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Negócio da China: estréia em ritmo frenético

quinta-feira, 9 de outubro de 2008 por jorgebrasil

Quando escrevi sobre os primeiros capítulos de Três Irmãs muita gente reclamou que eu estava sendo precipitado, que não dava para julgar uma novela pelo seu início e que primeiro capítulo é sempre igual. Mas Negócio da China foi a prova viva de que os ”críticos” que criticaram o crítico aqui estavam errados. Miguel Falabella (autor) e Mauro Mendonça Filho (diretor) simplesmente arrasaram. Tirando a música da abertura, com Ney Matogrosso cantando aquela coisa chatíssima de ”Lig, lig, lig, lé…” gostei de praticamente tudo.

Adorei a maneira sincera como Falabella apresentou seus personagens. Em pouquíssimo tempo embarcamos na linda história de amor de Heitor (Fábio Assunção) por Lívia (Grazi Massafera) e já comecei a torcer para que eles se acertem e fiquem juntos. Logo depois, ao ver a maneira embevecida como João (Ricardo Pereira) olhava para Lívia, passei a desejar que a loira desse uma chance ao português. Olha que incrível: com muita habilidade Falabella já envolveu o público no principal triângulo amoroso de sua história de uma forma bastante intensa. Parabéns!

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Fiquei muito animado também com a parte de ação da trama. Apesar dos absurdos óbvios, mas deliciosos, o novato Jui Huang (como o misterioso Liu) convenceu nas cenas de luta. Tudo remeteu muito aos filmes de Jackie Chan e, principalmente, a Kill Bill. Até os terninhos dos lutadores eram parecidos com os usados no longa-metragem de Quentin Tarantino. Uma gostosa viagem para quem ama cinema e televisão. Só achei estranho que o personagem que tenha dado o pontapé na história e seja a abertura da novela seja tão desprestigiado nos créditos. O nome de Jui Huang aparece tão lá atrás que dá até nervoso. Acho que o mínimo que deveria ter sido feito é colocar o jovem ator como ”Apresentando”.

Entre o elenco ninguém brilhou mais do que Natália do Vale. Uma de minhas atrizes favoritas, ela esbanjou todo seu talento nas seqüências dramáticas da agonia de Ernesto (Antonio Fagundes). Chorei várias vezes junto com sua personagem, Júlia, e o embate com (Denise) Luciana Braga também foi ótimo. Sem falar no tom melodramático da confissão ao filho Diego (Thiago Fragoso) de que Ernesto não era seu pai. Thiago geralmente é meio apagado, mas Luciana retorna em grande estilo à telinha. Ela merece porque é bárbara.

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O núcleo de Francisco Cuoco (Evandro) e Herson Capri (Adriano) também foi simpático e acho que daremos boas gargalhadas com as confusões da loja de Luli (Eliana Rocha), nas brigas da personagem rabugenta com suas funcionárias (Maria Gladys e Deborah Olivieri). Gostei também de ver Raoni Carneiro de volta à Globo e Yoná Magalhães sempre deslumbrante. Já o trio principal formado por Grazi / Fábio / Ricardo não comprometeu. Todo mundo já sabe que os dois rapazes são bonitos e carismáticos e a grande expectativa girava em torno da lourinha. Sinceramente não sei por quê. Grazi já havia provado em Páginas da Vida e Desejo Proibido que, se ainda não é uma grande atriz, tem talento e está estudando muito para chegar lá. O que eu queria conferir mesmo era como estava seu sotaque. E não é que a menina perdeu o toque caipira? Muito legal.

Bem! Eu vou ficar de olho em Negócio da China. Apesar de achar que a novela tem mais cara do horário das 7 do que das 6, espero que Falabella e Mauro consigam mandar o pique que mostraram em seus primeiros capítulos. Nós só temos a ganhar com isso.



Dose dupla: Ciranda de Pedra deveria ter sido uma minissérie e A Favorita é bomba!!!

quinta-feira, 2 de outubro de 2008 por jorgebrasil


Esta semana vou direcionar nosso papo a duas vertentes: o fim de Ciranda de Pedra e a semana extraordinária de A Favorita. Temas que me fizeram refletir muito. Começo pelos capítulos decisivos da trama das 6 da Globo… E a conclusão que faço dessa obra tão requintada é que Ciranda de Pedra não deveria ter sido exibida às 18h. Os assuntos abordados no livro de Lygia Fagundes Telles eram fortes demais e foram amenizados pelo autor Alcides Nogueira. Os personagens, idem. Todos tinham possibilidades dramatúrgicas muito fortes, que, em função do horário, foram diluídos além da conta. Com isso, Ciranda de Pedra tornou-se uma novela linda de se ver, bem dirigida, com atores eficientes, mas com uma história que não prendia a atenção.

Imagina o que não aconteceria se, em vez de uma novela das 6, fosse uma minissérie? Quantas abordagens mais fortes Alcides não teria feito às 23h? Só para começar, a loucura de Laura (Ana Paula Arósio) seria muito melhor abordada. O mesmo aconteceria com as maldades de Frau Herta (Ana Beatriz Nogueira), Natércio (Daniel Dantas) e Afonso (Caio Blat). Esse trio, sem os limites impostos pela censura, poderia ser muito mais maléfico.

No que se refere à Letícia (Paola Oliveira), nossa!!! Personagem lésbica no livro, a tenista virou uma moça de personalidade forte na novela, o que diminuiu seu impacto. Deve ser frustrante para um ator saber que seu papel poderia ter rendido bem mais! Outro exemplo é o Conrado (Max Fercondini). O rapaz era para ser impotente e imagino as infinitas possibilidades dramáticas que poderiam ter sido desenvolvidas com um problema assim na vida de um jovem.

Tem mais. A religiosidade de Bruna (Ana Sophia Folch) sublimando sua sexualidade latente também seria muito melhor aproveitada. Como também o fato da doce Virgínia (Thammy Di Calafiori) se apaixonar pelo grande amor, Eduardo (Bruno Gagliasso), de sua melhor amiga, Margarida (Cleo Pires), virou apenas um capricho de adolescente. Mas… não adianta chorar sobre o leite derramado.

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Já que Ciranda foi exibida mesmo às 18h, o que ficará na memória do público será a riqueza de sua produção. Os figurinos, principalmente, os de Otávia (Ariela Massoti), Bruna e Virgínia, eram lindos, impecáveis. A cidade cenográfica, que conheci pessoalmente numa visita que fiz ao Projac, também era um primor. O mesmo posso dizer da direção de arte, da fotografia e da trilha sonora. Na parte técnica, tudo funcionou lindamente.

A direção de Carlos Araújo e Denise Saraceni foi muito elegante, dando espaço para os atores brilharem intensamente. Destaque para Ana Beatriz Nogueira, Leandra Leal, Ana Paula Arósio, Osmar Prado, André Frateschi, Caio Blat, Walderez de Barros e para as três lindas irmãs, Thammy Di Calafiori, Ariela Massoti e Ana Sophia Folch. Além da pequena Ana Karolina Lannes, como a fofíssima Lindalva. Entre os pontos negativos, o mau aproveitamento de Bruno Gagliasso e as fracas atuações de Daniel Dantas, Marcello Antony e Cleo Pires. Os dois últimos estão na minha lista de incógnitas. O que leva diretores e autores a escalá-los para tantas novelas? Cleo, por exemplo, já está em Caminho das Índias. Mas isso é assunto para outra prosa.

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A Favorita: adrenalina pura
Algumas pessoas se irritam quando falo bem de A Favorita aqui. Perdoem-me, mas não consigo resistir. Aliás, nada de perdão. Eu gosto da novela e pronto. E gostei especialmente do que vi essa semana. Tudo o que girou em torno do seqüestro de Lara (Mariana Ximenes) e Flora (Patrícia Pillar) foi extremamente bem bolado. Em todos os sentidos. Até mesmo a direção, que acho um tanto quanto preguiçosa, deu show. Mesmo sabendo tudo o que iria acontecer fiquei com os nervos à flor da pele. E não me canso de repetir: que atores maravilhosos temos à nossa frente.

Patrícia, Mariana, Glória Menezes, Mauro Mendonça, Ary Fontoura, Genézio de Barros, Murilo Benício e Claudia Raia fizeram novos golaços. Todos tiveram momentos de brilho individual e, no trabalho em grupo, foram sensacionais. Não é implicância. Apenas fato! O único que destoou desse elenco incrível foi Cauã Reymond. Poucas vezes vi tanta falta de expressão num ator. Zero em emoção e zero em interpretação! Cauã também está na minha lista de incógnitas ao lado de Antony e Cleo. Mas, como já disse, isso é papo para outro dia.



O doce sabor de assistir a grandes atrizes

quinta-feira, 25 de setembro de 2008 por jorgebrasil


Fui assistir a dois filmes nos últimos dias, que me atingiram profundamente por motivos diferentes (um por sua alegria e espontaneidade, o outro por sua sinceridade pungente), mas que tinham um ponto forte de convergência: suas maravilhosas atrizes. O primeiro era Mamma Mia!, com a badalada Meryl Streep. O outro, Linha de Passe, com Sandra Corveloni. Meryl é de longe a melhor atriz de cinema do mundo e vive a protagonista de Mamma Mia!, inspirado na peça musical feita com músicas do grupo Abba, com um pique impressionante. É a própria Dancing Queen! Mas é ao entoar a lindíssima The Winner Takes It All, que ela mais impressiona. Meryl interpreta cada palavra da canção com tanta emoção que arrepia até os cabelinhos dos dedos do pé. Já Sandra é desconhecida do grande público, mas ficou famosa depois de levar o prêmio de melhor atriz no último Festival de Cannes. Não sei se foi justo, porque não vi os desempenhos de suas concorrentes, principalmente, a magistral Julianne Moore em Ensaio Sobre a Cegueira. Mas a atuação de Sandra é realmente fantástica. Ela desaparece totalmente na personagem e sua entrega ao papel tem energia que deixa o público arrepiado. 

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AS DEUSAS BRASILEIRAS
 
O fascínio que essas duas atrizes provoca em cena me fez pensar nas grandes damas da arte que temos hoje atuando na telinha. Já falei aqui o quanto sou louco pelo trabalho de Claudia Raia, Patrícia Pillar, Mariana Ximenes e Glória Menezes, em A Favorita. Só que agora é outra integrante do elenco que está roubando todas as cenas. Não é novidade nenhuma que Lília Cabral é extraordinária. A primeira vez que fiquei babando por ela foi quando assisti ao monólogo Solteira, Casada, Viúva e Divorciada, um tour de force impressionante. Lília tem dado uma dimensão humana tão grande para a Catarina, que faz parecer que ela poderia ser aquela vizinha do lado. Você pode até se irritar com a passividade da personagem ou duvidar dos motivos que a levam a suportar ser saco de pancadas do marido Léo (Jackson Antunes). Mas não há como questionar as altas doses de emoção que Lília vem emprestando à dona-de-casa sofredora.

Não vou me prolongar sobre Ciranda de Pedra. Já disse aqui também o quanto adoro o trabalho de Ana Beatriz Nogueira, Leandra Leal, Ana Paula Arósio e Walderez de Barros. Por isso, vou aproveitar o espaço para falar de uma atriz veterana que vem conseguindo ótimos papéis na Record. Depois da guerreira Ísis, de Vidas Opostas, Lucinha está brilhando intensamente como a incendiária Vilma, de Chamas da Vida. Seus olhos carregam maldade, ironia, rancor e fartas doses de loucura. Tudo atrelado a um verniz de sofisticação que só uma grande atriz sabe empregar num trabalho.

Resumo da ópera: o cinema é um celeiro repleto de atrizes geniais. Mas nossa telinha em nada fica devendo à sétima arte. Felizmente!



Estréia de Três Irmãs não convence

quinta-feira, 18 de setembro de 2008 por jorgebrasil

Uma novela se sustenta sobre três pilares principais: a história, a direção e as atuações. O resto – figurinos, cenários, trilha sonora, efeitos especiais e fotografia – é muito importante sim, mas, no fundo, são apenas “enfeites”. Quando essa santíssima trindade funciona bem, é uma maravilha. Rende obras-primas como Irmãos Coragem (1970), Selva de Pedra (1972), Escalada (1975), Gabriela (1975), O Casarão (1976), Roque Santeiro (1985), Cambalacho (1986), Vale Tudo (1988) e por aí… Quando dois deles bombam, ainda dá para surgir bons trabalhos, a exemplo de A Favorita, cuja história é ótima e o elenco maravilhoso, mas a direção é fraca. Mesmo quando apenas um pilar é eficiente, ainda é possível assistirmos a novela sem tanto sofrimento.

Agora, quando nenhum pilar se destaca é dramático. E foi o que aconteceu nos três primeiros capítulos de Três Irmãs. Você vai dizer que estou sendo muito apressado em falar da trama. Pode ser. Daqui a um mês pretendo voltar ao assunto com mais embasamento, mas o que nos foi apresentado até agora é muito fraco.

Não tenho o que reclamar da parte técnica. As imagens feitas em Bali (Indonésia) são deslumbrantes, as cenas de surfe muito bem feitas e a cenografia é caprichadíssima. Adorei também a trilha sonora, cheia de canções antigas. O único senão é Mart´Nália destruindo a música Don´t Worry, Be Happy, de Bobby McFerrin. Não entendo nada que ela canta. Aliás “cantar” não é exatamente um termo que se aplique à filha de Martinho da Vila…

E detestei a abertura pelo conjunto da obra. É feia, preguiçosa e sem criatividade. Achei também o fim da picada o nome de Regina Duarte ter vindo em primeiro lugar nos créditos. A produção não se chama Três Irmãs? Então, nada mais correto do que Cláudia Abreu, Giovanna Antonelli e Carolina Dieckmann aparecerem na frente. Regina, uma deusa da TV, poderia vir no final, em grande estilo, no tipo: Regina Duarte como Waldete. E pior ainda. Marcos Palmeira também se meteu no meio de Cláudia e Giovanna. Nada a ver. Mas vamos falar sobre os tais três pilares que mencionei lá em cima.

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A HISTÓRIA
Não entendi por que a novela abriu com Maitê Proença e Paulinho Vilhena, dois personagens coadjuvantes. A história deveria ter sido introduzida pelas três irmãs do título. Mas, não. Passaram longos e tediosos minutos de Maitê seguindo Paulinho, sem qualquer sentido ou importância. Gostaria muito de entender qual foi a proposta do autor, Antônio Calmon. A primeira irmã, Suzana (Carolina) só surgiu após Greg (Rodrigo Hilbert) citar a cidade de Caramirim e a bela loira aparecer surfando. A partir daí começaram a ser apresentados os personagens principais. Só que nada surpreendente ou interessante aconteceu. Foi apenas uma sucessão de tipos circulando pela telinha… Para dizer que não me apeguei a ninguém, achei divertido o trio de picaretas formado por Luís Gustavo, Otávio Augusto e Graziella Moreto. Das três irmãs, apenas Alma (Giovanna) me chamou atenção. As outras passaram em branco. Resumo da ópera: os capítulos de Três Irmãs acabaram sem deixar no ar qualquer vontade de acompanhar a história no dia seguinte.

A DIREÇÃO
Não tenho nada contra Dennis Carvalho ou os diretores de sua equipe. Mas a impressão que Três Irmãs tem deixado é que não existe um condutor. Ficou parecendo que Dennis disse ao elenco: “Vou tomar um café e já volto”. Mas não retornou ao set. E, a partir daí, cada um passou a fazer o que bem desejasse. Não existe unidade ou personalidade na novela. Cada cena parece ter sido feita por uma pessoa diferente, com estilos distintos. Numa semana de estréia, em que o espectador precisa ser capturado a laço, a atenção se dilui. E você se sente perdido no espaço. Experiente, Dennis certamente vai perceber isso e corrigir esse pecado capital antes que ocorra uma tragédia dramatúrgica.

AS ATUAÇÕES
O elenco de Três Irmãs é de novela das 9 da Globo. Aliás, boa parte saiu de Paraíso Tropical (Vera Holtz, Hugo Carvana, Débora Duarte, Beth Goulart, Paulo Vilhena, Roberta Rodrigues, Vitor Novelo, Thavyni Ferrari, Otávio Augusto e Guilherme Piva). Mas o rendimento deles não é de horário nobre. Eles estão atuando mal? Longe disso. Cláudia Abreu, Ana Rosa, Roberto Bomfim e Marcos Caruso estão eficientes como sempre. Só que ninguém brilha. Ninguém se destacou ainda. Pelo menos positivamente. Até agora, apenas Graziella Moretto, Otávio Augusto e Luís Gustavo merecem algum aplauso. Eles estão formando um trio engraçadíssimo. E acho que ainda vão aprontar muito.

Gostei do tempo de comédia de Giovanna Antonelli. Só acho que ela exagera um pouco em alguns momentos e isso é sinal claro da falta de direção que citei lá em cima. O mesmo acontece com Regina Duarte e Vera Holtz. Maravilhosas, elas ainda estão fora do tom. Mas o embate entre as duas promete. Vamos ao fracos desempenhos. Carolina Dieckmann fazendo aquelas caretas de boazinha me provocou refluxo. Ninguém merece! O “duelo de interpretação” entre Paulo Vilhena e Rodrigo Hilbert, no alto de uma montanha em Bali, também foi triste. Já Bruno Garcia precisa urgentemente se reciclar. Desde o promotor Pedro Guerra, de Coração de Estudante (2002), que ele vem fazendo o mesmo papel na TV. Saudades da Vilminha, que ele fez brilhantemente na série Sexo Frágil.

Por fim, o pior de todos. Marcos Palmeira. Dennis Carvalho deveria ter aprendido em Celebridade (2003), que Marcos não pode fazer cenas extremamente dramáticas. Ele não rende, tadinho. Lembro o quanto chorei quando li a cena de Celebridade em que Fernando (Marcos) contava ao filho Inácio (Bruno Gagliasso), que o irmão, Fábio (Bruno Ferrari), havia morrido. E imaginava como iria sofrer quando visse a seqüência no ar. Até hoje não esqueço o ódio que me deu ao assistir Palmeira arruinar o texto brilhante de Gilberto Braga, com sua mais completa incapacidade de se emocionar. Foi tudo artificial e beirando a canastrice. O mesmo aconteceu quando o personagem atual do ator, Bento, perdeu a mulher e o filho no parto. O ator não rendeu e foi engolido pelas crianças que vivem seus filhos, Thavyne Ferrari e Matheus Costa. Um fiasco.

Bem, entre mortos e feridos, Três Irmãs chegou trazendo luz e alto astral para a telinha. Espero que sua equipe consiga fortificar, acertar as arestas e fazer a novela crescer e dar frutos. Vamos dar tempo ao tempo.



Beleza Pura mesmo – Trama das 7 da Globo sai de cena com chave de ouro

quinta-feira, 11 de setembro de 2008 por jorgebrasil

A melhor tradução para a trama das 7 da Globo é exatamente seu título: Beleza Pura. A estréia de Andréa Maltarolli como autora titular foi muito bem sucedida. Gostei bastante da maneira como ela desenvolveu sua história e, principalmente, como estruturou a última semana da novela. Até terça-feira, ela encerrou a saga de Rakelli (Ísis Valverde), na quarta definiu o conturbado romance de Renato (Humberto Martins) e Helena (Mônica Martelli) e deixou para os dois capítulos finais a resolução do caso dos diamantes e a conclusão dos conflitos do trio de protagonistas, Guiherme (Edson Celulari), Joana (Regiane Alves) e Norma (Carolina Ferraz). Para uma ”novata”, Andréia mostrou maturidade de veterano.

Numa avaliação final, a conclusão é que Beleza Pura ficará marcada como a ”novela da Rakelli”. Com muita talento, beleza e interpretando um texto espirituosíssimo, Ísis colocou sua personagem nas antologias da TV brasileira. E brilharam intensamente ao seu lado a maravilhosa Zezé Polessa, Marcelo Faria - especializando-se no ”tipo bobão” -, Carol Castro – surpreendendo com seu tempo de comédia – e Bruno Mazzeo, que mostrou que DNA de humor não falha. Aí você me pergunta: e Rodrigo Lopéz? O intérprete do Betão se saiu bem, mas nada que justificasse tanta expectativa em torno de seu nome, como a que se criou antes da novela começar.

Beleza Pura também deu destaque para duas humoristas do Zorra Total: Maria Clara Gueiros e Mônica Martelli. A primeira, na verdade, é atriz de um papel só, mas, mesmo assim, estava engraçadíssima como a doidivanas Suzy. Sem falar que sua parceria com Leopoldo Pacheco foi um charme. Já Mônica talvez tenha sido a grande revelação da novela. Apesar da caracterização preguiçosa que fizeram para seu Mateus, ela convenceu como homem e deu show de bola até nas cenas dramáticas.
Vale ressaltar ainda que Beleza Pura contou com o auxílio luxuoso dos veteranos Reginaldo Faria e Elias Andreato e com o frescor dos jovens talentos Rafael Cardoso, Paulo Vilela, Monique Alfradique, Bianca Comparato, Letícia Isnard e Pedro Brício.

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Nem tudo são flores

Mas Beleza Pura também teve problemas. O maior deles foi a falta de entrosamento de casal principal: Guilherme e Joana não deram liga em momento algum. O pior é que Celulari não teve química nem mesmo com Carolina Ferraz e Christiane Torloni, atriz com quem já viveu parcerias mais felizes em Sabor da Paixão (2002) e América (2005), respectivamente.

Com um galã fraco, quem se deu bem foi Humberto Martins. O excesso de testosterona do ator fez com que compensasse a fragilidade de Celulari. Até nos momentos em que Renato ficou interessado por um homem, Humberto esbanjou virilidade.

Outro ponto fraco foi o visual de Carolina Ferraz. Ficou explícito o quanto um cabelo pode destruir ou levantar uma mulher. Nesse caso, o tom louro deixou a lindíssima atriz feia e apagada. A sorte é que ela teve boa atuação como a maquiavélica Norma e formou uma dupla divertida com Maria Clara Gueiros. Caso contrário…

Já Regiane Alves mais uma vez nos brindou com um ótimo desempenho. Só que também ficou claro que ela não tem o estofo de estrela. E que, certamente, será melhor aproveitada em tramas paralelas e não como protagonista. Quero ressaltar ainda o encantador casal romântico formado por Soraya Ravenle e Antônio Calloni. Maduros; levaram leveza e romantismo para a telinha de uma maneira doce e ao mesmo tempo apaixonada. Amei!

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Por fim, a confirmação do quanto Gustavo Leão e Guilherme Fontes são ruins. Gustavo já declarou mil vezes que sonha em brilhar em Hollywood e ganhar um Oscar, mas deveria desistir da carreira artística. Quando Paraíso Tropical (2007) estava no ar, eu ficava chocado com os elogios do autor Gilberto Braga ao rapaz, comparando-o a Gloria Pires. Achava uma heresia. Mas resolvi esperar o próximo trabalho dele para ter a confirmação. E ela veio. Gustavo é péssimo! Tentando fazer graça, então, é constrangedor.

E Guilherme, bem… sem comentários. Ele é uma ruindade do nível Créu volume 5. E eu continuo esperando pelo filme Chatô….



O melhor de Pantanal

quinta-feira, 4 de setembro de 2008 por jorgebrasil

Quando escrevi aqui que não gostava de Pantanal recebi os mais diversos comentários. Gente concordando comigo, outros querendo me estrangular e alguns mais sóbrios se posicionando normalmente sobre o assunto. Teve até mesmo aqueles mais grosseiros que me acusaram de ser ”comprado” pela Globo para falar mal do SBT. Quanta bobagem! Mas é assim mesmo. Temas que envolvem paixão, como futebol, carnaval e novelas, são difíceis mesmo de serem lidados com distanciamento. Mas agir assim faz parte da minha profissão. É preciso deixar a preferência pessoal de lado para analisar a novela ou o artista por seus atributos técnicos. Por exemplo: sou fã de A Favorita. Mas não tenho como deixar de ver que a história tem muitas deficiências, principalmente, nos núcleos fora da trama principal. Mas nada que João Emanuel Carneiro não possa resolver… É impossível também ignorar toda a precária produção do SuperPop, na RedeTV!, mas confesso que assisto sempre e fico hipnotizado. É tão absurdo que acabo gostando. Por outro lado, tenho uma implicância épica com minha conterrânea Fernanda Young, mas profissionalmente sou obrigado a reconhecer que ela evoluiu muito como entrevistadora e que seu Irritando Fernanda Young, exibido pela GNT, é muito bom.

Quis explicar isso para mostrar que não tenho qualquer problema pessoal com Pantanal. Tanto que, no último fim de semana, achei no meu quarto da bagunça o LP com a trilha sonora da novela e fui correndo ouvi-la. Sim, eu ainda tenho um aparelho de som que toca disco de vinil… E me deliciei! É uma das melhores trilhas de todos os tempos. O maestro, compositor e cantor Marcus Vianna é genial. Adoro suas orquestrações grandiosas, seus acordes pomposos e suas letras românticas, como ouvimos na linda Amor Selvagem, tema de Juma (Cristiana Oliveira) e Jove (Marcos Winter). Mas gosto muito também de Estrela Natureza (Sá & Guarabira), No Mundo dos Sonhos (Robertinho do Recife), Apaixonada (Simone), Quem Saberia Perder (Ivan Lins), Pantanal (Sagrado Coração da Terra), Um Violeiro Toca (Almir Sater) e Memória da Pele (João Bosco). Pantanal teve ainda mais dois discos, mas nenhum deles superou o primeiro.

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E embalado por essas músicas maravilhosas, acabei me recordando de outros pontos dos quais gostava em Pantanal. Um deles é a interpretação de Jussara Freire. Linda na plenitude de sua beleza madura, a atriz criou uma Filó irresistível. Divertida, sensual, guerreira, frágil… ou seja: uma típica mulher pantaneira. Jussara continua linda e brilha agora em Chamas da Vida, na Record, mas foi em Pantanal que ela brilhou intensamente.

Apesar de achar os diálogos da novela um tanto repetitivos, gostei da direção de Jayme Monjardim. Ele conseguiu fazer cenas cinematográficas sem perder a ligação com a TV. Em sua novela, um gênero não agride o outro. Com os atores ele também desenvolveu um trabalho impecável e fez milagre com o texto minimalista de Benedito Ruy Barbosa. Pantanal ainda marcou por ser o último grande trabalho de Cláudio Marzo na televisão. Nos anos posteriores, o ex-galã ainda fez bons papéis como Pedro Barros (Irmãos Coragem, 1995), Pedro Afonso (A Indomada, 1997) e o João Mourão (Coração de Estudante, 2002), mas nada que se compare à magia e à força de José Leôncio/Velho do Rio. Ou seja: posso até não gostar de alguma coisa, mas tenho o discernimento de separar o joio do trigo. Um abraço e até semana que vem.



Mergulhado no mundo do ”E se…”

quinta-feira, 28 de agosto de 2008 por jorgebrasil

Pode me chamar de maluco, mas minha cabeça não desliga nunca do universo das telenovelas. Gosto de ficar pensando em como teria sido se Cláudia Abreu tivesse aceitado ser a Sol, de América (2005), e Paula/Tais, em Paraíso Tropical (2007). O que ela teria feito diferente da Deborah Secco e da Alessandra Negrini, respectivamente. Já imaginei também como teria sido O Clone (2002) se Fábio Assunção e Letícia Spiller não recusassem interpretar Diogo/Lucas/Léo e Jade na trama de Glória Perez.

E mais: como teria ficado Duas Caras com Eduardo Moscovis e José Mayer, as primeiras escolhas de Aguinaldo Silva, como Ferraço e Juvenal Antena? Fico literalmente delirando e criando um universo paralelo na telinha. Minha última viagem foi imaginar como outros autores consagrados da Globo desenvolveriam a trama principal de A Favorita. O que Silvio de Abreu, Gilberto Braga, Aguinaldo Silva, Glória Perez, Benedito Ruy Barbosa e Manoel Carlos fariam no lugar do João Emanuel Carneiro. Pois bem, embarquei nessa viagem e peço que você venha comigo. Mas atenção: tudo que está aí abaixo saiu da minha cabeça doida. Confira. Venha viajar comigo!!!!

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A Favorita por Silvio de Abreu:
Com certeza Flora (Patrícia Pillar) seria uma serial killer e estaria matando vários personagens para incriminar Donatela (Claudia Raia). Além de Salvatore (Walmor Chagas) e Maíra (Juliana Paes), Irene (Glória Menezes), Cilene (Elizângela) e Silveirinha (Ary Fontoura) já poderiam ter sido eliminados pela doida. Flora também teria se tornado uma poderosa executiva das empresas Fontini e tirado Halley (Cauã Reymond) dos braços de Lara (Mariana Ximenes). Mas, como de costume nas tramas do autor, existiria muito mistério em torno dos assassinatos aparentemente realizados por Flora e só no último capítulo saberíamos ao certo quem cometeu os crimes.

A Favorita por Gilberto Braga:
Com Gilberto não haveria a menor chance da dúvida em torno do assassinato de Marcelo (Flávio Tolezani) ter sido desvendado tão cedo. E a morte de Maíra também não teria sido tão óbvia. O autor do assassinato da jornalista seria um mistério a ser revelado apenas no último capítulo. Será que a mesma pessoa matou Marcelo e Maíra? Foi Flora ou Donatela? A resposta? Só no final da novela… O triângulo amoroso entre Flora, Donatela e Zé Bob (Carmo Dalla Vecchia) também seria mais apimentado e a grande mocinha na história seria Lara. Ah! E as duas protagonistas já teriam se pegado a socos e pontapés num banheiro.

A Favorita por Aguinaldo Silva:
O criador das famigeradas Nazaré (Renata Sorrah), de Senhora do Destino (2004); Adma (Cássia Kiss), de Porto dos Milagres (2001), e Altiva (Eva Wilma), de A Indomada (1997), faria de Flora uma louca varrida, cometendo as piores atrocidades e transando com metade dos homens da novela. Sem falar que ela e Donatela já teriam trocado muitos bofetes. Augusto César (José Mayer) seria bem mais viril e menos doido. E formaria um quadrado amoroso com Zé Bob e as duas protagonistas. Na vila operária, uma criatura misteriosa, o Capacete de Cristal, estaria atacando as mulheres do local. Catarina (Lilia Cabral), Stela (Paula Burlamaqui), Cida (Claudia Ohana) e Lorena (Gisele Fróes) já teriam sido vítimas do tarado.

A Favorita por Glória Perez:
Ponto 1: a trama se passaria no Rio de Janeiro. Ponto 2: a vila operária seria num subúrbio carioca, onde morariam personagens vividos por Eri Johnson, Mara Manzan e Solange Couto. Flora já teria se revelado uma víbora logo no início da novela e não existiria qualquer mistério sobre a morte de Marcelo. Foi Flora mesmo e pronto. Mas, revoltada com o mundo, destinaria sua vida a destruir Donatela e retomar sua carreira de cantora. E passaria a disputar tudo com Donatela: o amor de Lara, o coração de Zé Bob, o dinheiro dos Fontini e o sucesso na música. Estaria rolando desde os primeiros capítulos uma campanha para achar o filho roubado de Donatela e o mal de Parkinson, que acomete Pedro (Genézio de Barros), estaria sendo amplamente abordado. O universo da música sertaneja também seria um importante pano de fundo para a história.

A Favorita por Benedito Ruy Barbosa:
O sítio da família Fontini seria bem melhor explorado e se situaria num local ainda mais rural. Irene, Gonçalo (Mauro Mendonça) e Donatela se vestiriam com chapéus e roupas de grife do mundo sertanejo. Já Copola (Tarcísio Meira) e sua família viveriam em cima dos cavalos. Não existiria mistério sobre a morte de Marcelo, e Flora e Donatela seriam inimigas mortais, com a primeira tentando destruir a vida da segunda, mas a segunda sendo uma poderosa fazendeira, que trata a todos com mão de ferro. Os primeiros nove capítulos mostrariam como começou o ódio que envolve a vida de Flora e Donatela, desde a chega da família de imigrantes italianos de Donatela e os ascendentes espanhóis de Flora. Uma grande saga, bem ao estilo do veterano.

A Favorita por Manoel Carlos:
Flora e Donatela ficaram a novela toda numa eterna disputa pela atenção de Lara. E também para conquistar o amor de Zé Bob. Aqui também não existiria qualquer mistério a ser solucionado e as grandes vilãs seriam Irene e Céu (Deborah Secco). A primeira se unindo a Flora para atormentar Donatela e, depois, se voltando também contra Flora por ciúme de Lara. Já Céu infernizaria a vida de Lara e não sossegaria enquanto não roubasse todos os homens da menina e ainda conquistaria o carinho de Flora e Donatela. Tudo por ser dominada por uma profunda inveja. No final, Donatela e Flora teriam de se unir para livrar Lara das maldades de Irene e Céu.



Adoro meter o ”bedelho” na novela dos outros

quarta-feira, 20 de agosto de 2008 por jorgebrasil

De médico e louco todos nós temos um pouco. Complemento essa frase dizendo que todo mundo também é técnico de futebol, jurado de escola de samba, crítico de cinema e autor de novela. E acho que, perto de completar 40 anos (dia 25 de dezembro), estou englobando tudo isso.

Até treinador de ginástica artística estou me sentindo, já que gostaria de dizer umas verdades para Diego Hipólito, Jade Barbosa e Daiane dos Santos…

Só que, com certeza, é a faceta autor de novela que tem me ”possuído” atualmente. Sei que pode parecer fácil falar sobre o trabalho dos outros, mas a cada dia que passa tenho mais vontade de dar meu jeitinho nas tramas que estão no ar.

Todo mundo sabe que eu adoro A Favorita. Reverencio diariamente o talento de João Emanuel Carneiro, mas, mesmo assim, tenho alguns toques para dar a ele. O primeiro é diminuir os desvarios de Augusto César (José Mayer). Além de chato demais, o personagem vai se envolver com Donatela (Claudia Raia), que está numa fase superdramática. Vai ficar muito estranho aquela figura patética contrastando com uma Donatela destruída pelo sofrimento. Para Augusto César eu seguiria o conselho básico que um amigo vive me dando: ”Menos, bem menos, quase nada”.

Outro que precisa de uma mãozinha é Zé Bob (Carmo Dalla Vecchia). Além de cortar o cabelo dele urgentemente, eu daria mais ação para o personagem. Para um jornalista audacioso, furão, corajoso, Zé Bob está passivo demais. Paradão em excesso. Se mexe, Zé Bob!

Outra a quem me dedicaria com afinco é Alícia. Tadinha da Taís Araújo… Tão linda e talentosa, mas relegada a fazer ponta. Eu tentaria incluir Alícia na trama principal da história, de repente, como a nova parceira de investigações de Zé Bob, já que Maíra (Juliana Paes) vai partir dessa para melhor.

E em Beleza Pura? Bem, Betão (Rodrigo Lopez), é amigo demais. Ele é confidente de Joana (Regiane Alves), Helena (Mônica Martelli) e Ivete (Zezé Polessa) e não tem vida própria. Sei que a autora Andréa Maltarolli vai arrumar uma paixão para o personagem, mas, pôxa, isso só deve acontecer no último capítulo e a novela já está chegando ao fim. Eu daria conflitos pessoais para Betão agora mesmo! Chega dele viver à sombra das outras personagens.

Em Ciranda de Pedra não vou dar pitaco de novo. Já dei minhas sugestões para Alcides Nogueira na nota ”Mais Ritmo Nessa Ciranda, Minha Gente!”, que você pode encontrar aqui no site. Já em Malhação, até que esta temporada não é das piores. Só que não suporto mais o esquema ”menina-boa-ama-menino-bom-mas-menina-má-não-deixa-os-dois-serem-felizes!”. Não é possível que no universo dos adolescentes, sempre rico, polêmico e cheio de questionamentos, não exista nada mais criativo para dar uma sacudida na fórmula desgastada da novelinha.

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Não é só na Globo que gosto de dar meus palpites. Os Mutantes, por exemplo, ganharia muito se deixasse de ser uma novela diária para virar série de um episódio por semana. Com isso, o autor, Tiago Santiago, teria mais chance de desenvolver melhor seus personagens, já que não teria o peso de inventar tantas histórias por dia. Com essa mudança, os poderes dos mutantes poderiam ser trabalhos com recursos técnicos mais apurados. Com certeza a equipe de efeitos especiais da Record agradeceria comovida.

A situação é diferente em Chamas da Vida. Se em Os Mutantes há um exagero de cenas de ação, a produção das 21h45 da Record carece de mais emoção. Com um tema ótimo, como o universo dos bombeiros, não faltam idéias para colocar os heróis em situações de risco. Até mesmo o romance entre Carolina (Juliana Silveira) e Pedro (Leonardo Brício) precisa ficar mais caliente. Pimenta-rosa no molho desses dois!!!

Você vai me perguntar: e Água na Boca? Bem, serei muito sincero. Não tenho assistido à produção da Band. Apenas por questão de tempo, porque acho a novela muito bem feita. Mas vou corrigir esse erro o mais rápido possível. Me aguarde!



Casal sem química é uma tragédia para as novelas

quinta-feira, 14 de agosto de 2008 por jorgebrasil


Poucos problemas podem afetar tanto o desempenho de uma novela quanto a falta de química entre um casal romântico. Deve ser um sentimento terrível quando um novelista vê seus personagens tão carinhosamente construídos desmoronarem porque os atores não se entendem em cena. Atualmente, não há nada no mundo que me convença que Carmo Dalla Vecchia e Claudia Raia possam render o principal par de A Favorita. Simplesmente não há liga entre eles. Claudia é demais para o caminhãozinho de Carmo. Quando os dois estão juntos, tadinho, o rapaz vira uma criança perto de um mulherão. Carmo funcionava melhor com Patrícia Pillar e Taís Araújo… Química das boas mesmo tem Cauã Reymond e Mariana Ximenes. Quando Haley e Lara estão juntos, a telinha pega fogo. Dono de uma pegada forte, tudo leva crer que Cauã vai fazer uma bela parceria com Deborah Secco também. Vamos aguardar!

Outro exemplo acontece em Beleza Pura. Regiane Alves e Edson Celulari não deram certo. Ela fica muito melhor nos braços de Humberto Martins e Edson fica bem ao lado de Christiane Torloni. Mas como Joana e Guilherme são os protagonistas da história, certamente vai rolar uma forçada básica para ficarem juntos. Muita gente sempre me escreve querendo saber, afinal, o que é essa história de ”química”.

Bem, basicamente, posso dizer que é aquele entrosamento entre um casal de atores em cena. E afirmar com absoluta certeza quando isso irá acontecer é muito difícil. Por isso, os diretores e autores geralmente gostam de repetir um casal quando ele dá certo. Só que nem mesmo isso é garantia de sucesso. É só lembrar que, em Esperança (2002), Reynaldo Gianecchini e Priscila Fantin viveram um par romântico dos bons, mas ao repeti-los em Sete Pecados (2007), foi tudo por água abaixo. Giane e Priscila não tiveram liga na trama de Walcyr Carrasco.

Confira outros casos de sucesso e fracassos retumbantes de casais românticos em nossas novelas:

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Falta de química

Alzira (Flávia Alessandra) e Juvenal Antena (Antonio Fagundes), em Duas Caras (2008)

Clarice (Lavínia Vlasack) e Daniel (Marcelo Serrado), em Prova de Amor

Isabel (Carolina Dieckmann) e Daniel (Dan Stulbach), em Senhora do Destino (2004)

Do Carmo (Susana Vieira) e Dirceu (José Mayer), em Senhora do Destino

Olívia (Ana Paula Arósio) e Léo (Thiago Rodrigues), em Páginas da Vida (2006)

Júlia (Gloria Pires) e André (Marcello Antony), em Belíssima (2005)

Yolanda (Ana Paula Arósio) e Martin (Erik Marmo), em Um só Coração (2004)

Eva (Malu Mader) e Conrado (Thiago Lacerda), em Eterna Magia (2007)

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Química Explosiva

Serena (Priscila Fantin) e Rafael (Eduardo Moscovis), em Alma Gêmea (2005)

Vivianne (Letícia Spiller) e Naldo (Eduardo Moscovis), em Senhora do Destino (2004)

Débora (Juliana Knust) e Antônio (Otávio Augusto), em Duas Caras (2008)

Cíntia (Helena Ranaldi) e Pedro (José Mayer), em Laços de Família (2000)

Gui (Juliana Paes) e Artur (Murilo Benício), em Pé na Jaca (2006)

Marisol (Danielle Winits) e Esteban (Marcos Pasquim), em Kubanacan (2003)

Edwiges (Carolina Dieckmann) e Cláudio (Erik Marmo), em Mulheres Apaixonadas (2003)

Lurdinha (Cleo Pires) e Glauco (Edson Celulari), em América (2005)

Casais perfeitos

Ficaram famosas as combinações de sucesso entre Tarcísio Meira & Glória Menezes; Regina Duarte & Francisco Cuoco; Eva Wilma & Carlos Zara; Yoná Magalhães & Carlos Alberto, Susana Vieira & José Wilker; Eduardo Moscovis e Carolina Ferraz, só para citar alguns.

Muitas vezes também a química é tão forte que os artistas levam a paixão da ficção para a vida real. A lista é enorme: Tarcísio e Glória (25499 Ocupado), Eva e Zara (Mulheres de Areia), Fábio Jr. e Gloria Pires (Cabocla), Carlos Alberto Riccelli e Bruna Lombardi (Aritana), Letícia Sabatella e Angelo Antônio (O Dono do Mundo), Júlia Lemmertz e Alexandre Borges (Guerras sem Fim), Cássio Gabus Mendes e Lídia Brondi (Meu Bem, Meu Mal), Marcello Novaes e Letícia Spiller (Quatro por Quatro), Edson Celulari e Claudia Raia (Deus nos Acuda), Vladmir Brichta e Adriana Esteves (Kubanacan) e Daniel de Oliveira e Vanessa Giácomo (Cabocla)… Mas trágico mesmo é quando aposta-se tanto que o principal casal da história vai envolver o público em sua linda história de amor e nada acontece. Todo mundo esperava que Murilo Benício e Deborah Secco tivessem uma química bárbara em América (2005), mas que nada. A dupla deu tão errado, que ele acabou nos braços de Gabriela Duarte e ela ficou com Caco Ciocler. Outro exemplo? Malu Mader e Marcos Palmeira em Celebridade (2003). O próprio Gilberto Braga (autor da novela) declarou há pouco tempo que a falta de clima entre os dois atores prejudicou seu principal casal. Ao mesmo tempo, na mesma novela, Cláudia Abreu e Márcio Garcia arrebataram o público na pele dos safados Laura e Marcos. Já em Paraíso Tropical (2007), nada contra Fábio Assunção e Alessandra Negrini. Os dois até que tiveram uma boa química, só que foi na cama de Bruno Gagliasso que a atriz conseguiu um melhor resultado. Quem poderia imaginar que os dois combinariam tão bem? O mesmo pode-se dizer de Renée de Vielmond e Rodrigo Veronese, e de Wagner Moura e Camila Pitanga na mesma novela. Hoje, quando fala-se em Paraíso Tropical só vem à cabeça Olavo e Bebel se ”pegando”.



A Favorita: um marco de nossa teledramarturgia

quarta-feira, 6 de agosto de 2008 por jorgebrasil


No capítulo exibido na terça-feira, dia 5, João Emanuel Carneiro encerrou a primeira parte de sua trama. Ao revelar para o mundo que Flora (Patrícia Pillar) era a assassina de Marcelo, o novelista elevou A Favorita a um dos mais altos patamares da história de nossa teledramaturgia. Que obra foi tão ousada ao entregar seu grande mistério no meio de sua exibição? A Favorita fez isso e vai fazer muito mais. A história tem ainda muitas possibilidades a serem desenvolvidas e confio no talento, na astúcia e na sensibilidade de João Emanuel para nos envolver nessa rede de intrigas.

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Sei que você pode ou não ter gostado de ver a mocinha da novela das 9, por quem torcia fervorosamente, mostrar suas garras e se assumir como a grande vil da trama. Uma víbora que, inclusive, foi punida, já que amargou 18 anos atrás das grades e nada aprendeu com seu sofrimento. Pior: tornou-se ainda mais maléfica. Sei que bate uma pontadinha de traição, afinal, tradicionalmente heroínas são do bem e bandidas são do mal. Mas atire a primeira pedra quem nunca esbarrou com uma Flora? Aquela pessoa do seu trabalho ou até da convivência amorosa que escondia duas caras, conseguia manipular todo mundo com rara habilidade e passava seus dias parasitando a vida de todos sua volta. Eu conheço várias criaturas assim, uma delas, inclusive, teve sua máscara de bom moço retirada bem recentemente, destruindo corações.

E a Donatela (Cláudia Raia)? Diga-me se você também não conhece alguém que, como ela, movida pela emoção, vive metendo os pés pelas mãos, comete inúmeras besteiras, mas no fundo tem um coração enorme? Também já cruzei com algumas Donatelas…

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Por isso, não quero ver ninguém reclamando da falta de coerência nessa virada bombástica de A Favorita. É plenamente possível que, assim como Irene (Glória Menezes), a gente seja manipulado por pessoas ruins que nos decepcionem quando descobrimos toda a verdade. Isso também vai acontecer em A Favorita. Será no terceiro ato da trama, quando todos os personagens conhecerão a verdadeira Flora. Mas, antes disso, vamos acompanhar a segunda fase, que narrará o martírio de Donatela. A perua sofrerá o pão que o diabo amassou na cadeia, só que, "cascuda", ressurgirá fortalecida tal qual o pássaro Fênix, lutando para provar sua inocência.

Esse jogo de gato e rato que João Emanuel Carneiro realizou com o público me lembrou os livros de Agatha Christie que li na adolescência. Como nos suspenses da escritora, eu fiquei roendo as unhas de nervoso a cada novo lance que João Emanuel criava. Agora sabemos que era Donatela quem dizia a verdade. E não vou perder um só capítulo para conferir o que o novelista vai aprontar. Mas já estou morto de pena de Lara (Mariana Ximenes) e Irene (Glória Menezes), que ficarão tão arrasadas quanto você ao se depararem com o ser maligno que vive sob os cachos loiros e meigos de Flora.

Longa vida para A Favorita. E que venham mais produções ousadas, corajosas e cheias de vontade de surpreender o público.