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Muita beleza e pouco assunto na estréia de ”Amor Eterno Amor”

sexta-feira, 9 de março de 2012 por jorgebrasil

Carlos/Rodrigo (Gabriel Braga) e Valéria (Andréia Horta) - Foto: Divulgação


Bastaram quatro capítulos de Amor Eterno Amor para ficar claro que a química entre Gabriel Braga Nunes (Carlos/Rodrigo) e Valéria (Andréia Horta) é mais do que explosiva. E que Letícia Persiles (Miriam) e Mayana Neiva (Eliza), os pares românticos do Barão, vão ter que rebolar muito para conseguirem marcar território. O furacão Andreia Horta chegou com tudo e foi o grande destaque da primeira semana da novela de Elizabeth Jhin. A personagem é sapeca, safadinha e não tem pudores ou limites para conseguir o que quer. Apesar da voz excessivamente nasalada da atriz, Valéria é puro charme e veneno. E encantou todo mundo. Pena que ela não é a protagonista da história, porque, tirando as cenas dela com Gabriel, com a mãe Carmen (Vera Mancini, igualmente inspirada) e com as amigas, Jacira (Carol Castro) e Gracinha (Daniela Fontan), o resto da novela foi chato.

Além de arrastado, o primeiro capítulo foi bem confuso. Só quem já havia lido detalhes da trama pôde compreender que o menino da primeira cena com Verbena (Ana Lúcia Torre) era o mesmo que – sete anos mais velho e vivido por Caio Manhente – fazia declarações de amor eterno para a fofíssima Elisa (Júlia Gomes). E até o momento em que escrevo esse texto nada foi explicado sobre o sumiço de Rodrigo e como ele foi parar nos braços de Angélica (Denise Weinberg), com o nome de Carlos. Se foi para provocar suspense, não deu certo. Apenas confundiu a cabeça das pessoas. E na boa? Não é questão de subestimar a inteligência de ninguém, mas as senhoras que assistem novela às 6 da tarde querem tudo, menos ficar montando quebra-cabeça.

Melissa (Cássia Kiss Magro) e Verbena (Ana Lúcia Torre) na primeira fase da novela - Foto: Divulgação

Outro ponto que não deu certo foi a opção de não utilizar atores mais jovens na primeira fase da história. Cássia Kis Magro (Melissa), Luís Melo (Dimas) e Ana Lúcia Torre são atores simplesmente geniais, mas nem a maquiagem que transformou Meryl Streep em Margareth Thatcher (no filme A Dama de Ferro) poderia ajuda-los a parecer 30 anos mais jovens. Na passagem de tempo, então, a alternativa foi colocar perucas medonhas. Cássia, de corte Chanel, e Ana Lúcia, com um cabelo branquíssimo, não mereciam passar por isso.

No geral, o elenco de Amor Eterno Amor é bem harmônico e talentoso. Até agora não vi ninguém fora do tom, mas, além dos já citados, dou uma reverência especial para Osmar Prado (Virgílio), Erom Cordeiro (Tobias), Carmo Dalla Vecchia (Fernando), Pedro Paulo Rangel (Zé) e Klara Castanho (Clara). E pelo o que conhecemos de Giulia Gam (Laura), Reginaldo Faria (Augusto), Othon Bastos (Lexor), André Gonçalves (Pedro) e Carolina Kasting (Beatriz) ainda seremos brindados com belas atuações deles também.

Por falar em beleza, estou profundamente encantado com a abertura. Um desenho animado fofíssimo ilustrando a história de amor de Carlos e Elisa, tendo como fundo musical a versão nacional para o clássico Fly Me To the Moon, rebatizado como Leva-me Pra Lua, interpretada por Ana Caram.  Realmente encantadora. Impossível também não ficar arrebatado com o capricho de toda a parte técnica. Figurinos e cenários são perfeitos e a fotografia, arrebatadora. A cena em que Carlos andou sobre o búfalo no meio da correnteza do rio foi de tirar o fôlego e o rapaz transando com Valéria ao pôr do sol, à beira d´água, também deslumbrou nossa retina. É claro que tendo como pano de fundo o paradisíaco visual da Ilha do Marajó, era impossível uma imagem não ficar bela. Mas palmas para o diretor Rogério Gomes & Cia.

Carlos/Rodrigo (Gabriel Braga Nunes) - Foto: Divulgação

Para completar, Elizabeth Jhin volta a abordar temas espiritualistas em sua trama. Seja na de imagem do espírito luz, Lexor, na mediunidade de Clara e no poder de Carlos se comunicar com os animais. Como a autora vai costurar tudo isso com histórias de amor, drama do desaparecimento e um filho, ambição desmedida e vida após a morte, é algo que faço questão de acompanhar. Mas ela precisa tomar cuidado. O visual pode ser lindo, mas se a novela não tem conteúdo, de nada adianta tanta beleza e investir em assuntos tão diversificados, porque o tédio pode imperar. E isso bem no meio do jantar, pode dar um soninho…



Já estou morrendo de saudade de A Vida da Gente…

sábado, 3 de março de 2012 por jorgebrasil

Rodrigo, Manu, Júlia, Ana e Lúcio: final feliz!

Adeus, Manu, Ana, Júlia, Lúcio, Nanda… Adeus sábia Dona Iná! Esses e outros personagens de A Vida da Gente me acompanharam durante alguns meses e marcaram minha vida para sempre, de uma forma como há muito tempo uma obra de ficção não fazia. E agora eles me deixaram órfão… É impressionante como uma novela pode fazer diferença na vida da gente. Essa sensação de tristeza e saudade que me abateu após o último capítulo da trama de Lícia Manzo, na sexta 2, certamente atingiu a centenas de outras pessoas também. Felizmente o encerramento dessa saga familiar foi realizado de forma sóbria, madura e extremamente sensível. E mesmo quem se irritou por Rodrigo (Rafael Cardoso) ter ficado com Manu (Marjorie Estiano) e não com Ana (Fernanda Vasconcello), dificilmente ficou imune a tamanha carga de emoção.  Eu sempre fui favorável a esse final e queria muito que Lúcio (Thiago Lacerda) fosse o escolhido de Ana. A relação da ex-tenista com Rodrigo foi fruto de uma paixão juvenil nunca concretizada, enquanto o relacionamento dele com Manu foi construído com calma, companheirismo e, principalmente, amor. Gostei demais de todo o capítulo final. O discurso de Iná (Nicette Bruno) sobre o tempo foi de arrepiar, criando uma introdução maravilhosa para a voz de Maria Gadú desfiar Oração ao Tempo, enquanto os finais de outros personagens desfilavam com delicadeza. Foi coerente Cris (Regiane Alves) voltar à academia de ginástica para tentar descolar um novo coroa rico e Marcos (Ângelo Antônio) se envolver com outra mulher que o deixe se “encostar” nela. A grande verdade é que os personagens da novela não tiveram exatamente finais, como acontece na vida da gente. E sim inícios de novas fases. Nanda (Maria Eduarda) com a chance de amar novamente, Ângela (Silvia Massari) tomando as rédeas da vida de Jonas (Paulo Betti) sem que ele mude uma vírgula de seu comportamento, Celina (Leona Cavalli) tendo seu filho ao lado de Lourenço (Leonardo Medeiros) e Eva (Ana Beatriz Nogueira) continuando a ser exatamente a mesma mulher obsessiva e intransigente. Mas essa não teria jeito mesmo. A Vida da Gente é a prova viva de que boa audiência não significa qualidade e, graças a Deus, a autora não precisou revirar sua história ao avesso por causa disso. Confira alguns dos muitos pontos altos de A Vida da Gente e os pouquíssimos deslizes da produção.

Cenas inesquecíveis de A Vida da Gente

 

CURTI!
- O ELENCO: Seria injustiça deixar alguém de fora. Não houve um só ator que não tenha vivenciado seu personagem com verdade e paixão. Destaques óbvios para Marjorie Estiano, Ana Beatriz Nogueira, Nicette Bruno, Fernanda Vasconcellos, Maria Eduarda, Stenio Garcia (Laudelino), Leonardo Medeiros, Leona Cavalli, Paulo Betti e Gisele Fróes (Vitória). Mas tenho que citar também Regiane Alves, Daniela Escobar (Suzana), Malu Galli (Dora), Ângelo Antônio, Marcelo Airoldi (Cícero), Julia Almeida (Lorena), Marcello Melo Jr. (Matias), Neuza Borges (Maria), Luiz Carlos Vasconcellos (Renato), Malu Valle (Vivi), Luiz Sera (Wilson), Cláudia Mello (Moema), Rita Clemente (Aurélia), Tadeu Di Pietro (Cléber) e Silvia Massari. Todos impecáveis!
- ÓTIMAS SURPRESAS: Thiago Lacerda nunca me agradou, mas dessa vez me rendi à sua interpretação contida e madura para o Dr. Lúcio, o genro dos sonhos de 10 entre 10 sogras. Rafael Cardoso me deixou de queixo caído. Como esse rapaz evoluiu como ator, gente! Parabéns! Sthefany Brito foi outra que se revelou uma linda atriz. Não que eu a achasse ruim nos seus trabalhos anteriores, mas Alice era uma personagem muito difícil, que a garota tirou de letra.
- REVELAÇÕES: Jesuela Moro é a atriz mirim mais talentosa a surgir na telinha desde Klara Castanho. E fez da Júlia uma criança adorável e totalmente normal. A pequena foi de uma naturalidade impressionante. O mesmo vale para Kaic Crescente, perfeito como o fofo Tiago. Aplausos ainda para Alice Wegmann (Alice), Pietra Pan (Bárbara), Anna Rita Cerqueira (Olívia) e o maravilhoso Victor Navega Mota (Francisco).
- BOAS PARTICIPAÇÕES: Eriberto Leão (Gabriel), Francisco Cuoco (Mariano), Polliana Aleixo (Cecília), Marat Descartes (Lui), Vanessa Lóes (Laura) e Klebber Toledo (João) atuaram pouco na trama, mas ajudaram a tornar essa novela uma obra inesquecível.

Emoção para dar e vender

- ACIDENTE DE ANA, JÚLIA E MANU: Foi uma das cenas mais impressionantes que já vi, tamanho o realismo. Fiquei nervoso na época e sempre que revejo sinto um terrível mal estar. Outro momento inesquecível das irmãs foi o terrível embate na reta final das novelas. Após meses de silêncio, meias palavras e muito ressentimento, elas disseram tudo o que pensavam uma da outra, num duelo de interpretação entre Marjorie Estiano e Fernanda Vasconcellos, que nunca mais sairá da lembrança do espectador.
- AMOR NA TERCEIRA IDADE: Os romances de Iná e Laudelino e Wilson com Moema e Aurélia foram demais. E a autora ainda abordou temas importantes como câncer de próstata, impotência, ciúme, recomeço…
- FIGURINO DE ANA: Nunca houve uma explicação para o motivo de Ana usar sempre uma roupa ou adereço na cor vermelha. Mas foi uma característica da personagem bem marcante e divertida. Eu adorei!
- TRAMA PASSADA NO SUL DO PAÍS: Eu amo meu Rio de Janeiro e não canso de ver a linda Ponte Estaiada, em São Paulo, mas assistir todo dia na telinha a linda paisagem de Gramado, Porto Alegre e outros pontos do Sul do País não teve preço. É uma iniciativa que deveria ser repetida em outras novelas. Com um Brasil tão grande e lindo por que fechar os cenários das novelas em apenas duas ou três cidades? Viva a diversidade.
- TRILHA SONORA: Zizi Possi é minha cantora preferida. E toda vez que A Vida da Gente acabava ao som de Não Dá Mais Pra Segurar (Explode Coração), meu coração literalmente explodia. Que interpretação, meu Deus! Mas todas as canções da trilha sonora da novela eram maravilhosas. Da abertura com Oração Ao Tempo (Maria Gadú), até Aonde Quer Que Eu Vá (Herbert Vianna), passando por Dona Cila (Milton Nascimento), Recomeçar (Tânia Mara), Sou Eu (Chico Buarque), Pais e Filhos (Legião Urbana), Ovelha Negra (Rita Lee), Nossa Música (Liah), A Idade Do Céu (Moska), As Coisas Tão Mais Lindas (Cássia Eller), Todo Sentimento (Elba Ramalho), Atrás Da Porta (Marina Elali) e Sensações (Paula Fernandes). Nossa! Tudo muito lindo!
- ABERTURA, FOTOGRAFIA, CENÁRIO e FIGURINO: A abertura era linda e emocionante, com os registros da infância e adolescência de Ana, Manu e Rodrigo. Os cenários e figurinos também foram uma perfeição. Quantos mínimos e belos detalhes existiam nas casas de Manu e Iná, por exemplo! Tudo impecável, assim como a fotografia. Mas isso todos nós sabemos que é um dos caprichos do diretor Jayme Monjardim.
- TEMAS POLÊMICOS: Coma, Adoção, busca pelos pais biológicos, rejeição familiar, traição, romances entre homem mais velho e garotinha, conflito de geração, obsessão pelo trabalho, abandono infantil, assédio moral no trabalho… Todos esses temas tão espinhosos fizeram parte da novela e foram tratados de forma segura e sem máscaras. Muitas vezes cheguei a questionar: será que A Vida da Gente não seria melhor aproveitada no horário nobre? Tenho certeza que sim.
- DIREÇÃO: Jayme Monjardim e sua equipe (Frabrício Mamberti, Teresa Lempreia, Luciano Sabino, Leonardo Nogueira e Adriano Melo) deram um show de sensibilidade, conseguindo reproduzir toda a emoção contida no texto de Lícia Manzo.
- TEXTO: Eu já era fã de Lícia Manzo desde o seriado Tudo Novo de Novo. Mas, mesmo assim, fiquei surpreso com a maturidade com que ela estreou como autora de novela. Um talento extraordinário que pretendo acompanhar por todo o sempre. Parabéns a Lícia e a toda sua equipe: Marcos Bernstein, Carlos Gregório, Álvaro Ramos, Giovana Moraes, Dora Castellar, Maria Góes, Tati Bernardi e Daniel Adjafre.

Rodrigo nunca se acertou com Jonas, a passagem de tempo não convenceu, Vitória merecia um tapa na cara e Lourenço foi o único dos homens bananas que deu a volta por cima

NÃO CURTI!
- TEMPO PERDIDO: Passagem de tempo da primeira para a segunda fase não convenceu (durante o coma de Ana). Júlia era mais velha do que Tiago, mas acabou se tornando mais nova que o menino. Uma falha imperdoável. Em menos de dois anos, Marcos e Rodrigo conseguiram se formar em Turismo e Arquitetura, respectivamente. Fala sério!
- PAI X FILHO: Não entendi como Lícia deixou no ar a relação mal resolvida entre Jonas e Rodrigo. O advogado podia até ser um pai ausente, mas nunca foi um monstro. E ele simplesmente ignorou o filho e a neta durante toda a novela. Não existiu nem mesmo uma cena dele vivendo algum conflito ou lembrando que tinha família. Por mais que uma pessoa seja workaholic, tamanho desprezo não dá para engolir de jeito nenhum. E, por outro lado, um rapaz tão centrado e justo como Rodrigo nunca fez qualquer movimento para tentar uma reconciliação ou, pelo menos, um acerto de contas. Não curti mesmo.
- HOMENS FRACOS: A Vida da Gente foi uma novela de mulheres forte e homens bananas. Eu gostava de Rodrigo, mas ele deixou Ana e Manu fazerem dele gato e sapato. Marcos, Lourenço, Lúcio, Mariano e Laudelino foram outros machos titubeantes e sem iniciativa. Desses, apenas Lourenço evoluiu um pouco. O resto…
- AGRESSIVIDADE DE VITÓRIA: Não acredito que não teve uma só criatura que fosse capaz de meter a mão na cara de Vitória. Ela até tinha razão em muito do que dizia, mas a forma autoritária, grosseira e agressiva com que se referia aos outros, merecia uma surra, ou pelo menos, uma belíssima bofetada. Mas fiquei na vontade…



Não existe papel pequeno e sim ator preguiçoso

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012 por jorgebrasil

Marilda (Kátia Moraes) - Foto: Tv Globo/Divulgação

Marilda era uma personagem tão pequena em Fina Estampa que eu nem sabia seu nome. Para mim era apenas a empregada de Tereza Cristina (Christiane Torloni) e mera figuração para Crô (Marcelo Serrado). Mas cada vez que Kátia Moraes surgia em cena era impossível não rir com suas caras e bocas e as reações inesperadas para as “pintas” do mordomo da Jacaroa do Nilo. Aos poucos, Marilda foi conquistando cada vez mais espaço na trama e nos próximos capítulos será a heroína que livrará Griselda (Lilia Cabral) da nova maldade da Atormentada do Egito. Marilda irá impedir que a patroa solte ratos durante o casamento de Amália (Sophie Charlotte) e ainda irá trancá-la na sauna com os roedores e a ratazana de esgoto mor da novela: Ferdinand (Carlos Machado).

Crô (Marcelo Serrado) - Foto: Tv Globo/Divulgação

Esse será o apogeu de Marilda na história e a confirmação de que não existem papéis pequenos e sim atores preguiçosos ou acomodados. Isso também traz à tona o motivo que tornar uma novela um produto dramatúrgico tão delicioso: a possibilidade de tudo acontecer. Por ser uma obra aberta, o folhetim televisivo permite que esse tipo de ação se desenvolva no decorrer dos capítulos e que um autor embarque no bom rendimento de seu elenco, dando mais chances a quem merece. Atualmente, eu mesmo, só tenho algum prazer em assistir a Fina Estampa quando o trio parada dura, Crô, Marilda e Zoiudo Baltazar (Alexandre Nero), estão em ação. Kátia tem uma presença de cena incrível, uma ótima verve para o humor e não se intimida frente a dois atores em estado de graça, como Serrado e Nero. Eta baixinha porreta, gente!

Baltazar (Alexandre Nero) , apelidado de Zoiudo na trama - Foto: Tv Globo/Divulgação

Em outros núcleos da trama das 9 esse fenômeno do pequeno roubar a cena dos medalhões se repete. Mas numa escala bem menor, é claro. É o caso de Daniel Sacramento, que vive o repórter Beto Júnior. O que era para ser apenas a participação em um capítulo, transformou-se num papel fixo que ficará até final da história, interagindo com vários núcleos e sintetizando todo o desprezo que Aguinaldo Silva nutre pela classe jornalística, da qual ele faz parte. Sim, porque uma vez jornalista, sempre jornalista… E ninguém duvide se Beto Júnior virar, inclusive, o tão misterioso namorado de Crodoaldo Valério. Ainda desconhecidos do grande público, Alexandra Martins (Márcia) e Aline Matheus (Clara) também vão passo a passo deixando de ser figurantes e conseguindo alçar voos um pouco mais altos em seus núcleos.

Taluda, a Chocotona ( Priscila Marinho) - Foto: Tv Globo/Divulgação

Em Aquele Beijo, Priscila Marinho, a Taluda Chocotona, está se especializando nessa função. Ela conseguiu atrair os holofotes em Caminho das Índias (2009) e Malhação (2011) e repete a dose agora. A personagem faz tanto sucesso que ganhou até uma marchinha. É mole? Edgar Bustamante (Ticiano), Edi Botelho (HenRique), Jorge Maya (Cabo Rusty), LucIano Borges (Teleco), Lana Gueleiro (Raimundinha), Karin Hills (Bernadete) e Jhama (Herondi) são outros da trama das 7 que tem conseguido bons espaços na história de Miguel Falabella. Graças a seus talentos, obviamente. Para não dizer que deixei de falar da minha novela favorita, A Vida da Gente, aplausos merecidos para Luiz Serra (Wilson), Tadeu di Pietro (Cléber), Cláudia Mello (Moema) e Rita Clemente (Aurélia). Todos excelentes atores que conseguem valorizar cada frase que recebem e toda a oportunidade que conquistam para brilharem e deixarem suas marcas na calçada da fama que é a mente e o coração do público.



Dividido entre os erros e acertos de Ana & Manu (A Vida da Gente) e Bia & Esther (Fina Estampa)

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012 por jorgebrasil


 Quem é a mãe de Vitória, em Fina Estampa? Bia (Monique Alfradique), que doou os óvulos para a gestação, ou Esther (Júlia Lemmertz), que carregou a nenê durante nove meses em seu ventre? Em A Vida da Gente, Manu (Marjorie Estiano) jogou na cara de Ana (Fernanda Vasconcellos) que ela usa as pessoas a seu bel prazer e foi acusada de ter roubado a vida da irmã enquanto ela esteve em coma. Quem está certa? Alguém está errada? Esses questionamentos polêmicos e dramáticos tomaram conta das duas novelas e também de nossas vidas. Hoje é praticamente impossível não cruzar com alguém que não tenha um ódio mortal de Manuela, por achar que a moça não poderia de jeito nenhum ter casado com o amado da maninha, muito menos permitir que a pequena Júlia (Jesuela Moro) a chame de mãe. Mas também encontro pessoas revoltadas com a indecisão de Ana, principalmente, depois que a ex-tenista fez gato e sapato de Lúcio (Thiago Lacerda).

Eu confesso que fico bem dividido entre as duas e acho que ambas estão certas em suas dores, mágoas e ressentimentos. Manu sempre foi a rejeitada e Ana a favorita da mãe, Eva (Ana Beatriz Nogueira). E a caçula se acostumou com essa situação de ser a privilegiada, mesmo não assumindo que gostava de receber tratamento especial de todos à sua volta. Mas o pior mesmo foi Ana ter passado por cima dos sentimentos da irmã, que fez de tudo para ela confessar que ainda amava Rodrigo (Rafael Cardoso), e ser flagrada aos beijos com o rapaz. É o tipo de traição que realmente destroça uma alma. E não é qualquer um que conseguiria perdoar. Eu talvez não tivesse essa evolução espiritual, mas acho que Manu tem. E ela já deveria ter superado e perdoado a irmã que tanto ama.

Ana (Fernanda Vasconcellos) e Manu (Marjorie Estiano) - Foto: Tv Globo/Divulgação

Apesar da minha ansiedade de ver as protagonistas da trama das 18h da Globo logo de bem, não tenho como negar que Lícia Manzo está sendo magistral na construção de sua trama. Depois de tantas palavras não ditas, o que de fato faz a manutenção das mágoas, Ana e Manu vomitaram tudo o que queriam (e também o que não desejam) dizer uma a outra. Dona Iná (Nicette Bruno) teve razão quando afirmou para a neta mais velha que agora as duas talvez consigam ensaiar uma reconciliação, já que conseguiram botar pra fora tudo o que as angustiava. E nada melhor que o tempo para guiar o caminho das duas. Sábia dona Iná!

Essa cena do acerto de contas entre Ana e Manu foi uma das mais fortes e bonitas que já vi na TV. O texto ia fundo no coração da gente e cortava feito navalha afiada. As atrizes se entregaram de corpo e alma ao embate, com Fernanda sempre intensa e Marjorie mais uma vez contida e perfeita. Cada uma no seu estilo de interpretação brilhou intensamente e brindou o público com uma explosão de talento tão raro na nossa telinha. Pena que A Vida da Gente está acabando. Vou sentir muita falta…

A cena do confronto entre Ana e Manu - Foto: Tv Globo/Divulgação

Já no que se refere à Fina Estampa, talvez a ciência consiga (mais do que a decisão de um juiz) dizer quem é a mãe de Vitória. Será? É sabido que a menina tem as características genéticas de Bia, mas eu me pergunto: e como fica o fato de Vitória ter passado meses ligada à Esther por um cordão umbilical? Nenhum material genético da “mãe canguru” se misturou ao feto? Sangue, células, energia, que seja, nada de Esther entrou no DNA da neném?  Não acredito…

E me questiono mais ainda: ser mãe está mesmo tão vinculado assim a quem traz a criança ao mundo, já que em A Vida da Gente, por exemplo, Suzana (Daniela Escobar) é uma mãe espetacular para sua filha adotiva, Alice (Sthefany Brito). Muito melhor do que as mães naturais, Vitória (Gisele Fróes), Eva (Ana Beatriz Nogueira) e Cris (Regiane Alves), jamais serão para seus herdeiros. O tema realmente é polêmico e sou partidário de uma conciliação entre as duas mães, como aconteceu no final de Barriga de Aluguel, brilhante trama de Glória Perez que está sendo reprisada no Canal Viva. Mas independente do lado filosófico, ético, espiritual ou moral do caso, esse é um núcleo que vem se destacando em Fina Estampa de forma muito positiva. A novela de Aguinaldo Silva tem muitas qualidades, mas grande parte de suas tramas virou um festival de caricaturas, em que nada ou ninguém parece ser de verdade. Mas o drama de Bia e Esther é crível e as duas atrizes conseguem fazer com que a gente se envolva de corpo e alma em suas dores.

Bia (Monique Alfradique) e Esther (Júlia Lemmertz) - Foto:Tv Globo/Divulgação

Bem mais experiente, Júlia dá show todo dia. Mas isso nem é novidade, já que ela é uma de nossas damas da interpretação. E Monique é uma grata surpresa. Ela sempre foi regular, mas pegou um papel complicado e vem arrasando. O choque que Bia recebeu, ao descobrir que existe uma criança fruto da combinação genética dela com o grande amor de sua vida, foi tão forte que a arquiteta surtou. E acho compreensível que isso tire a pessoa do prumo e a faça cometer loucuras. Monique conseguiu segurar os excessos da personagem e vem se saindo muito bem, principalmente, nas cenas com a ótima Ana Rosa, ao demonstrar total desconforto com a tentativa de Celina em usá-la para destruir Danielle (Renata Sorrah). Fica óbvio que a moça não quer a desgraça de ninguém, apenas o direito de criar sua filha. Belo trabalho, Monique.

É muito bom ver em nossa telinha temas tão difíceis sendo tratados de forma madura, consciente e crível. Estamos constatando que não existe ninguém 100% certo ou errado e que todos nós somos apenas seres humanos tentando lidar da melhor (ou pior) maneira possível com os atropelos da vida. Mas afinal… Quem nasceu primeiro: o ovo ou a galinha?

 



Ninguém é de ninguém em ”Fina Estampa”

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012 por jorgebrasil

Rene (Danton Vigh), Tereza Cristina (Cristiane Torloni) e Pereirinha (José Mayer) - Foto: Divulgação

Não bastasse Tereza Cristina (Christiane Torloni) fazer o que bem entende sem que nada aconteça de fato com a Víbora do Nilo (descontando a cena ridícula em que ela foi amarrada e obrigada a dizer que era uma vira-lata), Fina Estampa também se revelou uma terra de ninguém no que se refere ao amor. É isso mesmo. Tereza Cristina dispensou Renê (Dalton Vigh), o marido que dizia idolatrar como se fosse uma blusa velha. E caiu na cama de Pereirinha (José Mayer), que é simplesmente marido de sua inimiga número 1: Griselda (Lilia Cabral).  Esta também se faz de tão honesta, mas embarcou no romance com Renê, ainda casado com a Jacaroa do Nilo, mas manteve Guaracy (Paulo Rocha) no cabresto. Só por garantia, sabe como é? E mesmo ciente de que o portuga está envolvido seriamente com Esther (Júlia Lemmertz), Griselda não vai dar a mínima para a estilista e, se atracará aos beijos e abraços com o gajo. Pensa que a bandalheira acabou? Que nada!

Rene (Dalton Vigh), Griselda (Lília Cabral) e Guaracy (Paulo) - Foto: Divulgação

Esta não será a primeira vez que Esther leva chifre na novela. Aquele amor imenso entre ela e Paulo (Dan Stulbach), regado a muitos beijos, abraços e afagos em público, sucumbiu ao simples desejo da moça de ser mãe. Egoísta da planta do pé à ponta do cabelo, Paulo não quis dividir a mulher com um bebê, mas soube passa-la para trás com Marcela (Suzana Pires), enquanto ainda era casado com ela. E, logo depois de expulsá-la de sua vida, se jogou na cama de Vanessa (Milena Toscano).  Mas pensa que Esther é apenas vítima dessa história? Não!!! Mesmo namorando Guaracy, ela vai trocar beijos calientes com o ex-marido, praticamente na cara do dono da padaria. Credo!

A sobrinha de Crô (Marcelo Serrado) obviamente só estava com Paulo para tentar ascender socialmente, já que seu objeto de desejo (em parte pelo mesmo motivo) sempre foi o chef do Brasileiríssimo. Ao ficar sabendo que o cozinheiro botou Pereirão para correr de sua vida, ela trata de dar um pé na bunda de Paulo e volta a ser recepcionista do restaurante de Renê. E não é que, dessa vez, vai pintar um clima entre os dois? Fala sério, né? Esse estilo “o que cair na rede é peixe” de Aguinaldo Silva criar seus núcleos amorosos está impregnado em toda a novela. Até mesmo Crô, que parecia tão apaixonado por seu namorado secreto e chorou até morrer com o corpo de Fred (Carlos Vieira) sem vida em seus braços, revelou dias depois do falecimento do rapaz que “um homossexual não tem um namorado só”. E que é viciado em homens com tatuagens de escorpião no pé. Repentinamente, Ferdinand (Carlos Machado), Baltazar (Alexandre Nero), um dos moradores do Recanto da Zambeze e surgiram com desenhos absolutamente idênticos no pé direito, assim como era com Fred. Isso, sinceramente, não dá para engolir. Mas nem com muita água! É querer subestimar demais a inteligência de o público fazer metade dos homens do elenco terem tatuagens iguais no mesmo ponto exato do pé. Será que foi uma moda surgida em alguma novela? De Aguinaldo Silva, certamente…

Antenor (Caio Castro), Patrícia (Adriana Birolli) e Alexandre (Rodrigo Hilbert) - Foto: Divulgação

Até mesmo com o mais fofo casal de Fina Estampa, Amália (Sophie Charlotte) e Rafael (Marco Pigossi), a sacanagem tomou conta. Apesar de ser verdadeiramente apaixonado pela moça, Rafa não só se prostituiu com Mirna (Ângela Vieira), como também transou horrores com Zuleika (Juliana Knust) no escritório da Fashion Motors. Imagina o que o garanhão faria se não gostasse realmente da Amália? Em todos os núcleos, essa fragilidade de sentimentos se manifesta. Patrícia (Adriana Birolli) ciscou com Alex (Rodrigo Hilbert) e teve a falta de vergonha na cara de voltar para Antenor (Caio Castro), que, por sua vez, passou bons momentos na cama de Bia (Monique Alfradique).  Guaracy, mesmo tão apaixonado por Griselda, jogou muito charme para Dagmar (Cris Vianna), que preferiu os braços musculosos de Quinzé (Malvino Salvador), mas agora fica nesse chove não molha com Albertinho (André Garolli) e vai se envolver com Wallace (Dudu Azevedo). E o lutador esqueceu Teodora (Carolina Dieckmann) de um dia para o outro, se divertiu com Zuleika e ficará caidinho pelas “empadas” da bonitona. Espelho, espelho meu, existe alguém mais volúvel do que Quinzé? Ele é descaradamente apaixonado pela safada da Teodora, parecia gostar de Dagmar, está só se distraindo com Deborah (Ana Carolina Dias) e ainda se deu muito mal com a loura má vivida por Fiorella Matheis. Estou chegando a conclusão de que ele realmente merece a Teodora… Até Nanda (Luma Costa), tão boazinha, foi esquecer o então michê, Leandro (Rodrigo Simas), com a ajuda do bonitão Victor (Fábio Keldani). Mas ninguém duvide que ela trocará o salva-vidas pelo lutador novamente. Fato!

Para que ninguém diga que fui muito inflexível, Tia Íris (Eva Wilma) & Alice (Thaís de Campos), Álvaro (Wolf Maya) & Zambeze (Totia Meirelles), Solange (Carol Macedo) & Daniel (Guilherme Boury), Edvaldo (Rafael Zulu) & Glória (Mônica Carvalho) e Baltazar & Celeste (Dira Paes) são os casais mais bem resolvidos e fiéis de Fina Estampa. Mesmo porque já ficou claro que Celeste adora levar uns tabefes do Zoiudo na hora H… E logo, logo vamos descobrir que o picareta do Enzo (Júlio Rocha) é verdadeiramente apaixonado por Danielle (Renata Sorrah) e será o ombro amiga da médica nos momentos terríveis que ela terá de enfrentar. É… Onde menos se espera a gente pode encontrar um sentimento sincero, em meio pântano que serve de pasto para os casais “românticos” de Fina Estampa.



As Brasileiras estreia com o pé direito e, Record acerta com Rei Davi

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012 por Contigo!

Janaína (Juliana Paes) e Valquiria (Leona Cavalli) ajudam Anderson (Marcos Palmeira) a ir para o hospital

Bem! Mesmo que não tivesse sido absolutamente divertido e delicioso, A Justiceira de Olinda – episódio de estreia de As Brasileiras – já teria servido como uma espécie de Enem (só que muito honesto e sem picaretagem) para Juliana Paes provar que nasceu para interpretar Gabriela no remake da novela de 1975 que estreia esse ano. Sua Janaína tinha o corpo moreno, sedoso e gostoso que só Gabriela tem e também a mesma sensualidade selvagem e o temperamento doce e arretado da personagem de Jorge Amado. Pois Juliana Paes foi tudo isso e muito mais. Foi também engraçada e totalmente convincente numa história surreal. Janaína, mesmo tendo cometido um crime abominável, conquistou a simpatia de todo mundo, e se tornou uma inesquecível anti-heroína da TV. É isso! Gostei demais da estreia de As Brasileiras.

Para quem cometeu a besteira de não assistir A Justiceira de Olinda, a trama falava da deslumbrante Janaína. Desejada por todos os homens do bairro e invejada pelas mulheres, ela era incondicionalmente apaixonada pelo marido, Anderson (Marcos Palmeira), mesmo ele tendo um pequeno inconveniente: um órgão sexual abaixo da metragem exigida para um pernambucano porreta. E, mesmo assim, foi esse ”atributo” que Janaína decidiu cortar pela raiz, quando imaginou estar sendo traída. E justamente com sua melhor amiga, Valquíria (Leona Cavalli). Realmente não é lá algo que nenhuma mulher gostaria de descobrir. O melhor de tudo é que a cena de decapitação do pênis de Anderson, que tinha tudo para ser chocante, mesmo numa comédia, foi leve e engraçada. Mérito da diretora Chris D´Amato e do casal de protagonistas que entrou no clima non sense da história.

Mas Janaína descobria que tudo não passava de um equívoco e tentava correr atrás do prejuízo. A partir daí, com o dito cujo num saquinho de gelo, e o pobre Anderson se remoendo de dor, A Justiceira de Olinda, virou uma comédia rasgada, em que todos os atores (mesmo os mais coadjuvantes e figurantes) conseguiram se destacar. Eu ri muito com o caminhoneiro olhando para o órgão cortado e exclamando, penalizado: ”Ai, homi, que merda!” (risos). Cyria Coentro (Vizinha), Maria Helena Pader (Recepcionista), Fernando Ceylão (Médico) e George Sauma (Feirante) estavam bem e Leona Cavalli provou mais uma vez a atriz completa que é. Geralmente implico com Marcos Palmeira, mas, dessa vez, ele me pegou de jeito e curti demais seu atarantado Anderson. Mas foi Juliana – e como deveria ser mesmo – a rainha da noite. Linda, leve e à vontade num papel que era a sua cara.

O texto de Marcos Bernstein foi outra delícia do programa, valorizadíssimo não só pelos atores, mas também pela narração perfeita do mestre Daniel Filho. Na boca do veterano, frases como ”Fofoqueiro de Olinda não esquece nem a invasão holandesa, quanto mais acidente nos países baixos do vizinho!” e ”Como se diz em Pernambuco: tava ficando despirocado!” ganharam ainda mais sabor.  A abertura, reunindo todas as impressionantes estrelas dos 22 episódios, foi parecida com a de As Cariocas (2010), o que foi ótimo para manter a unidade e o parentesco com a série original. O mais engraçado é que na estreia de As Cariocas eu não curti a abertura e, hoje, adoro. Nada como um dia depois do outro mesmo… Graças ao alto astral e deboche de A Justiceira de Olinda, As Brasileiras estreou com o pé direito. E que venham, entre outras, A Inocente de Brasília, A Indomável do Ceará, A Mascarada do ABC, A Perseguida de Curitiba e, claro, A Apaixonada de Niterói (risos)…

REI DAVI DECOLA COM FORÇA..

Leonardo Brício

Eu simplesmente detestei o primeiro capítulo de Rei Davi. Achei tudo exagerado demais, os atores fora do tom e, para piorar, com uma caracterização péssima.  Cabelos horrendos, maquiagens mal feitas e cenário/figurinos que mais pareciam saídos de um (ruim) desfile de escola de samba. Mas a minissérie da Record foi me pegando aos poucos. O segundo episódio achei mais bem acabado e tive a certeza de que os jovens Leandro Léo (Davi) e Eline Porto (Mical) e o veterano Gracindo Jr. (Rei Saul) eram de longe os melhores do elenco. Rei Davi evolui a cada nova parte exibida, o que me deixa muito feliz já que o investimento da emissora no projeto envolveu não só muito dinheiro (algo em torno de R$ 25 milhões), mas também doses cavalares de paixão e vontade de acertar.

 

No campo de batalha, ao verem o pequeno Davi, Golias e Aquis, o rei dos filisteus

O melhor momento da série até agora foi o duelo entre o pequeno Davi e o gigantes Golias, confesso, a única passagem da vida do protagonista que eu conhecia.  A cena foi muitíssimo bem realizada. A Record caprichou na parte técnica, com uma fotografia lindíssima e tomadas bem ousadas. Os diretores criaram um bom clima de suspense e, apesar de todo mundo já saber o que iria acontecer, foi impossível não ficar ansioso e tenso com a coragem do pequeno pastor de ovelhas. A equipe de efeitos visuais optou por gravar a luta, alternando movimentos rápidos com uma esperta câmera lenta, principalmente, na hora de mostrar a trajetória da bendita pedra que derrubou o gigante filisteu. O público praticamente participou da briga junto com o jovem herói. Muito acertada ainda a decisão de manter o texto num tom contemporâneo e coloquial, impedindo que Rei Davi tivesse aquele tom emproado de época, que poderia ter sido fatal não só para a atuação dos atores, como também para a compreensão do espectador.

Agora, o que mais me incomodou lá na estreia da série, continua me tirando do sério agora. Ainda acho de muito mal gosto o cabelo e a maquiagem dos atores. O mesmo não acontecendo com as atrizes, que estão lindíssimas e, principalmente, muito bem vestidas. O que é a cara de Abner (Iran Malfitano), Eliã (Eduardo Sermerjian), Jonatas (Cláudio Fontana) e Eliabe (Rodrigo Phavanello)? Parecem um bando de travestis e não de guerreiros. Ou seriam guerreiros-travestis?  Fiquei com pena também de Roney Vilela (Doegue). O coitado não merecia ficar tão horroroso.
Vou esperar que Leonardo Brício (Davi adulto), Renata Dominguez (Bate-Seba), Maria Ribeiro (Mical) e Camila Rodrigues (Merabe) tomem conta de vez de seus personagens para fazer uma nova avaliação. Até lá, Roger Gabeth (Amnon), Léo Rosa (Absalão) e Julia Fajardo (Tamar) também entrarão na história e estou curioso para ver como será desenvolvido o núcleo familiar de Davi. De qualquer maneira, espero que Rei Davi continue melhorando a cada novo capítulo. O público da Rede Record merece.



Entre a maturidade de O Brado Retumbante e o amadorismo de Corações Feridos

sábado, 28 de janeiro de 2012 por jorgebrasil

Domingo Montagner deu um show em O Brado Retumbante

Sabe qual foi a sensação que me deu depois de, durante duas semanas, assistir a Corações Feridos, no SBT, e, logo depois, emendar em O Brado Retumbante, na Rede Globo? A mesma de ao sair da peça montada por um amigo para conferir O Despertar da Primavera. Eram dois musicais, sendo que o trabalho do meu amigo, coitado, era extremamente amador. Um grupo sem experiência e vivência de palco, o que resultou num dos momentos mais constrangedores da minha vida, já que precisei dizer mirando no olho dele, o que achei de sua estreia como dramaturgo e diretor. Foi duro! Já O Despertar da Primavera, nem era uma superproduções, mas o texto era tão bom, a direção impecável e o grupo de atores/cantores tão extraordinários que fiquei morrendo de pena e (ao mesmo tempo) raiva do meu amigo, tamanha a diferença de qualidade entre as duas produções.

José Wilker, Murilo Armacollo e Luiz Carlos Miele: problemas para o presidente

Pois foi assim mesmo que fiquei. O Brado Retumbante foi impecável, do início ao fim. O inevitável gostinho de quero mais ficou dentro de mim e também um desejo muito grande de que a Globo produza uma segunda parte ou transforme o programa em seriado. Mas nem vou criar expectativas em relação a isso, já que o protagonista Domingos Montagner está escalado para a próxima trama de Glória Perez e não quero ficar amargurado. Até hoje não me conformo por A Cura simplesmente ter acabado cheia de lacunas, dúvidas e questões a serem desenvolvidas. Na verdade, eu estava com um pé atrás em relação a O Brado Retumbante, porque não tenho a menor paciência para temas políticos. Mas ao ler a sinopse, fiquei curioso para ver o tratamento que o autor, Euclydes Marinho, iria dar para um personagem tão complexo como Paulo Ventura. Político idealista, ético e incansável na luta pela moralização da política brasileira, Paulo Ventura é tudo que o povo sempre sonhou. É quase um Don Quixote, com a diferença que ele não lutou contra moinhos de vento e sim com monstro realmente terríveis com quem a gente, infelizmente, se depara todos os dias. Só que, ao mesmo tempo em que ele é um político tudo de bom, na vida pessoal Paulo só fez trapalhadas. Expulsou o filho, Júlio (Murilo Armacollo), de casa por ser homossexual, nunca soube lidar com a bipolaridade da filha, Marta (Juliana Schalch), e era um galinha de marca maior. Paulo Ventura nunca traiu seu eleitorado, em compensação encheu a cabeça da esposa, Antônia (Maria Fernanda Cândido), de chifres e se entregou ao álcool quando ela lhe deu o troco. Ou seja: um herói imperfeito, um ser humano comum como qualquer um de nós, magnificamente vivido por Domingos Montagner.

Mariana Lima e Maria Fernanda Cândido: as duas mulheres do presidente

Nunca vi uma obra tão transparente quanto O Brado Retumbante. Amei a seriedade, inteligência e talento com que contou a trajetória de Paulo Ventura, um acidental presidente do Brasil. O grande barato do programa foi o tratamento dado ao universo político nacional, geralmente abordado com humor e chacota. Nossos políticos na ficção já eram corruptos, safados, amorais, só que também engraçados, caricatos e, por isso mesmo, totalmente perdoáveis. Desta vez, não. Toda repugnância que existe nesse meio foi jogado na cara do público e isso é muito bom para que a gente aprenda a votar. Mas infelizmente, a série teve uma baixa audiência, só revelando o quanto o grande público prefere produções mais fáceis de digerir. Realmente assistir a algo que faça pensar naquela hora da noite, não é fácil não. Mesmo assim, O Brado Retumbante teve seus momentos de humor. Um pouco mais escrachado no texto de Beijo (Otávio Augusto) e bem mais irônico nos outros núcleos. Mas, no geral, o tema é tratado com total seriedade e em tom de denúncia. Todas essas corrupções, safadezas e negociatas que tanto lemos nos jornais estiveram lá reveladas em letras bem grandes. O jogo político, muitas vezes sujo e sem compreensão para a maioria de nós, foi retratado sem didatismo, mas muito fácil de ser compreendido. Muito bom mesmo.
Além do ótimo Domingos Montagner, todo o elenco da minissérie merece aplausos. Maria Fernanda Cândido – que sempre achei muito apática – estava muito bem como a primeira-dama; Maria do Carmo Soares roubou todas as cenas como a venenosa mãe do presidente e José Wilker e Otávio Augusto mais uma vez se superaram como os safados Floriano e Beijo. Curti demais também Mariana Lima (Fernanda), Cacá Amaral (Saldanha), Valter Santos (Werneck), Leopoldo Pacheco (Tony), Hugo Carvana (Mourão), a já citada Juliana Schalch e o mitológico Luiz Carlos Miele, como o satânico Senador Nicodemo. Uma equipe nota 10, que fez de O Brado Retumbante um programa inesquecível.

Flávio Tolezani e Patrícia Barros: lindos e esforçados

Mas antes desse banquete para o cérebro, tive que digerir Corações Feridos… Tive muita boa vontade para a nova novela do SBT, sabia? Corações Feridos é uma adaptação da trama latina, La Mentira e só isso já garante à trama um componente folhetinesco que é fundamental. Pelo menos no quesito dramaturgia, Corações Feridos dá um banho em sua antecessora, Amor e Revolução. O maior pecado da bem intencionada novela de Tiago Santiago foi parecer um livro de História daquele bem pesado e chato. Já o enredo da adaptação de Iris Abravanel não poderia ser mais rocambolhesco. Eu gosto assim! Mas veja bem. O risco que uma trama desse tipo corre é enorme e para fugir do folhetim para cair no ridículo não custa.  O que está acontecendo em Corações Feridos. A autora não percebeu que nem tudo que é bom para o México, funciona no Brasil. Diferentes de Gisele Joras (em Bela, A Feia) e Margareth Boury (Rebelde), Íris não conseguiu transpor para nossa realidade a história absurda bolada por Caridad Bravo Adams.
Por favor, em que lugar do mundo hoje em dia alguém manda uma carta de próprio punho para o amante, assumindo que fez um aborto, roubou o dinheiro do cara e que ainda o está deixando? Em tempos de contas e e-mails falsas e torpedos impossíveis de serem rastreados, só mesmo no SBT alguém escreve uma carta. Se a novela ainda se passasse nos anos 1970 ou 1980… Tudo bem! Mas hoje em dia? Eu heim!

Cynthia Falabella e Paulo Zulu: ela está bem, ele péssimo

Para piorar, o texto é de uma artificialidade assustadora e todo o resto segue nessa toada. Os cenários abusam da cafonice, na tentativa de vender riqueza e são excessivamente simplórios nos núcleos menos abastados. Os figurinos não pecam tanto, mas também não combinam com os personagens. Mas nada é pior do que o elenco. Como a fútil Vera, Jacqueline Dalabona extrapola o direito de ser ruim. Nada do que ela fala é crível e não suportou mais ouví-la ela ficar repetindo a cada momento quê “Aline é a única mulher que está à repetir a casa segundo que “Aline (Cynthia Falabella) é a única mulher à altura de casar com meu filho Vitor (Victor Pecoraro)”. Como se, além de tudo, ela tivesse outro… Pecoraro, aliás, desfila a mesma canastrice vista em Aquele Beijo e, para piorar ainda mais Cynthia Falabella vive exatamente em Corações Feridos a mesmíssima personagem em Aquele Beijo: a periguete safadona, que se faz se santa para algumas pessoas, mas é uma megera das boas. Cynthia tem um bom perfil para esse tipo de papel e, em alguns momentos, consegue uma boa atuação. Mas sua missão é complicada, já que tem envolta “atores” como Paulo Coronato (Olavo), Ronaldo Oliva (Flávio), Lilian Fernandes (Luci) e os já citados Dalabona e Pecoraro. Sem falar no canastrão Marco Antônio Pâmio (Michel) e em Iara Jamra fazendo eternamente a maluquinha de voz esganiçada. Cada vez que ela abre a boca aciono o mudo do meu controle remoto.
Já os protagonistas Flávio Tolezani (Eduardo) e Patrícia Barros (Amanda) transitam entre bons e maus momentos. Lindos demais, eles fazem um belo par, mas, coitados não têm qualquer apoio do roteiro para desenvolvem seus personagens. Tudo é muito superficial, fútil e mesmo a vingança de Eduardo não faz muito sentido, já que, primeiro, ele deveria tentar salvar a fazenda do irmão, Rodrigo (Paulo Zulu), e depois querer se vingar da mulher que fez tanto mal ao pobrezinho. Mesmo com tudo contra, Flávio e Patrícia se esforçam. Aliás… O que é Paulo Zulu? Sei lá… Nem existem palavras para descrever sua incapacidade de atuar. Ele e Jacquline Dalabona já despontam como franco-favoritos ao título de piores atores de 2012. Já no núcleo rural a situação é um pouco melhor. O veterano Antônio Abujamra (Dante) está correto, assim como Junno Andrade (Eliseu), Beto Nasci (Glauco), Cláudio Andrade (Luciano), Lena Whitaker (Maria) e Lívia Andrade, que está fofa com o a capial Janaina. Mas Corações Feridos está ainda muito no início. Vamos ver como essa turma vai se comportar nos próximos meses! Estou de olho!



De “reality”, o Big Brother Brasil não tem mais nada

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012 por Contigo!


Vou te contar uma coisa. Acho que eu era um dos últimos seres sobre a face da terra que ainda tinha fé na credibilidade do Big Brother Brasil. É claro que não sou ingênuo a ponto de não saber que rola uma manipulaçãozinha aqui,  outra ali, principalmente, no que é exibido na TV aberta, já que o programa precisa de personagens bem definidos, como a mocinha, o herói, o vilão, o casal apaixonado, a invejosa… Tanto que na 12ª edição os participantes ganharam essas alcunhas logo no primeiro episódio. Fora isso, eu realmente acreditava que o reality show deixava os competidores livres para eles mostrarem seu melhor e seu pior (ou os dois juntos) nessa ciranda de vaidades, traições e libertinagens que esse tipo de atração demanda. Sim, porque o BBB é para quem curte tomar conta da vida alheia e quando mais sujeira e barraco o vizinho tiver, melhor. O puritano que não goste de sacanagem, briga, palavrão, vabagundas e ogros, que vá ler um livro, assistir ao Discovery Channel ou dormir. Ninguém é obrigado a ver na TV aquilo que não gosta. Nada é mais democrático do que o controle remoto. Mas com o escândalo do pseudo abuso/estupro, teoricamente cometido por Daniel em Monique, jogou por terra minha fé no BBB. O tratamento que a direção do programa deu ao público em relação a esse polêmico caso é vergonhoso e ainda mais indecente do que as imagens do casal se bolinando sob o edredon. Ao censurar de tal forma tudo o que aconteceu, o programa simplesmente deixou de ser uma novela da vida real. De reality, o Big Brother Brasil 12 não tem mais nada.

Imagina comigo. Você vive numa vila e um dos moradores é acusado de abusar de uma garota bêbada. No mínimo isso viraria um escândalo daqueles no lugar. Mas na casa do BBB não. Ninguém toca no assunto, todos agem como se Daniel nunca tivesse habitado aquele espaço e Monique continua brincando, se divertindo, bebendo e participando das provas como se a polícia não tivesse passado por seus direitos de cidadã e levado sua calcinha e roupa de cama para fazer perícia. Vai me desculpar, mas quando a vítima de um abuso se recusa e – pior – nega a “violência”, quem é esse delegado para passar por cima do direito da moça? Pra mim, o que a polícia quer é aparecer na capa dos jornais, como vem acontecendo. Não tem um bandidinho na Cidade Maravilhosa para eles caçarem, não? Fala sério!

Boninho, o Big Boss do BBB

Mas, voltando ao programa, certamente o diretor, Boninho, baixou uma portaria violenta, proibindo que todos se referissem ao caso. E isso é aviltante, especialmente, para aqueles que compram o pay perview e querem assistir a tudo sem cortes. A partir do momento que rola censura e impede-se a liberdade de expressão dos participantes, acabou todo sentido de um show da vida. O que assistimos agora é uma novela safada, chata, com um bando de gente desinteressante. O que todo mundo esperava e merecia receber do programa era:

1) uma satisfação decente de Pedro Bial sobre o que aconteceu. E não aquela babaquice de “O participante Daniel foi contra uma importante regra do programa e, por isso, está eliminado”. Que regra foi essa? Estou esperando até agora, Sr. Bial. Eu e todo o público temos o direito de saber qual foi a regra que Daniel quebrou, já que o BBB sempre estimulou a sacanagem sob os edredons e, inclusive, antes de criarem todo esse burburinho, o apresentou chegou a exclamar, “É o amor!”, após exibirem cenas cortadíssimas de Daniel e Monique na cama. Bial ainda perguntou a ela: “É namoro ou amizade, Monique?”. “É só um lance”, respondeu a moça! Pergunto mais uma vez: qual foi a regra quebrada, já que Bial considerou romântico o rala e rola entre o casal?

2) Mostrar a comunicação do Big Boss a Daniel de que ele estava eliminado. Estou esperando até agora as cenas com a saída de Daniel da casa. Quero e faço questão de assistir, afinal, não estamos acompanhando a um reality show? Por que tudo foi feito na encolha?

Foto: Divulgação/TV Globo

3) Bial tem que fazer um jogo da verdade com os participantes debatendo o caso ou até submeter Daniel e Monique à máquina da verdade. Quantas vezes esse recurso já foi utilizado para bobagens. Agora, num momento sério, seria muito mais útil e emocionante para o público.
Mas duvido que isso acontecerá. Perdi totalmente o interesse pelo Big Brother e olha que eu era um dos maiores defensores do programa. Eu votava loucamente no candidato que eu queria eliminar, fazia campanha, chorava com as eliminações, gargalhava com as bobagens, curtias as festas… Realmente entrava de cabeça no espírito do programa. Agora me sinto traído e essa sensação é horrível. Estou com a certeza dentro de mim que estou sendo feito de bobo há anos. Infelizmente tenho que acompanhar o “ficcional show” por uma questão profissional. Só vejo uma saída para Boninho salvar a situação, já que é impossível rebobinar a fita e apagar a cagada toda: fazer uma mea culpa, levar Daniel de volta para a casa e passar a jogar limpo com seu público. Afinal, como Pedro Bial sempre disse, quem manda no Big Brother Brasil é (ou era e deveria ser) o espectador. Do contrário, é melhor fechar de vez as cortinas, enquanto ainda há um pingo de dignidade por lá.



Que delícia matar a saudade de Dercy Gonçalves, em Dercy de Verdade!

sábado, 14 de janeiro de 2012 por jorgebrasil

Foto de divulgação/Rede Globo

Sintetizar em quatro capítulos, os 101 anos da vida riquíssima de uma mulher polêmica como Dercy Gonçalves é, no mínimo, uma tarefa digna dos 12 trabalhos de Hércules. Mas essa missão foi executada com maestria por Maria Adelaide Amaral em Dercy de Verdade, que chegou ao fim na sexta-feira 13 na telinha da Globo. Tudo bem que a autora já tinha um amplo conhecimento de causa, porque adaptou a própria biografia que escreveu sobre a trajetória da comediante: Dercy de Cabo a Rabo. Mas, mesmo assim, não deve ter sido fácil. É verdade também que eu fiquei com um gostinho de quero mais e com a impressão de que a microssérie poderia ter tido, pelo menos, mais uma semaninha. Mas o que Maria Adelaide, amparada pela direção sempre festiva de Jorge Fernando, conseguiu foi quase um milagre. Dercy de Verdade serviu também para colocar em cheque a versatilidade de Heloísa Perissé Fafy Siqueira e acabar com essa história de que humorista não sabe fazer chorar.
Pois eu chorei sim em alguns momentos de Dercy de Verdade, especialmente, no fim.

Fotos de arquivo

Eu praticamente vivi toda a minha história vendo Dercy Gonçalves na TV. Nem sei quantas vezes cai do sofá de tanto rir com as maluquices dela no sofá da Hebe Camargo, ou com as tiradas rápidas e certeiras nos quadros do Domingão do Faustão. A Celestina, de Deus nos Acuda (1992); a Mamma, de La Mamma (1990) e a Baronesa Eknésia, de Que Rei Sou Eu? (1989) também foram momentos impagáveis de uma carreira vitoriosa. E tudo isso foi retratado na minissérie, seja em forma dramatúrgica ou em imagens de arquivo.  Aliás, a mistura de documentário com ficção foi um acerto gigantesco da produção. Os mais velhos vibraram ao relembrar as cenas que presenciaram e os jovens tiveram a chance de ver Dercy mais nova, já que, para muita gente, ela já havia nascido idosa (risos).

Foto de divulgação/Rede Globo

A parte técnica de Dercy de Verdade foi uma preciosidade. Os figurinos e cenários eram lindos e perfeitos. E a fotografia deu um tom de cinema para o programa e não é à toda que a série chegará à tela grande em 2013. O texto recuperou frases antológicas da homenageada, como: “Eu não falo palavrão. Eu falo as coisas do jeito que elas são”, “no amore na guerra a gente em que ser safado” e “Tudo que passou, acabou. Eu sobrevivi!”. E valorizou tanto as passagens cômicas como as dramáticas da vida de Dercy. E elas não foram poucas.

Foto de divulgação / Rede Globo

No elenco homogêneo destaque para Cássio Gabus Mendes, Fernando Eiras, Walter Breda, Rosi Campos, Tuca Andrada e Armando Babaioff. Já Diogo Boni, interpretando seu próprio pai, o mitológico José Bonifácio de Oliveira Sobrinho, vulgo Boni, entregou ao público alguns dos momentos mais constrangedores da história da TV brasileira.

Foto de divulgação /Rede Globo

No que se refere às três intérpretes de Dercy Gonçalves, Luiza Perissé nem merece nota, porque nada fez. Sua participação não chegou a um minuto e logo foi substituída por sua mãe, Heloísa Perissé. O que foi um tremendo erro. Apesar de famosa por interpretar a adolescente Tati, do quadro do Fantástico, a atriz não convenceu como uma menina de 17 anos. Em alguns momentos chegou a ser constrangedor. Mas esse problema foi superado quando Dercy chegou à fase adulta. Heloísa surpreendeu. E positivamente. Soube dosar o temperamento explosivo de Dercy, como momentos de carência e fragilidade, que ela só revelava às pessoas mais íntimas. Foi muito bem nas cenas de comédia (o que era de se esperar) e melhor ainda nas mais tristes. Parabéns!
Só que, por melhor que Heloísa tenha se saído, ela não conseguiria mesmo superar Fafy Siqueira, a Dercy já na terceira idade. Além de amiga pessoas da humorista, Fafy também é uma excelente imitadora, mas não foi isso que ela fez na minissérie. Fafy realmente interpretou Dercy. Estava parecidíssima com a homenageada nas sequências de palco, que foram gravadas no lindo Teatro Municipal de Niterói (RJ) e esplendorosa como a Dercy estrelíssimas dos programas de TV da Globo e da Record. Por isso fiquei com tanta vontade de assistir mais de Dercy de Verdade: para me deliciar com a atuação de Fafy Siqueira. Mas, talvez, Maria Adelaide realmente estivesse certa e tudo tenha sido e estruturado na medida certa. Foi ótimo matar as saudades de Dercy Gonçalves e como canta o samba-enredo da Unidos da Viradouro (que a homenageou em sua estreia no Grupo Especial carioca, em 1991, devidamente mostrado na minissérie, mas não creditado…): “Ah! Obrigado Dercy, mercy, Dercy!… Bravo, bravíssimo ! Mil aplausos pra você Dercy. Ao retrato de um povo, a homenagem da Viradouro!”

 



… E o tempo não passa em Vidas em Jogo

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012 por jorgebrasil
vidas em jogo

Rita (Julianne Trevisol), Patrícia (Thaís Fersoza) e Francisco (Guilherme Berenguer) - Foto: Divulgação

Patrícia (Thaís Fersoza) descobriu que estava grávida de Francisco (Guilherme Berenguer) na primeira semana de Vidas em Jogo (a novela estreou em 3 de maio de 2011). Desde então ela já foi sequestrada umas duas vezes, virou refém dos irmãos bandidos de Severino (Paulo César Grande), levou não sei quantos tapas na cara da mãe, Regina (Beth Goulart), descobriu que o bebê terá síndrome de Down, perdeu o amado para Rita (Julianne Trevilsol)… E nada dessa criança nascer. Nesse meio tempo, Cleber (Sandro Rocha) levou um tiro na cabeça e ficou não sei quantas semanas internado; Belmiro (Ricardo Petráglia), Hermê (Bia Montez), Betão (André Ramiro) e Ivan (Silvio Guindane) foram assassinados; Augusta (Denise Del Vecchio) assumiu que é homem; o povo da loteria já gastou boa parte do prêmio e Francisco reformou a mansão onde mora e conseguiu até encontrar os irmãos perdidos. Mas, apesar de tantos acontecimentos na história, o tempo realmente não passa em Vidas em Jogo.
Sei que licença poética existe para que alguns absurdos sejam perdoados em função de um melhor andamento da trama. Mas tudo tem limite. Não há justificativa para que a autora Cristianne Fridman não faça Patrícia parir logo esse bendito bebê e definir o tempo em que se passa seu enredo. Parece que estão tentando me fazer de trouxa e não gosto nada dessa sensação. Parta da culpa desse problema é péssima mania da Rede Record de esticar suas novelas até que não reste mais nada do fio condutor. Foi assim com Riberão do Tempo, que começou bem, só que foi alongada além do necessário, resultando numa chatice sem fim. Infelizmente esse é o risco que Vidas em Jogo corre, o que é uma pena porque  era uma novela que eu acompanhava diariamente, com imenso prazer, e hoje assisto a apenas a um ou outro capítulo. Na boa: me cansei dessa enrolação. No meio de uma barriga enorme que surgiu até mesmo o fofíssimo cãozinho Zé (Myllow), um dos melhores personagens da trama, ficou sem ter o que fazer.  E hoje se limita a um ou outro latido sem expressão.

senhora do destino

Do Carmo (Susana Vieira), Lindalva (Carolina Dieckmann) e Nazaré (Renata Sorrah) - Foto: Divulgação

Essa questão temporal mal definida me irrita não é de hoje. Senhora do Destino (2004) está na lista das minhas novelas favoritas, mas nunca engoli o fato de Aguinaldo Silva ter definido especificamente o início de sua trama para 13 de dezembro de 1968, o dia da decretação do Ato Institucional Número Cinco (o AI-5) e dar um salto de 20 anos (pelo menos era durante esse tempo em que Do Carmo, vivida por Susana Vieira, berrava que procurava a filha Lindalva).  Fazendo a conta, a trama deveria se passar em 1988, mas, numa cena, os personagens assistiam a Felicidade (1991). Espera! Então a segunda parte se situava nos anos 1990? Só que, para piorar, os figurinos, telefones celulares, computadores e automóveis eram os mais modernos possíveis. Ou seja: na verdade, Senhora do Destino se passava nos tempos atuais (2004), quando Lindalva deveria ter 36 anos. Então ela não foi roubada recém nascida e nem Do Carmo caçava a filha há 20 anos… Mas então ela jamais poderia ter sido interpretada por Carolina Dieckmann!!!  Nossa quanto “então” nessa confusão sem fim. Era um samba do autor doido, mas que, ao grande público, passou despercebido. Mas, para mim, isso tirou a credibilidade que uma produção tão boa como Senhora do Destino deveria ter tido.

viver a vida

Manuela (Marjorie Estiano), Rodrigo ( Rafael Cardoso) e Ana (Fernanda Vasconcellos) -Foto: Divulgação

A mesma situação aconteceu recentemente na troca de fases de A Vida da Gente. A brilhante autora, Lícia Manzo não conseguiu explicar como Thiago (Kaic Crescente), que era pelo menos um ano mais novo do que Júlia (Jesuela Moro), conseguiu ficar mais velho que a sobrinha. Enquanto Júlia é uma meninha de… digamos 4 aninhos, Thiago tem no mínimo uns 7 e já está alfabetizado. Sem falar que até Júlia completar dois anos, Rodrigo (Rafael Cardoso) ainda não havia entrado na faculdade de Arquitetura, muito menos Marcos (Ângelo Antônio) na de Turismo. Só que, dois anos depois, eles já estavam formados. Realmente isso é uma gota d´água de poluição num oceano de beleza e emoção que é A Vida da Gente. Mas, como já disse, não suporto ficar com a sensação de que estão subestimando minha inteligência e que qualquer coisa que jogarem no ar irei digerir sem reclamar. Não é assim que a banda toca, ou que, pelo menos, deveria tocar. Eu reclamo sim senhor, porque acho que, no fundo, essa “licença temporal” não passa de preguiça, seja do autor de elaborar melhor sua trama e do produtor de elenco de selecionar os atores adequados para a faixa etária dos personagens. E também do diretor, que deveria ser mais exigente com esses pequenos detalhes, afinal, como diz o ditado: são nos menores fracos que estão os melhores perfumes e os piores venenos.