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Quando a vaidade dá um banho

sexta-feira, 11 de maio de 2012 por Maria Dolores

Glória Pires vai às compras em shopping no Rio de Janeiro
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Na semana passada fui participar de uma feira do livro em Poços da Caldas, no sul de Minas. Cheguei uma hora e meia antes da palestra-bate-papo e resolvi me dar, literalmente, um banho em prol da vaidade. Por 15 reais ganhei direito a um banho de vinte minutos com água sulfurosa, a 37 graus.

Não fazia idéia do quanto quente significavam os 37 graus. Comparei com a temperatura da pele com febre e achei suportável. Mas, a primeira coisa que fiz ao entrar na banheira de água cinzenta, foi tirar o pé correndo e pensar seriamente em ir embora. Para não desistir, tentei praticar o exercício mental de quando era criança e que consistia em imaginar a sensação de outra temperatura quando a real não é das melhores. Não sei se deu certo. O fato é que consegui deitar na banheira e ficar imersa.

Queria relaxar enquanto a água leitosa e mal cheirosa promovia milagres na minha pele, na minha estrutura óssea e na minha vida em geral. Queria. Mas eu só conseguia olhar para o cronômetro, na esperança de acabar logo com os vinte minutos. Para ajudar a passar o tempo e já que eu estava ali, resolvi fazer auto-massagem facial, escorrendo a água pelo rosto em movimento circulares. Cinco minutos e doze segundos depois comecei a sentir enjôo e suar feito uma desesperada. Sentei e, guerreira (porque eu não podia desistir), debrucei a cabeça para fora da banheira. Não sabia se podia ficar ali, se podia sair, se tinha que fazer o quê. Não sabia qual era a regra para tomar banho de água sulfurosa e ficar linda.

Levantei e me enrolei na toalha, tentando ignorar o cronômetro e a minha pouca persistência. Gastei o restante do tempo acalmando o estômago e a vontade de vomitar. Quando, finalmente, voltei a me sentir bem, fui conferir no espelho o milagre imediato da imersão. Não sabia se ria, chorava ou pedia socorro. Minha cara estava vermelha como um tomate. Não uma coradinha graciosa, um furor sedutor, um queimado de sol. Não. Eu estava um tomate apavorante. E a palestra acontecia em meia hora. Joguei água fria. Rezei. Respirei fundo. Gastei um tubo de base bege claro e meio pote de pó tentando disfarçar o vermelhão. Fiquei rosa, com cara de boneca de louça antiga, ou cara de louca moderna. Cheguei à feira em cima da hora, pronta para dividir a cena com a filósofa-contemporânea-professora-universitária-feminista. Ela, ultra intelectual. Eu, ultra boneca. Acho que não passei a melhor das impressões. Mas, quer saber? Não importa. O importante é que minha cara voltou à cor normal depois de três dias e eu nunca mais deixo a vaidade me dar um banho sem saber antes o que isso realmente significa.



Inspiração

quinta-feira, 3 de maio de 2012 por Maria Dolores

Gisele Bündchen integra a lista das 100 mulheres mais inspiradoras do mundo

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A minha inspiração, no atual momento, não é Gisele, nem Sofia Loren (para quem se lembra dela), nem Chayene, ministra de todos os poderes ou alguma das vencedoras do prêmio Nobel. A minha inspiração, no atual momento, é uma cadeira cor de rosa. Pela primeira vez na minha curta (embora já não tão curta) vida, investi exatos onze reais e noventa centavos em uma revista de decoração estilo “inspire-se-em-mim-e-faça-você-mesma” ou “inspire-se-em-mim-e-transforme-a-sua-casa-em-um-lugar-mega-legal-moderno-aconchegante-e-diferenciado”.

Na capa da revista, a cadeira cor de rosa. Não, não perdi a noção do perigo. Sei que, em hipótese alguma – nem sob graves ameaças de separação, abandono do lar, almoço sem carne por uma semana ou greve de sexo – conseguirei convencer o F., meu marido, a aceitar no espaço comum do apartamento a cadeira cor de rosa. É uma batalha perdida. E, às vezes, é bom a gente reconhecer até onde vai a nossa força. Mas, se não posso ter a cadeira cor de rosa, quero muitas cores espalhadas pela casa nova. Porque depois de oito anos vivendo entre móveis (e pedaços deles) doados pela nossa gentil família ou sobreviventes de república estudantil, resolvemos virar a página e transformar a morada em uma casa de verdade.

Nada de manta peruana azul sobre o sofá laranja desbotado espuma-sim-espuma-não. Nem de cadeira colada com durepox, cascolar e gominhas de cabelo cores e modelos variados. Ou cortina quebrada amarrada com faixa-lilás-do-ex-vestido-roxinho-de-verão. Agora, temos um jogo de sofá de gente grande. Mesa e cadeiras que não exigem equilíbrio físico e mental para não esborracharem no chão. Televisão capaz de ser acionada apenas com o toque mágico do controle remoto, sem palitinho de comida japonesa para o on/off e figas para o som. Só falta a decoração. E aí é que pega.

Tenho muitíssimas qualidades, mas noção de espaço x bom senso estético não está, definitivamente, entre elas. Como não quero uma casa estilo pronta entrega, dessas que parecem show room, recorri à revista com mil referências de decoração. Só não sei o que fazer com elas. Na revista parece tudo tão simples. É só agrupar objetos por cores em cantos específicos, pregar quadros descolados em molduras brancas a partir da altura das portas, misturar almofadas lisas e estampadas multi coloridas, montar um painel de retratos singelos e inusitados em preto e branco, transferir os livros do armário para estantes também brancas e intercalá-los com objetos curiosos, tipo um porquinho cantor e fitinhas do Bomfim, emoldurar bilhetinhos escritos à mão e uma garrafa de vinho de uma noite importante, espalhar objetos de viagens ou de valor sentimental, destacar displicente um recorte de jornal e, embora não mencionado pela revista, intercalar tudo isso aos brinquedos do filho pequeno, instrumentos musicais do marido e objetos não identificados do filho adolescente ou esquecidos pelos visitantes frequentes. Por fim, tentar encontrar a saída.

Socorro. Acho que quero voltar a viver no improviso.



De volta ao rumo

terça-feira, 10 de abril de 2012 por Maria Dolores

“Vivo o dilema de toda mulher contemporânea”

Por um minuto, ou cinco, o rádio ficou mudo. No palco, o japonês contava sobre suas casas de papelão. A plateia, fascinada, ouvia. As imagens vivas na tela, o escuro discreto no salão. A voz do tradutor vazando pelos fones de ouvido. Um mantra para quem conseguiu respirar um pouco depois de um período de tensões sobrepostas. Eu estava em pé há tanto tempo que a dor na sola dos calcanhares deu lugar a sensação de não tê-los. De repente,  meus pés haviam sumido. Era como se eu estivesse flutuando. Era como se eu não estivesse ali.  Foi então que comecei a pensar em por que estava ali, em qual caminho tortuoso eu havia me metido para estar plantada, de pé, uniforme preto devidamente limpo e passado, rádio HT no ouvido, atenta ao sinal para recolher fichas de perguntas da plateia e levá-las ao palestrante, ou trocar cadeiras de lugar, ou acompanhar convidados até o carro, ou atender o telefone e anotar recados para outrem, ou reposicionar os “passa-um” à fim de facilitar o fluxo das filas.

Em que instante consciente troquei o conforto da minha cadeira e a tranquilidade da tela em branco pelo corre corre da produção? Por qual motivo abandonei a minha  capacidade intelectual de escrever (independente de ser uma boa capacidade ou não) pela minha quase incapacidade braçal de recolher fichas de perguntas? Não que eu tenha algo contra recolher fichas de perguntas, uniformes, rádios ou o olhar de pouco caso do público para com os produtores de eventos. Eles ganham mais que escritores e jornalistas, e são menos senhores de si também. A minha questão, naquele instante, foi: por que havia deixado de fazer o que mais gosto, me dá bem menos trabalho e mais valorização por algo que estava me deixando exausta, esgotada e desvalorizada? O mundo é democrático, mas nem de perto uma recolhedora de fichas de plantão 24 horas tem o mesmo reconhecimento que um escritor, mesmo que tenha deixado de escrever há 24 anos.

O desenquadramento do último slide das casas de papelão me fez correr atrás do operador de projeção e impediu que eu chegasse a uma resposta. Mas, pensando agora com calma, acho que foram as oportunidades que a vida me apresentou, e o dinheiro, que a gente sempre precisa dele, mesmo quando isso faz você deixar de lado os seus sonhos. Melhor sonhar de barriga cheia que viver o sonho de barriga vazia. O fato é que eu deixei de escrever para cuidar de um evento. Deixei de escrever aqui no blog, nos meus cadernos de anotações, nas minhas horas tranquilas. Deixei de escrever, de cuidar da casa e de dar a atenção merecida aos meus filhos. Estou me sentindo terrivelmente culpada, mas disposta a retomar o rumo.

Sei que não vou abandonar os eventos, nem as fichas de perguntas e que vou ter muitos momentos de conflitos, porque a vida da mulher de hoje, que precisa sobreviver com sua família, não é fácil, mas vou tentar me organizar melhor, escrever um pouco todo dia, realmente estar com meus filhos quando estiver com eles e tentar aceitar melhor o fato de não ser uma super mulher, sem me  culpar por isso.



Você é uma boa motorista?

quarta-feira, 7 de março de 2012 por Maria Dolores

Emerson Fittipaldi, pai de aniversariante e bom motorista

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Ontem completei meu oitavo contratempo como motorista (contratempo-como-motorista = bater-o-carro). Passei o dia hoje repassando o ocorrido e não consigo entender em que momento deu errado. Fiz a primeira manobra. Tudo certo. Engatei. Dei ré. Respirei fundo. Olhei nos retrovisores. Calculei os espaços. Engatei primeira. Acelerei – e levei uma parte da pilastra comigo. Na verdade só uma partezinha da tinta branca que, agora, faz um efeito zebra interessante na porta do meu carro. Tudo estaria bem, ou não tão mal, não fosse por um detalhe infeliz: o carro não é só meu. E esse detalhe me custou algumas boas horas de argumentação e outras poucas lágrimas de manobra sentimental que não causaram efeito algum.

Não sou nenhum piloto profissional, mas admito: sou uma excelente motorista. Faço balizas incríveis. Não freio nas curvas (no meio delas). Mantenho a velocidade constante. Tomo cuidado com as motos. Presto atenção para não ocupar duas faixas nas avenidas. Mas alguma coisa acontece, de vez em quando, que atua contra mim. Fiz uma lista cronológica dos contratempos automobilísticos e, se alguém souber a resposta, por favor, me avise. Poderá ser de grande ajuda para um futuro não muito distante:

1)
Veículo: Fiat 147 branco.
Local: Rua em frente à Adega (bar), em Três Pontas, MG.
Ocorrido: Colisão na traseira de um Fusca bege.
Culpa: Do Fusca, que parou de repente.
Condutor: Menor, 15 anos, sem carteira nem juízo.

2)
Veículo: Fiat 147 branco.
Local: Cruzamento em Três Pontas, MG, próximo ao córrego.
Ocorrido: Colisão lateral com um carro desconhecido.
Culpa: Da prefeitura, que não sinalizou bem as esquinas.
Condutor: Maior, 20 anos, com carteira, ainda sem juízo.

3)
Veículo: Fiat 147 branco.
Local: Cruzamento em Três Pontas, MG, próximo ao clube de campo do Catumbi.
Ocorrido: Colisão lateral com um carro de entrega da pizzaria.
Culpa: Dos Engenheiros do Havaí, que gravaram a música ‘Era um garoto que como eu amava os Beatles e os Rolling Stones’, na ocasião sendo cantada pela motorista.
Condutor: Maior, 21 anos, com juízo e intenções de seguir carreira artística.

4)
Veículo: Verona dourado.
Local: Praça da Igreja Matriz, Três Pontas, MG.
Ocorrido: Arrastamento da porta do carro (aberta) por caminhão ao arrancar no sinal.
Culpa: Do caminhão, que tinha a carroceria menor que a traseira, criando dúbia interpretação para o condutor calcular se seria possível abrir ou não a porta e sair do veículo.
Condutor: Maior, 22 anos, vestida para fotografar um baile de debutantes.

5)
Veículo: Pálio azul
Local: Rodovia Fernão Dias, véspera de carnaval.
Ocorrido: Colisão na parte traseira de um carro não identificado, cor prata.
Culpa: Do frentista do posto de gasolina, que calibrou os pneus com 40 libras e fez que o carro deslizasse ao toque do condutor ao freio.
Condutor: Maior, 28 anos, discutindo a relação do cosmos, George Harrison e os elétrons com o passageiro do carona.

6)
Veículo: Pálio prata
Local: Avenida Sumaré, São Paulo.
Ocorrido: Colisão na parte traseira de uma caminhonete prata.
Culpa: Do Guia Quatro Rodas e suas letras pequenas, dificultando ao condutor localizar o nome de uma rua.
Condutor: Maior, 29 anos, consciente da sua habilidade de fazer várias coisas ao mesmo tempo, entre elas ler e dirigir.

7)
Veículo: Pálio Preto
Local: Esquina da Rua Cardeal Arcoverde com Joaquim Antunes, São Paulo.
Ocorrido: Colisão lateral com um Chevette marrom fora de fabricação.
Culpa: Do condutor do Chevette, que tinha apenas a certidão de nascimento como documento de identifidade e, diga-se, bastante vencida, não sendo mais indicado que ele estivesse a dirigir.
Condutor: Maior, 31 anos, atrasada para uma reunião na redação de uma revista e celular sem bateria.

8)
Veículo: Pálio Preto
Local: Garagem do prédio, lar doce lar, São Paulo, Brasil.
Ocorrido: Colisão com pilastra central.
Culpa: Do prédio, que tem poucas vagas, muitas colunas, muitos carros e possível fenômeno causador de ilusionismo.
Condutor: Maior, 33 anos, consciente de ser uma boa motorista.



Rica é a mulher que tem o controle de onde vive

segunda-feira, 5 de março de 2012 por Maria Dolores

Mulheres Ricas falam sobre 1a temporada do programa

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Neste fim de semana li em um livro de um dos meus autores favoritos a seguinte teoria: “Não há dúvida de que (…) os móveis e os objetos mais insignificantes de uma casa refletem alguma coisa da vida dos seus proprietários. (…) São testemunhas que a toda hora estão contando, numa linguagem silenciosa, o que viram e o que sabem”. Confesso que, embora eu tenha tentado, não consegui deixar de me sentir incomodada desde então.

Pensei nas pessoas que conheço bastante, pouco ou quase nada e em suas respectivas residências. Para a minha completa e irrefutável tragédia, não tive opção senão concordar: sim, não só os móveis e objetos dizem muito sobre os que vivem em cada morada, mas também a maneira como esses objetos, grandes ou pequenos, encontram-se dispostos pelas casas.
Quase em desespero ou negação – típico de quem se depara com uma realidade que não lhe convém – tentei considerar a possibilidade da teoria funcionar para uns e para outros não, ter seus vácuos e eu estar bem no meio deles. A regra e a exceção. Mas não, não sou uma exceção. Passando um olho rápido pelo meu modesto lar, vejo um espelho direto de mim, e não me orgulho da imagem refletida.

As cadeiras bambas, o sofá com o tecido manchado, velho, descuidado. Um pano cor de nada disfarçando por cima. A cortina quebrada (há séculos), parada na metade do caminho. As coisas fora do lugar. Canetas quebradas na jarra do aparador. Uma escova de dente na estante de livros. Um limpa-computador-produto-biodegradável-dispensa-água na pia do banheiro. Uma caixa de fraldas vazia na porta da rouparia. O pedaço de uma luminária quebrada ao lado da impressora ainda-em-funcionamento-porém-não-por-muito-tempo.

Tudo bem que dividir 83 metros quadrados com um marido, um filho adolescente e um bebê não ajuda muito para a harmonia doméstica. Mas se eu fosse uma pessoa organizada, minha casa não estaria um caos. Houve uma época em que eu até achava graça. Hoje, acho que não.  Quero que minha casa seja um espelho tranquilo. Não que seja impecável, a ordem em pessoa. Seria querer muito. Mas quero cada coisa em seu lugar, quero sentir que tenho o controle sobre a casa e não ela sobre mim. Quero ter o controle da minha vida, delimitar os espaços e seguir.



Estilo: ter ou não ter, eis a questão

domingo, 26 de fevereiro de 2012 por Maria Dolores

Jennifer Lopez é clicada sem maquiagem

Tem gente que tem estilo. Com maquiagem, sem maquiagem, de moletom, pijama, vestido de tafetá.  Sim, tem gente que tem estilo. Consegue ficar bem de chinelo, sapato, calça, saia, bordado, palha, tectel. Minha cunhada é assim. Sabe combinar as peças, escolhe o acessório perfeito, com charme. Uma flor na cabeça, um passarinho na canela, um broche de crochê, uma estrela no canto do olho. Eu não tenho estilo. Nunca tive. Quando era pequena, vestia tantas coisas esquisitas que, uma tarde, no interior de Minas, minha avó mudou de passeio para não ter que passar por mim. E olha que minha avó é a pessoa mais evoluída e desapegada que eu já conheci.
Na adolescência eu quis ter estilo. No auge dessa fase, cortei meus longos cabelos em formato Joãozinho e passei uma semana preparando o figurino para a noite de sábado na boate Amnésia: meia calça bege, meião xadrez em azul e vinho, sapato de salto agulha de couro preto, short de coton preto, camisa masculina branca, gravata de veludo vinho, colete de couro preto e uma boina preta de couro da Forum que, infelizmente, usei por mais tempo que gostaria. Acho que fiquei tão traumatizada com essas tentativas de ser fashion, que acabei me prendendo no básico. Deixei de usar vestido, saia, short, bermuda. Há alguns anos estou protegida pelas calças jeans e blusas no estilo bata ou malha fria.

Ontem tinha uma festa para ir e, simplesmente, não consegui usar uma blusa linda de paetê preto com calça jeans. Me senti como se fosse rodar a bolsa na primeira esquina e acabei trocando pela batinha básica indiana branca. Como um grito de rebeldia contra a minha auto-ditadura, passei um batom vermelho sangue, vivo, ardente, gritante. Um pinguinho de estilo no meu estilo cor de sempre. Quem sabe ainda consigo, um dia.



Curva ascendente

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012 por Maria Dolores

Sophie Charlotte: ”Estou numa curva ascendente”
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Sophie, minha querida, eu também estou em uma curva ascendente. Ascendi alguns centímetros depois que deixei a vida agitada das andanças a pé, no interior de Minas, para a calmaria telefone-computador-elevador-carro-vice-vesa em São Paulo. No último ano, depois de uma gravidez sem a proteção sagrada do metabolismo dos dezoito, ascendi outros bons centímetros nas minhas curvas, não apenas em uma, mas em todas elas, principalmente, nas laterais das vias expressas. Ai, Sophie, como eu queria ser uma linha reta. Estática, imutável, permanente. Não fazia mal chegar a lugar nenhum, seria feliz seguindo sempre em frente, sem subir nem descer, na constância eterna de um traço preto num papel em branco. Fico contente por você, mas, sim, eu preferia ser uma reta que uma curva com possibilidades de ascender.



O Rio de Janeiro continua lindo

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012 por Maria Dolores

Fátima Bernardes confere novidades em livraria no Rio
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Demorei um pouco para perceber o que era. Desde o momento em que entrei no avião, percebi algo diferente. E olha que não há muitas possibilidades para o inusitado na ponte aérea Rio/São Paulo. Estava um calor horrível em São Paulo e eu só conseguia pensar em duas coisas: no quanto deveria estar quente no Rio também; e no quanto eu queria voltar depressa para casa. Fiz as contas e descobri, feliz, que se eu tivesse sorte, no meio da tarde poderia estar de volta, a tempo de lanchar com a família.

“Segundo as normas da Anac, é proibido fumar nesta aeronave. Permaneça sentado e com os cintos afivelados. Em pouso na água, utilize o assento para flutuar. Pedimos a sua atenção mesmo que seja um passageiro freqüente”. A comissária explicava tudo, eu entendia tudo, mas não conseguia entender o estranhamento. Só na metade do vôo, quando passaram com o carrinho de serviço de bordo, descobri a diferença. “O que deseja para beber, senhora?”, perguntou a comissária para a mulher ao meu lado. E ela, conhecedora do roteiro aéreo, respondeu: “Water, please”.

Era isso. Havia algumas dezenas de estrangeiros no vôo. E era como se houvesse um zumbido anasalado permanente. Parecia ser um grupo vindo dos Estados Unidos, à trabalho em São Paulo e que, aproveitando a viagem, passaria alguns dias no Rio de Janeiro. Era a primeira vez daquelas pessoas no Brasil.

Como a viagem dura cerca de 40 minutos, mal tive tempo para digerir a descoberta quando o piloto pediu à tripulação para se preparar para o pouso. Então, foi instantâneo: o grupo começou a olhar pelas janelas e se admirar. Foi uma seqüência de “Oh, my God” e “Amazing” capaz de colocar qualquer seriado americano no chão. Com a diferença de que. naquele momento, a plateia estava ali e a cena, a magia, do lado de fora. Assim que o avião aterrissou, as pessoas bateram palma.

Eu como uma boa patriota, me senti orgulhosa. Mas, ao mesmo tempo, envergonhada. Realmente ver o Rio de Janeiro de cima é uma experiência maravilhosa. É emocionante ver a floresta, o mar e a vida com seus prédios imponentes e suas favelas na mesma paisagem compartilhada, exuberante, única. É lindo, mas a gente, que vê sempre, vê e não se importa. Não só com a beleza de uma cidade como o Rio de Janeiro, mas com as belezas grandiosas ou pequenas dos nossos dias.

Estamos tão acostumados com a rotina, com o nosso ambiente, que perdemos a capacidade de nos maravilhar. É bom de vez em quando dar uma sacudida, abrir os olhos, respirar fundo e tentar perceber o quanto há de bonito e especial à nossa volta. Mesmo que essa sacudida seja às custas de muito “Amazing” e “Oh, my God”…



O prazer e a sorte de fazer compras

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012 por Maria Dolores

Fernanda Paes Leme faz compra com amiga Fernanda Rodrigues
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Pela felicidade das duas Fernandas, certamente elas tiveram uma boa experiência de compras. O que nem sempre acontece. Principalmente se você estiver no supermercado e com pressa. E se você estiver com muita, muita pressa, estará sujeita ao seguinte:

- Na hora de escolher em qual fila do caixa entrar, você faz as contas entre o número de pessoas de cada fila e o volume dos carrinhos para identificar qual será a mais rápida.

- Então, sem mais nem quê, depois de decidir pela fila das três mulheres com cestinhas de mão em vez da fila do casal com dois carrinhos lotados, você tem a estranha sensação de ter feito a escolha errada.

- À medida que o primeiro carrinho do casal da fila ao lado se esvazia e a primeira mulher da sua fila despeja o conteúdo da bolsa de napa verde em cima da bancada para procurar o cartão de crédito, a sensação de erro se intensifica.

- Quando, depois que o casal da fila vizinha chega à metade do segundo carrinho e a segunda mulher da sua fila pede para trocar o óleo de girassol pelo óleo de canola embalagem econômica e a operadora do caixa chama o repositor volante número dois pelo rádio, você tem a sensação de que irá perder os sentidos – ou explodir. Definitivamente, você fez a escolha errada.

- Mas nem tudo está perdido. Enquanto o casal da fila ao lado digita a senha do cartão, a terceira mulher da sua fila, que faz de você a próxima da fila, passa as duas latas de achocolatado light e o cereal de milho orgânico com agentes reagentes tipo ômega alfa ultra sem maiores imprevistos.

- De longe, o casal desaparece serelepe com seus dois carrinhos rumo ao estacionamento e à liberdade.

- E, finalmente, eis que chega a sua vez. Você nem pode acreditar. Quarenta e três minutos após ter escolhido a fila, você está exausta e já não sabe por qual razão está levando para casa um pacote de papel higiênico sem perfume e um desinfetante. Precisa mesmo dessas coisas?

- No exato momento em que a operadora acaba de passar o desinfetante e se prepara para passar o pacote de papel higiênico sem perfume, acaba a bobina de papel da caixa registradora. Ela chama pelo rádio o supervisor de manutenção número sete e você, bom, você tem vontade de morrer e jura nunca mais, pelo resto dos seus dias, comprar um alfinete sequer (mesmo sabendo, obviamente, que o juramento será quebrado).



Por que um relacionamento acaba?

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012 por Maria Dolores

Heidi Klum e Seal anunciam separação por meio de comunicado oficial
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Por que um relacionamento acaba? Quando ele se torna tão insustentável que, simplesmente, precisa terminar? Como saber o que vale à pena superar e o que não vale? Qual o grande sinal revelador e irremediável capaz de mostrar que, sim, a história termina por aqui? E como ter certeza de estar tomando a decisão certa? Terminar um relacionamento é muito, terrivelmente muito mais difícil do que começar (talvez haja quem diga o contrário porque, afinal, não está tão fácil assim encontrar parceiros dispostos a engatar um compromisso). A separação envolve perdas, concessões, mudança. Por mais que seja uma decisão compartilhada, racional e amigável, nunca é racional completamente. Uma separação envolve sentimentos e não dá para racionalizar por completo o coração. Quando começamos um relacionamento, com raras e doentias exceções, não é pensando no seu fim. O sentimento e a vontade naturais são de que seja feliz e que essa felicidade permaneça, seja eterna e dure.

No começo, muito no começo, você até pode não pensar nisso, pois não sabe onde vai dar, mas quando o amor e a cumplicidade se instalam, os planos são de uma vida conjunta perfeita, como num conto de fadas. Quem não quer ter um amor para toda a vida, que não machuque, não seja machucado, e não perca a força, nunca? Mas a realidade é diferente do ideal. Com o tempo, a força se perde, ou se transforma. A rotina e os problemas mostram que fazem parte e, que, infelizmente, é necessário conviver com eles, ou superá-los. E aí é que começam as perguntas. O bom, mas o bom mesmo, seria ter um manual de respostas, um guia completo de instruções. Não há. Cada situação e cada relacionamento são diferentes. Alguns duram, outros não. Alguns duram felizes, outros não. Alguns terminam felizes, outros não. Por isso, mesmo não entendendo nada do assunto nem sendo especialista em vida a dois, acredito que o principal é estar bem consigo mesma e com as pessoas a sua volta. Estar completa, em paz e tranqüila e, claro, se puder estar assim com alguém legal ao seu lado, melhor ainda.