para a nova novela do SBT, sabia? Corações Feridos é uma adaptação da trama latina, La Mentira e só isso já garante à trama um componente folhetinesco que é fundamental. Pelo menos no quesito dramaturgia, Corações Feridos dá um banho em sua antecessora, Amor e Revolução. O maior pecado da bem intencionada novela de Tiago Santiago foi parecer um livro de História daquele bem pesado e chato. Já o enredo da adaptação de Iris Abravanel não poderia ser mais rocambolhesco. Eu gosto assim! Mas veja bem. O risco que uma trama desse tipo corre é enorme e para fugir do folhetim para cair no ridículo não custa.  O que está acontecendo em Corações Feridos. A autora não percebeu que nem tudo que é bom para o México, funciona no Brasil. Diferentes de Gisele Joras (em Bela, A Feia) e Margareth Boury (Rebelde), Íris não conseguiu transpor para nossa realidade a história absurda bolada por Caridad Bravo Adams.
Por favor, em que lugar do mundo hoje em dia alguém manda uma carta de próprio punho para o amante, assumindo que fez um aborto, roubou o dinheiro do cara e que ainda o está deixando? Em tempos de contas e e-mails falsas e torpedos impossíveis de serem rastreados, só mesmo no SBT alguém escreve uma carta. Se a novela ainda se passasse nos anos 1970 ou 1980… Tudo bem! Mas hoje em dia? Eu heim!

Cynthia Falabella e Paulo Zulu: ela está bem, ele péssimo

Para piorar, o texto é de uma artificialidade assustadora e todo o resto segue nessa toada. Os cenários abusam da cafonice, na tentativa de vender riqueza e são excessivamente simplórios nos núcleos menos abastados. Os figurinos não pecam tanto, mas também não combinam com os personagens. Mas nada é pior do que o elenco. Como a fútil Vera, Jacqueline Dalabona extrapola o direito de ser ruim. Nada do que ela fala é crível e não suportou mais ouví-la ela ficar repetindo a cada momento quê “Aline é a única mulher que está à repetir a casa segundo que “Aline (Cynthia Falabella) é a única mulher à altura de casar com meu filho Vitor (Victor Pecoraro)”. Como se, além de tudo, ela tivesse outro… Pecoraro, aliás, desfila a mesma canastrice vista em Aquele Beijo e, para piorar ainda mais Cynthia Falabella vive exatamente em Corações Feridos a mesmíssima personagem em Aquele Beijo: a periguete safadona, que se faz se santa para algumas pessoas, mas é uma megera das boas. Cynthia tem um bom perfil para esse tipo de papel e, em alguns momentos, consegue uma boa atuação. Mas sua missão é complicada, já que tem envolta “atores” como Paulo Coronato (Olavo), Ronaldo Oliva (Flávio), Lilian Fernandes (Luci) e os já citados Dalabona e Pecoraro. Sem falar no canastrão Marco Antônio Pâmio (Michel) e em Iara Jamra fazendo eternamente a maluquinha de voz esganiçada. Cada vez que ela abre a boca aciono o mudo do meu controle remoto.
Já os protagonistas Flávio Tolezani (Eduardo) e Patrícia Barros (Amanda) transitam entre bons e maus momentos. Lindos demais, eles fazem um belo par, mas, coitados não têm qualquer apoio do roteiro para desenvolvem seus personagens. Tudo é muito superficial, fútil e mesmo a vingança de Eduardo não faz muito sentido, já que, primeiro, ele deveria tentar salvar a fazenda do irmão, Rodrigo (Paulo Zulu), e depois querer se vingar da mulher que fez tanto mal ao pobrezinho. Mesmo com tudo contra, Flávio e Patrícia se esforçam. Aliás… O que é Paulo Zulu? Sei lá… Nem existem palavras para descrever sua incapacidade de atuar. Ele e Jacquline Dalabona já despontam como franco-favoritos ao título de piores atores de 2012. Já no núcleo rural a situação é um pouco melhor. O veterano Antônio Abujamra (Dante) está correto, assim como Junno Andrade (Eliseu), Beto Nasci (Glauco), Cláudio Andrade (Luciano), Lena Whitaker (Maria) e Lívia Andrade, que está fofa com o a capial Janaina. Mas Corações Feridos está ainda muito no início. Vamos ver como essa turma vai se comportar nos próximos meses! Estou de olho!



De “reality”, o Big Brother Brasil não tem mais nada

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012 por Contigo!


Vou te contar uma coisa. Acho que eu era um dos últimos seres sobre a face da terra que ainda tinha fé na credibilidade do Big Brother Brasil. É claro que não sou ingênuo a ponto de não saber que rola uma manipulaçãozinha aqui,  outra ali, principalmente, no que é exibido na TV aberta, já que o programa precisa de personagens bem definidos, como a mocinha, o herói, o vilão, o casal apaixonado, a invejosa… Tanto que na 12ª edição os participantes ganharam essas alcunhas logo no primeiro episódio. Fora isso, eu realmente acreditava que o reality show deixava os competidores livres para eles mostrarem seu melhor e seu pior (ou os dois juntos) nessa ciranda de vaidades, traições e libertinagens que esse tipo de atração demanda. Sim, porque o BBB é para quem curte tomar conta da vida alheia e quando mais sujeira e barraco o vizinho tiver, melhor. O puritano que não goste de sacanagem, briga, palavrão, vabagundas e ogros, que vá ler um livro, assistir ao Discovery Channel ou dormir. Ninguém é obrigado a ver na TV aquilo que não gosta. Nada é mais democrático do que o controle remoto. Mas com o escândalo do pseudo abuso/estupro, teoricamente cometido por Daniel em Monique, jogou por terra minha fé no BBB. O tratamento que a direção do programa deu ao público em relação a esse polêmico caso é vergonhoso e ainda mais indecente do que as imagens do casal se bolinando sob o edredon. Ao censurar de tal forma tudo o que aconteceu, o programa simplesmente deixou de ser uma novela da vida real. De reality, o Big Brother Brasil 12 não tem mais nada.

Imagina comigo. Você vive numa vila e um dos moradores é acusado de abusar de uma garota bêbada. No mínimo isso viraria um escândalo daqueles no lugar. Mas na casa do BBB não. Ninguém toca no assunto, todos agem como se Daniel nunca tivesse habitado aquele espaço e Monique continua brincando, se divertindo, bebendo e participando das provas como se a polícia não tivesse passado por seus direitos de cidadã e levado sua calcinha e roupa de cama para fazer perícia. Vai me desculpar, mas quando a vítima de um abuso se recusa e – pior – nega a “violência”, quem é esse delegado para passar por cima do direito da moça? Pra mim, o que a polícia quer é aparecer na capa dos jornais, como vem acontecendo. Não tem um bandidinho na Cidade Maravilhosa para eles caçarem, não? Fala sério!

Boninho, o Big Boss do BBB

Mas, voltando ao programa, certamente o diretor, Boninho, baixou uma portaria violenta, proibindo que todos se referissem ao caso. E isso é aviltante, especialmente, para aqueles que compram o pay perview e querem assistir a tudo sem cortes. A partir do momento que rola censura e impede-se a liberdade de expressão dos participantes, acabou todo sentido de um show da vida. O que assistimos agora é uma novela safada, chata, com um bando de gente desinteressante. O que todo mundo esperava e merecia receber do programa era:

1) uma satisfação decente de Pedro Bial sobre o que aconteceu. E não aquela babaquice de “O participante Daniel foi contra uma importante regra do programa e, por isso, está eliminado”. Que regra foi essa? Estou esperando até agora, Sr. Bial. Eu e todo o público temos o direito de saber qual foi a regra que Daniel quebrou, já que o BBB sempre estimulou a sacanagem sob os edredons e, inclusive, antes de criarem todo esse burburinho, o apresentou chegou a exclamar, “É o amor!”, após exibirem cenas cortadíssimas de Daniel e Monique na cama. Bial ainda perguntou a ela: “É namoro ou amizade, Monique?”. “É só um lance”, respondeu a moça! Pergunto mais uma vez: qual foi a regra quebrada, já que Bial considerou romântico o rala e rola entre o casal?

2) Mostrar a comunicação do Big Boss a Daniel de que ele estava eliminado. Estou esperando até agora as cenas com a saída de Daniel da casa. Quero e faço questão de assistir, afinal, não estamos acompanhando a um reality show? Por que tudo foi feito na encolha?

Foto: Divulgação/TV Globo

3) Bial tem que fazer um jogo da verdade com os participantes debatendo o caso ou até submeter Daniel e Monique à máquina da verdade. Quantas vezes esse recurso já foi utilizado para bobagens. Agora, num momento sério, seria muito mais útil e emocionante para o público.
Mas duvido que isso acontecerá. Perdi totalmente o interesse pelo Big Brother e olha que eu era um dos maiores defensores do programa. Eu votava loucamente no candidato que eu queria eliminar, fazia campanha, chorava com as eliminações, gargalhava com as bobagens, curtias as festas… Realmente entrava de cabeça no espírito do programa. Agora me sinto traído e essa sensação é horrível. Estou com a certeza dentro de mim que estou sendo feito de bobo há anos. Infelizmente tenho que acompanhar o “ficcional show” por uma questão profissional. Só vejo uma saída para Boninho salvar a situação, já que é impossível rebobinar a fita e apagar a cagada toda: fazer uma mea culpa, levar Daniel de volta para a casa e passar a jogar limpo com seu público. Afinal, como Pedro Bial sempre disse, quem manda no Big Brother Brasil é (ou era e deveria ser) o espectador. Do contrário, é melhor fechar de vez as cortinas, enquanto ainda há um pingo de dignidade por lá.



Que delícia matar a saudade de Dercy Gonçalves, em Dercy de Verdade!

sábado, 14 de janeiro de 2012 por jorgebrasil

Foto de divulgação/Rede Globo

Sintetizar em quatro capítulos, os 101 anos da vida riquíssima de uma mulher polêmica como Dercy Gonçalves é, no mínimo, uma tarefa digna dos 12 trabalhos de Hércules. Mas essa missão foi executada com maestria por Maria Adelaide Amaral em Dercy de Verdade, que chegou ao fim na sexta-feira 13 na telinha da Globo. Tudo bem que a autora já tinha um amplo conhecimento de causa, porque adaptou a própria biografia que escreveu sobre a trajetória da comediante: Dercy de Cabo a Rabo. Mas, mesmo assim, não deve ter sido fácil. É verdade também que eu fiquei com um gostinho de quero mais e com a impressão de que a microssérie poderia ter tido, pelo menos, mais uma semaninha. Mas o que Maria Adelaide, amparada pela direção sempre festiva de Jorge Fernando, conseguiu foi quase um milagre. Dercy de Verdade serviu também para colocar em cheque a versatilidade de Heloísa Perissé Fafy Siqueira e acabar com essa história de que humorista não sabe fazer chorar.
Pois eu chorei sim em alguns momentos de Dercy de Verdade, especialmente, no fim.

Fotos de arquivo

Eu praticamente vivi toda a minha história vendo Dercy Gonçalves na TV. Nem sei quantas vezes cai do sofá de tanto rir com as maluquices dela no sofá da Hebe Camargo, ou com as tiradas rápidas e certeiras nos quadros do Domingão do Faustão. A Celestina, de Deus nos Acuda (1992); a Mamma, de La Mamma (1990) e a Baronesa Eknésia, de Que Rei Sou Eu? (1989) também foram momentos impagáveis de uma carreira vitoriosa. E tudo isso foi retratado na minissérie, seja em forma dramatúrgica ou em imagens de arquivo.  Aliás, a mistura de documentário com ficção foi um acerto gigantesco da produção. Os mais velhos vibraram ao relembrar as cenas que presenciaram e os jovens tiveram a chance de ver Dercy mais nova, já que, para muita gente, ela já havia nascido idosa (risos).

Foto de divulgação/Rede Globo

A parte técnica de Dercy de Verdade foi uma preciosidade. Os figurinos e cenários eram lindos e perfeitos. E a fotografia deu um tom de cinema para o programa e não é à toda que a série chegará à tela grande em 2013. O texto recuperou frases antológicas da homenageada, como: “Eu não falo palavrão. Eu falo as coisas do jeito que elas são”, “no amore na guerra a gente em que ser safado” e “Tudo que passou, acabou. Eu sobrevivi!”. E valorizou tanto as passagens cômicas como as dramáticas da vida de Dercy. E elas não foram poucas.

Foto de divulgação / Rede Globo

No elenco homogêneo destaque para Cássio Gabus Mendes, Fernando Eiras, Walter Breda, Rosi Campos, Tuca Andrada e Armando Babaioff. Já Diogo Boni, interpretando seu próprio pai, o mitológico José Bonifácio de Oliveira Sobrinho, vulgo Boni, entregou ao público alguns dos momentos mais constrangedores da história da TV brasileira.

Foto de divulgação /Rede Globo

No que se refere às três intérpretes de Dercy Gonçalves, Luiza Perissé nem merece nota, porque nada fez. Sua participação não chegou a um minuto e logo foi substituída por sua mãe, Heloísa Perissé. O que foi um tremendo erro. Apesar de famosa por interpretar a adolescente Tati, do quadro do Fantástico, a atriz não convenceu como uma menina de 17 anos. Em alguns momentos chegou a ser constrangedor. Mas esse problema foi superado quando Dercy chegou à fase adulta. Heloísa surpreendeu. E positivamente. Soube dosar o temperamento explosivo de Dercy, como momentos de carência e fragilidade, que ela só revelava às pessoas mais íntimas. Foi muito bem nas cenas de comédia (o que era de se esperar) e melhor ainda nas mais tristes. Parabéns!
Só que, por melhor que Heloísa tenha se saído, ela não conseguiria mesmo superar Fafy Siqueira, a Dercy já na terceira idade. Além de amiga pessoas da humorista, Fafy também é uma excelente imitadora, mas não foi isso que ela fez na minissérie. Fafy realmente interpretou Dercy. Estava parecidíssima com a homenageada nas sequências de palco, que foram gravadas no lindo Teatro Municipal de Niterói (RJ) e esplendorosa como a Dercy estrelíssimas dos programas de TV da Globo e da Record. Por isso fiquei com tanta vontade de assistir mais de Dercy de Verdade: para me deliciar com a atuação de Fafy Siqueira. Mas, talvez, Maria Adelaide realmente estivesse certa e tudo tenha sido e estruturado na medida certa. Foi ótimo matar as saudades de Dercy Gonçalves e como canta o samba-enredo da Unidos da Viradouro (que a homenageou em sua estreia no Grupo Especial carioca, em 1991, devidamente mostrado na minissérie, mas não creditado…): “Ah! Obrigado Dercy, mercy, Dercy!… Bravo, bravíssimo ! Mil aplausos pra você Dercy. Ao retrato de um povo, a homenagem da Viradouro!”

 



… E o tempo não passa em Vidas em Jogo

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012 por jorgebrasil
vidas em jogo

Rita (Julianne Trevisol), Patrícia (Thaís Fersoza) e Francisco (Guilherme Berenguer) - Foto: Divulgação

Patrícia (Thaís Fersoza) descobriu que estava grávida de Francisco (Guilherme Berenguer) na primeira semana de Vidas em Jogo (a novela estreou em 3 de maio de 2011). Desde então ela já foi sequestrada umas duas vezes, virou refém dos irmãos bandidos de Severino (Paulo César Grande), levou não sei quantos tapas na cara da mãe, Regina (Beth Goulart), descobriu que o bebê terá síndrome de Down, perdeu o amado para Rita (Julianne Trevilsol)… E nada dessa criança nascer. Nesse meio tempo, Cleber (Sandro Rocha) levou um tiro na cabeça e ficou não sei quantas semanas internado; Belmiro (Ricardo Petráglia), Hermê (Bia Montez), Betão (André Ramiro) e Ivan (Silvio Guindane) foram assassinados; Augusta (Denise Del Vecchio) assumiu que é homem; o povo da loteria já gastou boa parte do prêmio e Francisco reformou a mansão onde mora e conseguiu até encontrar os irmãos perdidos. Mas, apesar de tantos acontecimentos na história, o tempo realmente não passa em Vidas em Jogo.
Sei que licença poética existe para que alguns absurdos sejam perdoados em função de um melhor andamento da trama. Mas tudo tem limite. Não há justificativa para que a autora Cristianne Fridman não faça Patrícia parir logo esse bendito bebê e definir o tempo em que se passa seu enredo. Parece que estão tentando me fazer de trouxa e não gosto nada dessa sensação. Parta da culpa desse problema é péssima mania da Rede Record de esticar suas novelas até que não reste mais nada do fio condutor. Foi assim com Riberão do Tempo, que começou bem, só que foi alongada além do necessário, resultando numa chatice sem fim. Infelizmente esse é o risco que Vidas em Jogo corre, o que é uma pena porque  era uma novela que eu acompanhava diariamente, com imenso prazer, e hoje assisto a apenas a um ou outro capítulo. Na boa: me cansei dessa enrolação. No meio de uma barriga enorme que surgiu até mesmo o fofíssimo cãozinho Zé (Myllow), um dos melhores personagens da trama, ficou sem ter o que fazer.  E hoje se limita a um ou outro latido sem expressão.

senhora do destino

Do Carmo (Susana Vieira), Lindalva (Carolina Dieckmann) e Nazaré (Renata Sorrah) - Foto: Divulgação

Essa questão temporal mal definida me irrita não é de hoje. Senhora do Destino (2004) está na lista das minhas novelas favoritas, mas nunca engoli o fato de Aguinaldo Silva ter definido especificamente o início de sua trama para 13 de dezembro de 1968, o dia da decretação do Ato Institucional Número Cinco (o AI-5) e dar um salto de 20 anos (pelo menos era durante esse tempo em que Do Carmo, vivida por Susana Vieira, berrava que procurava a filha Lindalva).  Fazendo a conta, a trama deveria se passar em 1988, mas, numa cena, os personagens assistiam a Felicidade (1991). Espera! Então a segunda parte se situava nos anos 1990? Só que, para piorar, os figurinos, telefones celulares, computadores e automóveis eram os mais modernos possíveis. Ou seja: na verdade, Senhora do Destino se passava nos tempos atuais (2004), quando Lindalva deveria ter 36 anos. Então ela não foi roubada recém nascida e nem Do Carmo caçava a filha há 20 anos… Mas então ela jamais poderia ter sido interpretada por Carolina Dieckmann!!!  Nossa quanto “então” nessa confusão sem fim. Era um samba do autor doido, mas que, ao grande público, passou despercebido. Mas, para mim, isso tirou a credibilidade que uma produção tão boa como Senhora do Destino deveria ter tido.

viver a vida

Manuela (Marjorie Estiano), Rodrigo ( Rafael Cardoso) e Ana (Fernanda Vasconcellos) -Foto: Divulgação

A mesma situação aconteceu recentemente na troca de fases de A Vida da Gente. A brilhante autora, Lícia Manzo não conseguiu explicar como Thiago (Kaic Crescente), que era pelo menos um ano mais novo do que Júlia (Jesuela Moro), conseguiu ficar mais velho que a sobrinha. Enquanto Júlia é uma meninha de… digamos 4 aninhos, Thiago tem no mínimo uns 7 e já está alfabetizado. Sem falar que até Júlia completar dois anos, Rodrigo (Rafael Cardoso) ainda não havia entrado na faculdade de Arquitetura, muito menos Marcos (Ângelo Antônio) na de Turismo. Só que, dois anos depois, eles já estavam formados. Realmente isso é uma gota d´água de poluição num oceano de beleza e emoção que é A Vida da Gente. Mas, como já disse, não suporto ficar com a sensação de que estão subestimando minha inteligência e que qualquer coisa que jogarem no ar irei digerir sem reclamar. Não é assim que a banda toca, ou que, pelo menos, deveria tocar. Eu reclamo sim senhor, porque acho que, no fundo, essa “licença temporal” não passa de preguiça, seja do autor de elaborar melhor sua trama e do produtor de elenco de selecionar os atores adequados para a faixa etária dos personagens. E também do diretor, que deveria ser mais exigente com esses pequenos detalhes, afinal, como diz o ditado: são nos menores fracos que estão os melhores perfumes e os piores venenos.



Tudo que o que Curti! e Não Curti! na telinha em 2011

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011 por jorgebrasil

ADORO essa época do ano. Gosto tanto que abri até a frase dessa coluna com letras em maiúsculas. Vem aí o Carnaval, a entrega do Oscar e já estão pipocando as eleições dos melhores do ano. E, como não poderia ser diferente, vou fazer nosso balanço de tudo o que Curti! e Não Curti! na telinha em 2011. Felizmente tivemos mais destaques positivos do que negativos, como você verá a seguir. Mas pode botar a boca no trombone, viu?

CURTI!

Foto: Globo / Divulgação

Novela:
Estou extremamente dividido entre Cordel Encantado e A Vida da Gente. A primeira foi a novela mais inovadora na telinha desde A Favorita (2008). A mistura de cangaço com conto de fadas deu supercerto e as autoras Duca Rachid e Thelma Guedes provaram que estão prontas para arrasar no horário nobre da Rede Globo. Já A Vida da Gente é um novelão clássico, só que é tão bem escrito que não consigo deixar de assistir a nenhum capítulo. Lícia Manzo, a quem já admirava por causa da série Tudo Novo de Novo (2009), me conquistou de vez. E o elenco então? Nossa! Um sonho! Ah! Quer saber de uma coisa? Na preciso ficar sofrendo não. A melhor novela de 2011 na verdade foram duas: Cordel Encantado e A Vida da Gente! Pronto falei, tô leve! Duas obras maravilhosas, de autoras novas na função de titular, mas que roubaram a cena das poderosas novelas das 9.

Menções honrosas: Vidas em Jogo, pela trama ágil e bem contada, atores apaixonados e uma direção inteligente. Sem falar que tem no elenco o Myllow (como Zé) o cão mais fofo e talentoso que já surgiu nas nossas novelas. Impossível não destacar ainda a ousadia de O Astro, o alto nível de Insensato Coração e a juventude de Rebelde.

Foto: Globo / Divulgação

Série:
Outro empate! Fico com a dramática Força-Tarefa e a cômica Tapas & Beijos. A primeira fica melhor a cada temporada e já estou me sentindo órfão, já que Murilo Benício e Fabiula Nascimento vão fazer Avenida Brasil (próxima trama das 9) e, por isso, não teremos a série e, 2012. Já Tapas & Beijos é irresistível. Engraçada, dinâmica e muito bem escrita, dirigida e interpretada.

Menções honrosas: Divã, Amor em Quatro Atos, Batendo Ponto, Macho Man e Sansão e Dalila.

Foto: Globo / Divulgação

Ator:
Essa categoria será o clichê do ano. É Gabriel Braga Nunes na cabeça e não tem para ninguém. O Leo, de Insensato Coração, é simplesmente o melhor vilão de todos os tempos. E ele arrasou!

Menções honrosas: Bruno Gagliasso, macabro em Cordel Encantado; Murilo Benício cada vez melhor em Força-Tarefa; Rodrigo Lombardi e Marco Ricca, inesquecíveis em O Astro; Rafael Cardoso e Thiago Lacerda, ótimos em A Vida da Gente, e Jorge Fernando, engraçadíssimo em Macho Man. E faço questão de reverenciar Rodrigo Sant’Anna. Isso mesmo! O intérprete da banida Valéria, do Zorra Total, é um grande ator e nos brindou com a personagem mais hilariante dos últimos tempos.

Foto: Globo / Divulgação

Atriz:
Muito difícil essa categoria, já que as melhores atuações do ano na TV estiveram nas mãos das coadjuvantes. Mas vou ficar com Marjorie Estiano em A Vida da Gente. Manu é uma personagem extremamente difícil, delicada e que pedia uma atriz sensível e inteligente. Marjorie tem essas características e tem dado shows diários. Nem uma cena passa em branco por suas mãos talentosas. Sem falar que Marjorie também esteve excelente em Amor em Quatro Atos.

Menções honrosas: Gloria Pires esteve muito bem no início de Insensato Coração, mas perdeu o fôlego na reta final. Flavia Alessandra era minha favorita aqui, graças a sua dupla interpretação da Naomi humana e da Naomi robô, em Morde & Assopra. Adriana Esteve também esteve ótima na mesma novela. Sempre achei Fernanda Vasconcellos chatinha, mas ela está arrasadora em A Vida da Gente. Adoro a firmeza de Julianne Trevisol em Vidas em Jogo e Carolina Ferraz provou em O Astro, que, uma vez estrela, sempre estrela. Amo Fernanda Torres e Andréa Beltrão em Tapas & Beijos e Lilia Cabral foi uma Mercedes irresistível em Divã. Palmas também para Nathália Dill (Cordel Encantado), Ingrid Guimarães (Batendo Ponto), Giovanna Antonelli e Marília Pêra (Aquele Beijo) e, principalmente, para Thalita Carauta. Parceira de Rodrigo Sant´Anna no Zorra Total, Thalita é atriz com “A” maiúsculo.

Foto: Globo / Divulgação

Ator Coadjuvante:
Queria muito dar esse “prêmio” para a melhor atuação da carreira de Humberto Martins em O Astro ou para o infernal Baltazar de Alexandre Nero, em Fina Estampa. Ou mesmo para o frio e calculista Horácio Cortez de Herson Capri, em Insensato Coração. Mas o dono da bola foi mesmo Marcelo Serrado. O slave Crodoaldo Valério, o Crô, é simplesmente o dono da bola em Fina Estampa.

Menções honrosas (outras): Luiz Serra em A Vida da Gente. Quem resiste ao Wilson? Eu não. Da mesma novela, destaque para Paulo Betti, Leonardo Medeiros e Luiz Carlos Vasconcellos. De Insensato Coração um trio da pesada: Thiago Martins, Ricardo Tozzi e Leonardo Miggiorin. De Morde & Assopra: Otaviano Costa e Klebber Toledo. De Cordel Encantado: Osmar Prado, João Miguel, Marcos Caruso e Carmo Dalla Vecchia. E não vou deixar de citar André Di Mauro e Sandro Rocha (que melhoraram muito em Vidas em Jogo); Luiz Miranda (Batendo Ponto), Flávio Migliaccio, Otávio Muller e Érico Brás (Tapas & Beijos), Jayme Periard (Amor e Revolução) e Roney Facchini (Macho Man).

Atriz Coadjuvante:
Cássia Kiss Magro é o Gabriel Braga Nunes dessa categoria. Sua Dulce, de Morde & Assopra, foi arrebatadora. Cássia é uma atriz que não tem medo de se enfear e se entrega aos personagens de corpo e alma. E olha que ela teve competidoras fortíssimas, como a espetacular Ana Beatriz Nogueira em A Vida da Gente e Nicette Bruno, a suavidade em forma de gente, na mesma novela. Além de Deborah Secco, a ladra de cenas de Insensato Coração; Beth Goulart, a malvada Regina de Vidas em Jogo, e Débora Bloch como a bruxa malvada Úrsula, de Cordel Encantado. Ainda da trama de Duca Rachid e Thelma Guedes, as ótimas Zezé Polessa, Lucy Ramos e Luiza Valdetaro.

Para completar: Lucinha Lins e Denise Del Vecchio (Vidas em Jogo), Stephany Brito, Maria Eduarda, Malu Galli e Gisele Fróes (A Vida da Gente), Rita Elmor (Macho Man), Fernanda de Freitas (Tapas & Beijos), Ana Lúcia Torre, Deborah Evelyn (Insensato Coração), Elizabeth Savalla, Jandira Martini, Vera Mancini, Vanessa Gioácomo e Narjara Turetta (Morde & Assopra), Rosamaria Murtinho e Fernanda Rodrigues (O Astro), Thaís Fersoza (Sansão e Dalila), Júlia Lemmertz, Cris Vianna e Eva Wilma (Fina Estampa), Adriana Garambone (Rebelde) e Patrícia de Sabrit (Amor e Revolução).

Foto: Globo / Divulgação

Revelação:
Domingos Montagner foi imbatível como a grande novidade de 2011. Ator maduro, talentoso e carismático, mostrou toda sua versatilidade como um homem sofisticado em Divã e o rústico o Capitão Herculano, de Cordel Encantado. Mas fica também o destaque para o português Paulo Rocha, como o fofíssimo Guracy, de Fina Estampa. Junto com Marcelo Serado e Alexandre Nero ele é a grande atração da novela.

Menções honrosas: Anderson Di Rizzi, o hilariante Sargento Xavier de Morde & Assopra; Giovanna Lancelloti e Tainá Miller, a meiga Cecília e a esnobe Paula de Insensato Coração; e a insana Nikita, vivida por Natália Klein em Macho Man. Destaques ainda para Luana Martau (Cordel Encantado), os pequenos Jesuela Moro e Kaic Crescente (A Vida da Gente), Caio Paduan, Thais Melchior, Bia Arantes, Pedro Tergolina e Marcella Rica (Malhação), Pablo Sanábio (O Astro), Alice Wegman e Victor Navega Motta (A Vida da Gente), Luanna Jimenes e Raphael Veles (Macho Man), Eucir de Souza (Força-Tarefa), Rodrigo Simas e Kátia Moraes (Fina Estampa), Rayana Carvalho, Arthur Aguiar, Chay Suede, Melanie Fronckowiak e Lua Blanco (Rebelde).

NÃO CURTI!

Foto: Divulgação

Novela:
Amor e Revolução estava cheia de boas intenções, mas a realização deixou a desejar. O texto era didático demais, impedindo que o elenco pudesse extrair interpretações no mínimo convincentes. Tudo mundo parecia estar declamando o livro de história da escola. Uma pena!

Menção desonrosa: Fina Estampa. Realmente essta novela é um fenômeno. Mas no que tem de pior. A audiência é crescente e a qualidade segue em sentido contrário. Mas o povão ama. Fazer o que, não é?

Foto: Globo / Divulgação

Série:
Lara Com Z não é apenas a pior série do ano, mas o que houve de mais escabroso, de mau gosto e chato na história da televisão brasileira. Um horror que já havia começado com Cinquentinha. E um mistério que a Globo tenha decidido levar ao ar.

Menções desonrosas: A Mulher Invisível é mais irregular que ruim. Mas nada que Luana Piovani faça me convence mesmo… E um Não Curti! bem grande para o que a Globo fez com Aline e Batendo Ponto (tirando-as do ar precocemente) e com Malhação, que tinha uma trama ótima e destruíram a trama, em dó nem piedade por culpa da audiência fraca. Lamentável!

Foto: Globo / Divulgação

Ator:
Dalton Vigh tem simplesmente a expressividade de um papel em branco. Sempre foi assim. Mas em Fina Estampa ele se superou. René não tinha química com Christiane Torloni e também não está rolando com Lilia Cabral. Mas que ator já teve uma química faiscante com Lilia? Não lembro de nenhum…

Menções desonrosas: Lázaro Ramos, o erro de Insensato Coração, e Victor Pecoraro, o equívoco de Aquele Beijo.

Atriz:
Susana Vieira roubou todas as cenas, no mau sentido. Sua Lara Romero, de Lara Com Z, era simplesmente ridícula. Uma personagem patética, interpretada de forma amadora, diria até constrangedora.

Menções desonrosas: Regina Duarte, totalmente equivocada em O Astro; Lúcia Veríssimo, péssima em Amor e Revolução, além da sempre exagerada Luana Piovani (A Mulher Invisível), e da chatíssima princesa Aurora, vivida por Bianca Bin em Cordel Encantado.

Ator Coadjuvante:
Júlio Rocha, em Fina Estampa, é absolutamente invencível, tamanha canastrice de sua interpretação. Como perderia muito tempo e espaço, cito apenas todo o elenco masculino de Amor e Revolução, com destaque extra para Nico Puig.

Menções desonrosas: Sérgio Marone (Morde & Assopra), Daniel Dantas e João Baldasserini (O Astro), Wolf Maya (Fina Estampa), Luiz Fernando Guimarçães e Marcello Novaes (Cordel Encantado), Jonatas Faro (Insensato Coração), Fiuk e Luís Salém – o pior travesti da história da televisão -, ambos de Aquele Beijo. E mais: Claudio Heinrich (Vidas em Jogo) e Rodrigo Hilbert em dose dupla: Morde & Assopra e Fina Estampa.

Foto: Globo / Divulgação

Atriz Coadjuvante:
Adoro Suzana Pires. Ela esteve excelente em Caras & Bocas (2009) e foi bem em Araguaia (2011). Mas caiu na besteira de aceitar interpretar a jornalista Marcela Coutinho, em Fina Estampa. Um erro em todos os sentidos. Para a sorte da atriz, a personagem foi assassinada. Ufa!

Menções honrosas: Giselle Tigre, Nicole Puzzi e o resto do elenco feminino de Amor e Revolução. E mais: Carol Macedo, a funkeira de araque de Fina Estampa, e Ursula Corona, como a detetive debochada de O Astro.

Revelação:
Esse é o ano da família de Susana Vieira. Além da pior atuação do ano, a atriz também emplacou o novo marido, Sandro Pedroso, como a pior revelação. Seu Mandrake, de Fina Estampa, parece um boneco de mola. Dá até peninha do rapaz.

Menção honrosa: O “astrinho”, Bernardo Marinho de O Astro.



Estou completamente tomado pelos dramas de Ana, Rodrigo e Manu em A Vida da Gente

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011 por Contigo!

Ana (Fernanda Vasconcellos), Rodrigo (Rafael Cardoso) e Manuela (Marjorie Estiano)

Ana (Fernanda Vasconcellos) ama Rodrigo (Rafael Cardoso) e o sentimento é reciproco. Só que Rodrigo também ama Manuela (Marjorie Estiano), que tem adoração não só pelo marido, como também pela irmã, Ana. Já Dr. Lúcio (Thiago Lacerda) anda encantado por Ana, que está mais perdida do que cego em tiroteio em meio à tamanha confusão emocional. Como se não bastasse, no centro de tudo isso está ainda Júlia (Jesuela Moro), uma criança com duas mães, um pai, duas avós, uma tia que é mãe, um pai que é cunhado da sua mãe e uma mãe com quem ela não tem nada em comum. Pois é! O principal núcleo amoroso de A Vida da Gente está me consumindo de tal forma que, muitas vezes, me pego refletindo sobre ele bem na hora de dormir. E sempre me vejo em alguns impasses, tamanha complexidade da trama de Lícia Manzo. Esse certamente é o conflito amoroso-familiar mais complicado já apresentado por uma telenovela, porque simplesmente não culpados, mocinhos ou vilões para quem a gente possa torcer ou desejar a destruição total. Todos são vítimas do destino. Ana, Rodrigo e Manu foram arrastados por uma correnteza de acontecimentos, sentimentos e dramas poucas vezes vistos na TV.

Rodrigo (Rafael Cardoso) recebe a confirmação da paternidade de Júlia

 

A Vida da Gente é um novelão sim. Como aqueles escritos por Janete Clair nos anos 1970. Só que também é absolutamente palpável, factual e poderia estar se desenrolando na casa do vizinho. Ou até mesmo no nosso seio familiar. Lícia Manzo tem sim um “Q” de Manoel Carlos, por falar do cotidiano do trabalhador comum. Tirando o espetacularmente bem executado acidente de carro de Ana e Manu, a trama não teve qualquer cena mais mirabolante ou radical. Pelo menos no quesito físico, já que, no psicológico e emocional, testemunhamos cenas épicas. Não consigo imaginar um diretor melhor do que Jayme Monjardim para materializar todo o drama bolado por Lícia. Jayme é extremamente sensível, tem apuro técnico absurdo e sabe deixar suas imagens tão lindas quanto uma pintura. E é esse casamento perfeito entre texto, direção e interpretação que torna A Vida da Gente uma novela tão especial. E que vira e mexe me tira o sono!

 

Voltando aos conflitos românticos do quarteto principal, morro de pena de Ana. A moça simplesmente “dormiu” com uma filha bebê, nutrindo a esperança de finalmente poder viver com seu príncipe encantado e despertou quatro anos depois com sua vida virada de cabeça para baixo. Esse homem agora é seu cunhado, sua filha é uma menina linda e amorosa, mas que tem dificuldade de encará-la como mãe. Eu também me sensibilizo demais com Manu. Além de carregar uma culpa pelo acidente da irmã, ainda passou praticamente todo o tempo em que ela ficou em coma, vivendo a vida de Ana. A história das duas se misturou de forma tão intensa que, naturalmente, ela e Rodrigo se apaixonaram. As duas sofrem e têm motivos para isso. Elas se amam incondicionalmente, mas não conseguem mais se relacionar como antes. E isso é extremamente doloroso. Para elas e também para o público. Eu, pelo menos, me acabo de chorar!

Rodrigo (Rafael Cardoso) e Manu (Marjorie Estiano) resgatam o romantismo no casamento

 

Sou do time que torce para que Rodrigo finalmente desperte da adolescência perdida e perceba que o que nutre por Ana é um sentimento não realizado. Interrompido de maneira tão trágica e que virou um mito. E nada pior do que assuntos não resolvidos. A gente é capaz de carregar essa sensação de vazio a vida toda. Quando Ana e Rodrigo se beijaram fiquei péssimo, me irritei com essa traição com Manu. Mas depois pensei bem e vi que só assim, conseguindo viver aquela relação interrompida, eles podem descobrir o que realmente sentem e quem verdadeiramente são. Na verdade, essa paixão juvenil de Ana e Rodrigo foi alimentada durante sete anos e vivenciada apenas durante uma tarde. No mesmo dia em que ela engravidou. Aquela único momento de amor na cachoeira foi o idílio de dois jovens, que não tiveram a chance de descobrir se guardavam apenas uma “paixonite” ou um sentimento completo.

 

Eva (Ana Beatriz Nogueira) conta para Ana (Fernanda Vasconcellos) que Manu (Marjorie Estiano) se casou com Rodrigo

 

Já com Manu, Rodrigo construiu uma relação no dia a dia. Tudo começou com uma amizade, virou uma bela parceria, que gerou tamanha cumplicidade que se transformou em amor. Por Ana, o personagem sente a paixão que arrepia e por Manu o amor que aquece. E ele vai ter que descobrir o que deseja para sua vida, só que para isso corre o sério risco de destruir tudo o que construiu com Manuela. É uma situação extremamente difícil e dramática. Tenho quase certeza de que Rodrigo vai concluir finalmente que é com Manu que ele quer passar o resto dos seus dias e Ana também vai perceber que sua paixão da adolescência foi resolvida. E poderá seguir ao lado de um homem maduro e apaixonado como Lúcio. Mas, como já disse, A Vida da Gente é um novelão. E nos folhetins tudo pode acontecer.



De Cortês a Alberto! Toda a força e maturidade do talento de Herson Capri

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011 por Contigo!

Maruschka (Marília Pêra) e Alberto (Herson Capri) - Foto: TV GLOBO / João Miguel Júnior

Há poucos dias, notei que o nome de Herson Capri havia mudado na abertura de Aquele Beijo. De Ator Convidado, ele passou para ser o segundo na ordem de importância, ficando atrás somente da protagonista absoluta, Giovanna Antonelli. Isso quer dizer que o papel do ator, Alberto, é simplesmente o principal masculino da trama de Miguel Falabella? Teoricamente sim. Mas achei um tiquinho injusto, já que é óbvio e ululante que Vicente, vivido por Ricardo Pereira, é muito mais fundamental na história do que Alberto. Mas… Por outro lado, esse detalhe me ajudou a notar o trabalho incrível que Herson vem desenvolvendo em Aquele Beijo. Ele literalmente emendou o fim das gravações de Insensato Coração com a preparação para a novela das 7. Sempre achei Herson um ator correto e algumas atuações, como o Coronel Teodoro de Renascer (1993), me agradou demais. Mas nada que o colocasse na minha lista dos 10 mais. Só que é impressionante a maturidade e energia que ele apresenta na transição entre as duas produções da Globo.

Cortez (Herson Capri) e Natalie (Deborah Secco) - Foto: TV GLOBO/ Divulgação

Horácio Cortês era um executivo extremamente sedutor, charmoso, do tipo que sabe agradar a uma mulher. Ele também era um marido carinhoso e um pai compreensivo. Só que, na verdade, tudo isso eram máscaras que ele usava para esconder sua verdadeira face: um canalha sem coração. Corrupto da planta do pé à raiz dos cabelos, Cortês também era um psicopata. Matou duas mulheres por causa de dinheiro e era capaz de passar por cima de qualquer um para conquistar mais poder. E Herson Capri pintou e bordou com esse crápula, criando um dos grandes personagens do ano e, talvez, o melhor de toda sua carreira.

E fiquei incomodado ao saber que ele já estava escalado para Aquele Beijo. Era cedo demais! Para piorar, Alberto tinha um perfil bem parecido com o de Cortês: casado com uma ricaça, ele a trocava por uma moça muito mais jovem. Alberto também parecia ser do mal, porque estava determinado a desalojar todos os moradores de uma favela, apenas para construir uma loja. Mas, mesmo antes de Alberto se revelar o último dos românticos, Herson já havia conseguido criar um personagem completamente diferente de Cortês. É claro que os dois têm a mesma cara e o tom de voz igual. Mas fica só nisso. Herson realmente é outro homem na pele de Alberto.

Sarita ( Sheron Menezzes ) e Alberto ( Herson Capri ) se beijam - Foto: TV GLOBO / Renato Rocha Miranda

Para a grata surpresa do público o sujeito que parecia frio e insensível, se revelou uma flor de ser humano. A paixão arrebatadora que descobriu sentir por Sarita (Sheron Menezes) o humanizou verdadeiramente. Honesto, ele não conseguiu nem mesmo enganar a esposa, Maruschka (Marília Pêra), e foi corajoso o suficiente para abrir mão de seu casamento bem estruturado para lutar pelo coração e respeito de Sarita. Hoje, o casal é o mais encantador da novela e isso é resultado da sinceridade que Herson Capri transmite em sua atuação. Quando Alberto diz “eu te amo”, todos nós acreditamos piamente. O sentimento do personagem está sendo transmitido no jeito de olhar, na fala, na respiração e em cada expressão do rosto do ator… Se Cortês era a materialização do mal, Alberto é a personificação do amor impulsivo. E no meio dos dois está um ator maduro, seguro e impecável chamado Herson Capri.




O nome dela é Griselda, mas poderia ser Maria do Carmo…

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011 por jorgebrasil
Maria do Carmo (Susana Vieira) e Griselda (Lília Cabral) - Foto: Divulgação

Maria do Carmo (Susana Vieira) e Griselda (Lília Cabral) - Foto: Divulgação

Ela é um poço de honestidade. Mulher valente está aí! Abandonada pelo marido safado criou os rebentos com dificuldade, muito trabalho e dignidade. Tem um admirador arrebatado por tanta paixão, um filho ambicioso e sem caráter, já os outros são profundamente honestos, sendo que um deles foi traído e humilhado pela esposa. Os amigos dessa mulher são fiéis e dedicados e nada acontece no bairro sem que alguém recorra à sua ajuda ou a seus conselhos sábios. Mas essa heroína conquistou uma inimiga louca e mortal e, justo agora que tenta desfrutar de uma vida mais tranquila – proporcionada por muito dinheiro – o tal esposo desaparecido ressurge dos quintos dos infernos, querendo tirar casquinha da fortuna dela. E, para piorar, o safado se une e vira amante justamente da megera ensandecida que a persegue. Mas nada disso abala a garra dessa mulher sem igual. O nome dela é Griselda, mas poderia ser Maria do Carmo…

Isso mesmo. Griselda da Silva Pereira, a protagonista de Fina Estampa, interpretada com fibra por Lilia Cabral, nada mais é do que uma atualização da inesquecível Maria do Carmo Ferreira da Silva, vivida com nítida satisfação por Susana Vieira, em Senhora do Destino (2004). As tramas dessas duas personagens se entrelaçam de tal forma (no fim do texto) que ultrapassam o limite da “apenas mera coincidência”. Isso é ruim? Não necessariamente! Tanto que o público abraçou com carinho essa espécie de remake de Senhora do Destino, dando a Fina Estampa uma audiência ascendente, que transformou a novela no maior sucesso do horário nobre da Rede Globo em muitos anos. Mas confesso que fico um pouco incomodado com essa sucessão de repetições. Estou numa fase em que prefiro rever as produções originais no Canal Viva ou aplaudir os autores que se arrisquem e que ousem sem medo, como fizeram João Emanuel Carneiro (em A Favorita e A Cura) e a dupla Duca Rachid & Thelma Guedes, na mistura de estilos de Cordel Encantado. Ou então os novelões tradicionais mesmo, mas amparados por texto, direção e atores absolutamente brilhantes, como é o caso da equipe de A Vida da Gente!

Muitas vezes tenho a impressão de que Aguinaldo Silva está fazendo um tipo de “canto do cisne” com Fina Estampa. Sim! Parece que o ele decidiu encerrar suas atividades como novelista e vem desenvolvendo uma auto-homenagem como despedida. Além dessas “coincidências” entre Fina Estampa e Senhora do Destino, Aguinaldo tem feito várias referências a outras novelas suas. A Tia Ìris, de Eva Wilma, por exemplo, na verdade é uma reedição da maquiavélica Maria Altiva, de A Indomada (1997), também vivida por ela. Ou alguém esquece o “Well!” ou o “Óxente, my god!”, repetido à exaustão pelas duas personagens? Já a universidade Pessoa de Moraes, onde Antenor (Caio Castro), Patrícia (Adriana Birolli) e Vanessa (Milena Toscano) estudam, é a mesma que Branca (Susana Vieira) comandava em Duas Caras (2007). Nessa mesma novela tinha a jovem Manuela (Luana Dandara), filha da sofrida Alzira (Flávia Alessandra), que, assim como a Sol do Recanto (Carol Macedo), virou uma funkeira famosa, entoando um funk insuportavelmente chato. Assim como Celeste (Dira Paes), que sofria o pão que o diabo amassou na mão de Baltazar (Alexandre Nero), Alzira também padecia com o inútil do Dorgival (Ângelo Antônio). As duas deram a volta por cima. Celeste com seu restaurante na laje de casa e Alzira virando estrela da pole dance!

Mas a preferência do autor é mesmo por Senhora do Destino. Tereza Cristina (Christiane Torlini) já agradeceu a Nazaré Tedesco (Renata Sorrah) pela dica de matar seus inimigos, empurrando-os escada abaixo. E Griselda outro dia virou para Quinzé (Malvino Salvador) e mandou: “Vambora porque o tempo ruge, e a Sapucaí é longa!” Essa história de “canto do cisne” pode ser uma tremenda maluquice minha, mas que tanta auto referência é estranha, isso ninguém pode negar. Confira as “apropriações” que Fina Estampa fez da trama de Senhora do Destino:

Guaracy (Paulo Rocha) e Giovanni Iprotta (José Wilker) - Foto: Divulgação

1)   S.D.: O italiano Giovanni Improtta (José Wilker) tinha verdadeira adoração por Maria do Carmo. Tanto que, no final, conseguiu tirar a bonitona dos braços do “troca-letras”, Dirceu de Castro (José Mayer).
F.E.: Aqui, o português Guaracy (Paulo Rocha) é quem arrasta um bonde por Griselda.

Agenor (Caio Castro) e Naldo (Eduardo Moscovis) - Foto: Divulgação

2)   S.D.: Naldo (Eduardo Moscovis) era a ambição em forma de gente e não pensou duas vezes antes de passar por cima da mãe, Do Carmo, para conseguir o que queria.

F.E.: Antenor (Caio Castro) admitiu ter vergonha da mãe e chegou a enrolá-la para conseguir comprar um carro do ano.

Leandro (Leonardo Vieira) e Quinzé (Malvino Salvador) - Foto: Divulgação

3)   S.D.: Leandro (Leonardo Vieira) era traído pela esposa, Nalva (Tânia Khalill), e virou a chacota do bairro.

F.E.: Quinzé (Malvino Salvador) perdeu a periguete Teodora (Carolina Dieckmann) para o lutador Wallace Um (Dudu Azevedo) e a humilhação foi ainda maior, porque Mu virou um campeão internacional. Nos dois casos, as duas tentaram reconquistar os cornos.

Nazaré (Renata Sorrah) e Tereza Cristina (Cristiane Torloni) - Foto: Divulgação

4)    S.D.: Nazaré (Renata Sorrah) era louca, psicótica, assassina e se achava a mulher mais linda sobre a face da terra.

F.E.: Tereza Cristina (Christiane Torloni) age realmente como se fosse a reencarnação de Cleópatra e não pensa duas vezes antes de tirar a vida de quem atravessa seu caminho.

Josivaldo (José de Abreu) e Pereirinha (Zé Mayer) - Foto: Divulgação

Josivaldo (José de Abreu) e Pereirinha (Zé Mayer) - Foto: Divulgação

 

5) S.D.:  O traste do Josivaldo (José de Abreu) reapareceu para viver às custas de Do Carmo, depois que descobriu que a esposa estava rica. Rejeitado, virou amigo e cúmplice de Nazaré, mas terminou a novela como um mendigo.

F.E.: Igualmente inútil Pereirinha (José Mayer) volta para casa na maior cara de pau, como se não tivesse passado 20 anos… E isso aconteceu logo depois da mulher ter ficado milionária. Ele tem a aparência de um mendigo, quer tirar dinheiro da esposa e vira amante de Tereza Cristina.

 

Edgard (Dan Stulbach) e René (Dalton Vigh) - Foto: Divulgação

6)   S.D.: Edgard Legrand (Dan Stulbach) era o proprietário e chef do restaurante Monsieur Vatel e virava par romântico de  Lindalva / Isabel (Carolina Dieckmann), a protagonista jovem da novela.

F.E.: Renê Velmont (Dalton Vigh) também é dono e cozinheiro do restaurante francês, Le Velmont. Mas é o par romântico da protagonista nem tão jovem de Fina Estampa.

7)   S.D.: Rita de Cássia (Adriana Lessa) era constantemente espancada pelo marido violento, Cigano (Ronnie Marruda). Sua filha era a espevitada funkeira, Lady Daiane (Jéssica Sodré).

F.E.: Celeste (Dira Paes) passou anos apanhando de Baltazar, mas, assim como, Rita se rebelou contra seu algoz.  É mãe da funkeira sem juízo, Solange (Carol Macedo).

8)   S.D.: Shao Lin/ Políbio (Leonardo Miggiorim) era um “marginalzinho” de quinta categoria…

F.E.:… Assim como o michê picareta do Leandro (Rodrigo Simas).

Patrícia (Adriana Birolli) e Isabel (Carolina Dieckmann) - Foto: Divulgação

9)   S.D.: Isabel era a filha centrada, responsável e trabalhadeira da doida da Nazaré.

F.E.: Patrícia (Adriana Birolli) é a filha centrada, responsável e estudiosa da doida da Tereza Cristina.

Crodoaldo (Marcelo Serrado) e Alfred (Ítalo Rossi) - Foto: Divulgação

 

10)   S.D.: Alfred (Ítalo Rossi) era o mordomo devotado de milady Gisela Couto (Ângela Vieira). Já Ubiracy (Luiz Henrique Nogueira) era o gay divertido, afetado e gente boa da trama.

F.E.: Crodoaldo Valério (Marcelo Serrado) resume as características de Alfred e Bira, elevadas à potência máxima.