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E se…Carminha (Avenida Brasil) e Chayene (Cheias de Charme) fossem irmãs ?

sexta-feira, 18 de maio de 2012 por jorgebrasil

Há muito tempo que não faço um “E Se…” aqui. Mas, atendendo a pedidos, aqui vai mais uma edição da minha brincadeira favorita, na qual, espero eu, você embarque comigo: E Se… Carminha (Adriana Esteves) – de Avenida Brasil – e Chayene (Cláudia Abreu) - Cheias de Charme – fossem irmãs? Isso mesmo. Nos Estados Unidos o crossover (quando o universo ou personagens de duas séries se misturam em um episódio) é bem comum, mas, aqui, não me lembro que tenha sido feito. Aguinaldo Silva e Silvio de Abreu usaram personagens de uma novela em outra (veja Box)
e Aguinaldo chegou a criar um spin-off (programa criado a partir de outro) de Cinquentinha (2009) em Lara Com Z (2011). Mas fiquei imaginando como ficaria colocar lado a lado as duas principais vilãs do momento. Que tal? Já pensei em tudo, veja só:

Tudo poderia se desenvolver da seguinte forma (palpite a vontade viu!): A tão esperada virada na trama de João Emanuel Carneiro nem estaria relacionada com Nina (Débora Falabella). Na verdade, Carminha descobriria plano de vingança da ex-enteada e sem ter a que recorrer – já que até Max (Marcello Novaes) teria lhe virado as costas – ela engoliria o orgulho e recorreria a um estremecido laço de seu passado, revelando ao público seu grande segredo: Carminha é irmã da rainha do eletroforro: Chayene.

Chayene (Cláudia Abreu) e Carminha (Adriana Esteves), irmãs?! -Fotos: Divulgação

Na verdade, Jociléia e sua irmã mais velha, Carmen Lúcia, deixaram o Piauí com os pais e um grupo de retirantes, numa época de seca terrível, rumo a uma vida mais molhadinha no Sudeste do país. No caminho, um acidente vitimou a maioria dos viajantes, inclusive, os pais e os irmãos de Jociléia e Carmen Lúcia. Os sobreviventes levaram as adolescentes para o lixão, onde elas ficaram sob os cuidados do casal Lucinda (Vera Holtz) e Nilo (José de Abreu). Logo que chegou, Jociléia se apaixonou pelo menino Max e ele parecia gostar dela também. Mas a invejosa Camen
Lúcia tratou de roubar o namorado da irmã. As duas passaram a brigar feito cão e gato e a velha porca, digo Lucinda, de olho nas belas jovens, decidiu aproveitar tanta beleza na prostituição.

Lady Kate (Katiuscia Canoro) e Bebel (Camila Pitanga) - Foto: Divulgação

Safada e doida para se dar bem na vida sem precisar trabalhar, Carmen Lúcia tratou de ganhar um trocado no calçadão de Copacabana, onde, inclusive, ficou muito amiga de Bebel (Camila Pitanga) e Lady Kate (Katiuscia Canoro), com quem treinou para acabar com seu sotaque para virar uma típica carioca suburbana. Já Jociléia se recusou a virar puta, porque seu grande sonho era se transformar numa estrela da música. E se precisasse se prostituir, que fosse com alguém que pudesse ajudá-la a realizar seus planos. E assim fez. Num dos vários testes do qual participou, ela conheceu o talentoso Laércio (Luiz Henrique Nogueira), que estava montando uma banda de forró e buscava uma vocalista. Cheia de charme, Jociléia seduziu o sujeito e ganhou o posto, apagando de vez seu passado ao se metamorfosear na esfuziante Chayene. Já Carmen Lúcia acabou se envolvendo numa picaretagem de Lucinda e foi parar atrás das grades, onde comeu o pão que o diabo amassou. Depois de cumprir pena e determinada a não voltar mais para o lixão, ela procurou Jociléia/Chayene em busca de ajuda, mas foi tratada como lixo e jogada no meio da rua. Sem saída, ela reencontrou Max e juntos criaram a “doce” Carminha, conseguindo dar o golpe em Genézio (Tony Ramos) e, mais tarde, em Tufão (Murilo Benício). Mas agora, Carminha pode perder tudo o que conquistou e Chayene é sua única salvação.

Nina ( Débora Falabella) - Foto: Divulgação

Nina ( Débora Falabella) - Foto: Divulgação

O reencontro das irmãs é bombástico, culminando num festival de tabefes a lá Sonia Braga e Joana Fomm, em Danci’n Days (1978). Até que, exausta, Carminha dá seu lance mais poderoso: ou Chayene a ajuda a dar a volta por cima ou todos conhecerão o verdadeiro passado da Juciléia. Encurralada, Chayene topa e, acaba descobrindo que Carminha pode ser uma boa arma em sua vingança contra Penha (Taís Araújo), Cida (Isabelle Drummond) e Rosário (Leandra Leal), cujo Trio Empreguetes é a nova sensação musical do país. Está feito!

Cida (Isabelle Drummond) , Rosário (Leandra Leal) e Penha (Taís Araújo) - Foto: Divulgação

Chayene entra em ação, liberando uma bela grana para a irmã dar um sumiço em Lucinda e Nilo, enquanto ela contrata Nina para preparar o banquete de seu casamento com Fabian (Ricardo Tozzi). E Nina não imagina que poderá ser um dos ingredientes dessa comilança… Enquanto isso, Carminha contrata as Empreguetes para cantarem no aniversário de Tufão e as Marias do Lar acabam presas no lixão, tendo de fazer reciclagem de lixo para sobreviver. Quem faz o show no aniversário de Tufão é Chayene, onde todos ficam sabendo ela é a irmã desaparecida de Carminha e da luta que elas travaram para poderem se reencontrar. É muita emoção… Final feliz para as megeras? E o que aconteceu com Nina e as empreguetes? Ah isso, já é outra história…

Jamanta (Cacá Carvalho) em ''Torre de Babel'', e ''ressuscitado''com Reynaldo Gianecchini em ''Belissima'' - Foto: Divulgação

SPIN-OFF NACIONAL

- Personagens de Rainha da Sucata (1990), de Silvio de Abreu, Dona Armênia (Aracy Balabanian) e suas “filhinhas”, Gerson (Gerson Brenner), Geraldo (Marcello Novaes) e Gino (Jandir Ferrari), voltaram ao ar, dois anos depois, em outra trama do autor: Deus nos Acuda.

- Em Belíssima (2005), Silvio literalmente ressuscitou” o personagem Jamanta (Cacá Carvalho), sucesso de sua novela anterior, Torre de Babel (1998).

- Aguinaldo Silva adora se auto-homenagear, como fez muitas vezes em Fina Estampa, com Nazaré (Renata Sorrah, de Senhora do Destino), sendo a inspiração de Tereza Cristina (Christiane Torloni) para cometer seus assassinatos. Na última semana, Tia Íris (Eva Wilma), voltava para Greenville, insinuando que era uma reencarnação de Altiva, a megera mor de A Indomada (1997).

- Protagonista de Pedra Sobre Pedra (1992), Murilo Pontes (Lima Duarte), fez uma participação especial em A Indomada.

- Lima repetiu a experiência nas tramas do autor, quando o senador Vitório Viana, de Porto dos Milagres (2001), apareceu na reta final de Senhora do Destino (2004).



Os altos e baixos da Record

sexta-feira, 11 de maio de 2012 por jorgebrasil

Nameless (Paloma Duarte) - Foto: Divulgação

Vidas em Jogo foi uma novela bem bacana, Rebelde consegue se comunicar perfeitamente com o público adolescente e Rei Davi agradou até mesmo quem não é lá muito fã de adaptações de passagens bíblicas. Tudo levava a crer, então, que 2012 seria um ano de muitas glórias para a Rede Record. Mas aí veio Máscaras… E tudo desandou! Não consigo acreditar que essa produção leva a assinatura de um mestre da teledramaturgia como Lauro César Muniz. Não bastasse a história ser confusa, sem ritmo e cansativa, o texto é tão primário, que chega a ser vergonhoso. Os diálogos são artificiais e levam os atores (alguns bons, como Cecil Thiré, Jussara Freire, Petrônio Gontijo, Jonas Bloch…) a cometerem assassinatos em suas atuações. Tirando Paloma Duarte, que parece não estar levando nada a sério (e nem dá porque sua personagem se chama Nameless, sem nome em inglês), ninguém está bem. E, para piorar, não tem um só núcleo que renda.

Otávio (Fernando Pavão), Maria (Mirian Freeland) e Décio (Petrônio Gontijo) - Foto: Divulgação

O primeiro capítulo foi até promissor. Anunciava uma novela ousada, dramática, intensa… Mas tudo descambou para uma sucessão de núcleos ridículos e totalmente sem sentido. Exemplo: As Damas da Távola Redonda: Valéria Laje (Beth Coelho), Geraldine (Luiza Tomé), Cláudia (Franciely Freduzeski), Flávia (Francisca Queiroz) e Laís (Luiza Curvo). Desconjuro pé de pato, mangalô três vezes… Que coisa mais ridícula. Um bando
de mulheres mal amadas, inseguras e chatas que se reúnem, teoricamente, para discutir as mais variadas nuances do universo feminino. Mas são tantos os clichês que se torna impossível embarcar nas reflexões – tão prufundas quanto um pires – do grupo.
Ruim demais!

E o que é Elvira, a personagem da Jussara Freire? A criatura diz ter sido injustamente condenada pelo juiz Eduardo Sotero (Cecil Thiré) pelo absurdo e sanguinolento assassinato de seu marido e está decidida a fazer com que o magistrado corrija seu erro. E começa a desenrolar uma série de diálogos sem sentido, tanto com o juiz quanto com o filho dele, Edu, interpretado sem convicção por Dado Dolabella. E aí chegamos a outro núcleo que beira às raias do absurdo. A psicóloga Tônia (Daniela Galli) tem uma obsessão doentia pela irmã caçula Luma (Karen Rodrigues) e sempre atrapalhou todos os possíveis romances da menina. Só que, agora, as duas resolveram que vão ter um filho de Edu e deu-se início a um triângulo amoroso pautado pela mais completa imbecilidade.

Otávio (Fernando Pavão) e Décio (Petrônio Gontijo) - Foto: Divulgação

E o núcleo central? Desde que Maria (Miriam Freeland) foi sequestrada com seu bebê começou um jogo de acusações infundadas entre o marido, Otávio (Fernando Pavão), o irmão Martim (Heitor Martinez) e o psicanalista Décio (Petrônio Gontijo). Nenhum deles tinha motivo real para sumir com a moça e o que poderia ser uma trama intrincada de mistério, virou uma paranóia sem sentido, recheada com um festival de caras e bocas dos três atores. Fernando, em particular, que foi tão bem em Sansão e Dalila (2010), virou um canastrão da pior espécie, principalmente, depois que Otávio passou a ser dopado por Martim e Décio. Lamentável!

Martin (Heitor Martinez) - Foto: Divulgação

Gente! E teve ainda a cena inusitada de Olívia (Íris Bruzzi) vendo Manuela (Gisele Itié) pela primeira vez e, do nada, decidindo contar à moça o grande segredo de sua vida: que ela havia sido prostituta. Tudo para que a garota de programas também se revelasse. Só que nada ali fez sentido. E o casal José Maria/Zezé (Roberto Bomtempo) e Maria José/Zezé (Bárbara Bruno)? Dois idiotas completos e profundamente irritantes. Como diria Luciano Huck: loucura, loucura, loucura… Nem sei mais se ainda resta alguma esperança dentro de meu ser para que Máscara passe por uma “cirurgia plástica” e ressurja com outra face, mais com cara de folhetim e menos com jeito de samba do autor doido.

UM SOPRO DE ESPERANÇA…

Claudio Gabriel, Milhem Cortaz e Rafaella Mandelli - Foto: Divulgação

Mas se Máscaras sugou todas as minhas energias, ao menos, na terça 8 estreou Fora de Controle na telinha da Record. Uma trama policial inteligente, ágil, cheia de reviravoltas e que, talvez, faça a emissora voltar ao topo nessa montanha russa de produções que ela vem levando ao ar. Roteiristas do seriado, Marcílio Moraes e Gustavo Reiz, souberam muito espertamente dosar a violência e centraram seu enredo numa investigação policial mais calcada na inteligência do que na força bruta. Gostei! A direção de Daniel Rezende e Johnny Araújo compreendeu esta opção dramatúrgica, mas evitaram que a série tivesse um ritmo lento. Tudo foi dinâmico e empolgante no episódio de estreia. Para coroar com chave de ouro, a justiça foi feita e, finalmente, o excelente Milhem Cortaz ganhou um personagem à altura do seu talento. Protagonista de
Fora de Controle, Milhem fez do delegado Medeiros um homem de carne e osso e de grande empatia com o público. Aplausos também para Rafaela Mandelli e Cláudio Gabriel, ótimos como Clarice e Brandão, parceiros de trabalho de Medeiros. Vale conferir!

Leonardo Brício (Rei Davi) - Foto: Divulgação

Por fim, preciso registrar o acerto final que se tornou Rei Davi. Achei os primeiros capítulos da série bíblica bonitos, visualmente falando, mas arrastados e cansativos. Só que essa pasmaceira não durou muito e logo que Leonardo Brício assumiu a coroa de rei de Israel o programa cresceu dramaturgicamente, ganhou estofo e encerrou sua trajetória com muita dignidade. Além dos belos cenários, figurinos e ótimos efeitos especiais, tiro o chapéu também para Renata Dominguez (Bate-Seba), Maria Maia (Mical), Grancindo Jr. (Rei Saul), Marly Bueno (Ainoã), Cláudio Fontana
(Jonatas), Vitor Hugo (Mefibotese), Roberta Gualda (Tirsa) e Leandro Léo (Davi jovem), além das ótimas revelações Eline Porto (Mical jovem), Elder Gatelly (Abiatar) e Júlia Fajardo (Tamar)! Parabéns a todos!



Amor Eterno Amor, anda, anda, anda, mas parece não sair do lugar…

sexta-feira, 4 de maio de 2012 por jorgebrasil

Gabriel Braga Nunes como Rodrigo em ''Amor Eterno Amor'' - Foto: Divulgação

A Globo está vivendo uma fase inspirada. Cheias de Charme é uma delícia, Avenida Brasil deixa a gente eletrizado e até Malhação ganhou mais estofo com as recentes alterações na história. Mas acontece um fenômeno interessante com Amor Eterno Amor. A novela é boa? É sim. Tem ótimos atores, personagens divertidos, uma produção de arte bacana e uma trama com boas possibilidades, mas a novela parece estar estacionada há semanas. Por mais que a história ande, ela não sai do lugar. Há tempos Carlos (Gabriel Braga Nunes) descobriu se chamar Rodrigo e ser o filho roubado da milionária Verbena (Ana Lúcia Torre), ele assumiu os negócios da família e… Nada, de verdade, realmente aconteceu!
Talvez seja um pouco de exagero, afinal, Verbena morreu, Valéria (Andréia Horta) ficou grávida, Gracinha (Daniela Fontan) fugiu para o Rio de Janeiro, Gabriel (Felipe Camargo) começou a namorar Beatriz (Carolina Kasting)… Só que nada disso realmente contribuiu para alavancar a trama. Para piorar, passamos do 50º capítulo e o romance de Rodrigo com Miriam (Letícia Persiles) não evoluiu nadica de nada. E Amor Eterno Amor não se tornou um tédio sem fim, graças ao enorme talento da autora Elizabeth Jihn de lidar com os pequenos detalhes, que acabam cativando e atraindo a atenção do público. Mas isso é perigoso, porque um espectador mais agitado ou cheio de afazeres pode simplesmente se dispersar e acabar deixando a novela de lado.

Letícia Persiles (Miriam) - Foto: Divulgação

Todo e qualquer folhetim precisa de ações que mexam com a adrenalina de quem assiste. Mas não são necessárias correrias gritos e explosões para isso. Um bom exemplo foi A Vida da Gente, uma trama cotidiana, naturalista, mas cheia de fortes emoções e ganchos que faziam com que a gente tivesse muita vontade de continuar assistindo a novela no dia seguinte. Falta essa pimenta à Amor Eterno Amor. Espero que, com a entrada de Elisa, vivida por Mayana Moura, esse molho seja distribuído fartamente por todos os núcleos. Material pra isso, a novelista tem para dar e vender, já que Rodrigo ficará dividido entre a obrigação moral de assumir o filho de Valéria (que pra mim nem é dele e sim de Josué, vivido por Raphael Viana), a paixão por Miriam e o amor infantil por Elisa, alimentado durante toda a sua vida. Além disso, é preciso que Melissa (Cássia Kiss Magro), Fernando (Carmo Dalla Vecchia) e Dimas (Luís Mello), os vilões da história, assumam definitivamente seus papeis de malvados e atormentem muito a vida dos mocinhos.

Cassia Kis Magro (Melissa) e Luis Melo (Dimas) - Foto:Divulgação

Sem falar que guardo muita expectativa para que essas misteriosas dores de cabeça e os estranhíssimos desmaios de Rodrigo também resultem em algo mais impactante. E espero que o plano espiritual também renda mais do que o que foi mostrado até agora, por ser um tema sempre envolvente. Até lá vou me deliciando com o desempenho consistente de Gabriel Braga Nunes, com a suavidade de Letícia Persiles e com a atuação madura da tão jovem Klara Castanho, perfeita como a médium Clarinha. Também estão arrasando: Cássia Kiss Magro, Carmo Dalla Vecchia, Daniela Fontan, Pedro Paulo Rangel (Zé), Vera Mancini (Carmen), André Gonçalves (Pedro), Osmar Prado (Virgílio), Rosi Campos (Tereza), Suely Franco (Zilda), Olivia Torres (Gabi) e Giulia Gam (Laura). Agora, por caridade: o núcleo do cortiço bem que poderia ser completamente aniquilado. Não suporto mais as irritantes brigas de Olga (Camila Amado) e Ribamar. (Nuno Leal Maia). A voz de Camila me tira do sério e fica ecoando na minha cabeça até bem depois do capítulo acabar. Ninguém merece tanta chatice. Pronto, falei, tô leve!



Todo o poder de Adriana Esteves em ”Avenida Brasil”

sexta-feira, 27 de abril de 2012 por jorgebrasil
adriana esteves

Adriana Esteves como Carminha em Avenida Brasil - Foto: Divulgação

Avenida Brasil já virou um vício pra mim. Por vários motivos. A história (não importa se é parecida ou não com a da série Revenge) é bárbara, o texto do João Emanuel Carneiro está afiadíssimo e o elenco é um assombro. E por mais que Débora Falabella esteja ótima como Nina, a primeira-dama da novela é mesmo Adriana Esteves. O enorme talento da atriz não é novidade para ninguém e sua trajetória é a prova disso. Seja na pele de mocinhas – como a Lúcia Helena, de A Indomada (1997), ou a Marina, de Pedra Sobre Pedra (1992) – ou como vilãs – a Sandrinha, de Torre de Babel (1998), e a Amelinha, de Coração de Estudante (2002) – Adriana sempre arrasa. Como não citar também a voluntariosa Catarina, de O Cravo e a Rosa (2000), a destemida Lola, de Kubanacan (2003), e a inesquecível Dalva de Oliveira, da minissérie Dalva e Herivelto – Uma Canção de Amor (2010). No mesmo ano, Adriana ainda estrelou o melhor episódio de As Cariocas: A Vingativa do Méier. E mesmo participando de poucos capítulos de Senhora do Destino (2004), deixou sua marca registrada como a versão jovem de uma das maiores vilãs da teledramaturgia brasileira: Nazaré Tedesco. E dá para esquecer a hilariante Celinha, da série Toma Lá Da Cá (2005/2007)? Claro que não. Ou seja: no drama ou na comédia, Adriana Esteves sempre bate um bolão e marca gol.

adriana esteves

À dir. com Miguel Falabella em ''Toma lá da cá'' e como Dalva na minissérie ''Dalva e Herivelto'' onde fazia par com Fábio Assunção - Fotos: Divulgação

E acredito mesmo que todas essas personagens serviram de preparação para a Carminha. Sim, porque a personagem é um pouco disso tudo. Carminha é de uma crueldade assustadora, mas também é muito engraçada. Ela sofre por não ser aceita pelo filho, Jorginho (Cauã Reymond), mas é capaz de chamar a filha, Ágata (Ana Karolina), de gorda, cafona e feia sem um pingo de remorso ou constrangimento. Carminha é apaixonada por Max (Marcello Novaes), mas nunca escondeu que gosta da vida que construiu ao lado de Tufão (Murilo Benício). Tamanha contradição pedia mesmo por uma atriz sem medo de arriscar, caso contrário iria se tornar uma personagem nada crível. Adriana é assim. Ela vai fundo nas emoções, consciente de que apenas dessa maneira consegue atingir o coração do espectador.

adriana Esteves

Com Dú Moscovis na novela ''O Cravo e a Rosa'' - Foto: Divulgação

Como Nazaré na primeira fase de ''Senhora do Destino'' e Carolina Dieckmann como Maria do Carmo - Foto: Divulgação

Ela certamente aprendeu isso com o trauma causado pelo fracasso de sua participação em Renascer (1993), como a vingativa Mariana. Na época, Adriana, muito jovem, recebeu uma enxurrada de críticas negativas, que levaram a uma Síndrome de Pânico. O que foi uma tremenda injustiça, já que a composição que ela fez para uma típica caipira foi perfeita. Adriana se deixou abater terrivelmente, mas tal e qual a ave Fênix, ressurgiu das cinzas, muito mais forte e determinada e sem receio de ouvir críticas. E transformou-se nessa atriz extraordinária, que toda noite nos presenteia com um desempenho primoroso.

Lola de ''Kubanacan'' e Sandrinha de ''Torre de Babel'' - Foto: Divulgação



”Cheias de Charme”, talento e alto astral. Ô novela boa!

domingo, 22 de abril de 2012 por Contigo!


Maria da Penha é batalhadora, carrega a família nas costas e, apesar do cotidiano sofrido na faxina, não perde a esperança de viver dias melhores. Maria do Rosário é uma cozinheira de mão cheia, mas, muito sonhadora, quer fazer sucesso como cantora e é capaz de fazer qualquer maluquice para realizar seu objetivo. Maria Aparecida é romântica até dizer chega. Doméstica, quer estudar e construir uma carreira, mas seu desejo maior mesmo é encontrar um príncipe encantado. Quem não conhece alguém com essas características? Penha, Rosário e Cida, as protagonistas de Cheias de Charme, poderiam ser nossas secretárias do lar, vizinhas, amigas e confidentes. São pessoas de carne e osso e ganharam interpretações igualmente naturalistas e brilhantes de Taís Araújo, Leandra Leal e Isabelle Drummond. Do outro lado dessa “vida como ela é” está o universo multicolorido de Chayene (Cláudia Abreu, espetacular). A estrela do eletroforró parece ter saído de uma história em quadrinhos e serve de contraste para o dia a dia das três Marias do lar (como a novela inicialmente seria chamada), criando um maravilhoso mosaico de emoções que fazem da nova trama das 7 da Rede Globo num manjar dos deuses depois da meses aturando a falta de viço de Aquele Beijo.

Chayene (Cláudia Abreu)

É isso aí. Como aconteceu com Avenida Brasil, estou viciado em Cheias de Charme e não consigo imaginar perder um só capítulo da novela. Morro de rir com Chayene, me emociono com Cida e Penha e torço muito por Rosário. Três cenas me tocaram especialmente na semana de estreia. Depois de passar uma noite no hospital público, tentando conseguir atendimento para o marido, Sandro (Marcos Palmeira), Penha aceitou de bom grado a mão estendida de Lígia (Malu Galli), a advogada de Chayene, e desabafou com dela todo peso que carrega desde muito novinha. Taís arrasou, sabendo dosar o drama de sua personagem com a força que ela traz dentro do peito. Foi uma linha tênue, que poderia ter caído num sentimentalismo barato, mas que Taís segurou com talento e tocou o coração do público. A outra sequência linda trouxe Sarmento (Tato Gabus Mendes) e Sônia (Alexandra Richter) comunicando a Cida que, agora que ela completou 19 anos, eles lhe presenteariam assinando sua carteira de trabalho como empregada doméstica. Lágrimas começaram a brotar no rosto de Isabelle, deixando a gente com um bolo na garganta. Tudo o que a menina queria era ser aceita como integrante da família, já que foi criada junto deles. Mas ali ficou completamente claro que ela jamais seria mais do que uma empregada. Doeu nela e na gente! Por fim, Sidney (Daniel Dantas), cansado de ver a filha adotiva, Rosário, quebrar a cabeça na batalha insana por um lugar ao sol como cantora, tenta tirar dela o bem mais precioso que ele mesmo havia plantado em seu coração e sua alma: a esperança. Apesar da “porrada” emocional que levou, Rosário se manteve firme e disse que não iria desistir sem antes ter esgotado todas as possibilidades de realizar seu sonho. E que havia aprendido isso justamente com o pai. Lindo! Essas cenas resumem muito de quem são Penha, Cida e Rosário e também o talento dessas três jovens, lindas e talentosíssimas atrizes.

Gaby Amarantos e Cláudia Abreu

Mas eu seria injusto demais não tirar o chapéu para os autores Filipe Miguez e Isabel de Oliveira. Eles estreiam como titulares da conta em Cheias de Charme (supervisionados pelo craque Ricardo Linhares), depois de vários anos atuando como colaboradores. A dupla criou um dos melhores primeiros capítulos de novela das 7 que já vi e continuou mantendo o pique altíssimo nos episódios seguintes. O trabalho com a equipe de direção de Denise Saraceni e Carlos Araújo também não poderia ser mais feliz. Texto e direção se completam de forma magistral. Aliás, há muito tempo que não vejo um grupo de profissionais trabalhar em tamanha harmonia. Tudo funciona bem. Os figurinos (especialmente os de Chayene) são perfeitos, os cenários (mais destaque para os da cantora) são incríveis e os cabelos, maquiagens, trilha sonora… Tudo é bárbaro. Impossível não citar ainda a abertura linda e criativa, em forma de desenho animado, valorizada pela música Ex Mai Love, de Gaby Amarantos, que gruda na cabeça da gente.

No elenco, mais acertos. Além das já elogiadas Taís, Leandra e Isabelle, destaque também para Marcos Palmeira, que está sensacional como o picreta bonachão Sandro, e Jayme Matarazzo, irreconhecível e excelente com o entregador-grafiteiro, Rodinei. Aplausos também para Malu Galli (Lygia), Humberto Carrão (Elano), Juliana Alves (Dinha), Daniel Dantas (Sidney), Tato Gabus Mendes (Ernani), Alexandra Richter (Sônia), Bruno Mazzeo (Tom), Aracy Balabanian (Máslova), Dhu Moraes (Valda), Simone Gutierrez (Ariela) e Rodrigo Pandolfo (Humberto). Luiz Henrique Nogueira está bem, mas tem algo de muito estranho em sua dicção e Fábio Lago é engraçado, mas já vimos que é um ator de um personagem só. E Titita Medeiros é realmente a revelação da novela , como Socorro, a Maria do mal. Dei boas gargalhadas com ela esta semana. Já Ricardo Tozzi me incomoda tanto como Fabian quanto como Inácio. São caretas demais, trejeitos cansativos, que deixam bem clara a falta de recursos do ator. Mas a novela está só começando… Vamos ver se o rapaz reverte esse quadro.

Taís Araújo, Leandra Leal, Isabelle Drummond

E seria uma ofensa não destinar um parágrafo para Cláudia Abreu. Que ela é uma atriz brilhante e cheia de recursos, não é novidade para ninguém. Mas que ela também era uma humorista tão inteligente e criativa eu ainda não sabia. Quando Chayene está em cena não sobra nada para ninguém. Nos moldes da Viúva Porcina (Regina Duarte), de Roque Santeiro (1985), ela é extravagante, esfuziante, vaidosa, egoística, comilona, divertida, maldosa, fogosa e mesmo com tantas características parecidas entre as duas, Cláudia fez de Chayene uma personagem única. Com alma própria. Que arraso! Cheias de Charme me pegou pelo cabresto e não quero que me solte. “Amadinhos, quede meu cheiro?”



VIDAS EM JOGO, AQUELE BEIJO E MÁSCARAS: DUAS DESPEDIAS E UMA ESTREIA NA TELINHA

domingo, 15 de abril de 2012 por Contigo!

Que semaninha mais movimentada minha gente. Duas despedidas e uma estreia na telinha consumiram boa parte do meu tempo. E, infelizmente, nada tocou meu coração. Na Record, Vidas em Jogo foi uma novela esticada demais, o que prejudicou bastante o trabalho da autora, Cristianne Fridman. E o último capítulo teve altos e baixos além da conta. Já na Globo, Aquele Beijo chegou ao fim realmente surpreendendo o público, só que de forma bem negativa… Por fim, de volta à Record, conhecemos Máscaras. Bem… O primeiro capítulo foi inusitado, mas prenunciava uma trama bem interessante. Mas, a partir do segundo, o que passamos a ver foi um festival de paranóia e histeria que só cansou a minha enorme paciência. Mas, vamos analisar uma a uma:

AQUELE BEIJO: MERA BITOQUINHA
Aqui na redação eu era o único que defendia a trama de Miguel Falabella. Não era uma Avenida Brasil, mas funcionava. Eu gostava da narração de Falabella, de alguns atores do elenco e dos núcleos de Mãe Iara (Cláudia Jimenez) e do Felizardo (Diogo Vilela). Quando o capítulo de Aquele Beijo acabava não dava aquela vontade louca de assistir no dia seguinte, mas eu quando eu sentava para acompanhar a história, não sofria. Pelo contrário: me divertia. Miguel Falabella tocou em pontos importantes como racismo, preconceito social, homofobia, relacionamento inter-racial, ambição desmedida, corrupção, adoção… Assuntos difíceis, mas muito bem trabalhados, com seriedade e, ao mesmo tempo, leveza. E tinha certeza que o último capítulo seria, no mínimo, divertido. Mas que nada! O autor fez uma “suruba” de estilos, em que nada deu certo. Tirando o casamento de Cláudia (Giovanna Antonelli) e Vicente (Ricardo Pereira), o resto foi inominável. Curti demais ver a noiva entrando na igreja do som de Maria, uma das canções do filme A Noviça Rebelde (1965). Mas alguém pode me explicar a enorme bobagem que foi o sequestro de Cláudia? Sério! Era melhor ter tirado Rubinho (Victor Pecoraro) da história. Ficou no ar a impressão de que o autor precisou arrumar uma função para o galã no final da novela e aí criou aquela bobagem toda.
Se você também esperava por muita luz e alegria na despedida da novela, se deparou com uma overdose de baixo astral. Felizardo (Diogo Vilela) foi assassinado a facadas por Damiana (Bia Nunnes), Olga (Maria Zilda Bethlem) e Tibério (Hugo Gross) viraram churrasquinho no incêndio do Lar da Mão Aberta e Grace Kelly (Leilah Moreno) morreu de causas naturais, aos 32 anos, depois de cinco anos presa, outros tantos atuando como prostituta e ainda ter sido roubada pela tia, Diva (Eliza Lucinda). Que horror! Concordo que é legal que os vilões sejam punidos, mas tudo tem limite. Também achei de extremo mau gosto que Camila (Fernanda Souza) só tenha visto o filho duas vezes em mais de cinco anos. E não curti Olavo (Ernani Moraes) ter abandonado Marieta (Renata Celidônio) só porque ela perdeu 68 kg. Que isso, gente!
Pelo menos no horário das 7, da Globo, era para a gente receber  um pouco de alegria… Falabella até tentou encerrar sua trama com o pique lá em cima, mas errou feio na dose. Ele decidiu simplesmente roubar a cena nos minutos finais, na pele de um rei indiano, casado com Ashuarya Maharani (vivida pela modelo e socialite francesa Bethy Lagardère), convocando todo o elenco para uma dancinha indiana safada, que ficou parecendo uma daquelas paródias do Casseta & Planeta para Caminho das Índias. Pééééééssimo! E duvido e o dó que o público tenha entendido a piadinha com o famoso vídeo da travesti Luiza Marilac desmentindo os boatos de que estava na pior. Só faltou o “porrammm!”
Ainda não curti a participação de Bruno Faria, marido de Marília Pêra na vida real, como o milionário Luis Guilherme Moreira Bastos, par romântico de Maruschka. O sujeito nem tem culpa, afinal, não é ator, mas poderia ter sido poupado de tamanho constrangimento. Para não dizer que fui tomado pela amargura, foi uma delícia acompanhar a trajetória de Marília Pêra na novela. De víbora milionária insensível à moradora da comunidade do Covil do Bagre, a personagem não perdeu o tom e sua transformação convenceu. Mérito dessa atriz genial. A cena em que ela permitiu que Ana Girafa (Luís Salém) a chamasse de mamãe pela primeira vez foi emocionante. Pena que Salém não tenha conseguido acompanhar o tom de sua parceira e apenas destilou canastrice.
Do elenco, aplaudo feliz Giovanna Antonelli, Ricardo Pereira, Diogo Vilela, Bia Nunnes, Stella Miranda, Nívea Maria, Herson Capri, Fernanda Souza, Juliana Didone, Leilah Moreno, Maria Gladys, Bruna Marquezine, Elizângela, Maria Zilda Bethlem, Grazi Massafera, Renata Celidônio, Ernani Moraes, Karin Hills, Priscila Marinho, Luciano Borges e as portuguesas Maria Vieira e Marina Mota. Gostei especialmente também de Thelma Reston, absolutamente genial como a picareta Violante. Já Bruno Garcia e Cláudia Jimenez fizeram o mais do mesmo, mas seus personagens eram tão bons que esse detalhe tornou-se insignificante. Por fim, Victor Pecoraro começou a novela muito fraquinho, mas foi melhorando com o tempo e conseguiu mostrar uma boa evolução. Bem diferente de Fiuk, que foi péssimo a novela toda. As meninas o adoram, mas esse rapaz tem a expressividade de uma folha de alface. Fala sério! Infelizmente, por essas e outras, que Aquele Beijo não passou de uma bitoquinha!

VIDAS EM JOGO: LONGA DEMAIS

No último capítulo de Vidas em Jogo descobrimos que não havia palhaço assassino nenhum. E que o palhaço dessa história éramos nós. Sim porque ficar quase um ano acompanhando uma história policial sobre um serial killer e, na hora H, descobrimos que o criminoso simplesmente ele não existia, foi de doer. Detestei essa história de tudo não ter passado de um plano de Adalberto (Luiz Guilherme) para impedir que Regina (Beth Goulart) matasse os integrantes da Turma do Bolão. Até respeito a tentativa da autora Cristianne Fridman de fazer um final absolutamente surpreendente. Mas ela errou totalmente na escolha de Adalberto para ser o salvador da pátria. Com isso, o protagonista, Francisco (Guilherme Berenguer), foi totalmente esvaziado. Pelo menos o ator teve a chance, no penúltimo capítulo, fazer uma cena de impacto: a reconciliação de seu personagem com 0Patrícia (Thaís Fersoza). Os dois estiveram inspiradíssimos! E foi lindo também o discurso final de Betty Lago. A atriz se recupera do tratamento contra um câncer e fez questão de fechar sua participação na novela e o fez com muita dignidade. Parabéns!
Gente! Para tudo! O que foi a morte de Carlos (André Di Mauro)? Detestei! Carlos não merecia morrer de jeito nenhum. Lutou tanto para ajudar os amigos, dar uma boa criação para Welligton (Ricky Tavares) e Grace (Giovana Echeverria) e ainda fazer o rapaz largar o crack e não teve final feliz. Quase morri de tristeza com a cena do cãozinho Zé (Myllow) em cima do caixão do dono que tanto amava. Por falar em Myllow, mesmo com a participação do cachorro ter sido violentamente diminuída na reta final da história, o poodlezinho foi o grande destaque da trama e Vidas em Jogo será para sempre a novela do Zé!
Mas é impossível não citar a atuação devastadora de Beth Goulart, perfeita como a maquiavélica Regina. Beth conseguiu dar humanidade a essa peste, graças ao amor genuíno que ela sentia pelas filhas. Thaís Fersoza provou o quanto amadureceu e foi ótima durante toda a novela. Assim como Julianne Trevisol, uma das melhores atrizes jovens da atualidade, que roubou a cena na reta final da produção. Tiro o chapéu ainda para Lucinha Lins, Sandro Rocha, Denise Del Vecchio, Marcos Pitombo, André Di Mauro, Simone Spoladore, Gabriela Moreyra, Luciana Braga, Ricky Tavares, Betty Lago, Vanessa Gerbelli, Leonardo Vieira e Amandha Lee. E é impressionante como Mário Gomes e Cláudio Heinrich só pioram com o tempo!
De maneira geral, Vidas em Jogo cumpriu sua trajetória com dignidade, mas pena que a Rede Record teime em esticar suas produções até sobrar apenas um fiapo de trama. Isso foi ainda muito mais dramático com Ribeirão do Tempo. Enquanto esse erro de estratégia permanecer, a emissora estará sempre vários passos atrás da Globo. Uma pena!

MÁSCARAS: CONFUSÃO E HISTERIA DEMAIS

Quem viu o primeiro capítulo de Máscaras sem saber que se tratava de uma estreia, achava que estava assistindo a uma novela já com algumas semanas no ar. Não teve a tradicional apresentação dos personagens e a novela começou a toque de caixa, num ritmo alucinante. Definitivamente não parecia um primeiro capítulo de novela. Foi a opção do veterano Lauro César Muniz e, depois do estranhamento inicial, curti demais essa inovação. E achei que fosse cair de amores por Máscaras. O que não aconteceu! Primeiro, nos envolvemos no drama de Maria (Miriam Freeland), mulher totalmente desestruturada por causa da depressão pós-parto que a levou a jogar seu filho recém nascido de uma ponte. E também na luta de seu marido, Otávio (Fernando Pavão), em conseguir lidar com a instabilidade da esposa. Para piorar, o filho do casal foi sequestrado e, logo depois, a própria moça também foi levada pelos bandidos. A trama prometia… Só que, nos capítulos seguintes, essa história foi tomando proporções estranhíssimas e as cenas começaram a ser extremamente mal dirigidas. Lauro César quis criar um clima de paranóia, com um personagem desconfiando do outro, mas nada funcionou. Os atores adotaram um tom exagerado de interpretação, as situações se tornaram ridículas e um clima de histeria tomou conta da novela. Em todo esse festival do policial doido, salvou-se apenas a atuação inteligente e intensa de Miriam Freeland.
Para complicar, fomos apresentados aos outros núcleos da novela, um pior do que o outro. A psiquiatra Tônia (Daniela Galli), que é obcecada pela irmã, Luma (Karen Junqueira), é uma personagem tão irreal que caberia melhor no Zorra Total. Só que um detalhe: ela não tem a menor graça. Mas nada é mais absurdo que o núcleo de Valquíria (Bete Coelho). Num jantar em que ela deveria comemorar os sete anos de casamento com Gomide (Henri Pagnoncelli), a ricaça fez um discurso ridículo para anunciar a separação do casal. A partir daí descobrimos que ela vive cercada por um bando de mulheres cheias de neuroses, entre elas Geraldine (Luiza Tomé), Marina (Gabriela Durlo) e Sônia (Bruna Di Túlio), todas pessimamente interpretadas. E o que é Daniel Aguiar como Guto? O que o rapaz tem de bonito, tem a mesma proporção de falta de talento. Constrangedor!
Petrônio Gontijjo (Décio), Íris Bruzzi (Olívia), Valquíria Ribeiro (Maria do Socorro) também estão fora do tom e Gisele Itié (Manu) e Heitor Martinez (Martin) não comprometeram. Infelizmente, a protagonista Paloma Duarte – pelo menos é o primeiro nome na feia e preguiçosa abertura da novela – pouco apareceu. Mas tenho uma ótima expectativa para Nameless e toda a trama de suspense e intrigas que virá com ela. Espero que dê rumo a essa novela descontrolada, histérica e confusa.



Segunda fase de Avenida Brasil começa com força total

segunda-feira, 9 de abril de 2012 por Contigo!
Rita Mel Maia

Rita ( Mel Maia ) é levada ao depósito

Tem gente reclamando que tudo acontece rápido demais em Avenida Brasil. Eu discordo veementemente. O que realmente se sucede é que a trama de João Emanuel Carneiro tem um pique impressionante: tudo é muito ágil e dinâmico, mas não corrido. Em outra novela, todo o drama da pequena Rita (Mel Maia) seria desenvolvido apenas no primeiro capítulo. E não em sete. Já vi novela resumindo em uma hora as brigas com a madrasta, o golpe que Carminha (Adriana Esteves) deu em Genésio (Tony Ramos), o abandono da menina no lixão, o novo golpe da vilã em Tufão (Murilo Benício)… E, no final do capítulo, a passagem de tempo com Nina/Rita (Débora Falabella) retornando ao Brasil para se vingar. João Emanuel optou por fazer um prólogo de sete dias, magnificamente elaborado, para só depois começar sua história com Nina virando cozinheira de Carminha. E, como na primeira, a segunda fase veio, que veio, que veio com tudo!

E posso estar enganado. Mas acho que não vai demorar muito o desconhecimento de Carminha de ter empregado sua ex-enteadinha. Assim como em A Favorita (2008), uma forte reviravolta na história deverá ocorrer com essa revelação para Carminha antes do capítulo 100. E já fico me coçando inteirinho pra conferir o que vai rolar. Mas, à base de muita calma e cloridrado de sertralina, eu hei de conseguir controlar minha ansiedade. Até porque não faltam fortes emoções para a gente ir digerindo até lá…

 Nina ( Débora Falabella ) e Lucinda ( Vera Holtz )

Nina ( Débora Falabella ) e Lucinda ( Vera Holtz ) conversam sobre as verdadeiras intenções da cozinheira

Adorei a entrada de Débora Falabella. A jovem chegou com força total, não deixando cair o pique da excelente Mel Maia. Eu estava um pouco reticente em relação à escolha de Débora para viver Nina. Eu preferia Nathália Dill no papel, só que Débora vem provando que seu excesso de doçura pode ser uma arma preciosa para enfrentar Carminha/Adriana Esteves. Até porque foi justamente a carinha de boa moça, com alma de cobra cascavel, que transformou a vilã no grande sucesso que é hoje.

O público, aliás, terá de desenvolver uma grande solidariedade com Nina, afinal, não é fácil ficar ao lado de alguém tão rancorosa e capaz de jurar em falso para o pai adotivo, Martin (Jean Pierre Noer), em seu leito de morte, que iria esquecer seu plano de vingança. Pessoalmente adoro essas personagens complexas e cheias de nuances. Não acredito em ninguém 100% bom ou mal e Nina. Pelo menos por enquanto, Nina sequer pode ser chamada de mocinha. O que, dramaturgicamente, é ótimo!

Jorginho ( Cauã Reymond ) e Nina ( Débora Falabella)

Jorginho ( Cauã Reymond ) elogia comida de Nina ( Débora Falabella ). Ela fica nervosa

Dos atores que entraram na segunda fase, Ísis Valverde é outro destaque. Safadérrima, Suéllen é a versão maldosa e picareta da Rakelli, de Beleza Pura (2008), e em apenas sete capítulos já deu para sentir que ela não vale nada, mas a gente vai gostar dela assim mesmo… Sem falar que Ísis está linda de viver.Por falar em beleza, a já citada Nathália Dill, mesmo num papel menor, arrasou, principalmente, quando contracenou com Cauã Reymond, descaradamente péssimo como Jorginho, ex-Batata (Eduardo Simões). Não adianta! Esse cara não dá. Já ganhou nota 10, foi premiadíssimo, mas ele é repetitivo, suas interpretações são todas iguais. Não sei qual a diferença do Jorginho para o Danilo (Passione, 2010) ou para o Halley (A Favorita, 2008), todos complexados e problemáticos. Os papéis são parecidos? São. Mas cabe ao ator dar nuances diferentes a cada um deles. Quer dizer… Quando se é um bom ator… O que Cauã não é mesmo. E que ninguém diga que o Jesuíno, de Cordel Encantado (2011) foi uma exceção. A diferença ali era que Cauã estava protegido por figurinos de época e uma composição corporal e de gestual que qualquer um, ator ou não, consegue aprender. Debaixo disso tudo continuaram as caretas, as bufadas e o tom sempre à beira de um ataque de nervos. Cansativo!

Voltando às novidades da segunda fase… Ana Karolina está ótima como Ágata, que sofre de bullying da própria mãe; Débora Nascimento desfila beleza e ingenuidade como Tessália; Carol Abras convenceu como a drogada Begônia e José Loreto está engraçado e sexy como Darkson. Entre os remanescentes da primeira semana, ainda brilham Heloísa Perissé (Monalisa), Alexandre Borges (Cadinho), Débora Bloch (Verônica), José de Abreu (Nilo), Marcos Caruso (Leleco), Fabiula Nascimento (Olenka) e Juliano Cazarré (Adauto). Ivana (Letícia Isnard) ficou engraçadíssima depois do casamento com Max (Marcello Novaes) e vem fazendo boa parceria com o ator. Já Murilo Benício continua bem, mas precisaria dosar só um pouquinho o jeito malandro de Tufão. Está meio over… Continuo não suportando os gritos de Eliane Giardini (Muricy) e, por enquanto, Carolina Ferraz (Alexia) e Camila Morgado (Noêmia). Só fizeram figuração. Aliás, esse núcleo… João Emanuel Carneiro precisa ter muita atenção com ele porque já está ficando chato.

Para completar preciso fazer um desabafo. Lucinda (vivida pela ótima Vera Holtz) é tratada como uma mãezona, realmente cuida bem das crianças, dá lanchinohs… Só que ela também é uma exploradora do trabalho infantil. Assim como Nilo. E, pior: ainda é conivente com os maus tratos daquele homem repugnante em relação aos meninos que escraviza, em nome do tal pacto. Lucinda mesmo, numa cena, disse que se Rita não tivesse fugido para a casa dela, certamente já seria mais corpo que dele deixaria jogado no lixão. Para tudo! Pela conivência e exploração, Lucinda é tão criminosa quanto Nilo. E não tem lanchinho ou casinha bonita (que deve ter sido construída pela equipe de Hoje é Dia de Maria, 2005) que a bonifique. Pra mim é cadeia nela também!



Avenida Brasil estreia arrepiando todo o país!

sexta-feira, 30 de março de 2012 por Contigo!

Endiabrada! Mesmo não sendo lá uma palavra muito bonita é a que melhor define Adriana Esteves na primeira semana de Avenida Brasil. A atriz atravessou a novela como um trator, brindando o público com uma das melhores atuações dos últimos tempos. Sua Carminha é má, dissimulada, sonsa, repugnante e, ao mesmo tempo, engraçada. É uma delícia acompanhá-la em cena e, sem dúvida, ela foi o grande destaque da trama de João Emanuel Carneiro. Mas, definitivamente, não foi o único. A menina Mel Maia é um assombro na pele da valente Rita, Tony Ramos (Genésio) vai deixar saudade, Heloísa Perissé surpreende como Monalisa e Murilo Benício dá o show de sempre como o craque Tufão. Mas nenhum deles talvez brilhasse tanto se não fosse a história excelente, desenvolvida com maestria pelo autor. Caí de amores pela novela logo nas primeiras cenas e, antes mesmo de rodar a abertura, já estava completamente viciado. Depois, ainda tem neguinho que diz não acreditar em amor à primeira… Confira tudo o que mais curti e os poucos detalhes que não curti nessa estreia bombástica de Avenida Brasil:

 

 

CURTI!
- Sobre Adriana Esteves já falei acima e, certamente, ela será tema de uma coluna exclusiva em breve. Mas também fiquei bastante impressionado com a pequena Mel Maia. Gente! Quando o talento é genuíno não tem idade, tamanho, experiência… Nada importa! E essa garota nasceu pronta. Ela tem uma força no olhar que intimida a gente e enfrentou atores consagrados, como Adriana, Tony Ramos, Vera Holtz, José de Abreu e Marcello Novaes de igual para igual. Ela parece não estar atuando, tamanha sua naturalidade, o que é raríssimo em se tratando de uma criança. Mel ainda tem uma voz ótima e uma dicção perfeita. Definitivamente: nasce uma estrela!

- Tony Ramos mais uma vez o veterano arrasou. Genésio parecia ser mais um boboca na galeria de personagens do ator, mas o coroa era muito mais do que aparentava. E parte do carisma de Genésio veio do talento de Tony. Pena sua participação tenha sido tão curta. Aplausos também para Murilo Benício, sempre eficiente e inovador, e Heloísa Perissé, surpreendendo como a sofrida Monalisa.

- Outros destaques do elenco: Ailton Graça (Silas), Débora Bloch (Verônica), Camila Morgado (Noêmia), Fabiula Nascimento (Olenka), Otavio Augusto (Diógenes), Letícia Isnard (Ivana), Marcos Caruso (Lelelo) e o jovem Eduardo Simões (Batata), o grande amor de Rita, que, na segunda fase será chamado de Jorginho e ganhará o corpo de Cauã Reymond. Já Marcello Novaes é uma incógnita. Max é muito capacho de Carminha e ainda não deu chance para o rapaz mostrar que evoluiu como ator dramático.

- A fotografia de Avenida Brasil é absolutamente deslumbrante. Parece cinema. A cena do atropelamento de Genésio teve alguns problemas de coerência dramatúrgica (como veremos abaixo), mas, visualmente, era linda demais. Que imagens lindas gente!

- É impressionante o dom que João Emanuel Carneiro tem para fazer uma trama central tão forte, que nem necessita de núcleos paralelos. Eles existem apenas para dar um pouco de leveza à história. Mas, no fundo, toda a força de suas novelas é centrada na história principal. Foi assim com A Favorita (2008), sobre a luta de Flora (Patrícia Pillar) contra Donatela (Claudia Raia), e será assim também em Avenida Brasil, com a guerra entre Nina/Rita (Mel Maia/Débora Falabella) x Carminha.

- Adorei a música de abertura, Vem Dançar Kuduro. É vibrante, animada e dá um pique bom para o começo da novela. E a ordem dos créditos também ficou bacana. Só achei a abertura meio pobre. Poderiam ter bolado algo mais criativo.

- Alexandre Borges dividiu muito minha opinião. Que o ator está ótimo com o safadão Cadinho, não tenho como negar. Mas já vi ele fazer isso tantas outras vezes que perde a graça…

- Gente! O que é o lixão onde vivem e trabalham Lucinda (Vera Holtz), Nilo (José de Abreu) e as crianças? Absolutamente sensacional. Para quem fica com nojo, saiba que é totalmente cenográfico. Não é incrível? Mais um trabalho hollywoodiano da Central Globo de Produções.

NÃO CURTI!
- … Por falar em Cadinho, João Emanuel Carneiro precisará doses extras de criatividade para manter essa trama de um homem e suas três esposas (Débora Bloch, Camila Morgado e Carolina Ferraz). Ele corre um risco muito grande de a repetição de cenas de Cadinho tentando driblar as mulheres, esgotar rapidamente a paciência do público. Sem falar que ainda pode virar um arremedo dos quadros do Zorra Total.

- Atropelamento de Genésio foi perfeito. Muito bem executado, mas, no que se refere à coerência foi triste. Para quem não mora no Rio de Janeiro, de repente, até deu para perdoar a falta de movimento na Avenida Brasil. Mas quem conhece esse trecho sabe bem que é uma loucura. É impossível que Tufão tivesse atropelado Genésio sem que nenhum carro passasse por ali. A Avenida Brasil tem tanto movimento de veículos que, se Genésio tivesse sido atropelado de verdade, teria virado picadinho.

- O período do Tufão no Flamengo representou o auge de sua carreira. Por isso, não dá para aceitar a enorme barriga do ator durante o jogo. Tudo bem que Ronaldo Fenômeno e Adriano não ligam para excesso de peso. Mas o ator e seus diretores poderiam ter seguido um dieta emergência para que o galã não pagasse aquele King Kong, diria até um pingue-pongue.

- Até agora não consigo engolir que Genésio tenha morrido e Rita (Mel Maia) simplesmente tenha sumido de casa sem deixar rastro. Em subúrbio todo mundo se conhece. Não teve um vizinho que estranhasse o desaparecimento da menina? A escola também não se manifestou? Muito estranho…

- Na boa. Quem ainda aguenta a gritaria de Eliane Giardini (Muricy)? Entra novela, sai novela, a atriz só sabe berrar! Alguém deveria dizer a ela que, muitas vezes, menos é mais…



”Fina Estampa” chega ao fim completamente oca! Uma pena!

sexta-feira, 23 de março de 2012 por jorgebrasil

Griselda (Lília Cabral) e Tereza Cristina (Cristiane Torloni) - Foto: Divulgação/Tv Globo

Fina Estampa foi inegavelmente um sucesso. Nem só de audiência, mas também de popularidade. Qualquer besteira que Aguinaldo Silva colocasse na novela, repercutia nas redes sociais imediatamente e, no dia seguinte, era tema de todas as rodinhas de conversas. Griselda (Lilia Cabral) e Tereza Cristina (Christiane Torloni) realmente marcaram época e vão ficar no imaginário do povão. Reconheço tudo isso. E deixo meus parabéns ao autor por ter conseguido manipular a opinião pública de maneira tão eficiente. É realmente um mérito. Agora, pessoalmente considero Fina Estampa uma decepção. Griselda era uma personagem realmente interessante, mas ela naufragou nas mãos de Lilia Cabral, o que é estranhíssimo porque Lilia é uma de nossas melhores atrizes. Mas ela simplesmente não conseguiu vestir confortavelmente nem o macacão do Pereirão, nem os vestidos bonitinhos da Grisi milionária. Realmente, a mim nunca convenceu. Sem falar que a personagem era chata, autoritária, intrometida e profundamente monótona.

No caso de Christiane Torloni, ao menos ela transformou Tereza Cristina numa típica megera das histórias em quadrinhos. O que foi bom e ruim. Bom porque deu leveza à Jacaroa do Nilo e tornou divertidas as maldades surreais dela. O lado ruim é que nunca dava para levar a sério nada do que ela fazia e acabou se tornando ridículas as sucessivas e inúteis tentativas de extermínio da família de Griselda. O excesso de surrealismo tirou a força dramática de uma personagem que tinha realmente tudo para rivalizar com a magistral Nazaré Tedesco, que Aguinaldo criou para Senhora do Destino (2004). No final, Tereza Cristina virou uma mera caricatura, que não chegou à planta do pé da inesquecível vilã vivida por Renata Sorrah. Aliás, a overdose de auto-referência de Aguinaldo Silva em Fina Estampa perdeu logo a graça.

Baltazar (Alexandre Nero) e Crô (Marcelo Serrado) - Foto: Divulgação/TvGlobo

O que eu vou guardar da trama das 9 não será Griselda, nem Tereza Cristina, muito menos o chatíssimo Renê (Dalton Vigh). Fina Estampa será para sempre a novela do Croadoaldo Valério (Marcelo Serrado). E do Zoiudo Baltazar (Alexandre Nero). Essa dupla funcionou às mil maravilhas e virou protagonista na reta final da história, muito bem coadjuvados pela hilariante Marilda, da ótima Kátia Moraes. Mesmo que a ala mais radical do movimento gay não tenha curtido o Crô, eu adorei. Até porque conheço vários homossexuais tão pintosos quanto ele, ou seja, de anormal o personagem não tinha nada. Marcelo brilhou tão intensamente que eu o aconselharia a ficar um bom tempo fora do ar. Até mesmo para valorizar um papel tão expressivo. O problema é que o rapaz aceitou trabalhar no remake de Gabriela, o que acho um erro. Mas… Cada cabeça uma sentença. E Nero fecha a trama mais do que consagrado também. Poucos atores conseguirem fazer tantos personagens seguidos e dar personalidades diferentes para cada um deles. Haja versatilidade!

Ainda do lado positivo do elenco quero destacar José Mayer, que fez milagre com o ridículo Pereirinha, e Júlia Lemmertz, um oásis de talento e sensibilidade como Esther. No rastro da atriz, Dan Stulbach alternou bons e maus momentos como Paulo. Mas, no final, o saldo foi positivo para ele também. Destaques ainda para Marco Pigossi, Sophie Charlotte, Adriana Birolli, Dira Paes, Malvino Salvador, Monique Alfradique e a divina Eva Wilma. Já o português Paulo Rocha foi a grande revelação da trama, conseguindo compor um Guaracy absolutamente irresistível. Por outro lado, Dalton Vigh foi o constrangimento em forma de gente. Renê foi sumindo aos poucos na história, até se tornar um personagem sem a menor função. Uma vergonha também foram as atuações de Carlos Machado, Caio Castro, Dudu Azevedo, Marcelo Brou, Sandro Pedroso, Carol Macedo, Suzana Pires, Guilherme Leicam e, principalmente, Júlio Rocha, o pior ator do mundo. Passei meses morrendo de pena de Renata Sorrah. Ninguém merecia ter que dividir a cena com alguém tão careteiro e canastração. Imagino o alívio de Sorrah com o fim de Fina Estampa

Esther (Julia Lemmertz) e Pereirinha (José Mayer) -  Foto: Divulgação/TvGlobo

Já Milena Toscano, Cris Viana, Guida Vianna, Wolf Maya, Totia Meirelles não tiveram nada para fazer. A primeira vinha de uma protagonista em Araguaia (2010) e não precisava ter emendado uma personagem tão inexpressiva como a Vanessa. Cris ainda não conseguiu um papel à altura de sua beleza e talento e Guida é magnífica. Mas ficar fazendo uma coroa tarada durante meses, cansa a beleza de qualquer um. Já Totia devia destinar um ódio mortal ao Wolf. Sim, porque viver, na trama, a mulher do diretor da novela devia ser uma alegria em não o festival de inutilidade que ela enfrentou. Álvaro e Zambeze não precisavam existir na história. Assim como até agora eu não entendi o objetivo da poderosíssima mediunidade de Luana (Joana Lerner). A moça sabia de tudo, via tudo, mas jamais conseguiu prever um ataque de Tereza Cristina aos filhos de Griselda. Nem mesmo o sequestro da protagonista a maga patológica conseguiu adivinhar? Um dom jogado no lixo. Arlete Salles é outra que pagou mico. Na verdade, um King Kong. Vilma não disse ao que veio e uma personagem tão boba não pedia por uma atriz tão consagrada. Foi inútil também a participação de Helena Ranaldi (como Chiara) e Letícia (Tânia Khalill) perdeu toda a credibilidade, depois que desistiu de casar com Juan Guilherme (Carlos Casagrande) só porque a ex-mulher dele havia retornado ao Brasil. Ficou parecendo uma adolescente ridícula! Já Carolina Dieckmann tentou ressurgir das cinzas depois do fiasco que foi a Diana, de Passione (2010). Algumas pessoas até acharam a periguete Teodora divertida. Mas, na minha humilde opinião, a lourinha teve outra atuação afetada, cheia de caretas, beicinhos, igual a tudo o que ela já fez na vida.Para mim, Carolina continua um mistério…

Fina Estampa abordou bons temas, como a prostituição juvenil masculina (com Leandro, vivido pelo bom Rodrigo Simas), o preconceito social, a aceitação de uma transexual (a Marida de Aluguel Fabrícia, interpretada por Luciana Paes), a violência doméstica, a gravidez na adolescência)… Mas tudo foi se diluindo e ficando pelo caminho. E a novela chegou ao fim vazia. Oca. Lamentavelmente!



Louco Por Elas estreia muito bem e dá uma moral para o homem banana

sexta-feira, 16 de março de 2012 por jorgebrasil

Giovanna e Léo (Deborah Secco e Dú Moscovis) - Foto: Divulgação/Tv Globo

Só a cara de bobão, digo de banana, de Eduardo Moscovis na cena em que seu personagem, Léo, descobre que o livro que sua ex-mulher escreveu sobre ele se chama Como Descascar um Banana, Sem Parecer Uma Megera, já teria valido toda a estreia de Louco Por Elas, a nova série da Rede Globo. O ator, acostumado a viver galãs românticos (como o Rafael, de Alma Gêmea, 2005), tipos rústicos (o Carlão, de Pecado Capital, 1998) e machões incuráveis (o Naldo, de Senhora do Destino, 2004), surpreendeu com a fragilidade e doçura que emprestou para Léo. E conseguiu cumprir a árdua tarefa de convencer ao público de que o Banana é a opção ideal na prateleira de produtos do gênero Homem, no supermercado da vida. Moscovis foi realmente o grande motivo de eu ter curtido Louco Por Elas, mas não foi o único.

Dú Moscovis no papel de Léo em ''Louco por Elas'' - Foto: Divulgação/Tv Globo

O texto de Adriana Falcão, Clarice Falcão, Jo Abdu e Gregório Duvivier conseguiu a façanha de fazer rir sem precisar apelar para escatologia, palavrão e baixarias de maneira geral. E isso é bastante raro, ultimamente… A inusitada situação familiar que nos foi apresentada tinha tudo para cair no ridículo, mas aconteceu exatamente o contrário: acabou cativando o espectador. Afinal, é complicado levar a sério um quarentão separado que mora com a vovó matusquela, a filha pequena, mas intelectualmente precoce, e a adolescente debochada, fruto do primeiro relacionamento de sua ex-esposa, que nunca conseguiu se desligar totalmente dessa família. Mas tudo deu certo e o legado que esse clã muito doido deixou, entre alguns conflitos é claro, foi um profundo e sincero amor. Gosto muito disso!

João Falcão usou a habilidade de sempre na direção de cenas, geralmente ágeis e divertidas, e também na condução dos atores. Moscovis , longe da TV desde o episódio A Internauta da Mangueira, de As Cariocas (2010), deu um show e Glória Menezes emprestou leveza e graça à avó espertinha, que se faz de esquecida para não deixar seus “pintinhos” escaparem. As meninas, Luísa Arraes (Bárbara) e Laura Barreto (Teodora) primaram pela naturalidade e Deborah Secco estava bem com Geovana, mas fisicamente não convenceu como ex-mulher de Moscovis e mãe de duas filhas grandinhas. Deborah parecia a irmãzinha mais velha de Bárbara e Teodora e não a progenitora das duas. Na cena do café da manhã, então, essa diferença ficou gritante. O papel pedia por uma Flávia Alessandra da vida, que, apesar de igualmente jovem, possui maturidade nos gestuais e na postura, que falta à Deborah. Sem falar que Flávia teve uma química ótima com Moscovis, como vimos em Alma Gêmea, de Walcyr Carrasco. Mas…

Eduardo Moskovis, Débora Secco, Laura Barreto, Luisa Arráes e Glória Menezes - Foto: Divulgação/Tv Globo

Curti demais também a abertura, no estilo desenho animado, apesar de o formato já estar um tanto gasto, depois de ter sido usado em A Favorita (2008), Morde & Assopra (2011), Divã (2011) e, agora, Amor Eterno Amor. Mas mesmo assim o trabalho é de muita qualidade.  Só não entendi até agora porque o nome de Eduardo Moscovis foi o último a aparecer nos créditos dos atores. Palhaçada sem fim! Louco Por Elas vem comprovar o ótimo momento em que a Rede Globo passa com suas séries, o que pode significar um caminho no investimento de um produtor direcionado ao espectador que não tem mais paciência de acompanhar novelas diárias. Quero conferir nas semanas que virão quais serão os próximos passos do sensível Léo e de seu irresistível harém.  Quem vem comigo?



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