
Rodrigo, Manu, Júlia, Ana e Lúcio: final feliz!
Adeus, Manu, Ana, Júlia, Lúcio, Nanda… Adeus sábia Dona Iná! Esses e outros personagens de A Vida da Gente me acompanharam durante alguns meses e marcaram minha vida para sempre, de uma forma como há muito tempo uma obra de ficção não fazia. E agora eles me deixaram órfão… É impressionante como uma novela pode fazer diferença na vida da gente. Essa sensação de tristeza e saudade que me abateu após o último capítulo da trama de Lícia Manzo, na sexta 2, certamente atingiu a centenas de outras pessoas também. Felizmente o encerramento dessa saga familiar foi realizado de forma sóbria, madura e extremamente sensível. E mesmo quem se irritou por Rodrigo (Rafael Cardoso) ter ficado com Manu (Marjorie Estiano) e não com Ana (Fernanda Vasconcello), dificilmente ficou imune a tamanha carga de emoção. Eu sempre fui favorável a esse final e queria muito que Lúcio (Thiago Lacerda) fosse o escolhido de Ana. A relação da ex-tenista com Rodrigo foi fruto de uma paixão juvenil nunca concretizada, enquanto o relacionamento dele com Manu foi construído com calma, companheirismo e, principalmente, amor. Gostei demais de todo o capítulo final. O discurso de Iná (Nicette Bruno) sobre o tempo foi de arrepiar, criando uma introdução maravilhosa para a voz de Maria Gadú desfiar Oração ao Tempo, enquanto os finais de outros personagens desfilavam com delicadeza. Foi coerente Cris (Regiane Alves) voltar à academia de ginástica para tentar descolar um novo coroa rico e Marcos (Ângelo Antônio) se envolver com outra mulher que o deixe se “encostar” nela. A grande verdade é que os personagens da novela não tiveram exatamente finais, como acontece na vida da gente. E sim inícios de novas fases. Nanda (Maria Eduarda) com a chance de amar novamente, Ângela (Silvia Massari) tomando as rédeas da vida de Jonas (Paulo Betti) sem que ele mude uma vírgula de seu comportamento, Celina (Leona Cavalli) tendo seu filho ao lado de Lourenço (Leonardo Medeiros) e Eva (Ana Beatriz Nogueira) continuando a ser exatamente a mesma mulher obsessiva e intransigente. Mas essa não teria jeito mesmo. A Vida da Gente é a prova viva de que boa audiência não significa qualidade e, graças a Deus, a autora não precisou revirar sua história ao avesso por causa disso. Confira alguns dos muitos pontos altos de A Vida da Gente e os pouquíssimos deslizes da produção.

Cenas inesquecíveis de A Vida da Gente
CURTI!
- O ELENCO: Seria injustiça deixar alguém de fora. Não houve um só ator que não tenha vivenciado seu personagem com verdade e paixão. Destaques óbvios para Marjorie Estiano, Ana Beatriz Nogueira, Nicette Bruno, Fernanda Vasconcellos, Maria Eduarda, Stenio Garcia (Laudelino), Leonardo Medeiros, Leona Cavalli, Paulo Betti e Gisele Fróes (Vitória). Mas tenho que citar também Regiane Alves, Daniela Escobar (Suzana), Malu Galli (Dora), Ângelo Antônio, Marcelo Airoldi (Cícero), Julia Almeida (Lorena), Marcello Melo Jr. (Matias), Neuza Borges (Maria), Luiz Carlos Vasconcellos (Renato), Malu Valle (Vivi), Luiz Sera (Wilson), Cláudia Mello (Moema), Rita Clemente (Aurélia), Tadeu Di Pietro (Cléber) e Silvia Massari. Todos impecáveis!
- ÓTIMAS SURPRESAS: Thiago Lacerda nunca me agradou, mas dessa vez me rendi à sua interpretação contida e madura para o Dr. Lúcio, o genro dos sonhos de 10 entre 10 sogras. Rafael Cardoso me deixou de queixo caído. Como esse rapaz evoluiu como ator, gente! Parabéns! Sthefany Brito foi outra que se revelou uma linda atriz. Não que eu a achasse ruim nos seus trabalhos anteriores, mas Alice era uma personagem muito difícil, que a garota tirou de letra.
- REVELAÇÕES: Jesuela Moro é a atriz mirim mais talentosa a surgir na telinha desde Klara Castanho. E fez da Júlia uma criança adorável e totalmente normal. A pequena foi de uma naturalidade impressionante. O mesmo vale para Kaic Crescente, perfeito como o fofo Tiago. Aplausos ainda para Alice Wegmann (Alice), Pietra Pan (Bárbara), Anna Rita Cerqueira (Olívia) e o maravilhoso Victor Navega Mota (Francisco).
- BOAS PARTICIPAÇÕES: Eriberto Leão (Gabriel), Francisco Cuoco (Mariano), Polliana Aleixo (Cecília), Marat Descartes (Lui), Vanessa Lóes (Laura) e Klebber Toledo (João) atuaram pouco na trama, mas ajudaram a tornar essa novela uma obra inesquecível.

Emoção para dar e vender
- ACIDENTE DE ANA, JÚLIA E MANU: Foi uma das cenas mais impressionantes que já vi, tamanho o realismo. Fiquei nervoso na época e sempre que revejo sinto um terrível mal estar. Outro momento inesquecível das irmãs foi o terrível embate na reta final das novelas. Após meses de silêncio, meias palavras e muito ressentimento, elas disseram tudo o que pensavam uma da outra, num duelo de interpretação entre Marjorie Estiano e Fernanda Vasconcellos, que nunca mais sairá da lembrança do espectador.
- AMOR NA TERCEIRA IDADE: Os romances de Iná e Laudelino e Wilson com Moema e Aurélia foram demais. E a autora ainda abordou temas importantes como câncer de próstata, impotência, ciúme, recomeço…
- FIGURINO DE ANA: Nunca houve uma explicação para o motivo de Ana usar sempre uma roupa ou adereço na cor vermelha. Mas foi uma característica da personagem bem marcante e divertida. Eu adorei!
- TRAMA PASSADA NO SUL DO PAÍS: Eu amo meu Rio de Janeiro e não canso de ver a linda Ponte Estaiada, em São Paulo, mas assistir todo dia na telinha a linda paisagem de Gramado, Porto Alegre e outros pontos do Sul do País não teve preço. É uma iniciativa que deveria ser repetida em outras novelas. Com um Brasil tão grande e lindo por que fechar os cenários das novelas em apenas duas ou três cidades? Viva a diversidade.
- TRILHA SONORA: Zizi Possi é minha cantora preferida. E toda vez que A Vida da Gente acabava ao som de Não Dá Mais Pra Segurar (Explode Coração), meu coração literalmente explodia. Que interpretação, meu Deus! Mas todas as canções da trilha sonora da novela eram maravilhosas. Da abertura com Oração Ao Tempo (Maria Gadú), até Aonde Quer Que Eu Vá (Herbert Vianna), passando por Dona Cila (Milton Nascimento), Recomeçar (Tânia Mara), Sou Eu (Chico Buarque), Pais e Filhos (Legião Urbana), Ovelha Negra (Rita Lee), Nossa Música (Liah), A Idade Do Céu (Moska), As Coisas Tão Mais Lindas (Cássia Eller), Todo Sentimento (Elba Ramalho), Atrás Da Porta (Marina Elali) e Sensações (Paula Fernandes). Nossa! Tudo muito lindo!
- ABERTURA, FOTOGRAFIA, CENÁRIO e FIGURINO: A abertura era linda e emocionante, com os registros da infância e adolescência de Ana, Manu e Rodrigo. Os cenários e figurinos também foram uma perfeição. Quantos mínimos e belos detalhes existiam nas casas de Manu e Iná, por exemplo! Tudo impecável, assim como a fotografia. Mas isso todos nós sabemos que é um dos caprichos do diretor Jayme Monjardim.
- TEMAS POLÊMICOS: Coma, Adoção, busca pelos pais biológicos, rejeição familiar, traição, romances entre homem mais velho e garotinha, conflito de geração, obsessão pelo trabalho, abandono infantil, assédio moral no trabalho… Todos esses temas tão espinhosos fizeram parte da novela e foram tratados de forma segura e sem máscaras. Muitas vezes cheguei a questionar: será que A Vida da Gente não seria melhor aproveitada no horário nobre? Tenho certeza que sim.
- DIREÇÃO: Jayme Monjardim e sua equipe (Frabrício Mamberti, Teresa Lempreia, Luciano Sabino, Leonardo Nogueira e Adriano Melo) deram um show de sensibilidade, conseguindo reproduzir toda a emoção contida no texto de Lícia Manzo.
- TEXTO: Eu já era fã de Lícia Manzo desde o seriado Tudo Novo de Novo. Mas, mesmo assim, fiquei surpreso com a maturidade com que ela estreou como autora de novela. Um talento extraordinário que pretendo acompanhar por todo o sempre. Parabéns a Lícia e a toda sua equipe: Marcos Bernstein, Carlos Gregório, Álvaro Ramos, Giovana Moraes, Dora Castellar, Maria Góes, Tati Bernardi e Daniel Adjafre.

Rodrigo nunca se acertou com Jonas, a passagem de tempo não convenceu, Vitória merecia um tapa na cara e Lourenço foi o único dos homens bananas que deu a volta por cima
NÃO CURTI!
- TEMPO PERDIDO: Passagem de tempo da primeira para a segunda fase não convenceu (durante o coma de Ana). Júlia era mais velha do que Tiago, mas acabou se tornando mais nova que o menino. Uma falha imperdoável. Em menos de dois anos, Marcos e Rodrigo conseguiram se formar em Turismo e Arquitetura, respectivamente. Fala sério!
- PAI X FILHO: Não entendi como Lícia deixou no ar a relação mal resolvida entre Jonas e Rodrigo. O advogado podia até ser um pai ausente, mas nunca foi um monstro. E ele simplesmente ignorou o filho e a neta durante toda a novela. Não existiu nem mesmo uma cena dele vivendo algum conflito ou lembrando que tinha família. Por mais que uma pessoa seja workaholic, tamanho desprezo não dá para engolir de jeito nenhum. E, por outro lado, um rapaz tão centrado e justo como Rodrigo nunca fez qualquer movimento para tentar uma reconciliação ou, pelo menos, um acerto de contas. Não curti mesmo.
- HOMENS FRACOS: A Vida da Gente foi uma novela de mulheres forte e homens bananas. Eu gostava de Rodrigo, mas ele deixou Ana e Manu fazerem dele gato e sapato. Marcos, Lourenço, Lúcio, Mariano e Laudelino foram outros machos titubeantes e sem iniciativa. Desses, apenas Lourenço evoluiu um pouco. O resto…
- AGRESSIVIDADE DE VITÓRIA: Não acredito que não teve uma só criatura que fosse capaz de meter a mão na cara de Vitória. Ela até tinha razão em muito do que dizia, mas a forma autoritária, grosseira e agressiva com que se referia aos outros, merecia uma surra, ou pelo menos, uma belíssima bofetada. Mas fiquei na vontade…