Glória Pires vai às compras em shopping no Rio de Janeiro
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Na semana passada fui participar de uma feira do livro em Poços da Caldas, no sul de Minas. Cheguei uma hora e meia antes da palestra-bate-papo e resolvi me dar, literalmente, um banho em prol da vaidade. Por 15 reais ganhei direito a um banho de vinte minutos com água sulfurosa, a 37 graus.
Não fazia idéia do quanto quente significavam os 37 graus. Comparei com a temperatura da pele com febre e achei suportável. Mas, a primeira coisa que fiz ao entrar na banheira de água cinzenta, foi tirar o pé correndo e pensar seriamente em ir embora. Para não desistir, tentei praticar o exercício mental de quando era criança e que consistia em imaginar a sensação de outra temperatura quando a real não é das melhores. Não sei se deu certo. O fato é que consegui deitar na banheira e ficar imersa.
Queria relaxar enquanto a água leitosa e mal cheirosa promovia milagres na minha pele, na minha estrutura óssea e na minha vida em geral. Queria. Mas eu só conseguia olhar para o cronômetro, na esperança de acabar logo com os vinte minutos. Para ajudar a passar o tempo e já que eu estava ali, resolvi fazer auto-massagem facial, escorrendo a água pelo rosto em movimento circulares. Cinco minutos e doze segundos depois comecei a sentir enjôo e suar feito uma desesperada. Sentei e, guerreira (porque eu não podia desistir), debrucei a cabeça para fora da banheira. Não sabia se podia ficar ali, se podia sair, se tinha que fazer o quê. Não sabia qual era a regra para tomar banho de água sulfurosa e ficar linda.
Levantei e me enrolei na toalha, tentando ignorar o cronômetro e a minha pouca persistência. Gastei o restante do tempo acalmando o estômago e a vontade de vomitar. Quando, finalmente, voltei a me sentir bem, fui conferir no espelho o milagre imediato da imersão. Não sabia se ria, chorava ou pedia socorro. Minha cara estava vermelha como um tomate. Não uma coradinha graciosa, um furor sedutor, um queimado de sol. Não. Eu estava um tomate apavorante. E a palestra acontecia em meia hora. Joguei água fria. Rezei. Respirei fundo. Gastei um tubo de base bege claro e meio pote de pó tentando disfarçar o vermelhão. Fiquei rosa, com cara de boneca de louça antiga, ou cara de louca moderna. Cheguei à feira em cima da hora, pronta para dividir a cena com a filósofa-contemporânea-professora-universitária-feminista. Ela, ultra intelectual. Eu, ultra boneca. Acho que não passei a melhor das impressões. Mas, quer saber? Não importa. O importante é que minha cara voltou à cor normal depois de três dias e eu nunca mais deixo a vaidade me dar um banho sem saber antes o que isso realmente significa.





































