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Sobra movimentação, mas falta “AÇÃO” a Vidas em Jogo

sexta-feira, 12 de agosto de 2011 por Contigo!

Eu assisto a Vidas em Jogo todos os dias. Adoro o texto da Cristianne Fridmann, sou completamente apaixonado pelo Zé (Myllow) e exijo que Beth Goulart seja ao menos indicada aos prêmios de Melhor Atriz Coadjuvante de 2011. Mas essa caprichadíssima produção da Rede Record tem um probleminha que considero bem sério, mas um pouco difícil de explicar. Bem, vou tentar… Apesar de a trama ser muito agitada, nada realmente acontece no fio condutor da novela. Sobram explosões, brigas, sequestros, mas se você pensar: o que realmente aconteceu em Vidas em Jogo?

 

Turma do bolão fica milionária - Foto: Munir Chatack

 

Posso citar a invasão do prédio (no primeiro capítulo), a turma do Bolão da Amizade ter ganhado na loteria, Ernesto (Leonardo Vieira) ter matado Betão (André Ramiro) e… Efetivamente mais nada!!! Achei, inclusive, que o lance da loteria demorou muito para rolar, a final, o fio condutor de Vidas em Jogo gira em torno disso.  Os tais crimes em série, então, só irão começar na reta final da trama. Para piorar, o principal casal romântico da novela – Francisco (Guilherme Berenguer) e Rita (Julianne Trevisol) – nem se tocou direito ainda. Estão num rame-rame sem fim. O que é péssimo, já que o público não tem para quem torcer. Eu, aliás, prefiro que Rita se acerte com o Carlos (André Di Mauro) e viva feliz para sempre com ele e o Zé.

 

Patrícia (Thaís Fersoza) refém de bandidos - Foto: Munir Chatack

 

Com tudo isso fica a impressão de que estão tentando me enrolar. Como conheço a competência da Cristianne sei que não é esse o objetivo dela. Mas ainda insisto que ela precisa dar “viradas” mais impactantes em sua história. Esse é o grande segredo de uma boa novela: sempre surpreender o público. Por outro lado, quem gosta de movimentação não tem do que se queixar. Patrícia (Thaís Fersoza) já levou vários tapas na cara, foi sequestrada, trancafiada na porta mala de um carro e foi feita refém de bandidos. Meu amado Zé levou um tiro, apanhou da vilã e, há pouco, foi atropelado (numa cena que estraçalhou meu coração). Rita quase foi estuprada e Zizi (Lucinha Lins) levou uma surra do marido Adalberto (Luiz Guilherme). Gosto do romance bandido de Regina (Beth Goulart) com Cléber (Sandro Rocha) e Julianne Trevisol está se tornando uma das melhores atrizes de sua geração.
Tudo isso é muito bom e ajuda a entreter o público. Mas são apenas ações isoladas para disfarçar a paralisia de sua trama central. E Vidas em Jogo tem todas as condições de marcar época na Record, como foi com A Escrava Isaura (2004), Cidadão Brasileiro (2006), Chamas da Vida (2008) e Poder Paralelo (2009). Por isso, manda brasa nessa história, Cristianne. Força na peruca, menina!



Autores tentam despistar a imprensa no fim de Insensato Coração, mas quem perde com isso é apenas o público

sexta-feira, 5 de agosto de 2011 por Contigo!

Leo e Norma - Reprodução

Norma (Gloria Pires) vai matar Léo (Gabriel Braga Nunes). Ou o vilão vai acabar com a amante vingativa? Eunice (Deborah Evelyn), Jandira (Cristina Galvão), Sueli (Louise Cardoso), Cortez (Herson Capri) e Fabíola (Roberta Rodrigues) serão suspeitos do possível assassinato de Léo. E Wanda (Natália do Vale), Ismael (Juliano Cazarré), Fabíola e Raul (Antonio Fagundes) poderão exterminar Norma. Além disso, André (Lázaro Ramos) poderá falecer de câncer de próstata e Vinícius (Thiago Martins) tentará eliminar Rafa (Jonatas Faro) e Cecília (Giovanna Lancellotti), mas acabará tirando a vida de Hugo (Marco Damigo) e Eduardo (Rodrigo Andrade). Essa verdadeira carnificina em Insensato Coração está circulando pela internet, nos jornais e revistas. E faria a alegria de Odorico Paraguaçu (Paulo Gracindo), cujo único desejo era conseguir um mísero cadaverzinho para poder inaugurar o cemitério de Sucupira, na inesquecível O Bem Amado (1973).

André e o pai - Montagem

Mas essas informações desencontradas fazem parte de uma estratégia dos autores da trama das 9 da Rede Globo, Ricardo Linhares e Gilberto Braga, para tentar despistar a imprensa. O que não leva a absolutamente nada! Respeito profundamente os dois, mas acho que tudo isso é uma enorme bobagem e um desrespeito sem tamanho com o público. Sim. O papel dos jornalistas é o de divulgar as informações que apura e se capítulos falsos são distribuídos para criar o caos, é mais assunto que as publicações terão para suas capas e chamadas principais. Sendo verdadeiros ou não o leitor tem o direito de tomar conhecimento deles. Até para que não seja pego de calça curta na hora de ver o desfecho da história. Mas tenho conversado com muita gente nas ruas e em chats e a sensação do espectador é sempre a mesma: a de estar sendo feito de bobo por aqueles que deveriam lhe trazer diversão. E eles têm razão. Uma coisa é criar situações dentro da trama para que a pessoa tente descobrir determinado mistério ou um crime… Mas receber informação falsa é apenas irritante, já que não dá direito ao espectador de decidir se o que vai ver lhe agrada ou não. E muitas pessoas garantem que, por causa disso, preferem não assistir nada. Olha que cilada!

Além do que, já ficou comprovadíssimo que tudo mundo quer saber o que vai acontecer na novela. E isso não tira o impacto da cena quando ela vai ao ar e nem baixa a audiência. Pelo contrário! Sempre que a pessoa sabe que, em determinado dia será exibida a sequência que gostaria de ver, fica plantada na frente da telinha. E tem aquele que deixa até de sair de casa por causa disso. E essa parceria de longuíssima data, entre a imprensa e os autores de novela, sempre deu muito certo, afinal, um precisa do outro para trabalhar. E acho mesmo que se não fosse o seguimento jornalístico especializado em novelas, a teledramaturgia não seria a mesma no Brasil.

Logo Fina Estampa - Reprodução
Não acredito que André, Hugo e Eduardo irão morrer. E apesar de muitas pessoas apostarem que será Norma a vítima do “quem matou?”, ainda acho que Léo será o assassinado da vez. Mas isso a gente só vai ter certeza mesmo conferindo Insensato Coração até dia 19. Isto é, se você ainda tiver paciência… O jeito também é torcer muito para que Aguinaldo Silva e sua Fina Estampa não fiquem presos a tantas jogadas e mistérios desnecessários, que só abalam a confiança do público nos novelistas que tanto admiram.



Estou com Salomão Hayalla, de O Astro, e não abro!

sexta-feira, 29 de julho de 2011 por jorgebrasil
salomão hayalla

Daniel Filho como Salomão Hayalla - Foto: Tv Globo/Divulgação

Há muito tempo que não vejo na telinha uma produção tão caprichada e, ao mesmo tempo, tão mal estruturada como O Astro. Não que a “novela/projeto” seja de todo ruim, já que a parte técnica e os protagonistas são excelentes, mas a cada novo capítulo eu fico bobo como falta liga entre as cenas e a forma bruta como tudo vem sendo desenvolvido. Alguém pode até alegar que os cortes bruscos e a rapidez da trama são uma nova linguagem dramatúrgica na TV. Mas se a desculpa for essa, continua não me agradando em nada. Não que eu queira que a história seja mastigadinha, nem acho que os autores e diretores devam subestimar a inteligência do espectador. Nada disso! Mas um mínimo de coerência se faz necessário em qualquer tipo de criação artística.

francisco cuoco

''Alguém sabe me explicar o que foi feito de Ferragus (Francisco Cuoco)?'' - Foto: Tv Globo/ Divulgação

Alguém sabe me explicar o que foi feito de Ferragus (Francisco Cuoco)?  O místico faz aparições para Herculano Quintanilha (Rodrigo Lombardi), mas ele realiza isso da prisão ou do além? Outra: Como foi que Clô Hayalla (Regina Duarte) chegou até Herculano para se consultar? Que Beatriz (Guilhermina Guinle) tivesse indicado o Professor Astro para Silvia (Bel Kutner), até dá para entender. Mas nunca foi mostrada qualquer cena de Clô com as duas… Mas a ricaça simplesmente se materializou na porta do médium para chorar suas pitangas. Essa falta de informação é o pior dos problemas de O Astro. As situações simplesmente se sucedem sem o mínimo de explicação.

Regina duarte ( clô hayalla) e Tiago Fragoso ( Márcio Hayalla)

Regina Duarte ( Clô Hayalla) e Tiago Fragoso ( Márcio Hayalla) - Foto: Tv Globo/ Divulgação

E quer saber? Estou com Salomão Hayalla (Daniel Filho) e não abro. Explico: o coitado trabalhou a vida toda para construir um império, tendo que conviver com dois irmãos parasitas e outro traiçoeiro. A mulher, Clô, é uma histérica, fútil e adúltera e Márcio (Thiago Fragoso) realmente sofre de alguma demência e deveria sim ter sido internado naquela clínica psiquiátrica. O que são as cenas do rapaz jogando fora a carteira de identidade, fazendo cara de doido, agarrando a cabeça? É um perfeito esquizofrênico! Vire e mexe, Márcio reclama que o pai é um déspota e Clô chama o marido de monstro. Mas o que é mostrado é um homem honesto, que não queria prejudicar a construtora de Amanda (Carolina Ferraz), promoveu um jovem e dedicado funcionário do supermercado e é superdelicado com Lili (Alinne Moraes). Se o milionário foi ou é um ser das trevas, O Astro jamais exibiu isso para a gente. Um anjo de candura ele não é, mas que atire a primeira pedra aquele que não acorda, às vezes, com o pé esquerdo. Falta aos autores, Alcides Nogueira e Geraldo Carneiro, elaborar melhor essas relações. Duvido que alguém fique do lado de dois chatos como Márcio e Clô. É fundamental explicitar as falhas de caráter de Salomão e não apenas confiar nas lamúrias de uma mulher fraca como Clô, que se deixou enganar por um gigolô como o Felipe (Henri Castelli).

Rodrigo Lombardi (Herculano) e Carolina Ferraz ( Amanda)

Rodrigo Lombardi (Herculano) e Carolina Ferraz ( Amanda) - Foto: Adilson Lucas/ AgNews

Para não dizer que não curto nada na “novela/projeto”, continuo encantado pelo casal Herculano/Amanda. Que delícia a química dos dois atores e a forma sem pudor com que eles se entregaram à paixão de seus personagens. Mas fora Herculano e Amanda, sobra quase nada em O Astro e espero que fique claro que não dá certo fazer remakes das obras-primas de Janete Clair. Basta lembrar que as novas versões de Selva de Pedra (1972/1986) e Irmãos Coragem (1970/1995) foram fracassos retumbantes. E, na boa, os 60 anos das telenovelas brasileiras mereciam uma comemoração melhor. Janete deve estar se revirando no túmulo…

 



Falta química entre Léo e Norma em Insensato Coração

sexta-feira, 22 de julho de 2011 por jorgebrasil
leo e norma

Norma (Glória Pires) e Léo (Gabriel Braga Nunes) - Foto: Divulgação

Já disse aqui que gosto muito de Insensato Coração. E é verdade. E curtia especialmente Léo (Gabriel Braga Nunes) e Norma (Gloria Pires), dois dos personagens mais amorais da história. Amorais sim porque nenhum deles seguiu na ponte do lápis as “normais” da vida social. A falha de caráter e humanidade de Léo é inquestionável. Ele é um psicopata assustador, capaz de cometer as piores atrocidades. E Norma, até mesmo em sua fase boazinha, levou um desconhecido para transar na casa do homem (Hugo Carvana) de quem era cuidadora. E, convenhamos, isso não é lá muito ético… É claro que Norma sofreu o pão que o diabo amassou, pagou por um crime que não cometeu e teve muitos motivos para ficar rancorosa. Mas também deixou brotar dentro dela uma sede de vingança incontrolável, que a envenenou e a enlouqueceu.

Teodoro (Tarcísio Meira) e Norma (Glória Pires) - Foto: Divulgação

Mesmo com o destino a abençoando com amigos verdadeiros e fiéis, um marido amoroso e milionário (Tarcísio Meira), ela usou seu livre arbítrio para manter o plano de vingança contra Léo. Foi escolha dela assassinar Araci (Cristiana Oliveira) e provocar a morte de Teodoro, Milton (José de Abreu) e Zeca (André Barros). Ela poderia ter evitado tudo isso se simplesmente tivesse optado por seguir seu caminho. Por isso, o título de “vítima” não cabe mais a Norma. Nos próximos capítulos, então, ela se voltará contra Pedro (Eriberto Leão) e Marina (Paola Oliveira) só para proteger Léo. Ou seja: ela passou por cima de tanta gente, prejudicou Deus e o mundo para se vingar e cometerá mais maldades para defendê-lo das pessoas a quem o crápula tanto lesou. Não é à toa que dizem que ódio e amor são sentimentos tão próximos…

Tantos conflitos e contrassensos poderiam render um melodrama sensacional ou uma deliciosa comédia de humor negro. Mas, Infelizmente, Insensato Coração ficou num meio termo perigoso. O relacionamento de Léo e Norma era para ser bombástico, mas virou uma chatice só. Toda vez que começa a tocar aquela música francesa me dá um soninho… A vingança que Norma elaborou tão bem acabou virando um festival de clichês e lugares comuns. Quanta bobagem castigar o vilão, o mandando revirar o lixo atrás de uma aliança. Nada que água e sabão não resolvesse depois…

carolina ferraz e rodrigo lombardi

A quimica que transborda em "O Astro" e falta em "Insensato" Rodrigo Lombardi e Carolina Ferraz

Gloria Pires está extraordinária, materializando as loucuras de sua personagem. Gabriel Braga Nunes também arrasa em cena, mas falta uma liga sexual entre os dois, que transborda, por exemplo, em Rodrigo Lombardi e Carolina Ferraz em O Astro. É a famosa química! Sem ela, o jogo de gato e rato que move a relação de Léo e Norma – que poderia ser de altíssima voltagem – não passa de brincadeira de criança. Lamentável!



O melhor e o pior dos primeiros capítulos de O Astro

sexta-feira, 15 de julho de 2011 por jorgebrasil

Assisti ao primeiro capítulo de O Astro com certa decepção. Em função da altíssima expectativa que nutria em relação à adaptação que Geraldo Carneiro e Alcides Nogueira fizeram para a novela clássica de Janete Clair, eu esperava bem mais do que foi apresentado. Não que a estreia da “sua novela das 11” (como foi anunciado nas chamadas da Globo, apesar de O Astro ser um projeto de 60 capítulos que homenageia a teledramaturgia nacional e não exatamente uma novela) tenha sido ruim. Nem foi isso. Só achei que tudo foi feito rápido demais. Os autores lotaram o capítulo de tramas que poderiam ter sido desenvolvidas com mais capricho.

Foto: Divulgação / Globo

Na boa: alguém realmente ficou satisfeito com a rebeldia de Márcio Hayalla (Thiago Fragoso)? Em nenhum momento mostrou-se uma atitude déspota, cruel ou agressiva de Salomão (Daniel Filho) com o herdeiro e nem mesmo com a mulher, Clô (Regina Duarte). No segundo capítulo Márcio ainda nos informou que o pai nunca lhe deu amor, carinho e só pensava em dinheiro, dinheiro, dinheiro… Um discurso, aliás, datado e chatísssimo. Mas mostrar mesmo que Salomão merecesse passar por tamanha vergonha, isso a “novela” não exibiu mesmo!

Foto: Divulgação / Globo

A mesma situação ocorreu com a transformação do picareta Herculano no grande ilusionista Professor Astro. A relação e o aprendizado dele com Ferragus (Francisco Cuoco) também poderiam ser muito melhor explorados. Achei essa história bem solta no ar. Mas numa conclusão bem clara eu cheguei: Rodrigo Lombardi nasceu para usar turbante, lenço, chapéu… É impressionante como ele cresce, até como ator, no momento que está com um troço desse cabeça… Mas vamos às decepções e alegrias da primeira semana de O Astro:

Foto: Divulgação / Globo

CURTI!

- Rodrigo Lombardi está maravilhoso. Deu densidade e coerência a um personagem implausível. A gente nem lembra que ele “cometeu” o Mauro, de Passione (2010)…

Foto: Divulgação / Globo

- Há muitos anos que não vejo Carolina Ferraz tão esplendorosa. Eu apostava que ela iria virar uma das maiores estrelas da Globo, mas no meio de sua ascensão foi relegada à papéis menores. Agora volta ao primeiro time e com uma ótima atuação. Ela que é dada a arroubos de interpretação, vem mantendo uma discrição que faz muito bem para a Amanda.

Foto: Divulgação / Globo

- Humberto Martins, Reginaldo Faria, Daniel Filho, Marco Ricca, Guilhermina Guinle e Frank Menezes são outros acertos do elenco. Mesmo tendo aparecido pouco, Marcela Muniz também fez bonito com uma personagem super amarga.

- A abertura é magnífica. Além de manter a canção original da trama de 1977 (Bijuterias), o rosto de Rodrigo Lombardi alternando com símbolos místicos deu um ar misterioso para a exibição dos créditos da “novela”.

- A trilha sonora em geral é ótima. Adorei ouvir sucessos dos anos 1970, como The Commodors, Barry White e Donna Summer.

- Gostei demais também das telas divididas. Sei que não é exatamente um recurso novo, mas foi muito bem empregado. Ficou lindo nas cenas em que Herculano e Amanda pensavam um no outro.

- Muito boa também a perseguição sofrida por Herculano, logo nas primeiras cenas. A opção por mostrar o que tinha acontecido com um vai e vem no tempo foi uma excelente ideia.

Foto: Divulgação / Globo

NÃO CURTI!

- Regina Duarte está exagerada até dizer chega. É cada careta, arregalar de olhos e gritos que não combinam em nada com a personagem. Para a Viúva Porcina (de Roque Santeiro), tudo bem. Mas Clô pedia uma atuação mais interiorizada.

Foto: Divulgação / Globo

- Outros careteiros do elenco, Alinne Moraes e Henri Castelli ainda não disseram ao que vieram. Já Thiago Fragoso atua bem, mas o papel é de uma chatice…

- Foi meio ridícula a cena do restaurante entre Herculano e Amanda. Era mesmo necessário os dois saírem de carro, andarem por sei lá quantos quilômetros para trocarem meia dúzia de palavras e ela ainda deixar o rapaz falando sozinho? Por que isso não foi feito dentro do veículo mesmo? Amanda poderia ter esquecido o celular com Herculano de outra forma.

- Tem algo de estranho no rosto de Guilhermina Guinle ou é impressão minha?

- A cena em que Márcio tirou a roupa, numa alusão à famosa passagem de São Francisco de Assis, que deixou a fortuna de sua família para se dedicar aos necessitados, não teve o menor impacto. Quando foi exibida em 1978, foi um escândalo, além de bem dirigida e interpretada. Na adaptação, foi de um artificialismo sem fim.



Muita saudade Susana Vieira… com S!!!

sexta-feira, 8 de julho de 2011 por Contigo!

Quem lê o título desse texto leva um susto. “Como assim esse cara está com saudades de Susana Vieira? Ela acabou de fazer Lara Com Z!!!”, certamente alguém perguntará… Pois é. Exatamente por isso… Sou de uma época em que se um autor de novela quisesse uma atriz para segurar um papel complexo e transformá-lo num grande sucesso, o nome de Susana era o que vinha à mente. Basta lembrar o “estrago” que Susana fez com as protagonistas de Os Gigantes (1978), Fera Ferida (1993), Por Amor (1998) e Chiquinha Gonzaga (1999), roubando todas as cenas em que aparecia.

Susana era do tipo de atriz que, mesmo tendo uma personalidade fortíssima, vestia a personagem que tinha nas mãos com maestria. Sempre me deliciei com ela em cena, não só na televisão, mas também no teatro, com suas atuações divinas nas peças A Partilha, A Vida Passa, A Dama do Cerrado e Água Viva. Lembro-me de um texto gigante que ela interpretou em Mulheres Apaixonadas (2003), de Manoel Carlos, que era praticamente um monólogo. Lorena destruía Expedito (Rafael Calomeni) por tê-la traído e o rapaz, coitado, não dizia uma palavra. Mas Susana mandou ver e foi de arrepiar. Inesquecível mesmo. E olha que Lorena nem é dos papéis mais reverenciados de sua carreira… Mas ela estava extraordinária.

E aí veio Senhora do Destino (2004), um sucesso retumbante, talvez o maior de sua carreira. Maria Do Carmo realmente era um luxo e Susana deu um show, mesmo tendo Renata Sorrah endiabrada dando vida à melhor vilã da história das telenovelas: a bandida e maléfica Nazaré. Só que, depois disso, Susana embarcou numa viagem estranha… A persona Susana Vieira cresceu tanto, mas tanto que afogou aquela atriz tão especial. Vieram as calamidades Duas Caras (2008), Cinquentinha (2009) e Lara Com Z (2011) e tudo degringolou. Sinceramente: alguém viu alguma diferença entre Branca Maria Barreto Pessoa de Morais (de Duas Caras) ou Lara Romero (das duas séries)? As personagens não passaram de desculpa para Susana se ver representada na telinha. Eram todas iguais: mulheres poderosas, absolutas, invencíveis, lindas, glamurosas… Como ela é na vida real. Acho isso péssimo! Um bom ator deve sumir em seus trabalhos e não transformá-los em representações de sua própria imagem e semelhança.

Estou com saudades da Susana com S… Se bem que seu nome verdadeiro é Sônia. A Susana verdadeira da família dela é a Gonçalves, também atriz e sua irmã, de quem “roubou” o nome. Torço sinceramente para que Susana Vieria volte logo ao ar numa personagem surpreendente. Pode ser uma mulher humilde (como a Zizi, Vidas em Jogo) ou uma desprovida de vaidades (como a Dulce, de Morde & Assopra) ou ainda uma solteirona inconveniente e cachaceira (como a Tia Neném, de Insensato Coração). Ou seja: qualquer uma que não tenha nada de Susana ou Lara!

10 personagens inesquecíveis de Susana Vieira na TV:

A Sucessora(1978)
Anjo Mau(1976)
Por Amor(1998)

A Sucessora(1978), Anjo Mau(1976), Por Amor(1998)

Fera Ferida(1993)
Senhora do Destino (2004)
Escalada(1975)

Fera Ferida(1993), Senhora do Destino (2004), Escalada(1975)

Os Gigantes(1979)
Chiquinha Gonzaga (1999)
Cambalacho(1986)
Lua Cheia de Amor(1990)

Cambalacho(1986), Chiquinha Gonzaga (1999)



Norma: A Dona do tal Insensato Coração

sexta-feira, 1 de julho de 2011 por jorgebrasil

Acho que ninguém tem mais dúvidas de que o tal insensato coração, que dá título à novela das 9 da Globo, pertence a Norma (Gloria Pires), não é mesmo? Acredito que foi por causa disso que Ana Paula Arósio tenha “sartado” fora do projeto com as gravações já iniciadas, afinal Marina foi anunciada como a protagonista da novela, o que definitivamente nunca foi, não é, e jamais será. A dona da bola, melhor dizendo do coração, é mesmo Norma.

Sei que muita gente reclama que Norma enveredou por um caminho perigoso. Era uma mulher cuja vida fora destruída por um homem sem escrúpulos e que só queria se vingar dele. Mas acabou virando um serial killer acidental. Sim, porque mesmo que ela tenha matado Araci (Cristiana Oliveira) para salvar a própria pele, foi um crime covarde. Teodoro (Tarcísio Meira) morreu do coração, mas foi porque ela o deixou frágil com aquela história das toalhas molhadas. E Milton (José de Abreu) foi atropelado porque ela mandou Ismael (Juliano Cazarré) dar um “susto” no coroa. Por mais que a gente torça por ela e saiba que a moça já sofreu demais, uma santinha Norma não é de jeito nenhum.

Pelo menos agora, Norma está lavando a alma de todo mundo que queria ver Léo (Gabriel Braga Nunes) sendo castigado por todas as maldades que cometeu. E o pilantra vai comer o pão que o diabo amassou. Imagino como os autores, Gilberto Braga e Ricardo Linhares, se divertiram criando as maldades que Norma apronta para Léo. Todas ma-ra-vi-lho-sas, diga-se de passagem! Brilhante como sempre, Gloria Pires tem arrebentando em absolutamente todas as cenas em que aparece. O talento dessa mulher é tão grande que chega a me deixar sem fôlego. E para coroar esse momento inspirado, temos Gabriel Braga Nunes literalmente com o diabo no corpo. É a união da fome com a vontade de comer (risos). E o banquete é todo deliciado pelo público.

Mas como quem avisa amigo é… O já citado insensato coração da Norma vai se manifestar mais uma vez em capítulos futuros. Mesmo com o requinte de crueldade que pratica contra Léo, na verdade Norma esconde uma paixão arrebatadora pelo vilão. Ela acha que o castigando física e psicologicamente conseguirá matar amor que sente por ele, mas é tudo ilusão. Na reta final da trama, Norma cairá mais uma vez na rede de sedução de Léo, que lhe aplicará um novo e terrível golpe. Isso vai dar uma raiva danada na gente? É claro! Mas essa “burrada” da ex-auxiliar de enfermagem é totalmente coerente com a trama central da novela: da mulher cuja vida foi totalmente destruída por não conseguir controlar seu insensato coração.



Luiz Fernando Guimarães e Marcello Novaes : Dois erros de escalação na preciosa Cordel Encantado

segunda-feira, 27 de junho de 2011 por jorgebrasil

Não existe nada mais bacana do que um ator que ”veste” perfeitamente o personagem que está interpretando. É claro que talento é fundamental, mas adequação física e até emocional também são importantes. Por isso, os produtores de elenco e diretores se esmeram tanto na hora de escolher os atores para uma novela, filme, série… Muitas vezes, o autor já escreve pensando em determinado artista, o que é ótimo. Agora… Quando uma escalação é equivocada, Deus nos acuda! É a treva!

luiz fernando guimarães e marcello novaes

Luiz Fernando Guimarães como o vilão Nicolau e Marcello Novaes como o gago Quiquiqui - Foto: TvGlobo/Divulgação

Cordel Encantado é uma pequena obra-prima de nossa teledramaturgia. Mas dois atores ali não conseguem incorporar seus papéis e o resultado é muito artificial. Desde o primeiro capítulo da novela das 6 que venho reclamando de Luiz Fernando Guimarães como o vilão Nicolau. Pensei que pudesse ser apenas questão de tempo até ele acertar o tom, mas a trama já passou do capítulo 60 e nada. Luiz Fernando não convence como malvadão, não tem o menor sexy appeal nas cenas de sedução com Débora Bloch e Nanda Costa e nem ao menos está engraçado. Já Marcello Novaes está constrangedor como o gago Quiquiqui. O personagem pedia um ator mais delicado ou pelo menos com mais experiência no humor, já que Quiquiqui está numa linha muito tênue entre o lírico e a caricatura. E Marcello despencou no exagero. Enquanto os outros atores de seu núcleo realmente atuam, ele parece estar participando de um quadro do Zorra Total. Fico imaginando se o ideal não teria sido inverter os atores. Marcello Novaes encarnaria a vilania de Nicolau e Luiz Fernando Guimarães mergulharia na comédia com Quiquiqui. Acho mesmo que o resultado seria outro. Mas agora Inês está morta…

Maria Clara Gueiros e Ricardo Tozzi

Maria Clara Gueiros e Ricardo Tozzi - Foto: TvGlobo/Divulgação

Tem outros casos no ar atualmente. Menos graves, é claro. Em Insensato Coração, Bibi nunca poderia ter sido entregue a Maria Clara Gueiros. Na descrição da personagem, Bibi é uma mulher, linda, exuberante, sexy, que traça todos os homens que aparece sem precisar apelar para seu dinheiro. Sem um pingo de sensualidade, o que Maria Clara fez foi transformar Bibi num tipo clássico de programa de humor, pronto a fechar a cena com um bordão. A sorte é que ela pegou um Ricardo Tozzi inspiradíssimo, que fez do bruto Douglas uma figura impagável, conseguindo humanizar um pouco a extremamente fictícia Bibi.

humberto martins suzana vieira

Humberto Martins com Suzana Vieira em "Lara com Z", e como o mal caráter Neco em "O Astro" - Foto : TvGlobo/divulgação

Em Lara Com Z, Humberto Martins jamais “caberia” num papel frágil como Leandro. É visível que ator se esforça muito para compor o personagem, mas a cada episódio fica mais evidente o erro de escalação. Se eu fosse o autor da série, Aguinaldo Silva, teria criado algum acidente, que tirasse Leandro de vez da história. Do jeito que está, pegou mal para o ator e para o diretor, Wolf Maya, que, ao menos aparentemente, não se mostrou capaz de guia-lo rumo à interpretação correta.

Para a sorte de Humberto e de seus fãs, o ator emendou as gravações de Lara Com Z com as de O Astro e ganhou um personagem à sua altura. Pelo que vemos nas chamadas da minissérie, Humberto está fantástico como o picareta Neco, amigo da onça e rival de Herculano Quintanilha (Rodrigo Lombardi). Mas para ter certeza disso teremos que esperar a estreia de O Astro, na terça-feira, 12 de julho. Até lá!



Não existem pequenos papéis para quem tem talento

sexta-feira, 17 de junho de 2011 por jorgebrasil

Cristina Galvão, a Jandira de Insensato Coração; Narjara Turetta, a Lilian de Morde & Assopra, e Ilva Niño, a Dona Cândida de Cordel Encantado. Fotos: Globo / Divulgação

Acredito fortemente no tema desta critica. Para bom ator não existe papel pequeno, da mesma maneira que não há personagem maravilhoso que sobreviva a um profissional sem talento. Os exemplos são inúmeros, mas vou me fixar em apenas três, para homenagear tantos outros: Cristina Galvão, a Jandira de Insensato Coração; Narjara Turetta, a Lilian de Morde & Assopra, e Ilva Niño, a Dona Cândida de Cordel Encantado. Atrizes de gerações diferentes, com trajetórias e estilos bem distintos, mas com a mesma entrega aos projetos em que estão participando, independente da posição em que seus nomes apareçam nas aberturas de suas novelas.

Cristina Galvão já foi mocinha romântica (em Roque Santeiro, 1985), jovem batalhadora (Vale Tudo, 1988), Rolinha de coronel (Tieta, 1989), ambulante (Duas Caras, 2008)… E, apesar de suas personagens estarem sempre à margem das tramas principais, ela nunca falhou, sempre brindando o público com belíssimas atuações. Se bem que, agora, em Insensato Coração, ela está bem no centro da melhor história da novela escrita por Gilberto Braga e Ricardo Linhares: como a principal parceira de Norma (Gloria Pires) no plano de vingança contra Léo (Gabriel Braga Nunes).

Além de ser uma profissional com um repertório vastíssimo, Cristina guarda um grande trunfo: a força de seu olhar. A atriz passa toda sua emoção num simples olhar e passa a impressão para o público que ela nunca está a fim de ser o centro das atenções (apesar de ter competência para isso) e sim contribuir para que a cena seja a melhor possível. Sua parceria com Gloria Pires vem de longa data – elas fizeram juntas Vale Tudo, O Dono do Mundo (1991) e Paraíso Tropical (2007) – e, talvez, essa intimidade explique a química tão boa que existe entre elas. Não me canso de repetir que é sempre um prazer ver Cristina Galvão atuando!

Narjara Turetta começou a trabalhar bem novinha. E antes mesmo de estourar como Elisa, a filha de Regina Duarte em Malu Mulher (1979), ela já tinha no currículo participações nos programas A Grande Gincana (1971) e Essa Gente Inocente (1975) e nas novelas Papai Coração (1976), Um Pedaço de Papel (1977) e Salário Mínimo (1978). Ou seja: aos 13 anos ela já era uma veterana. E foi essa a postura e o sucesso que fez em Malu Mulher que a credenciou a se tornar uma das maiores estrelas do país. Mas isso nunca aconteceu. O motivo é um desses mistérios insondáveis… Narjara trabalhou intensamente, emendando uma produção na outra até 1990. De repente, sumiu e apenas sete anos depois reapareceu fazendo aparições na série Caça Talentos e nos programas Você Decide, Linha Direta, Casos e Acasos, Zorra Total… Mesmo assim esporadicamente… Até surgirem oportunidades em Vidas Cruzadas (2000), na Record, e em Páginas da Vida (2006), na Globo, que se revelaram duas frustrações por culpa da falta de investimento dos autores nas personagens.

Foi preciso que Walcyr Carrasco a recrutasse com um papel pequeno (mas com ótima trama, conflito, drama e até mistério) para que Narjara tivesse a chance real de aflorar e mostrar todo aquele talento que apenas um público com mais de 35 anos realmente pôde desfrutar. Já ficou claro para todo mundo em Morde & Assopra que Lilian é a verdadeira mãe da insuportável Alice (Marina Ruy Barbosa). O que levou a moça a abrir mão da própria filha ainda não foi revelado e o momento em que a menina descobrir que a tal “vira-lata” (como ela chama os pobres) é na verdade a mulher que a gerou, certamente vai render momentos gloriosos para Narjara e Marina. Mas, mesmo antes disso acontecer, ela vem arrebentando. A dor contida de Lilian, a humilhação que passa para poder ficar ao menos perto da garota e as tentativas de torná-la mais amável são armas nucleares nas mãos de uma atriz com tanta fome de explodir o mundo com seu talento. Tenho me emocionado sempre com Narjara na novela e torço demais para que a Justiça realmente tenha sido feita e que ela nunca mais abandone o lar que sempre foi seu: a televisão.

Ilva Niño é um baluarte da telinha. Eu praticamente cresci ao lado dela e acho que assisti a 90% de tudo que ela já fez na telinha. É verdade que nada vai superar a Minaaaaaaaaaaaaaaaaa, de Roque Santeiro (1985), esganadamente gritada pela Viúva Porcina, vivida por Regina Duarte. Mas a trajetória de Ilva é rica demais e inclui participações em outras novelas extraordinárias, como Gabriela (1975), Água Viva (1980), Pedra Sobre Pedra (1992), O Rei do Gado (1996), Por Amor (1998), Senhora do Destino (2004), Alma Gêmea (2005) e A Favorita (2008), entre muitas outras. E, em todas, ela deixou sua marquinha bem registrada. Sua figura é pequena em tamanho, mas enorme em competência. E curiosamente esta senhora de 73 anos conseguiu dois de seus melhores papéis bem recentemente: a Ernestina, de Cama de Gato (2009), e a Dona Cândida, de Cordel Encantado, duas tramas das maravilhosas Duca Rachid e Thelma Guedes. Não sei se isso é apenas coincidência ou se Thelma e Duca, como eu, também são fãs dela. Aposto na segunda opção!!! Em Cordel Encantado, a veterana tem ficado maior do que os homens do bando do Capitão Herculano (Domingos Montagner), já que ela é a grande força motora e a cabeça do grupo e não o temido cangaceiro. Ilva tem sido mandona e autoritária, mas também doce e maternal, alternando esses temperamentos tão fortes com muita precisão.

Cristina, Narjara, Ilva são apenas três muitos exemplos de que não é preciso uma beleza extraordinária ou páginas e páginas de falas para um bom artista poder se destacar. E quando se encontram nessa posição, brilham com ainda mais intensidade. O bom de um produto democrático como uma novela é exatamente a possibilidade de deixar aqueles que têm talento genuíno também conseguirem um lugar ao sol.



Assistir Cásia Kis Margo, em Morede & Assopra, dá orgulho de ser brasileiro

sexta-feira, 10 de junho de 2011 por jorgebrasil

Klebber Toledo ( Guilherme ) e Cássia Kiss ( Dulce )

Não faço o gênero ufanista. Nem fico bradando por ai “oh, meu Brasil, brasileiro e tal!”. Mas se tem algo que me deixa com orgulho de ser brasileiro são os incontáveis talentos com quem tenho me deparado por essa vida de meu Deus. E em todas as áreas! Recentemente assisti ao documentário Lixo Extraordinário e fiquei fascinado com a genialidade do artista plástico Vik Muniz. Como pode uma cabecinha bolar tanta coisa bacana? O mesmo acontece na música, na escrita, na dança… Hoje, entre tantos atores e atrizes que brilham em nossa telinha – e vários já comentei aqui –, ninguém tem me encantado mais do que Cásia Kis Magro. Ela está simplesmente soberba em Morde & Assopra, como a sofrida, mas batalhadora, Dulce.

Cena do Filme Chico Xavier

Tudo bem! Essa mudança estranhíssima no nome dela também me incomodou muito. E se fosse com outra atriz, do jeito que eu sou implicante, a essa hora já estaria reclamando… Mas Cásia está nos brindando com uma atuação tão intensa, dramática e emocional que não tenho outra reação a não ser tirar o chapéu para essa mulher. Não que seja exatamente uma novidade falar que Cásia Kis Magro é uma grande atriz. Sua trajetória na telinha e no cinema é seu melhor cartão de visitas. Na semana passada mesmo ela foi eleita a Melhor Atriz Coadjuvante de 2010, no Grande Prêmio do Cinema Brasileiro, por seu desempenho doído no filme Chico Xavier. Justíssimo! E tenho certeza que, no ano que vem, ela receberá todos os troféus possíveis e imagináveis por sua interpretação em Morde & Assopra.

A composição física da personagem já é fortíssima. Dulce é feia, tem dentes horríveis, fala mal… Foi uma mulher que deixou de lado a vaidade ou qualquer atributo próprio para dar educação e uma vida melhor para seu filho, Guilherme (Klebber Toledo). Mas o rapaz, um vagabundo por natureza, jogou fora o suado dinheirinho dado pela mãe para estudar e preferiu se dar bem na vida aplicando golpes mirabolantes. Nas cenas em que Guilherme humilhou a mãe, confessando que sentia vergonha dela, a dor de Dulce foi tão tocante que foi até difícil de assistir. Ninguém com um pingo de sensibilidade gostaria de ver uma pessoa tão boa sofrendo assim.
Outras sequências como essa vieram e a força de Cásia ajudou até a seu jovem parceiro de elenco a crescer profissionalmente. Mas não deve ser nada fácil para Klebber “enfrentar” um “monstro” como Cásia todo dia no trabalho.

Guilherme ( Klébber Toledo ) que implora a ajuda de Dulce ( Casia Kis Magro )

Mas qualquer cena para ela é uma grande cena. Sua simples presença num enquadramento, mesmo que não tenha falas, já basta para os olhos do público se fixar nela. O trabalho que Cásia vem desenvolvendo na trama das 7 da Globo, é de uma maturidade tão grande que eu fico pensando: “O que mais essa criatura ainda fará para me surpreender?”. Acredito que muito mais… E torço por isso! Não me canso de aplaudir e dizer que é por talentos como Casia Kis Magro que realmente sinto orgulho por ser brasileiro.

10 momentos inesquecíveis de Cásia Kis Magro na TV

Verona, de Livre Para Voar (1984)

Lulu, de Roque Santeiro (1985)

Leila, de Vale Tudo (1988)

Ana, de Barriga de Aluguel (1990)

Maria Marruá, de Pantanal (1990)

Ilka Tibiriçá, de Fera Ferida (1993)

Adma, de Porto dos Milagres (2000)

Henriqueta/Teresa, de Cobras & Lagartos (2006)

Mariana, de Paraíso (2009)


Dulce, de Morde & Assopra (2011)