BLOGs / TV por Jorge Brasil

Arquivo de fevereiro de 2010

Poder Paralelo chega ao fim com força, categoria e muita dignidade

sexta-feira, fevereiro 26th, 2010

Miriam Freeland e Gabriel Fotos: Adilson Lucas/AgNews

Em meus 19 anos de carreira, poucas vezes vi um triângulo amoroso provocar tantas reações de amor e ódio quanto o formado por Fernanda (Paloma  Duarte), Tony (Gabriel Braga Nunes) e Lígia (Miriam Freeland) em Poder Paralelo, da Rede Record. Qualquer assunto postado sobre eles na internet deflagra reações furiosas e apaixonadas. E a novela, que está em seus derradeiros capítulos, ainda não tem definido o final dos protagonistas. Na terça, 23, os três gravaram a última cena da novela. Todos de branco na praia de Grumari, no Rio: final feliz para Tony e Lígia. E também para Tony e Fernanda. O autor, Lauro César Muniz, está sinceramente dividido entre suas protagonistas e optou por mandar gravar lindas cenas dos dois casais comemorando a vitória do amor sobre a violência. Vai ficar lindo no ar…

Miriam Freeland e Gabriel Fotos: Adilson Lucas/AgNews

Sou partidário de que o mafioso termine com Lígia. A jornalista fez de Tony um homem melhor: ressuscitou sentimentos que há muito tempo ele havia deixado de lado em nome do poder, da ambição e, principalmente, da ventetta (vingança). Já Fernanda sempre representou posse para ele. Tony queria tirar do inimigo, Bruno (Marcelo Serrado), aquilo que lhe era mais precioso. E, com certeza, a atriz representava bem o alvo de Tony. É claro que ele se apaixonou de verdade pela loura, mas nunca notei um sentimento real entre os dois. Nos bastidores da Record comenta-se que, num dos finais escritos, o misterioso serial killer seria Fernanda, o que deixaria o caminho livre para Tony ser feliz nos braços de Lígia.

Indícios de que Fernanda seria o Guri não faltam: dois dos amantes da estrela, Armando (Cecil Thiré) e Juracy (D´Artagnan Junior), foram assassinados; ela é perita em armas e, na novela fictícia, ela que protagonizou, Mascaradas, sua personagem matou o próprio filho e o homem que amava. Sem falar que Fernanda poderia ter feito Bruno e Tony se odiarem profundamente, tirando os dois de seu caminho na briga pelo comando da organização. Não é um golpe de mestre? Eu acho. Mas o final dos personagens está nas mãos do grande Lauro César Muniz e torço muito para que ele fuja do óbvio.

E o balanço que posso fazer dessa obra tão forte e violenta é que Poder Paralelo chega ao fim com grande dignidade. O senão da história foi mesmo a criação de um assassino misterioso, mas esse recurso velho não causou grandes danos à história. Todos os núcleos funcionaram muito bem: o amor proibido de Nina (Patrícia França) e Pedro (Guilherme Boury) comoveu todo mundo, a virada de Maura (Adriana Garambone) dominou os primeiros capítulos, e o núcleo policial, comandado por Téo (Tuca Andrada) e Renato (Bruno Padilha), também foi eficientíssimo.

Bem escrita e com uma direção precisa, Poder Paralelo teve também um elenco perfeito. O grande destaque vai para Petrônio Gontijo. Rudi foi o personagem mais difícil da novela. Um passo em falso do ator e ele teria caído na caricatura. Mas Petrônio caminhou com exatidão pelo fio da navalha e sai consagrado da novela. Adriana Garambone também teve oportunidade de mostrar a grande atriz que é. Pena que o fôlego de Maura se esgotou antes do fim. Mesmo assim, a relação amorosa da dondoca com Rafael (Floriano Peixoto) caiu no gosto popular, impedindo que a personagem implodisse completamente.

Miriam Freeland e Gabriel Fotos: Adilson Lucas/AgNews

Vale reverenciar ainda os bons desempenhos de Tuca Andrada, Maria Ribeiro, Bruno Padilha, Miguel Thiré, Roberto Berindelli, Ricardo Petraglia, Guilherme Boury, Patrícia França e Luciana Braga, entre muitos outros. Todo mundo sabe que não gosto de Marcelo Serrado e continuo achando que um papel excelente como Bruno necessitava de um ator mais viril, como Eduardo Moscovis, Rodrigo Lombardi, Humberto Martins ou Eriberto Leão. E Marcelo passa tanta fragilidade… Mas… Nada é perfeito.

E não tenho como deixar de tirar o chapéu para o trio que abriu este texto. Gabriel Braga Nunes se consagra como um dos mais eficientes atores da telinha. Tony é um personagem complicadíssimo, um anti-herói. Mesmo sendo o mocinho da história, estava em busca de vingança da morte de sua mulher e filhas e nunca teve o menor pudor de cometer atrocidades para alcançar seus objetivos. E Gabriel conseguiu fazer com que o público embarcasse nos conflitos de Tony e torcesse fervorosamente pelo mafioso. Um triunfo que merece aplausos.

Miriam Freeland e Gabriel Fotos: Adilson Lucas/AgNews

Paloma Duarte é sempre excelente. E Fernanda lhe deu matéria-prima para brilhar mais uma vez. Ambígua, controversa, cheia de defeitos e qualidades, Fernanda também foi uma antimocinha, mas diferente de Tony – que escapou da crucificação pública – ela angariou declarações de amor e ódio porque ousou atrapalhar o romance do rapaz com Lígia, esta sim a heroína da trama. A jornalista sempre foi doce, meiga, mas também não engolia desaforo, tinha pulso e garra. E entrou na disputa pelo coração de Tony com força total. No melhor estilo, Marlene x Emilinha, o duelo travado por Fernanda x Lígia não permitiu condescendências. Quem ama Lígia tem que odiar Fernanda e vice-versa. Qual delas vai ganhar essa batalha eu não sei. Mas o grande vencedor foi o espectador, que foi brindado com atuações maduras e conflitos emocionais, como há muito tempo não se via. Nós agradecemos!

Na “Operação Resgate” de Tempos Modernos, espero que não mexam na memorável Ditta, de Alessandra Maestrini

sexta-feira, fevereiro 19th, 2010

Foto: Tv Globo / Divulgação


Tempos Modernos
é um dos maiores fracassos da história da Rede Globo. E em breve vai passar por uma “operação resgate”, bastante comum nessas situações. A trama principal precisa mesmo de uma virada radical. Além de Leal (Antonio Fagundes) insistir em ser uma nova versão do Juvenal Antena, papel que ele mesmo interpretou em Duas Caras (2007), a competição que o milionário criou para as filhas disputarem o comando de seus negócios me remete imediatamente a Caras & Bocas. Jacques (Ary Fontoura) fez a mesma coisa para decidir quem o substituiria à frente de suas empresas. E até em Cinquentinha rolou uma história semelhante, lembra? Mas se tem algo que eu não gostaria de ver sofrer qualquer alteração é o drama enfrentado por Ditta (Alessandra Maestrini). É a melhor parte da novela.

Para começar estou completamente embevecido por Alessandra. Adorava a moça na pele da empregada Bozena, do Toma Lá, Dá Cá, e amei sua performance na peça 7 – O Musical, da dupla mais que dinâmica Charles Möeller e Cláudio Botelho. Então não me surpreendo quando ela solta a voz lindamente na trama. Seja para cantar ópera ou rock, Alessandra se sai maravilhosamente bem. Outro dia teve uma cena belíssima com ela entoando a canção Trust Me, de Janis Joplin, para a filha Jannis (Aline Peixoto), que mal conseguia resistir à emoção. Nem eu tampouco.

Em Tempos Modernos descobri que, além de excelente cantora e comediante de mão cheia, Alessandra também é uma atriz dramática de primeira. Seu papel na novela é muito ingrato: a mãe que abandonou o marido e os filhos pequenos em nome de sua carreira. Ela preferiu ser uma diva a ser mãe. Ditta cometeu um pecado capital para nove entre dez brasileiros. Incluindo eu. Ou seja: era para ser quase uma vilã e jamais perdoada pelos filhos, Jannis e Led (Guilherme Leicam). Mas a atriz vem conseguindo dar humanidade à sua mãe ingrata e, aos poucos, tem conquistado a torcida do público. Incluindo eu. Ditta voltou para casa em busca de perdão e redenção. Sabe que não vai ser fácil e está disposta a pagar o preço que for para conseguir isso.

Foto: TV Globo / Divulgação

O sensível texto de Bosco Brasil para a personagem é a matéria-prima que Alessandra precisava para mostrar toda sua versatilidade. Essa parte dramática destoa do resto da novela, sempre tão agitado, quase histérico. Esse núcleo só não é perfeito porque do outro lado do campo de batalha de Ditta, na reconquista do amor de seus filhos, está Ramon (Leonardo Medeiros). O Tiozinho do Rock é um poço de clichês, maldesenvolvido e pessimamente interpretado por Leonardo, geralmente, um excelente ator. Tudo o que vi dele na TV e no cinema não era menos do que perfeito. Mas, na trama das 7, ele errou feio. Ramon é chato de doer, tem um sotaque insuportável e vive numa nostalgia ainda mais patética do que a de Augusto César (José Mayer), em A Favorita (2008). Se estivesse no Big Brother Brasil, Ramon iria toda cena para o paredão…

Na mexida que Tempos Modernos terá que sofrer (e com urgência), uma alteração radical no perfil de Ramon seria muito benéfico. Não só para a carreira de Leonardo Medeiros, como também para a jornada de Ditta na trama. Não tenho dúvida de que ela terá a redenção que tanto almeja, mas para isso precisará enfrentar uma via crucis pesada, a qual ela apenas começou a trilhar. E ter um contraponto menos infantilizado do que Ramon seria bastante interessante para a trajetória da personagem. A jovem e talentosa Aline Peixoto também lucraria muito com isso, porque nas cenas com Alessandra ela rende muito bem. Já nas sequências com Leonardo… Quanta diferença!

De qualquer maneira, é a presença de Alessandra Maestrini em Tempos Modernos a razão que ainda me faz sentar em frente à TV ou à tela do computador para assistir à novela. Se não fosse por ela, talvez, eu também teria entregue os pontos. Parabéns, moça!

A apoteose de Paola Oliveira e Carmo Dalla Vecchia em Cama de Gato

sexta-feira, fevereiro 12th, 2010

Foto: TV Globo/João Miguel Júnior

Outro dia cheguei em casa e minha mãe, Jandyra, estava revoltada com Cama de Gato. “Não aguento mais ver a Verônica fazendo maldade e sempre se dando bem!”, bradava ela. “E quero que Rose dê um pé no Gustavo e fique com o Alcino, que é um bom homem e a ama de verdade”, continuou… Depois de acalmá-la, fiquei refletindo sobre as queixas dela. E me surpreendi ao constatar como ainda somos atingidos pelas vilanias dos personagens das novelas, apesar de convivermos com eles, diariamente, há tantas décadas. E se a megera da novela é uma Nazaré (Renata Sorrah, em Senhora do Destino) da vida, então, a relação de amor e ódio fica completa. Verônica vem provocando essa reação nas pessoas e, cá entre nós, ela é mesmo uma vilã excelente. Paola Oliveira mescla crueldade e dissimulação com bastante eficiência. A carinha de boa moça da atriz serve como uma luva para o tipo de personagem criada pelas autoras Duca Rachid e Thelma Guedes.

Foto: TV Globo/João Miguel Júnior

Verônica tem que convencer a todos à sua volta que é um amor de pessoa. E, por trás, vai destruindo a vida de quem ficar em seu caminho. É um papel que faz a alegria de qualquer artista. Renata, Patrícia Pillar (A Favorita), Cláudia Abreu (Celebridade), Gloria Pires (Vale Tudo), Natália do Vale (Cambalacho), Lucélia Santos (Guerra dos Sexos) e Lídia Brondi (O Homem Proibido) já interpretaram brilhantemente personagens assim, e Paola se junta a esse grupo de elite. É o passaporte que faltava para essa moça rumar ao primeiro time de intérpretes da Globo.

A outra queixa de minha mãe resvala na tão falada química entre os atores. Não é que Marcos Palmeira e Camila Pitanga não funcionem bem. Pelo contrário: Gustavo e Rose formam um lindo casal. Mas detalhe: apenas quando o executivo está trilhando o caminho do bem. A partir do momento em que ele é corrompido pelo poder, os laços de afeto com a ex-faxineira se rompem de maneira tão brusca, que Alcino (Carmo Dalla Vecchia) acaba se tornando a opção ideal para a moça. Una a isso a ótima atuação de Carmo e está feito o estrago: o principal casal da trama não ganha a torcida unânime dos espectadores.

Foto: TV Globo/Zé Paulo Cardeal

Sem dúvida nenhuma, Alcino é o melhor papel da carreira de Carmo. O Zé Bob, de A Favorita, era ótimo também, mas pecava pelo excesso de “super-heroísmo”. Alcino é 100% humano. Fez uma grande cagada ao sequestrar o melhor amigo, para tentar devolver a humanidade que ele havia perdido, e até hoje paga por isso, já que deu munição para Verônica pintar e bordar com suas vilanias. Alcino é ao mesmo tempo doce e decidido, carinhoso com os filhos e solidário com a paixão declarada de Mari (Isabela Garcia), apesar de não saber o que fazer com ela. Sinceramente preferia ver Alcino terminando a novela com Rose. Eu daria um final dramático para Gustavo. Mas aí o que fazer com Mari? Tão dedicada a Alcino, ela ficaria a ver navios? Acho que sim. Gostaria de ver a secretária se libertando de um sentimento platônico para encarar um sentimento real com outro homem. Imaginar Alcino ao lado de Mari me passa uma sensação de gratidão. Não de amor. Desconfio que ele vá morrer no último capítulo, deflagrando uma onda de protestos das espectadoras. Não sei o que vai acontecer na história ainda. É tudo especulação, mas sou partidário de um final feliz para Alcino e Rose.

O que não tenho dúvida é de que Duca e Thelma estão desenvolvendo a melhor novela do momento. Uma trama tipicamente folhetinesca, cheia de acontecimentos, ganchos para o capítulo seguinte, personagens engraçados (Bené e Taís), outros revoltantes (Roberto), dramas contundentes (David e Sofia), paixão juvenil (Pedro e Débora)… Tudo orquestrado pela direção primorosa de Amora Mautner e Ricardo Waddington. Nada se perde na novela. Em plena sintonia, os atores se entregam de corpo e alma a seus personagens, e o resultado é bem harmônico. Mas, com certeza, Cama de Gato ficará marcada pela apoteose de Paola Oliveira e Carmo Dalla Vecchia, atores até então sem grande expressão, mas que mostram força, garra e talentos para alçarem voos ainda maiores. E eles vão longe!

Marcos e Dora, de Viver a Vida, se merecem. Mas acho que canalhice tem limite

sexta-feira, fevereiro 5th, 2010

Já havia feito um post sobre isso em meu blog no site da revista Minha Novela. Mas depois da cena a que assisti esta semana, em Viver a Vida, me revoltei demais e preciso desabafar com você também: estou completamente abismado com a canalhice de Marcos (José Mayer). Na boa, ele é muito pior do que o galinha do Gustavo (Marcelo Airoldi), que paquera meio mundo, mas não pega ninguém. Marcos é sórdido da planta do pé ao fio do cabelo. O pilantra já havia traído Helena (Taís Araújo) durante a viagem da modelo a Israel e agora transou com Dora (Giovanna Antonelli) na cama da esposa. Choquei! Tudo bem que Dora é uma safada de último nível, capaz de fazer uma sacanagem desse nível com a mulher que lhe estendeu a mão e a recebeu em casa, grávida e com uma filha pequena a tira-colo. E ainda por cima, perseguida por um ex-namorado psicótico. E nada disso impediu Dora de fazer sexo com o marido de sua benfeitora. É preciso ser muito baixa mesmo!

Mas, sinceramente, Marcos é ainda pior que Dora e ainda por cima não tem um pingo de escrúpulos. Tudo bem, você vai dizer que Helena não é muito diferente do marido, já que beijou Bruno (Thiago Lacerda). Só que tem diferenças gritantes entre eles. Uma, pelo menos, é gigantesca: Helena sentiu culpa, coisa que o empresário não faz a menor ideia do que se trata, do contrário não continuaria atrás de Dora nos capítulos seguintes. Além disso, o envolvimento de Helena e Bruno está fundamentado em sentimento, enquanto Marcos quer apenas se autoafirmar e provar que ainda é um conquistador irresistível, um pegador implacável. Pobre coitado, completamente inseguro com a chegada da velhice e correndo atrás de garotas que o ajudem a manter sua libido em alta.

Hoje entendo melhor a amargura da Tereza (Lilia Cabral), que tanto me incomoda. Não deve ter sido nada fácil conviver mais de trinta anos com um canalha que não tem o menor respeito pelas mulheres, um traste que foi capaz de abandonar um filho e nunca se interessar por ele. É verdade que ainda não aceito o fato de Tereza continuar sofrendo por esse homem e desejar uma reconciliação. Mas isso já é outra história… O pior é saber que existem muitos Marcos soltos por aí. E várias Doras, também. A garçonete pode ser simpática, alto astral e vem sendo muito bem interpretada por Giovanna. Mas ela representa o que há de pior no ser humano: aquela pessoa que não se valoriza, que está sempre passando de mão em mão e que nunca está satisfeita com o que tem. Pensando bem, Dora e Marcos se merecem. Helena é que não merece nenhum dos dois. Nem a gente!

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