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Arquivo de janeiro de 2010

Big Brother Brasil não passa de uma novela disfarçada de documentário

sexta-feira, janeiro 29th, 2010

Eu acompanho o Big Brother Brasil como quem vê uma novela. Pra mim, a classificação “reality show” não se encaixa mais no programa. Nas primeiras edições, talvez, os participantes estivessem mais despreparados e acreditassem que deveriam ser “eles mesmos”. Mas agora?! Me engana, que eu gosto! Todos entram na casa interpretando personagens bem característicos e tentam segurar suas máscaras até o fim. E é aí que entra a graça do BBB. Apesar de desempenharem seus papéis, os competidores não são atores e, vira e mexe, perdem a direção e derrapam feio, mostrando quem são de verdade. Aí eu morro de rir e peço bis. Esse é o caso do Marcelo Dourado. Como já participou do BBB4, o lutador acha que sabe lidar direitinho com a fórmula da atração. Sujeito marrento, antipático e extremamente grosseiro, ele percebeu que errou muito e agora voltou ao programa bancando o bom moço. Não se cansa de repetir: “Eu aprendi muito, sofri pra caramba e mudei. Hoje sou outro homem!”. Hã-hã! É preciso ser muito trouxa para cair nessa ladainha ridícula.

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Dourado é um péssimo ator e a cada dia mostra isso. São diversos os momentos em que ele esquece seu personagem “gente boa” e mostra o quanto é mesquinho. Já fez intriga contra Dicesar, confessou que paparicou Fernanda, porque percebeu que ela não gosta dele e tentou conquistar a confiança da dentista. Quase deu certo, já que na prova do líder, da quinta 28, ele entregou em alto e bom som que Uiliam colocou as duas mãos para fora da casa e deveria ser eliminado. Depois que Fernanda reclamou: “Olha, Dourado, pode deixar porque tem muita gente vigiando, ok?”, ele tentou consertar: “Estou protegendo o meu grupo”. Que ridículo!

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Até agora o troféu paspalho vai para Michel, que, mesmo tendo uma namorada aqui fora, caiu como um patinho na rede de sedução de Tessália, por enquanto, a vilã da história. É tão nítido que está sendo usado que todo mundo já percebeu. “Você acha que ela seria capaz de usar ele?”, perguntou Lia. Serginho respondeu: “Claro. Aqui dentro todo mundo é capaz de tudo!”. Ele está certíssimo.

Ainda não tenho uma opinião formada a respeito de Tessália. Obviamente ela é ardilosa, articulista e muito esperta. E nada disso é pejorativo para mim, principalmente, em se tratando de um milhão e quinhentos mil reais em jogo. O problema é desonestidade, isso sim é feio. E acredito que ela esteja sendo desonesta com Michel. É fato que Tessália vem angariando o ódio do público, mas não gostaria de vê-la fora do programa, por enquanto. Acho que ela pode aprontar muito por lá. E isso é ótimo!

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No lado “colorido” do BBB, DiCesar é a figura mais centrada. É nítido que ele não é flor que se cheire. Gosta de uma fofoquinha, não perde tempo em fazer uma intriga aqui, outra ali, mas é um cara amigo e carinhoso. Serginho também é legal, mas, por vezes, é muito grosso. Já deu fora em DiCesar e Lia, sem um pingo de necessidade… Já Morango/Angélica estava reprimida demais, só que, nos últimos dias, vem se soltando e pode até surpreender mais adiante.

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Por falar em surpresa, vamos ficar de olho no Cadu. Além de gente boa pra caramba, o carioca é brincalhão, divertido e inteligente. Por trás daquele jeito ogro de ser, está um garoto que se dá bem com todo mundo, sem precisar forçar a barra para isso. Ele é naturalmente querido e não estranharei se ele vencer o programa. Na linha fofo estão também Fernanda, Eliéser e Uiliam. Ela é um doce mesmo, mas não leva desaforo para casa e tenho certeza que, quando ela estourar, vai ser um vulcão. Posso estar enganado, mas acho que Tessália vai receber toda a fúria da loura. Uil ainda não disse a que veio. Está apagado e quando for para o paredão, dificilmente escapará. Já Eliéser é o novo Thyrso, só que sem o charme matuto do cozinheiro do BBB2. O rapaz precisar ganhar uma pimentinha para conquistar a simpatia do público e ter a chance de meter a mão naquela grana. Até agora Eliéser se revelou apenas um rosto bonito e um sujeito facilmente manipulado por Cacau.

Tenho muitas dúvidas a respeito do caráter de Cacau e Lia. Acho que são duas lobas em peles de cordeiro e também não vão durar muito no programa. O mesmo digo em relação a Elenita (chata demais), Alex (fechado demais) e Anamara (exibida demais). Excesso de personalidade, às vezes, pode ser tão negativo quanto falta de carisma, mesmo em se tratando de participantes de um reality show, que, de real, tem muito pouco. O Big Brother Brasil não passa de um folhetim disfarçado de documentário. Adooooro! E estou de olho…

De moderna, a nova trama das 19h não tem nada

sexta-feira, janeiro 22nd, 2010

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Sabe quando o discurso não orna com a ação? É o que vem acontecendo com Tempos Modernos, que, de moderna, não tem nada. Antes de sua estreia, a trama de Bosco Brasil foi vendida como um sopro de renovação na teledramaturgia. Mas isso não aconteceu. Muito pelo contrário. Nem mesmo a tão falada utilização da tecnologia, com o supercomputador Frank, é tão moderna assim. Transas + Caretas (1984), por exemplo, já abordou o tema cibernético, com direito até a um robozinho. Sem falar que no filme 2001 – Uma Odisséia no Espaço, de 1968, o protagonista era HAL 9000, computador que controlava tudo e todos. Ao contrário do que foi pregado, Tempos Modernos é um folhetim bem tradicional, e isso não é pejorativo, desde que seja bem empregado. O que, infelizmente, não é o caso…

Sei que é premeditado fazer avaliação de uma novela que mal estreou, mas é possível tocar em pontos específicos. Bosco Brasil optou acertadamente por uma trama ágil, em que cada capítulo mostra dezenas de situações diferentes. O problema é que agitação por agitação não enche os olhos. É preciso conteúdo nas cenas. Nada justifica a correria que se vê na tela. Para piorar, as sequências românticas são chatas demais. O principal casal jovem, formado por Zeca (Thiago Rodrigues) e Nelinha (Fernanda Vasconcellos), é insuportável. Meloso, chato, sonolento… Aposto mais no romance entre Leal (Antonio Fagundes) e Hélia (Eliane Cristina), explosivo e cheio de emoções latentes, do que naquele rame-rame do Zeca com a Nelinha.

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É chover no molhado dizer que Fagundes é um grande ator. E ele está ótimo, mas Leal me lembra demais o Juvenal Antena, que ele interpretou em Duas Caras (2007). Os dois se consideram reis, vieram do nada e são grosseirões até dizer chega. Mas também se revelam duas manteigas derretidas na frente das filhas. A impressão que fica é que, a qualquer momento, Leal vai virar para um personagem e dizer: “Epa, epa, epa, muita calma nessa hora!”. Nunca fui muito fã de Eliane Giardini. Acho que ela funciona nas novelas, mas é sempre igual. A Indira, de Caminho das Índias (2009), tinha os mesmos tiques da Pérola, de Eterna Magia (2007); da Neuta, de América (2005); e da Nazira, de O Clone (2001). As melhores atuações da atriz foram em A Casa das Sete Mulheres (2003) e Renascer (1993). Mas ver Eliane tão bonita, estreando como protagonista aos 56 anos é muito legal, principalmente, nesses tempos em que a juventude é tão valorizada e os talentos maduros são relegados a segundo plano. Espero que ela faça muito sucesso.

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No restante do elenco a situação segue o clima morno da novela. Ninguém está especialmente bem, e não lembro de nenhum ator absurdamente mal. Nem mesmo Grazi Massafera, que eu critiquei tanto no meu blog, no comentário sobre o primeiro capítulo, compromete realmente. É verdade que ela está um pouco dura, mas é compreensível, já que esta é apenas sua terceira novela e a moça está debutando como vilã, o que é uma responsabilidade dos infernos. Mais para frente da história faço um balanço sobre a performance da ex-BBB. Aguarde!

Companheiro de maldades de Deodora (Grazi), Guilherme Webber mantém a categoria do desempenho que sempre nos ofereceu na telinha. Só acho que ele não tem o tipo físico que o papel pede: um homem sedutor. A figura de Guilherme é dúbia e lembra mais um nerd do que um chefe de segurança másculo e viril. Talvez Eduardo Moscovis ou Fábio Assunção fossem nomes mais indicados para dar vida ao misterioso Albano. Já Regiane Alves e Vivianne Pasmanter dão alguma leveza à trama, com suas peruas destrambelhadas, mas até agora não tiveram grandes cenas. O mesmo posso dizer de Felipe Camargo, que parece estar repetindo o Dante, de Som & Fúria (2009).

Mas o que me irrita mesmo na novela é o núcleo de Ramon (Leonardo Medeiros). Totalmente sem nexo! Tudo é tão chato, gritado e antiquado, que mudo até de canal quando eles aparecem. Leonardo, que é um ótimo ator, está caricato, e seu personagem é um porre. Não só ele como os filhos, vizinhos… Alguém pode dizer que estou sofrendo pela “viuvez” de Caras & Bocas. Pode ser. No meio de tantos personagens sem brilho de Tempos Modernos, sinto falta do Xico, do Cássio (Marco Pigossi), da Bianca (Isabelle Drummond), da Ivonete (Suzana Pires)… Mas a grande questão é que Tempos Modernos precisa de uma sacudida urgente. Caso contrário, a catástrofe será irrecuperável.

Estou com a Taís Araújo e não abro

sexta-feira, janeiro 15th, 2010

Tenho lido aqui opiniões muito divergentes a respeito de Taís Araújo. Por isso decidi me manifestar, para que não fique a menor dúvida do que penso sobre essa pequena notável. Pequena sim, porque Taís é baixinha: tem só 1,65 m. Mas em todo o resto ela é enorme. Tenho a imensa felicidade de conhecê-la, não apenas à frente das câmeras, mas também nos bastidores da fama. E posso atestar o quanto ela é do bem, engraçada, amiga… Ou seja: alguém com quem você tem sempre muito prazer de compartilhar sua vida. A outra grandiosidade de Taís é sua carreira. Aos 31 anos, esta jovem talentosíssima atingiu um patamar invejável: não precisa provar nada para ninguém. Sua trajetória na telona, na telinha e nos palcos fala por si.

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Ela já mostrou que manda muito bem na comédia (Xica da Silva, Porto dos Milagres, O Quinto dos Infernos, Cobras & Lagartos, A Guerra dos Rocha…) e que toca fundo quando faz drama (Da Cor do Pecado, Garrincha – Estrela Solitária, Filhas do Vento…). Taís é ótima quando é boa (A Favorita) e é melhor ainda quando é má (Meu Bem Querer). Agora, em Viver a Vida, a atriz está na linha de frente de um trabalho monumental. Protagonizar uma trama das 9, da Globo, é um peso tão grande que apenas quem já teve de segurá-lo pode saber como é. Mas ela vem cumprindo sua missão com louvor.

Destaco facilmente no mínimo quatro cenas antológicas protagonizadas por ela na novela de Manoel Carlos: o recente reencontro de Helena e Luciana (Alinne Moraes), em que as duas brilharam intensamente; a culpa que sua personagem carregou após a enteada ter sofrido o acidente que a deixou tetraplégica; o acerto de contas da modelo com Sandrinha (Aparecida Petrowky) e o aborto espontâneo que Helena sofreu. Selecionei esses quatro momentos para não me prolongar demais. Mas eles simbolizam bem a força dramática que a atriz conseguiu imprimir.

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Taís tem nas mãos a mais complexa Helena, de Manoel Carlos. Já escrevi aqui que não tenho um grande apreço pelas protagonistas das histórias do novelista e que prefiro sempre as personagens coadjuvantes. Mas quando digo que essa é a mais difícil de todas é porque as outras eram mulheres maduras, saídas (ou em vias de…) relacionamentos fracassados, que não tinham pudores em guiar suas vidas como bem entendessem. Elas podiam ser transgressoras porque já haviam cumpridos os papéis aos quais foram destinadas. Mas a Helena de Taís, não. Ela ainda está desabrochando, tentando acertar e errando muito. Uma jovem que, apesar de ter a cabeça no lugar, não tem prumo. Deixa-se guiar ao sabor do vento e das emoções. As Helenas anteriores foram essa Helena um dia. Caso suas histórias fossem contadas desde jovens, é bem provável que todas tivessem cometendo os mesmos erros que Helena/Taís.

O bom é que Taís não tem o menor pudor de se jogar de corpo e alma nas inseguranças da personagem. Já vi gente reclamando que ela estava artificial, mas, na verdade, Helena era artificial. Ela venceu na vida muito cedo, enfrentou preconceitos e chegou aonde queria com a força de seu trabalho. Isso a deixou altiva e arrogante, em alguns momentos. E tudo isso Taís usou em sua composição. Após o acidente de Luciana, ela também mudou. Graças a Deus, Helena não perdeu sua altivez, mas está mais humilde e consciente das puxadas de tapete da vida. Ela sofrerá outros baques fortes, ao descobrir que Marcos (José Mayer) a traiu com Dora (Giovanna Antonelli) e que está envolvida justamente com o filho bastardo de seu marido (Bruno, interpretado por Thiago Lacerda).

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Gosto muitíssimo da linha de interpretação adotada pela atriz. Ela não quer roubar cenas, e sim somar: emprestar seu talento para fazer as tomadas mais bonitas e verdadeiras. Infelizmente, Viver a Vida estacionou no tempo e espaço, mas isso não é culpa dela. A novela está focada demais no drama de Luciana, e com isso a trama de Helena ficou em segundo plano. Mesmo assim Taís não perdeu o pique ou desanimou e vai levando a personagem com dignidade. E, em breve, terá mais chances de pontificar a novela. Pode aguardar!

Viajando um pouco no tempo a gente percebe que a missão de Taís é ser a primeira em tudo. Era para ela ter vivido a Ressu, protagonista de Tocaia Grande (1995), na Manchete, mas a direção precisava de uma atriz um pouco mais velha e a personagem foi parar nas mãos de Giovanna Antonelli. No ano seguinte, ela quase deixou de ser Xica da Silva, pelo mesmo motivo. Mas o visionário Walter Avancini teve a sensibilidade de perceber que nenhuma outra atriz poderia fazer aquele personagem com tamanha entrega. E Taís foi jogada aos lobos… Estreou na pele da escrava rainha ainda meio trôpega, mas virou o jogo e terminou a trama consagrada.

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Em 1997 já foi contratada pela Globo para viver uma jovem revoltada em Anjo Mau e emendou bons trabalhos na casa, como a malvada Edivânia, de Meu Bem Querer (1998), as engraçadas Emilinha (Uga Uga, 2000), Selminha (Porto dos Milagres, 2001) e Dandara (O Quinto dos Infernos, 2002). Até transformar-se na primeira protagonista negra de novelas da Globo, como a batalhadora Preta, de Da Cor do Pecado (2004). Depois de virar Nossa Senhora Aparecida, em América (2005), roubou todas as cenas com a ambiciosa Ellen, de Cobras & Lagartos (2006), e, junto com seu atual marido, Lázaro Ramos, tirou de Mariana Ximenes e Daniel de Oliveira os postos de estrelas do folhetim de João Emanuel Carneiro. O reencontro com João Emanuel, em A Favorita (2008), pode ter sido meio decepcionante, mas guardo algumas boas lembranças da abusada Alicia Rosa.

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No cinema, ela brilhou em filmes como Caminho dos Sonhos (1998), Garrincha – Estrela Solitária (2003), Filhas do Vento (2004), Nzinga (2006), O Maior Amor do Mundo (2006) e A Guerra dos Rocha (2008). Ano passado, a atriz retornou à tela absolutamente deslumbrante, em Viver a Vida. E pronta para dar o seu melhor. Madura e consciente, sabe que não terá nunca a unanimidade. Mas acho que ela nem quer isso. Taís Araújo deseja apenas fazer seu trabalho com dedicação e dignidade. E ela é mestra nisso. Estou com Taís e não abro.

Caras & Bocas vai deixar saudade!

sexta-feira, janeiro 8th, 2010

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Existem novelas que vão me conquistando aos poucos. Capítulo a capítulo, vou me afeiçoando aos personagens, ficando mais íntimo da história e, quando dou por mim, estou viciado. Esse foi o caso de A Favorita (2008). Outras tramas me arrebatam logo de cara, fico louco para assistir no dia seguinte, mas vou cansando dia a dia e mantenho os olhos grudados na telinha por mera questão profissional. É o que está acontecendo com Viver a Vida, que só me decepciona. Mas tem também um tipo de novela que você até gosta dos primeiros capítulos, continua se divertindo durante seus meses de exibição no ar, mas apenas se toca do quanto curtiu o folhetim quando ele está perto de acabar. Definitivamente é o que estou passando com Caras & Bocas. Já estou morrendo de saudades de Bianca (Isabelle Drummond), Ivonete (Suzana Pires), Cássio (Marco Pigossi) e do Xico (Kate), é claro.

Tudo bem que eu curti bons momentos ao lado dessa turma, mas estou com a sensação de que a novela poderia ter ficado mais tempo no ar. A trama não cansou, tinha um ritmo de seriado, tamanha movimentação que cada capítulo oferecia ao público. A tão temida “barriga” (jargão do meio televisivo para definir aquele momento no meio de uma novela em que nada acontece) não existiu, e isso é mérito total de Walcyr Carrasco. Caras & Bocas guardou todas as características típicas da obra do autor, inclusive, nos diálogos dos personagens, mas o novelista conseguiu se renovar, criando casais incomuns como Cássio e Lea (Maria Zilda) e depois, Cássio e André (Ricardo Duque), casais inter-raciais, como Nick (Sérgio Marone) e Milena (Sheron Menezes), e Caco (Rafael Zulu) e Laís (Fernanda Machado), casais maduros, Jacques (Ary Fontoura) e Piedade (Bete Mendes)… E por aí vai.

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Muita gente reclamou comigo que todos os pepinos de Caras & Bocas foram resolvidos pela Bianca. E é verdade. Verdadeira super-heroína, politicamente nada correta, Bianca livrou quase todos os personagens das piores ciladas. Mesmo sendo fútil, metida e deslumbrada, ela conseguiu conquistar os espectadores e ainda provou que podia ser uma excelente empresária. Triunfou como fabricante de biscoitos e ganhou o direito de suceder o bisavó no controle das empresas da família. Vivida com maestria e vivacidade por Isabelle, Bianca garantiu um lugar cativo na galeria de personagens inesquecíveis de nossa telinha. Lá estará também a maquiavélica Judith. Que Deborah Evelyn é uma atriz extraordinária – uma das melhores do país – já cantei aqui em prosa e verso. Mas ela se superou na pele da Judith. Deborah dosou com perfeição altas doses de veneno com a mais fina ironia. O resultado foi uma megera absolutamente deliciosa.

E uma delícia também foi a arretadíssima Ivonete. Graças à sua excelente interpretação, Suzana Pires fez muita gente acreditar que era baiana de verdade. Mas a moça é carioca da gema, e esse tipo de confusão é o melhor prêmio que uma atriz pode ganhar. Eu não fazia parte do coro que desejava ver Ivonete e Fabiano (Fábio Lago) juntos novamente. Preferia que o pobre e humilhado rapaz arrumasse uma nova mulher, tão safada quanto Ivonete. Mas uma nova história para viver. Mas que a parceria de Fábio e Suzana era dos deuses, ah isso não nego.

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Por falar em parceria, Maria Zilda e Marco Pigossi subverteram todo e qualquer preconceito sobre histórias de amor e fizeram boa parte do público torcer pela felicidade de Léa e Cássio. Mas adorei a solução que Walcyr arrumou para o casal, arranjando outro “bofe escândalo” (Klebber Toledo) para a perua e deixando o caminho livre para o “moranguinho” ser feliz com André. A volta de Simone (Ingrid Guimarães) para a novela também agradou demais. A atriz parou de repetir tanto “amado/amada”, que era o calcanhar de Aquiles da personagem, e o final feliz com Denis (Marcos Pasquim) era mais do que desejado por todo mundo.
Nas soluções românticas do final da novela, só fiquei incomodado com a inconstância de Amarilys (Guilhermina Guinle). Em apenas duas cenas, a milionária tentou transar com Nicholas e, ao ser rechaçada, se jogou nos braços de Lucas (Marco Antônio Gimenez), fazendo juras profundas de amor. Desconfio que a moça seja tão esquizofrênica quanto seu enteado, Renan, vivido por Dener Pacheco, que, aliás, se saiu muito bem nas cenas de surto psicótico de seu personagem. Surpreendente mesmo!

E já que estou levantando os pontos fracos, é impossível não me repetir. Pode falar o que quiser, mas Sérgio Marone é, foi e sempre será péssimo. Um assombro de ruindade. Perto dele, Henri Castelli, que nunca foi um grande ator, parece Tony Ramos. Tão canastrão quanto Marone só mesmo Júlio Rocha. Não bastasse ser careteiro, ele ainda tem um sotaque irritante. Faça fonoaudiologia o mais rápido possível, Júlio. E um cursinho de interpretação também não seria nada mau…

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Para fechar, levanto e bato palmas para a direção ágil de Jorge Fernando. Sua parceria com Walcyr Carrasco não pode ser desfeita. Eles nasceram um para o outro. E deixo também minha homenagem para os sempre perfeitos Elizabeth Savalla, Ary Fontoura, Ana Lúcia Torre, Marcos Breda e Fulvio Stefanini. Não tenho como deixar de reverenciar ainda Flávia Alessandra e Malvino Salvador, que fizeram milagre com papéis nada desafiadores. Destaque ainda para os jovens Miguel Rômulo, Davi Lucas, Júlia Lund, Sophie Charlotte, Rachel Ripani, Julia Ruiz, Carina Porto, Diego Cristo, Rodrigo Andrade, Amanda Azevedo, Klebber Toledo e os já citados Marco Pigossi e Dener Pacheco. E para não ser injusto com ninguém, Maria Clara Gueiros, Neusa Maria Faro, Bete Mendes, Renata Castro Barbosa e Wagner Santisteban também tiveram alguns bons momentos. Prefiro não comentar nada sobre Danieli Haloten, mas duvido muito que a jovem deficiente visual volte a fazer outro trabalho na TV.

Deixei por último o grande astro de Caras & Bocas porque Kate, intérprete do talentoso Chico e da sedutora Cindy, foi realmente irresistível. Sou completamente apaixonado por cães, mas nunca antes na telinha outro animal fez tanto sucesso. Kate nasceu para brilhar. Palmas que ela merece! E que venha Tempos Modernos

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