BLOGs / TV por Jorge Brasil

Arquivo de "3 de janeiro de 2011"

O MELHOR E O PIOR DE 2010

segunda-feira, janeiro 3rd, 2011

Adoro essa época do ano. Tem gente que odeia passar agenda a limpo, mas eu amo, porque anoto absolutamente tudo nela. E consigo assim reviver com mais facilidade o que foi bom e foi mal em todos os setores da minha vida/carreira. E é graças à minha preciosa agenda que começo a discutir agora com você o que foi de melhor e pior em 2010. Na verdade, na semana passada, já deixei claro o que ficou na pole position na telinha: as séries A Cura, Clandestinos – O Sonho Começou, Afinal, O Que Querem as Mulheres? e As Cariocas. Por isso, não vou me prolongar a respeito delas. Nem vou me aprofundar muito no que considero o pior, já que pretendo fazer uma crítica inteirinha sobre ela na semana que vem. Mas acho que nada foi mais decepcionante do que Passione. É até triste acompanhar o declínio de uma trama que começou tão sofisticada, ágil e com uma história vibrante chegar à sua reta final de forma tão melancólica. Brinquei até na redação que Silvio de Abreu deve ter escrito apenas os primeiros capítulos e, depois, largou a novela nas mãos dos colaboradores, porque não vi nada de sua inteligência nessa produção. Mas chega de rame-rame e vamos ao que interessa.

Melhores Novelas/ Séries

Novela Ti-Ti-Ti

Estou muito dividido entre Ti-Ti-Ti e Escrito nas Estrelas… As duas foram mesmo as melhores do ano, pela criatividade mistura perfeita de humor com drama. Maria Adelaide Amaral, então, mexeu com um vespeiro ao adaptar uma trama de tanto sucesso. Mas se firmou como uma das autoras mais inteligentes do momento e merece o sucesso que vem fazendo. Já Elizabeth Jhin tocou o coração do público de forma muito pungente e fez de Escrito nas Estrelas uma novela inesquecível. Vou dar belas menções para Araguaia (bem gostosinha de se assistir), Uma Rosa Com Amor (a melhor produção do SBT em anos) e Ribeirão do Tempo, que começou uma bomba, mas melhorou muito. Gostei muito também das novas temporadas de A Grande Família e Força-Tarefa e Dalva e Herivelto – Uma Canção de Amor foi uma pequena obra prima da Globo. Destaques ainda para S.O.S Emergência, Junto e Misturado e Separação?!, as três engraçadíssimas.

Piores Novelas/ Séries

Novela Passione

Passione e Tempos Modernos foram imbatíveis! Diferente da trama de Silvio de Abreu, Tempos Modernos começou péssima e terminou de forma ridícula. O indestrutível amor de Leal (Antonio Fagundes) e Hélia (Eliane Giardini) foi transformado numa mera noite de paixão e o sujeito fechou a história nos braços de Iolanda (Malu Galli). Ridículo! Malhação 2010 também foi trágica: atores ruins, história fraca e mal estruturada e repetição de temas, que já levou o público à exaustão. Na Record, A História de Esther tinha um visual muito bonito, mas muitas vezes carnavalesco demais. E a trama não empolgou mesmo. Já Na Forma da Lei e A Vida Alheia decepcionaram. O primeiro porque o psicopata vivido por Márcio Garcia dava menos medo do que as caretas de Luana Piovani e a segunda pela maneira superficial, exagerada e sem graça com o qual foi retratado o universo dos jornalistas.

Melhores atrizes

Atriz Irene Ravache

Ao mesmo tempo em que a história policial fracassou, Passione reuniu atrizes em estado de graça, brilhando intensamente como Mariana Ximenes, Gabriela Duarte, Irene Ravache, Cleyde Yáconis, Aracy Balabanian, Larissa Maciel e Daysi Lúcidi. Mayana Moura foi uma grata revelação, por ter um papel tão difícil nas mãos sem nunca ter feito nada antes como atriz. E superou as expectativas. Adriana Prado foi outra boa surpresa, assim como Débora Duboc, ótima como Olga. Alexandra Richter e Simone Gutierrez estrearam em novelas muito bem também. E Maitê Proença teve alguns altos e baixos, mas fez da Stela uma bela personagem. Mas a melhor atriz do ano pra mim foi Claudia Raia, espetacular como a Jaqueline de Ti-Ti-Ti. A personagem nas mãos de uma intérprete menos habilidosa teria virado uma caricatura ridícula, como aconteceu com Jacques Leclair (Alexandre Borges). Adriana Esteves foi outra que arrasou, tanto em Dalva e Herivelto – Uma Canção de Amor quanto em A Vingativa do Méier, o melhor episódio de As Cariocas. Outras que também deram show em dose dupla foram Paola Oliveira (em A Atormentada da Tijuca/As Cariocas e Afinal, o Que Querem as Mulheres?), Regina Duarte (Araguaia e A Traída da Urca/As Cariocas) e Andreia Horta (em A Cura e Alice – Segunda Temporada).

Aplausos ainda para o trio de Escrito nas Estrelas (Nathália Dill, Zezé Polessa e Débora Falabella) e de

(Júlia Lemmertz, Eva Wilma e Laura Cardoso). De As Cariocas, Fernanda Torres (A Invejosa de Ipanema), Alessandra Negrini (A Iludida de Ipanema), Angélica (A Traída da Barra) e Grazi Massafera (A Desinibida do Grajaú) foram incríveis. Carla Marins mostrou em Uma Rosa Com Amor que já deveria ter sido protagonista antes, Liliana Castro roubou a cena em Ribeirão do Tempo e Gabriela Durlo se saiu bem a frente do elenco de A História de Esther. Falar que Marieta Severo (A Grande Família) e Débora Bloch (Separação?!) são ótimas é redundância. Gostei muito de Ingrid Guimarães no especial Batendo Ponto e Milena Toscano tem uma presença muito forte em Araguaia. Para não dizer que não falei das flores, não posso esquecer Alessandra Maestrini, Regiane Alves, Eliana Pittman e Alinne Peixoto os únicos sopros de virtude de Tempos Modernos. De Separação?!, Rita Elmor e Cristina Mutaralli, e de Escrito nas Estrelas uma fila indiana de talento: Suzana Faini, Walderez de Barros, Jandira Martini, Carol Castro e Carolina Kasting. E impossível não citar Giulia Gam, Guilhermina Guinle, Betty Gofman, Mayana Neiva, Fernanda Souza, Juliana Alves e Sophie Charlotte de Ti-Ti-Ti. E tem mais: Nívea Maria e Ana Rosa (A Cura), Suzana Pires, Mariana Rios e Tânia Alves (Araguaia), Betty Faria e Lúcia Alves (Uma Rosa Com Amor) e Letícia Medina e Juliana Baroni (Ribeirão do Tempo). Parabéns a todas!

Melhores atores

O ator Bruno Gagliasso

Tony Ramos é um ótimo italiano em Passione, mas Totó é muito chato. Fora ele, gostei também de Werner Schünemann e Bruno Gagliasso e dos veteranos Leonardo Villar, Elias Gleizer, Flávio Migliaccio e Emiliano Queiroz. E Daniel Boaventura chegou na reta final da história para roubar cenas. Já Reynaldo Gianecchi alternou bons e maus momentos, mas ainda fecha a trama no saldo positivo. Mas eleger o melhor ator do ano é complicado. Murilo Benício (Ti-Ti-Ti e Força-Tarefa), Selton Mello (A Cura), Fábio Assunção (Dalva e Herivelto – Uma Canção de Amor), Michel Melamed (Afinal, O Que Querem as Mulheres?) Humberto Martins e Jayme Matarazzo (Escrito nas Estrelas) merecem o título, mas o meu voto vai para Alexandre Nero também da trama das 6 da Globo. Seu Gilmar foi simplesmente divertidíssimo e o ator ainda arrasou como o Carlos Henrique do especial Batendo Ponto. Dois mil e dez foi o ano de Nero e tenho dito! Aplaudo ainda Caio Junqueira (Ribeirão do Tempo), Cláudio Lins (Uma Rosa Com Amor), Marco Nanini (A Grande Família), Eduardo Moscovis (A Internauta da Mangueira / As Cariocas), Gabriel Braga Nunes (A Atormentada da Tijuca / As Cariocas), Ailton Graça (A Vingativa do Méier / As Cariocas), Eriberto Leão (A Iludida de Copacabana / As Cariocas), além de Murilo Rosa e Lima Duarte em Araguaia. Quero citar ainda os coadjuvantes maravilhosos de Ti-Ti-Ti: André Arteche, Rodrigo Lopéz, Leopoldo Pacheco, Humberto Carrão e Rafael Zulu. Para finalizar: Carmo Dalla Vecchia (ótimo), Ary Fontoura e Juca de Oliveira (A Cura), Luís Mello, Leonardo Machado e Samuel de Assis (Na Forma da Lei), Kiko Mascarenhas (Separação?!), Tarcísio Meira, Osmar Prado e Alexandre Schumacher (Afinal, O Que Querem as Mulheres?), Emilio Orciollo Neto, Ângelo Antônio e Nando Cunha (Araguaia), Antônio Grassi e Angelo Paes Leme (Ribeirão do Tempo), além de Giuseppe Oristânio (A História de Esther e Ribeirão do Tempo).

Revelações

Os atores Elisa Pinheiro e Fábio Enriquez

Já citei lá em cima Mayana Moura, Débora Duboc e Adriana Prado, de Passione, mas as grandes revelações de 2010 foram os jovens atores de Clandestinos – O Sonho Começo: Fábio Enriquez, Elisa Pinheiro, Adelaide de Castro, Deborah Wood, Marcela Coelho, Pedro Gracindo, Júnior Vieira, Eduardo Landim, Renata Guida, Luana Martau, Hugo Leão, Michelle e Giselle Batista, Alejandro Claveaux, Emiliano D’Ávila, Chandelly Braz e Bruno Heitor. Bianca Linzmeyer foi um estouro em Afinal, O Que Querem as Mulheres? e peço aplausos ainda para Marcelo D2, muito bem em A Desinibida do Grajaú (As Cariocas), Flávia Guedes, Luciano Scalioni e Raphael Vianna (Araguaia), Eunice Bráulio, Inês Peixoto e Dyjhan Henrique (A Cura) e Juliana Paiva, Clara Tiezzi  e Maria Célia Camargo (Ti-Ti-Ti). Já Maria Helena Chira, estreou em Som & Fúria no ano passado, mas é agora como a Camila de Ti-Ti-Ti que ela vem mostrando a bela jovem atriz que é.

Piores atuações

O ator Alexandre Borges

Alexandre Borges destruiu Jacques Leclair em Ti-Ti-Ti. O ator começou ótimo, mas perdeu a mão de uma forma como eu nunca havia visto antes. E só piora a cada dia. Tem gente que acha engraçado, mas não consigo dar um meio sorriso com a caricatura patética que virou o estilista. Colega de elenco de Alexandre, Caio Castro não tem expressão nenhuma e a cara que faz para o sofrimento de Edgar é a mesma que ele usa para os momentos de felicidade. Ou seja: é uma múmia. Já cantei em prosa e verso que acho Taumaturgo Ferreira péssimo e ele só compra isso em Ribeirão do Tempo. Só que agora ele tem a companhia de André D´ Biasi. Dá até vergonha assisti-lo na pele do prefeito da cidade. E Heitor Martinez nem parece o mesmo que fez do Jackson, de Vidas Opostas (2006), um personagem emblemático. Grazi Massafera, não por culpa dela e sim das mudança da trama, decepcionou em Tempos Modernos e Priscila Fantin – na mesma trama – só confirmou o que eu já sabia: é péssima! A reprise de Sete Pecados ajudou muito a tirar qualquer dúvida em relação a isso. Claudia Jimenes, em A Vida Alheia, foi outra que provou que não é atriz. E sim uma humorista muito competente, que funciona exatamente pela manutenção do “tipo” que criou e sabe que agrada o público. É o mesmo que acontece com Maria Clara Gueiros, Luís Fernando Guimarães… Menção honrosa para Luana Piovani e Márcio Garcia, em Na Forma da Lei, e para Marcello Antony e Kayky Brito em Passione. Mas o título de pior atriz de 2010 vai para… Ela mesma, Carolina Dieckmann, também em Passione. Tudo bem que Diana era uma personagem sem um pingo de credibilidade, mas o mínimo que ela deveria ter feito é emprestado um pouco de humanidade para a jornalista. Mas Diana virou apenas um arremedo de ser humano.

Especial

Beatriz Segall como Odete Roitman na novela Vale Tudo

Para o Canal Viva pelo conjunto da obra. É lá que podemos rever obras fantásticas como Vale Tudo (1988), Por Amor (1998), Chiquinha Gonzaga (1999), Desejo (1990), Engraçadinha… Seus Pecados, Seus Amores (1995), Quatro Por Quatro (1994), Hilda Furacão (1998), além do TV PirataSai de BaixoMulher… Muito obrigado, Canal Viva! E que você faça de 2011 um ano cheio de programas antigos maravilhosos que a gente quer rever.

Piores atuações:
Alexandre Borges destruiu Jacques Leclair em Ti-Ti-Ti. O ator começou ótimo, mas perdeu a mão de uma forma como eu nunca havia visto antes. E só piora a cada dia. Tem gente que acha engraçado, mas não consigo dar um meio sorriso com a caricatura patética que virou o estilista. Colega de elenco de Alexandre, Caio Castro não tem expressão nenhuma e a cara que faz para o sofrimento de Edgar é a mesma que ele usa para os momentos de felicidade. Ou seja: é uma múmia. Já cantei em prosa e verso que acho Taumaturgo Ferreira péssimo e ele só compra isso em Ribeirão do Tempo. Só que agora ele tem a companhia de André D´ Biasi. Dá até vergonha assisti-lo na pele do prefeito da cidade. E Heitor Martinez nem parece o mesmo que fez do Jackson, de Vidas Opostas (2006), um personagem emblemático. Grazi Massafera, não por culpa dela e sim das mudança da trama, decepcionou em Tempos Modernos e Priscila Fantin – na mesma trama – só confirmou o que eu já sabia: é péssima! A reprise de Sete Pecados ajudou muito a tirar qualquer dúvida em relação a isso. Claudia Jimenes, em A Vida Alheia, foi outra que provou que não é atriz. E sim uma humorista muito competente, que funciona exatamente pela manutenção do “tipo” que criou e sabe que agrada o público. É o mesmo que acontece com Maria Clara Gueiros, Luís Fernando Guimarães… Menção honrosa para Luana Piovani e Márcio Garcia, em Na Forma da Lei, e para Marcello Antony e Kayky Brito em Passione. Mas o título de pior atriz de 2010 vai para… Ela mesma, Carolina Dieckmann, também em Passione. Tudo bem que Diana era uma personagem sem um pingo de credibilidade, mas o mínimo que ela deveria ter feito é emprestado um pouco de humanidade para a jornalista. Mas Diana virou apenas um arremedo de ser humano.

A Cura, Clandestinos, As Cariocas e Afinal, O Que Querem as Mulheres: os trunfos da Globo em 2010

sexta-feira, dezembro 24th, 2010

Tem gente que simplesmente não gosta da Rede Globo. Não importa o que a emissora produza. Nada agrada e tudo é motivo de reclamação, queixa e detonação. Não consigo entender isso, mas como livre-arbítrio é o bem mais precioso que Deus nos deu, cada um sabe de cada um. Fico muito feliz com o crescimento da Record, aplaudo a iniciativa do SBT de não interromper o departamento de dramaturgia e por voltar a exibir tramas latinas. A CNT também está importando tramas feitas por nossos hermanos, o que é ótimo, já que o mercado para elas é muito grande aqui. E é uma pena que a Band e a RedeTV! realmente não queiram investir em novelas. Mas, quer saber: tudo bem. A Band é mesmo a emissora dos esportes e a RedeTV! abriu o mercado para programas variados, o que é bom também. Mas 2010 foi mesmo o ano da Globo. É verdade que sua mais importante produção, a poderosa trama das 9, naufragou. Nem tanto em audiência – nas últimas semanas não ficou abaixo dos 40 pontos – mas no que se refere à qualidade. Apesar do elenco fenomenal, Passione nunca teve pé nem cabeça. Mas, felizmente, a emissora levou ao ar delícias de se assistir como Dalva e Herivelto – Uma Canção de Amor, Escrito nas Estrelas, Ti-Ti-Ti, Araguaia, Força-Tarefa, Junto e Misturado, Separação?! e A Grande Família. Além dos quatro melhores programas do ano: A Cura, As Cariocas, Afinal, O Que Querem as Mulheres? e Clandestinos – O Sonho Começou. E é sobre eles que vou falar.

A Cura

Não me lembro da última vez em que uma emissora levou ao ar quatro atrações de tanta qualidade. Eu adorei o episódio final de A Cura, mas ele realmente provocou polêmica e será inadmissível que a Globo não exiba uma segunda temporada. Mas fora esse detalhe, a série só confirmou o talento de João Emanuel Carneiro – desta vez em parceria com Marcos Bernstein – para surpreender o público. Mais uma vez ele conseguiu fazer com que o personagem aparentemente injustiçado fosse, na verdade, o grande vilão da história. E olha que Flora (Patrícia Pillar), de A Favorita (2008), continua muito viva na memória do público. E mesmo assim, ele fez de novo, sem que a gente percebesse nada. Brilhante! O texto impecável foi amparado pelas atuações magistrais de Juca de Oliveira e Selton Mello, que nos confundiram o tempo todo. Destaque ainda para a apurada fotografia, a trilha sonora que envolvia o público e o elenco formidável: Andréia Horta, Carmo Dalla Vecchia, Ary Fontoura, Nívea Maria, Ana Rosa, Jackson Antunes e as revelações Eunice Bráulio e Inês Peixoto. Quero mais! Quero mais! Quero mais!

As Cariocas

Daniel Filho e sua equipe bancaram o Woody Allen. Explico: mesmo quando o filme do cineasta americano não é bom, é melhor do que 90% de tudo o que estiver em cartaz na mesma época que ele. Ou seja: mesmo quando não brilha, Allen não decepciona. E foi assim com As Cariocas. Nem todos os episódios tiveram a maestria de A Vingativa do Méier, A Atormentada da Tijuca e A Iludida de Copacabana. Outros, como A Traída da Barra, A Internauta da Mangueira e A Desinibida do Grajaú foram muito bons também. E A Adúltera da Urca e A Invejosa de Ipanema tiveram bons e maus momentos. Apenas A Noiva do Catete foi fraquinho e A Suicida da Lapa não agradou mesmo. Mas um detalhe impecável uniu e foi comum a todos os capítulos: a narrativa de Daniel Filho. Ele estava totalmente à vontade declamando o texto de Sérgio Porto e as adaptações bem fiéis de sua equipe de roteiristas.
O rendimento do elenco segue mais ou menos a ordem citada acima. Adriana Esteves foi a melhor de todas as cariocas, talvez, por ser realmente nascida no Méier e saber representar com maestria a alma da típica moradora da Cidade Maravilhosa. Também carioca, Fernanda Torres foi outra que brilhou muito em A Invejosa de Ipanema, mesmo que sua personagem lembrasse demais a Vani, de Os Normais. Depois delas, as “estrangeiras” Paola Oliveira (A Atormentada da Tijuca), Alessandra Negrini (A Iludida de Copacabana), Grazi Massafera (A Desinibida do Grajaú) e Angélica (A Traída da Barra) foram as melhores. Mas não tenho como não reverenciar também Cíntia Rosa (A Internauta da Mangueira), Sonia Braga (A Adúltera da Urca), Alinne Moraes (A Noiva do Catete) e Deborah Secco (A Suicida da Lapa). Entre os coadjuvantes, destaque absoluto para Eduardo Moscovis, que arrasou em A Internauta da Mangueira, simplesmente perfeito como o sujeito do morro, que só pensa em futebol, cerveja e na fidelidade da mulher. Gabriel Braga Nunes (em A Atormentada da Tijuca), Regina Duarte (A Adúltera da Urca), Ailton Graça e Bárbara Paz (A Vingativa do Méier), Marcelo D2 e Carla Daniel (A Desinibida do Grajaú), Eriberto Leão e Thiago Lacerda (A Iludida de Copacabana), Cássio Gabus Mendes (A Suicida da Lapa) e Luiz Miranda (A Traída da Barra) também arrasaram. Parece que a Globo vai produzir As Paulistas, no ano que vem. Se for verdade, ano que vem poderemos ter A Gostosona do Morumbi, A Distraída da Vila Madalena ou A Exagerada de Itu. E quero dar boas gargalhadas com elas também. Vamos ver…

Afinal, O Que Querem as Mulheres?

Continuo sem saber responder a essa pergunta. Mas a série foi um triunfo de Luiz Fernando Carvalho, que deve melhorar ainda mais se for assistida sem interrupção. A saga do psicólogo André Newman (Michel Melamed) não era para qualquer público. E não há nenhum juízo de valor nisso. Nem envolve questão de inteligência, cultura… nada disso. É apenas gosto mesmo. O programa foi criado para quem gosta de narrativas nada convencionais, montagens ágeis e cheias de pegadinhas e um visual cheio de cor. O seriado teve tantas qualidades que fica até difícil começar a enaltecê-las. Primeiro, a câmera era lindíssima e parecia mergulhar dentro de André e dos outros personagens, como se tentasse desnudá-los. Ao mesmo tempo tinha uma distância delicada, como se não quisesse atrapalhar o que estava sendo desenvolvido. A direção de arte foi outro deslumbramento, assim como a fotografia e a trilha sonora. Amei a abertura e a canção Nome à Pessoa, composta e interpretada pelo próprio Melamed. Quando acabei de assistir ao primeiro episódio, falei mal de Vera Fischer. E ela realmente se tornou uma atriz ruim, mas a canastrice da ex-Deusa foi usada maravilhosamente bem pelo diretor para criar uma personagem que era o exagero em forma de gente. Uma típica mãe dos filmes de Federico Fellini e que foi um dos pilares da vida de André. A maravilhosa Paola Oliveira encarnou a musa do protagonista com inteligência, mesmo que, na maioria das vezes, não dissesse uma só palavra. Sua fortíssima expressão facial e a emoção que jogava nas cenas se encarregavam de passar a mensagem que ela bem desejasse. Aplausos ainda para Osmar Prado, Alexandre Schumacher, Letícia Spiller e Tarcísio Meira, no pequeno, mas fantástico papel de pai de André. E impossível não falar da novata Bruna Linzmeyer (que estará em Insensato Coração), mas parecia uma veterana tamanha presença cênica e segurança com que deu vida à ninfeta russa Tatiana Dovichenko. Quem não gostou de Afinal, O Que Querem as Mulheres? tente mais uma vez e assista a tudo num fôlego só. Ou quase. Depois me conte!

Clandestinos – O Sonho Começou

Na hora de fazer o acerto de contas com 2010 um item me deixará com profunda raiva de mim mesmo: ter perdido a peça Clandestinos. Por isso, oro aos deuses das artes para que o espetáculo de João Falcão fique ainda mais um tempinho em cartaz no Rio de Janeiro, porque de tudo que eu vi em 2010 nada foi melhor do que Clandestinos – O Sonho Começou. Há muito tempo não vejo reunido um grupo de jovens atores tão bons. Todos eram excepcionais. E não tenho como deixar de citá-los: Fábio Enriquez, Elisa Pinheiro, Adelaide de Castro, Deborah Wood, Marcela Coelho, Pedro Gracindo, Júnior Vieira, Eduardo Landim, Renata Guida, Luana Martau, Hugo Leão, Michelle e Giselle Batista, Alejandro Claveaux, Emiliano D´Ávila, Chandelly Braz e Bruno Heitor. Parabéns, galera, vocês são demais!
Aplausos ainda para os veteranos Fábio Assunção e Dennis Carvalho, que se doaram ao projeto; para Daniela Mercury, numa participação divertida, e para Nanda Costa, ainda nem tão famosa, mas já tão premiada, e que fez bonito no final da série. Clandestinos – O Sonho Começou foi uma mistura de Som & Fúria, por mostrar os bastidores do teatro, com algumas pitadas do musical Chorus Line, que contava a história de um grupo de aspirantes a astros da Broadway. João Falcão, Guel Arraes e sua equipe de roteiristas e codiretores realizaram uma pequena obra-prima de nossa telinha. Felizmente a Globo renovou o contrato com todos os “clandestinos” e, mesmo que não role uma segunda temporada, é bom demais saber que esse povo talentoso está dando prosseguimento a seu sonho. E que 2011 seja tão bom nesse sentido, quanto 2010 foi. Feliz Natal!

Na batalha pelo direito de assistir novela no domingo!

sexta-feira, dezembro 17th, 2010

Estava em casa um domingo desses. Chovia e a preguiça tomava conta de todo o meu ser. Como já tinha colocado em dia todos os episódios de minhas séries favoritas, decidi navegar pela programação da TV aberta. Para uma atualização básica, sabe? Faz parte da profissão e havia séculos que eu não fazia isso.

A lembrança que eu guardava dessa experiência era muito ruim, só que o impossível aconteceu: a situação piorou muito. Muito mesmo! Antigamente a gente só tinha que engolir Silvio Santos, Fausto Silva e Gugu Liberato. Mas eles proliferaram. E suas crias são ainda piores. Só para você ter uma ideia, me deparei logo de cara com Eliana se sacudindo toda ao som daquela infame Rebolation, numa alegria tão falsa quanto uma nota de R$ 3.

Foto: Roberto Nemanis / SBT

Mas eu a entendo. É preciso ser uma Meryl Streep para conseguir convencer alguém de que está feliz pelo fato de a grande atração de seu programa ser um grupo de quinta categoria, cantando uma música velha e horrorosa. Aliás, vou morrer sem entender o sucesso do Rebolation, em que nem mesmo a (inexistente) coreografia funciona. Mas… De volta ao Eliana, do SBT, as brincadeiras também me aterrorizaram. Todas jurássicas e totalmente sem graça. O único consolo da Eliana deve ser mesmo aproveitar os intervalos para checar sua conta corrente na internet, ver a enormidade de dinheiro que está lá e repetir como um mantra: “vale a pena, vale a pena, vale a pena…” E voltar ao palco, sorridente, para continuar a fingir que está se divertindo com o Parangolé.

Foto: Divulgação

E gente! O cenário não é diferente nos outros canais. Na Record, Ana Hickmann dá um show de beleza e elegância, mas me recuso a ver de novo as gincanas do Tudo É Possível, tamanha imbecilidade que é imposta ao público. Mas nada é pior do que o Programa do Gugu com seu assistencialismo barato e as tentativas de explorar a miséria e o sofrimento alheio.

Foto: Divulgação

Pelo menos a emissora fecha na noite com o Domingo Espetacular, que é bem correto. Na Rede Globo, o que salva o Domingão do Faustão é a Cachorrada Vip e as Videocassetadas, que eu adoro. Mas o ideal é você gravar os quadros para assistir tudo acelerado quando Fausto Silva aparecer, porque aturar o gordo falando mais do que a Lurdinha (Simone Gutierrez), de Passione, é dose para elefante. Sem querer fazer trocadilhos infames, é claro. Já o Fantástico, outrora tão interessante, só me dá sono. Nunca pensei que fosse dizer isso, mas quanta saudade da Glória Maria…

Foto: Divulgação

Conheço muita gente que não perde o Pânico na TV, na RedeTV!, mas eu sequer lembro que o programa existe. Talvez se assistisse, até desse algumas boas risadas como antes. Mas tenho horror ao tal Freddy Mercury Prateado e a mínima lembrança de que posso me deparar com ele na telinha revira meu estômago. Ao retornar ao SBT, concluo mesmo que Silvio Santos faz milagre para segurar o público. Só acho que ele deveria ter se atualizado um pouco. Tudo o que faz me soa tão anos 1980… E assistir a um programa de entrevista à meia-noite de domingo realmente não faz parte do meu show e, com isso, raramente confiro o De Frente com Gabi.

Foto: Divulgação

Com tanta chatice à disposição, sabe o que me dá alguns momentos de alegria? O Samba de Primeira, com Jorge Perlingeiro, exibido na CNT. Não sei se passa no país todo, mas me divirto demais com a naturalidade do apresentador e como adoro samba, o programa é um prato cheio. Sem falar que toda aquela produção kitch é de morrer de rir. Quando minha “navegação” se transforma num naufrágio, sinto uma vontade louca de ver novela.

Como já disse aqui várias vezes, gosto tanto do estilo de dramaturgia que curto assistir até tramas ruins. Prefiro mil vezes rever Tempos Modernos a ter que passar de novo uma tarde com o Parangolé, Eliana e cia. E morro de ódio porque domingo não tem novela. Aliás, por que não passa novela no domingo? Não seria uma boa solução se as emissoras não fizessem ao menos um resumo da semana no domingão? Lanço aqui, então, um manifesto pelo direito de a gente ver novela no domingo. Quem me acompanha?

Afinal, o que quer Silvio de Abreu em Passione?

sexta-feira, dezembro 10th, 2010
Silvio de Abreu, novela Passione

O que quer Silvio de Abreu? - Foto: Montagem

Eu fico me perguntando: afinal, o que quer Silvio de Abreu?

Quando o mundo todo clamava pela morte de Diana (Carolina Dieckmann) em Passione, ele bateu o pé, tirou a vida de Saulo (Werner Schünemann) – o que eu acredito realmente que já estivesse planejado desde o início – e jurou que não iria assassinar sua mocinha. Só que, agora, mata a jornalista após o parto da filha, Vitória. Mas com que intenção? Pra mim, tirar a chata da Diana da novela nesse momento só faria sentido se fosse outro crime ligado à trama principal. Poderia, por exemplo, ter sido praticado por Clara (Mariana Ximenes) e Fred (Reynaldo Gianecchini), como queima de arquivo contra todos aqueles que poderiam prejudicá-los, entre eles, Eugênio, Saulo, Noronha (Rodrigo dos Santos),  Myrna (Kate Lyra)… Se for isso, menos mal. Mas vai ficar ridículo se o novelista decidir montar, nessa altura do campeonato, um romance entre Mauro (Rodrigo Lombardi) e Melina (Mayana Moura). Vai ser um tiro no pé.

Mauro entre Diana e Melina

Mauro entre Melina e Diana - Foto: TV Globo / Renato Rocha

Você é testemunha do quanto torci para que rolasse um envolvimento do Mauro com a estilista. Ele poderia ter acontecido depois que o executivo conseguiu impedir que ela se casasse com Fred na primeira vez. Poderia ter pintado um clima forte entre eles, fazendo nascer dúvidas na cabeça do galã da história. Mauro teria ficado dividido entre a mulher que ama e aquela que sempre considerou como uma irmã. Agora não dá mais tempo. Melina aprontou demais. Ela chegou ao cúmulo de invadir a casa da rival para exigir que ela fizesse um aborto. E Mauro ainda vai cair nos braços dessa mulher? Ninguém merece!

Sem falar que essa semana mesmo ele repetiu aos berros que não amou nem nunca irá amar Melina como mulher. Espero que essas projeções que estou fazendo não se concretizem. Novela é uma obra de ficção, em que a realidade nem sempre é tão necessária. Mas mesmo na mais “pirante” das fantasias é necessário um ingrediente básico: coerência. E esse tempero está passando longe de Passione

Mas voltando à pergunta que fiz no início do texto (afinal, o que quer Silvio de Abreu?), sinceramente não sei responder. Passione começou muito bem: ágil, cheia de acontecimentos inesperados, com humor, cenas fortes, personagens recheados de conflitos… Mas a trama empacou de uma maneira tão absurda e repentina que muito me irrita. Principalmente por saber o quanto Silvio de Abreu é habilidoso e sabe desenvolver situações que fujam do convencional e, desta vez, parece que empacou na preguiça.

E esse é um pecado capital que não consigo perdoar.

Júlia Lemmertz, Eva Wilma e Laura Cardoso: As verdadeiras joias de Araguaia

sexta-feira, novembro 26th, 2010
Julia Lemmertz, Eva Wilma, Laura Cardoso

Júlia Lemmertz, Eva Wilma e Laura Cardoso - As verdadeiras joias de Araguaia

Nada contra Raquel Aguiar, Nanda Lisboa e Cinara Leal. As três são muito lindas, mas as verdadeiras joias de Araguaia são Júlia Lemmertz, Eva Wilma e Laura Cardoso. É um enorme prazer ver esse trio em cena. Júlia Lemmertz sempre me surpreende. É impressionante o talento dessa mulher. Quando penso que ela já mostrou tudo o que sabe fazer, Júlia se renova e traz frescor às suas interpretações. Na pele da maternal Amélia, a atriz mostra toda paleta de emoções que guarda na manga. Esposa insatisfeita do poderoso Max (Lima Duarte), Amélia se desdobra para mediar a difícil relação do fazendeiro com os filhos, Manuela (Milena Toscano) e Fred (Raphael Viana). Mas agora enfrenta seus próprios conflitos ao se apaixonar pelo ex-genro, Vitor (Thiago Fragoso).

Julia Lemmertz - Foto: TV Globo/João Miguel Júnior

Júlia Lemmertz - Foto: TV Globo/João Miguel Júnior

Júlia transmite para o público toda a angústia que essa mulher sente e o forte desejo por um homem muito mais novo, que precisa afogar no peito. E a atriz não desperdiça uma cena, aproveita todas as falas, valoriza cada momento que tem na novela para expressar o sofrimento de Amélia. Imagino o orgulho que deve dar para um autor de novela (no caso Walther Negrão) de ver uma personagem que criou com tanto esmero crescer na telinha de uma forma tão intensa. Só é impressionante que uma atriz espetacular como Júlia Lemmertz geralmente é relegada a papéis menores. Quer dizer, menores não, porque em suas mãos todos os personagens são grandiosos, espetaculares. Mas que ela merecia protagonizar sempre, ah isso merecia sim.

Beatriz, a mãe que Solano nunca conheceu Beatriz (Eva Wilma) - Foto: TV Globo/Marcio Nunes

Beatriz (Eva Wilma), a mãe que Solano nunca conheceu - Foto: TV Globo/Marcio Nunes

Falar de Eva Wilma é como narrar a história da TV brasileira. Como Júlia, ela é uma atriz completíssima. Faz bem drama, comédia, o burlesco, o trágico… Não há pedra bruta que Eva não transforme em diamante. Até hoje considero a Altiva, de A Indomada (1997), uma das cinco melhores vilãs de todos os tempos. Mas como não reverenciar também as gêmeas Ruth e Raquel de Mulheres de Areia (1973), a ex-presa política Maura de Roda de Fogo (1986), a esfuziante Rebeca de Plumas e Paetês (1980), a angustiada Laura de Ciranda de Pedra (1981) ou a manipuladora Francisca Moura Imperial de Transas & Caretas (1984). Isso sem falar da Hilda (Pedra Sobre Pedra, 1992), da Dra. Marta (Mulher, 1998/1999) e da Teresa (Pátria Minha, 1994), entre muitas outras.

Em Araguaia, Eva é Beatriz, a mãe que Solano (Murilo Rosa) não conheceu, que, apesar de agora estar tão perto do filho, não consegue se revelar. Linda em cena, Eva dá à personagem uma personalidade forte e difícil de compreender. Beatriz é aquele tipo de pessoa que sabe muito bem o que quer e talvez por isso tenha se identificado tanto com Estela (Cleo Pires). E Eva abusa e usa da experiência que adquiriu em sua trajetória ímpar para guiar o público pelas dores e amores dessa mulher. Gosto especialmente das cenas de embate entre Beatriz e Mariquita porque podemos ver duas escolas de atuação bem distintas. Enquanto Eva é cerebral, técnica, quase maquiavélica na arte de interpretar, Laura Cardoso é totalmente intuitiva, emotiva, praticamente um “animal selvagem”, tamanha a força que ela empresta para suas personagens.

Preciso confessar que durante um período curto da minha carreira eu implicava com Laura Cardoso. Muito ignorante, achava que tudo que ela fazia era igual. Fosse rica ou pobre, boa ou má, ela estava sempre de cara amarrada. Não entendia que certo tipo de ator tem uma marca tão forte, que sua personalidade vira um carimbo. Laura é assim. É uma força da natureza que invade nossa telinha devastando tudo. É impossível não ser tocado por sua presença magnética. E a gama de emoções que ela nos entrega é quase que um presente, que, eu pelo menos, recebo com carinho e gratidão.

Ter Júlia Lemmertz, Eva Wilma e Laura Cardoso numa mesma novela não é pouco. É uma honra e um grande prazer. Muito obrigado!

Estou enlouquecendo com os laços de família de Passione

sexta-feira, novembro 19th, 2010

Não vou ficar nem um pouco surpreso se a gente descobrir que Clara (Mariana Ximenes) é uma filha bastarda de Eugênio (Mauro Mendonça), em Passione. O tempo passa, o mundo dá voltas, os capítulos seguem e basta você piscar para aparecer um novo integrante da família Gouveia. A mais recente foi Fátima (Bianca Bin), revelada como filha de Gerson (Marcello Antony), mas será que vai parar por aí?

Fátima Lobato se emociona ao conhecer o pai, campeão de stock car

Fátima Lobato se emociona ao conhecer o pai, Gerson

A cena em que Gerson e Fátima se conheceram foi até bonita, apesar de eu achar Marcello Antony um ator limitadíssimo e não gostar do desfecho dessa história. É duro engolir o fato de Felícia (Larissa Maciel), sempre tão medrosa, ter estimulado a filha a se envolver com Sinval (Kayky Brito), sobrinho do homem que ela odiava, por achar que ele a havia abandonado grávida. Como se não bastasse, a moça ainda se envolveu justamente com Totó (Tony Ramos), meio irmão de Gerson… Ou seja: totalmente inconsistente!

Aliás, os laços de família criados por Silvio de Abreu em sua novela são de fundir a cuca de qualquer um. Quer ver? Então tenta acompanhar: Totó é padrasto e tio de Fátima, que é prima e será esposa de Sinval e prima e cunhada de Danilo (Cauã Reymond), de quem abortou um bebê no início da novela. Credo! Já Stela (Maitê Proença) tem um caso com o sobrinho Agnello (Daniel de Oliveira), que traiu o tio Saulo (Werner Schünemann) e ainda foi namorado da prima Lorena (Tammy Di Calafiori), que poderá virar sua enteada…

Agnello, Lorena, Sinval e Stela - novela Passione - Foto: Divulgação/TV Globo

Stela tem um caso com o sobrinho Agnello, que traiu o tio Saulo e ainda foi namorado da prima Lorena

Não para por aí! Danilo teve um romance com a tia Clara, enquanto Melina (Mayana Moura) se casou com Fred (Reynaldo Gianecchini), tio de sua nova sobrinha, Fátima. Ou seja: além de genro de Bete (Fernanda Montenegro), Fred ainda é tio da neta da matriarca e foi amante de Clara, esposa de seu cunhado, Totó. Nem no seriado Dallas (1978 a 1991), o apogeu das baixarias em família, via-se uma teia familiar tão complexa.

Mas essa confusão toda não se limita apenas ao núcleo dos Gouveia. Na família do Rei do Lixo, Olavo (Francisco Cuoco), a bandalheira continua. O empresário é pai de Totó, que é sogro de Berilo (Bruno Gagliasso), marido de sua irmã, Jéssica (Gabriela Duarte). E o poverino do Dino (Edoardo Dell’Aversana) é simplesmente primo e irmão do pequeno Olavinho (Carlos Daniel). E Agostina (Leandra Leal) é sobrinha da mulher de seu marido. Eu fiquei tonto. E você?

Bete, Clara, Totó e Saulo - Novela Passione - Foto: Divulgação/TV Globo

As famílias de Olavo e Bete estão unidas por causa de Totó. Na cena: Bete, Clara, Totó e Saulo

A verdade é que as famílias de Olavo e Bete estão unidas por causa de Totó. E, gente, isso engloba simplesmente todos os personagens da novela. De uma forma ou de outra tudo desemboca nos Gouveia, formando a verdadeira grande família da história da televisão. E a mais maluca também. Fala sério!

Alexandre Borges perde a mão com Jacques Leclair em Ti-Ti-Ti

sexta-feira, novembro 12th, 2010

Foto: TV Globo/Zé Paulo Cardeal

O mais comum é um ator demorar um pouco para achar o tom de seu personagem. Às vezes, começa meio over, mas com o tempo vai acertando os ponteiros até atingir o resultado esperado. Faz parte da profissão. Tem gente que não consegue, é claro, mas raro mesmo é quando acontece o contrário: a pessoa começa bem, mas acaba perdendo a mão, muitas vezes, sem conseguir se recuperar. Alexandre Borges começou Ti-Ti-Ti divertidíssimo. Sua versão de Jacques Leclair era muito mais afetada do que a criada por Reginaldo Faria, em 1985, mas tudo bem. O resultado era excelente.

Foto: TV Globo/Blenda Gomes

Porém, ao completar 100 capítulos na pele do costureiro, o ator é a imagem do exagero. O que é lamentável! Não é de hoje que tenho achado Alexandre muito acima do tom necessário. Jacques virou um personagem de desenho animado, quase o Papaléguas, tamanha quantidade de saltinhos que dá. As caretas que o ator vem fazendo também tiraram seu papel do trilho em que ele estava tão bem situado: no delicado fio entre o engraçado e a caricatura. Agora, Leclair nem parece mais um ser humano. Nada me convence mais. Não tem como passar a imagem de um homem irresistível, já que tem desmunhecado além do que precisava. Sua paixão por Clotilde (Juliana Alves) também não cola e a relação com os filhos, então, é triste de doer.

Foto: TV Globo/Blenda Gomes

Com isso, Alexandre vem sendo trucidado por Murilo Benício nas cenas em que contracenam juntos. O Ariclenes/Victor Valentim de Murilo também tem seus momentos de exagero, mas que o ator niteroiense consegue equilibrar muito bem. O amor que ele sente por Suzana (Malu Mader) e pelo filho, Luti (Humberto Carrão), também é comovente, assim como a forma que ele conseguiu que os amigos Chico (Rodrigo Lopéz), Marta (Dira Paes), Nicole (Elizângela) e Desirée (Mayana Neiva) se unissem para ajudá-lo a fazer do costureiro espanhol fake um grande sucesso. Falta essa humanidade ao personagem e ao núcleo de Jacques Leclair.

Foto: TV Globo/Blenda Gomes

Pra mim a grande culpada por Alexandre Borges ter perdido a mão com Jacques Leclair é Cláudia Raia. O estrondoso sucesso da atriz como a doidivanas Jacqueline Maldonado deve ter tirado seu colega de cena do prumo e, na tentativa de acompanhar a interpretação visceral de Cláudia, Alexandre pegou o vácuo do exagero dela e se perdeu.

Foto: TV Globo/Alex Carvalho

O detalhe é que: Jacqueline foi marcada e construída como uma louca varrida e exagerada até a raiz do cabelo desde sempre. Jacques não deveria ser seu complemento, e sim seu contraponto. Tudo bem que não é nada fácil você ter que servir de escada para o grande destaque da novela, só que, com um pouco mais de paciência e inteligência, ele poderia ter comido pelas beiradas e ter tanto destaque quanto sua parceira, que é um verdadeiro carro alegórico. É nesse momento que um ator descobre o quanto a expressão “quando menos é mais” pode funcionar a seu favor. Abre o olho, Alexandre, enquanto ainda há tempo…

Clandestinos: O Sonho Começou renova na telinha, já As Cariocas aposta no convencional

sexta-feira, novembro 5th, 2010

Os atores Cauã Reymond e Bruno Gagliasso. Foto: Edu Lopes/Lailson Santos

Quando li que Cauã Reymond e Bruno Gagliasso já foram escalados para viverem o mocinho e o vilão – respectivamente – da próxima novela das 6 da Globo, quase tive um siricutico. Minha vontade era pegar o telefone e implorar para minhas amigas Duca Rachid e Thelma Guedes escalarem outros atores. Nada contra os dois, mas, pelo amor de Deus, quem aguenta mais essa repetição sem fim do elenco das novelas da Globo? Bruno e Elias Gleizer, por exemplo, dão a impressão de que nunca saem do ar. A sorte é que são tão bons que conseguem sempre se reinventar.

O ator Mauro Mendonça. Foto: Divulgação

Já Mauro Mendonça praticamente está no ar em duas novelas agora (Eugênio Gouveia em Passione e Giancarlo em Ti-Ti-Ti). Precisava? Mauro é ótimo, mas não podiam ter escalado outro ator? Cláudio Marzo, por exemplo, seria uma boa opção… Por isso é que o primeiro episódio de Clandestinos: O Sonho Começou me fez tão bem. O elenco inteirinho é formado basicamente de novos rostos. E renovação é um requisito fundamental para quem ama teledramaturgia.

A mineirinha Adelaide de Castro. Foto: TV Globo/Thiago Prado Neri

Achei Clandestinos com um “Q” de Fama (1980) e The Commitments – Loucos Pela Fama (1991), dois filmes de Alan Parker que eu adoro. Os longas mostram jovens talentos batalhando por um lugar ao sol, e é esse o mote da série da Globo. E essa garra que a garotada mostra é sempre revigorante. O mais bacana de Clandestinos é que as histórias dos personagens são inspiradas em fatos reais da vida dos atores que os interpretam e, por isso, os nomes são os mesmos.

Na estreia, a mineirinha Adelaide de Castro tomou conta da ribalta. Além de muito bonitinha, a menina tem uma brejeirice que anda fazendo falta na telinha. As gêmeas cariocas Giselle e Michelle Batista também deram um show. E Fábio Enriquez, como o diretor da peça e alter ego do trio Guel Arraes, João Falcão e Jorge Furtado, se saiu muito bem como o fio condutor das histórias. Serão apenas sete episódios para tantas vivências bacanas (17 ao todo). Mas Guel, Jorge e João certamente saberão condensar e valorizar todos os “causos”. Pelo menos, no primeiro episódio, dinamismo foi a palavra de ordem. Fiquei com gosto de quero mais!!!

Alinne Moraes no episódio A Noiva do Catete, na série As Cariocas. Foto: TV Globo/Ique Esteves

Já o cenário apresentado por As Cariocas é bem diferente. Preferi esperar para assistir aos três primeiros episódios antes de escrever alguma coisa. Que fique bem claro: eu gosto da série. A Noiva do Catete – estrelado por Alinne Moraes – foi meio chato e sem graça, mas A Vingativa do Méier (com Adriana Esteves) e A Atormentada da Tijuca (com Paola Oliveira) me divertiram. O problema é que tudo é muito convencional. Eu esperava mais ousadia do projeto, sem falar que seria mais divertido se as histórias fossem mantidas em seu período original (final dos anos 1960).

Ao atualizar as tramas para os tempos modernos, perdeu-se muito da magia e do encantamento das criações de Sérgio Porto, principalmente em A Noiva do Catete, que foi totalmente inverossímil. Alinne Moraes se saiu tão bem em Viver a Vida, mas como a sedutora Nádia não fez mais do que arregalar os olhos e fazer bicos com seu bocão. Faltaram consistência e humor em sua interpretação como uma jovem traumatizada com a paralisia do noivo (Ângelo Antônio) e mergulhada em romances furtivos com um coroa (Nelson Baskerville) e um garotão (Pedro Nercessian).

Adriana Esteves em A Vingativa do Méier, da série As Cariocas. Foto: TV Globo/Ique Esteves

Quando já estava prestes a achar que As Cariocas seria uma bomba, Adriana Esteves entrou feito um foguete em minha televisão como a espevitada Celi. A Vingativa do Méier foi o melhor episódio até agora pelo equilíbrio entre o texto divertido, a direção ágil e o elenco afiadíssimo. Além dela, Ailton Graça, Bárbara Paz, Myriam Pérsia e Agildo Ribeiro também fizeram uma festança.

Paola Oliveira e Gabriel Braga Nunes em A Atormentada da Tijuca. Foto: TV Globo/Ique Esteves

A Atormentada da Tijuca não teve a boa vibração do capítulo anterior, mas o talento de Paola Oliveira e Gabriel Braga Nunes compensou qualquer deslize da direção. Conheço algumas mulheres como Clarissa – cansadas de esperar pelos homens certos e de se divertir com os errados. E Paola soube transmitir esse tormento com muito charme e inteligência. Para sorte da atriz, ela ganhou um parceiro de cena absolutamente empolgado com seu papel. Era nítido o quanto Gabriel estava se divertindo. E de lambuja alegrou o público também. Mesmo sem o sangue novo de Clandestinos: O Sonho Começou, As Cariocas tem seu valor, mas vou torcer para ser surpreendido por episódios menos convencionais. Quem viver, verá!

Público prefere os desconhecidos aos ”famosos” do A Fazenda 3

sexta-feira, outubro 29th, 2010

Foto: Reprodução

Vou sair um pouco da nossa seara, as novelas de ficção, para entrar de novo em mais uma dita “novela da vida real”. Pelo menos, teoricamente, é isso que um reality show deveria ser… Falo de A Fazenda 3, da Rede Record. Um fato muito curioso está acontecendo no programa. O principal diferencial dele para o Big Brother Brasil é o fato de famosos – e não anônimos – ficarem trancafiados num lugar disputando uma bela bolada (no caso R$ 2.500 milhões, fora carros, eletrônicos e por aí vai). Mas os tais “famosos” estão levando uma surra dos “desconhecidos”.

Monique Evans, Sergio Mallandro e Tico Santa Cruz - Foto: Edu Moraes

Explico: A Fazenda estreou com 15 participantes. Três realmente bastante conhecidos: o líder da banda Detonautas, Tico Santa Cruz, a faz-tudo Monique Evans e o humorista Sergio Mallandro. Têm outros três ex-atores inexpressivos da Globo: Ana Carolina Dias, Sérgio Abreu e Dudu Pellizari. Mais duas famosas por seus atributos físicos: Andressa “Garota Melancia” Soares e Lisi “Piu-Piu” Benites; uma drag queen (Nany People); o jogador de futebol Viola e quatro completos desconhecidos: Carlos Carrasco (maquiador), Luiza Gottschalk (jornalista), Janaína Jacobina (apresentadora) e Daniel Bueno (modelo). Além de Geisy Arruda, que nem sei como definir…

Pois bem. A inominável Geisy e o trio de “estrelas” (Monique, Tico e Mallandro) foram os eliminados nas quatro Roças do programa, enquanto “anônimos” como Janaína, Luiza e Carrasco são poupados pelo público.

Luiza e Janaína. Foto: Edu Moraes

O que isso quer dizer? Que não podemos subestimar quem assiste a esse tipo de programa. Ou seja: o povo não é burro e não se deixa levar por fama e sim pelo caráter do participante. Acredito piamente nisso, mas vou morrer sem entender por que as pessoas caíram de amores por Luiza e Janaína, por exemplo. A primeira é tão chata, mas tão chata, que nem sei como foi convidada para o reality show. Até a voz dela é irritante e a lourinha está usando uma artimanha que eu desprezo: se fazer de vítima. Detesto! Acho baixo e repugnante, principalmente, se você não é vítima de nada. Ela optou por ser manipulada por Tico Santa Cruz, um sujeito arrogante e violento, que dançou logo (graças a Deus). E agora está nas mãos de outros dois jogadores ardilosos: o dissimulado Carrasco e o falso nobre Sérgio Abreu. Não duvido que Luiza ganhe o programa, mas se isso acontecer será de uma tristeza!!!!

Andressa Soares. Foto: Edu Moraes

Como também seria a vitória de Janaína Jacobina. Juro! Nunca vi uma pessoa tão sem personalidade. É jogada de um lado para o outro pelos participantes de seu grupo (Avestruz): Viola, Daniel e Lisi (já que Mallandro rodou esta semana). Sem falar que ela é sem graça toda vida…

Você vai me perguntar: torce por alguém? Sinceramente não. Tenho alguma simpatia por Nany People e Dudu. E acho Viola muiiiiiito esperto! Do resto, juntando tudo não dá um bifinho. Acho que Andressa tem muitas chances de vencer porque se faz de amiga de todo mundo, é brincalhona e ainda não se envolveu em confusão. É diferente da Carol Dias e do Daniel Bueno, que parecem duas empadas sem recheio. Não tenho qualquer simpatia por Lisi Benites, mas até que ela é articulada e sabe o que quer. Mas isso não faz dela uma candidata para minha torcida.

Nany People. Foto: Edu Moraes

Gosto da Nany porque ela não leva desaforo para casa, diz o que pensa na cara de todo mundo, é trabalhadora, amiga para quem precisa… Mas duvido que uma drag possa levar o prêmio. O Brasil ainda não está preparado para isso. Tomara que eu esteja errado, mas… Já Dudu foi massacrado na primeira semana por causa de um abraço. Não importa se ele traiu o grupo ou se fez por inocência. Nada justifica a agressividade que fizeram com ele, principalmente, Monique e Tico, que partiram para cima do rapaz como duas feras.

Dudu. Foto: Edu Moraes

Se você não acompanha o programa, explico: O grupo do Dudu (Coelho) havia decidido votar em Janaína. Uma sugestão até do ator. Mas calhou de, naquele dia, Dudu passar o tempo todo com sua “vítima” e bateu arrependimento. Ele, então, a abraçou e disse que, apesar de tudo, gostava muito dela. Resumo da ópera: praticamente revelou à jovem que ela estava na mira dos Coelhos. Pra quê! Rolou tanta briga, uma baixaria horrível que me deu até taquicardia. Tudo por causa de um abraço! Acho que eu teria feito a mesma coisa que ele. Sou impulsivo, gosto de abraçar e beijar as pessoas e não tenho vergonha de demonstrar arrependimento. Tudo bem que tem R$ 2.500 milhões em jogo ali, mas nem tudo na vida é dinheiro.

Viola. Foto: Edu Moraes

Dos realmente conhecidos nacionalmente resta apenas Viola. Ele é inteligente, tem seu grupo nas mãos e ainda conta com o apoio de Andressa. Se o público não decidir exterminá-lo, o craque pode sim levar toda essa bolada. Por fim, não tenho como deixar de citar Britto Júnior. É difícil saber por onde começar… Mas eu, no lugar dele, já teria pedido para sair, parodiando Tropa de Elite 1 (risos). Há três edições no cargo de apresentador, ele não evoluiu absolutamente nada. Continua atrapalhado, sem saber o que dizer aos participantes e, agora, anda numa agressividade só.

Ele está confundindo autoridade com grosseria e, pelo visto, a direção do programa nada faz para segurá-lo. E Britto tem carisma zero. Por causa dele A Fazenda perde muito ritmo. Sem falar que o reality show tem problemas de edição, falta dinamismo nas provas e copia demais o BBB (formação de grupos para criar conflitos, puxadinho…). Com outro apresentador e um diretor mais criativo, como Boninho, A Fazenda 3 poderia realmente bater um bolão! As férias continuam… Fui!

Segunda temporada de A Cura é uma obrigação moral que a Globo tem que cumprir

sexta-feira, outubro 15th, 2010

Dimas (Selton Mello) - Foto: TV Globo/Alex Carvalho

Quando A Cura estreou, a Globo não afirmava se a série de João Emanuel Carneiro e Marcelo Bronstein teria uma segunda temporada. Com o passar o tempo essa dúvida começou a me angustiar demais porque fui me apegando ao programa, aos personagens, e minha vontade era que tudo não se acabasse no nono capítulo… E pelo que vimos no episódio derradeiro, ano que vem teremos muito mais de Dimas (Selton Mello) e cia.

Assisti ao último episódio de A Cura no hotel em João Pessoa (PB), onde estou passando férias. Por nada neste mundo perderia o desfecho e gostei da opção dos autores de encerrar a primeira temporada no estilo Lost de ser: mais perguntas do que respostas, vários ganchos a serem seguidos e novos mistérios. Eu acho ótimo!

Rosângela (Andréia Horta) - Foto: TV Globo/Alex Carvalho

E não me sai da cabeça: o que terá acontecido com Rosângela (Andréia Horta), para ela despertar do nada com aqueles olhos tão esbugalhados? Não paro de pensar também o que levou Ciro (Rogério Marcico) a destruir a vida do próprio neto para ajudar um monstro como Oto (Juca de Oliveira)… O que Dimas e Camilo (Caco Ciocler) farão para tentar capturar o serial killer? Nossa, é muito assunto para resolver e espero que a próxima temporada seja maior do que esta. O grande problema do capítulo final foi exatamente esse. Os autores deixaram questões demais para serem resolvidas e acabamos sendo engolidos por um turbilhão de acontecimentos, o que atrapalhou o desenvolvimento do capítulo.

Silvério (Carmo Dalla Vecchia)

O lado bom é que não tive tempo para respirar e a adrenalina foi lá em cima. Só conseguia respirar nos intervalos comerciais e olhe lá. A parte chata é que ficou uma correria doida e temas fundamentais, como a descoberta que Oto estava vivo, viraram quase uma pantomima, com boa parte dos personagens gritando que o vilão não havia morrido. Também não gostei do seguimento do passado, envolvendo Silvério (Carmo Dalla Vecchia), que era igualmente eletrizante, ter sido relegado a míseras cenas. Bastava Ezequiel (Dyjhan Henrique) matar Silvério para que tudo se resolvesse? Ah, não, fala sério! Espero que tenha mais caroço embaixo desse angu, senão ficarei muito decepcionado. O que deu para entender é que, matando o vilão, o menino prolongou o karma que os une, e eles renasceram como pai e filho, numa situação ainda mais complexa do que a da vida anterior. Mas devem ter outras surpresas envolvendo esses personagem. Pelo menos assim eu espero.

Dimas (Selton Melo) - Foto: TV Globo/Alex Carvalho

Além da trama eletrizante, cheia de tipos contraditórios e dezenas de conflitos, o que marcou a série foi a interpretação magistral do elenco. Todos estiveram simplesmente perfeitos. Preciso destacar Selton Mello porque ele conseguiu fugir de seus maneirismos e deixou o Dimas comandar a situação. Pela primeira vez em muito tempo na carreira do ator, nós o vimos sumir no personagem e sem recorrer aos seus “truques” de atuação tão manjados. Ary Fontoura também deu um show com um papel totalmente ambíguo. A gente nunca sabia se ele era do mal ou do bem… Gostei muito também de Carmo Dalla Vecchia, Nívea Maria, Rogério Márcico, Caco Ciocler e Andréia Horta, linda e sempre talentosa. Entre as revelações, Inês Peixoto, como a misteriosa Edelweiss, e Eunice Bráulio, como a fofoqueira Nonoca. Simplesmente demais! Apenas os ótimos Ana Rosa e Jackson Antunes mereciam mais destaque na série. Já Juca de Oliveira, um ator tão pouco presente na telinha, colocou Oto na galeria dos piores vilões da história.

A existência de uma segunda temporada de A Cura é uma exigência moral que a Globo e os autores não podem jamais deixar de cumprir. E tenho dito!