Há pouco tempo uma leitora do meu outro blog me perguntou se eu assistia ao Big Brother Brasil por gosto ou obrigação profissional. Respondi que era pelo trabalho, claro, mas que o programa sempre acabava me viciando. E é verdade. Pra afirmar com toda certeza que eu veria o reality apenas por hobby, teria que não precisar mais chegar em casa correndo às quintas para não perder a disputa pela liderança e morrer de ódio ao constatar que a prova era de resistência e todo meu esforço foi em vão. Nem ter que dormir tarde no domingo – tendo que acordar megacedo na segunda – para postar no blog os participantes que estão no paredão. E muito menos aturar aqueles longos e desnecessários discursos do Pedro Bial para noticiar on line, rapidinho, qual das criaturas fora eliminada do jogo.
Como dificilmente isso acontecerá, ficarei no “achismo” mesmo. E, sendo assim, acredito que eu assistiria ao programa sim, senhor. Primeiro porque é quase impossível você viver sem esbarrar com alguém falando sobre o Big Brother. E olha que os “personagens” desta edição são bem fraquinhos. Segundo, porque adoro reality show. Além do BBB, vejo também A Fazenda, Ídolos, Por um Fio, Extreme Makeover, American Idol, Top Chef, American Next Top Model, Hipertensão, No Limite, Project Runaway… Que ninguém me mande ler um bom livro, hem! Isso, eu já faço (na verdade leio até uns ruinzinhos também, se me der vontade). Como também vou ao cinema e ao teatro, vejo novela, seriado, programa educativo… Sendo organizado você consegue fazer de tudo um pouco…
Se bem que na décima primeira edição do programa, já com quatro semanas no ar, ainda não tenho um favorito para torcer. Guardo certa simpatia pela carioca Jaqueline. Acho-a autêntica (claro que dentro da medida do possível, já que ninguém é 100% sincero num programa como esse). Jaque é também a participante mais parecida comigo. Como ela, eu sou protetor dos meus amigos e estou sempre comprando a briga alheia. Fora a dançarina, tenho algum carinho pela Talula e acho ridícula a tentativa da produção do programa de transformá-la em vilã. Nunca vi uma atitude dela que justificasse isso. Mas o pior é que alguns jornais embarcaram nessa bobagem, numa tentativa desesperada de dar algum movimento ao programa, já que isso só acontece quando Diogo Pretto arruma confusão com alguém. Meus sentimentos pelo Gago, aliás, são extremos: tem períodos em que morro de rir com ele, mas, em outros, fico com vontade de chutá-lo para bem longe. Como esse homem fala, meu Deus!
Maria Mariô é uma fofa, mas tem se humilhado demais pelo feioso do Mau-Mau. Se por um lado pega muito mal ela praticamente rastejar pela atenção do rapaz, por outro, está totalmente entregue ao jogo e duvido muito que a doida lembre que tem câmeras filmando-a por toda parte. Nunca vi uma pessoa tão à vontade dentro de uma casa monitorada. Morri de rir com a trilha sonora que montaram para ela: um bolero estilo Maysa (típico de mulher que sofre por amor), um pop romântico internacional e, a melhor de todas, Maria, tema do musical A Noviça Rebelde: “Como se faz pra consertar Maria? Como sentar a nuvem no divã? Qual a palavra pra explicar Maria? Cabeça de vento? Biruta, lelé? Tantã? É tanta coisa pra dizer pra ela. Ela tem tanto ainda que aprender. Mas como se ela não quer? Não para pra compreender…”
Adoro o jeito da Diana. Sedutora, ela tem um estilo misterioso, como o das estrelas do cinema mudo americano. Ninguém nunca sabe o que está se passando na cabeça dela, apesar de a loura ser bem bocuda e, geralmente, dizer o que pensa na cara da pessoa. Admiro isso! Na lista dos meus “favoritos” está também Daniel. Tinha horror ao pernambucano, mas os tricôs que ele fazia com Lucival eram muito engraçados e, hoje, ele já é um dos candidatos mais populares, junto com Rodrigão. Bem, esse é uma incógnita, uma verdadeira natureza morta. Lindo, realmente, mas sem vida ou expressividade. Não entendo como pode ser o predileto do público a ganhar o prêmio de R$ 1.500 milhão. Maurício Mau-Mau parecia ser um cara do bem. Mas pirou na batatinha quando retornou ao programa, depois de uma eliminação apertada no paredão contra Diogo: 50,81% dos votos do público. Tudo bem que Mau-Mau tenha ficado furioso por Maria ter beijado Wesley, mas ele não precisava tratar a garota com um ar tão superior. Está sendo arrogante e acredito que não escapará de um segundo paredão.
Mas as duas criaturas mais insuportáveis entre todos os candidatos selecionados, inclusive os já eliminados (Ariadna, Thalia, Michelly, Igor, Rodrigo, Cristiano, Lucival e Natália) são mesmo Janaina e Paula Cristina. Ambas fazem o gênero “sou tão boazinha e amiga”, só que são péssimas atrizes e não convencem ninguém. Janaina é o cúmulo da chatice. Torce por todo mundo, admira todos os concorrentes e sempre que alguém vira líder, ela se materializa à frente da pessoa, dando conselhos e vomitando toda sorte de chatice que uma mente boba pode criar. Ela deveria ter sido a primeira a deixar o programa. Paulinha é outra falsa. Carente, quer ser a favorita da Marinha, do Exército e da Aeronáutica, e apenas Diogo percebeu que tamanho amor para dar é a principal tática que ela criou para não ser votada. Paula é tão cansativa que até um bebê consegue perceber sua dissimulação.
Por fim, a Miss Campos de Goytacazes 2011. Adriana é bonita, parece ser boa gente, mas é vazia. Faz realmente um par perfeito com Rodrigão, só que é humilhada pelo rapaz que não quer ter seu topete desmanchado toda vez que ela o agarra para beijá-lo. Eca! Adriana só ganhou o paredão contra Natália porque a ex-militar se perdeu no programa. Era uma mulher forte, determinada e guerreira, que, do nada, virou uma chorona com mania de perseguição. Gente mala assim tem que ser escorraçada.
Mesmo em meio a pessoas que criam tipos para ficar em evidência e fingem ser quem não são, o Big Brother Brasil ainda é um excelente campo para o estudo de personalidade. É impressionante observar até onde pode ir uma pessoa em busca de notoriedade e dinheiro. As pequenas mesquinharias do dia a dia também estão lá muito bem representadas. Eu viajo assistindo a esse zoológico de seres humanos, sempre imaginando o que eu faria no lugar deles. Isso quer dizer que BBB também é cultura? Bem… Por que não? Fui!

































