
Foto: Divulgação
[Texto Paula Sato]
Em setembro de 2004, uma série de TV estreou envolta em uma grande campanha de marketing e com a promessa de surpreender. Seis anos depois, “Lost” chegou ao fim com o trunfo não só de ter entretido e emocionado telespectadores de todo o mundo, mas também por ter mudado a relação entre o público e a TV.
Até então, acompanhar seu programa preferido era uma experiência semanal e passiva. “Lost” invadiu outras mídias e fez com que o público continuasse conectado ao seriado mesmo após o fim do episódio. Pela primeira vez, para entender de fato a série, não bastava assistir apenas ao que se passou na TV, mas era preciso também ver o que rola na internet, ouvir um programa de rádio e até participar de um game.
O seriado invade o mundo real
Pouco antes do fim da segunda temporada da série, em 2006, o canal ABC anunciou que durante o intervalo entre uma e outra leva de episódios os fãs continuariam em contato com o seriado. A interação aconteceu através do ARG (alternate reality game) “The Lost Experience”. O jogo misturava a ficção da série com a realidade e dava pistas sobre mistérios que seriam revelados na terceira temporada e também explicações importantíssimas sobre a série.
Fazia parte do game, por exemplo, o site da Hanso Foundation. A organização teria sido fundada por Alvar Hanso e é berço da Dharma. Junto com o game também foram dadas pistas sobre o romance “Bad Twin”, manuscrito encontrado por Hurley e Sawyer entre os escombros do avião e que foi escrito por Gary Troup, que morreu no acidente – mais tarde, o livro chegou às livrarias. Para desvendar as várias pistas que revelavam segredos sobre o romance e também sobre a Hanso Foundation, os fãs deveriam buscar pistas na internet e até ligar para um número de telefone com uma mensagem misteriosa.
Durante o “The Lost Experience” foi revelado um vídeo de orientação da Dharma que teria sido gravado no Sri Lanka. Nele, descobrimos o significado dos misteriosos números 4, 8, 15, 16, 23 e 42. Eles fazem parte da “Equação de Valenzetti”, que tem como função prever quanto tempo falta até que a humanidade chegue à extinção. No vídeo, Alvar Hanso ainda explica que um rádio transmissor que está na ilha iria repetir os tais números, que equivalem aos fatores ambientais e humanos que fazem parte da equação. Essa explicação nunca foi dada na série, apenas no ARG. Ou seja, para entender “Lost”, também é preciso acompanhar o que acontece fora da TV.
Entre a terceira e a quarta temporada da série, foi criado um novo ARG, “Dharma Initiative Recruiting Project”. Desta vez menor, o game foi encerrado por causa da crise financeira.
Episódios na web
Entre a terceira e a quarta temporada, “Lost” ainda ganhou 13 episódios especiais, feitos para a internet e celular. Diferentemente do que acontece em outros seriados, estes episódios têm os personagens principais e fazem parte da mitologia da série.
O “Lost: Missing Pieces” adicionou meia hora de conteúdo ao seriado e trouxe várias revelações. No episódio “King of the Castle”, por exemplo, Jack e Ben jogam xadrez, quando o líder dos outros diz que se o médico sair da ilha, vai querer voltar para lá – o que, de fato, aconteceu nas temporadas seguintes.
Em outro episódio, “The Deal”, vemos pela primeira vez Juliet conversando com Michael e dizendo que Walt é especial. E em “Buried Secrets”, ficamos sabendo que Michael e Sun flertaram, mas não chegaram a consumar a traição.
Produtores viram estrelas e conversam com os fãs
Para os fanáticos por “Lost”, ouvir ao podcast de “Lost” fazia parte da experiência semanal do seriado. O “Oficial Lost Podcast” trazia entrevistas com a equipe, bastidores e, mais importante, os produtores executivos Carlton Cuse e Damon Lindelof respondendo a perguntas dos fãs.
Pelos podcasts, o público descobriu, por exemplo, que quando o ultrassom de Claire trouxe uma data diferente para o pouso do voo Oceanic 815, a mudança não foi proposital, mas um erro. Também foi pelos produtores que Annie, a garota por quem Ben era apaixonado na infância, não era importante para a série.
Com os programas, Damon e Carlton viraram estrelas. Nas últimas temporadas da série eram eles e não os atores principais que estampavam capas de revistas e apareciam em entrevistas.
Lost chega ao fim: acompanhe o vai e vem de Jack Shephard pelo tempo
Instale o widget Celebridades que Causam
Abril.com no Facebook: tudo sobre Esportes, Diversão, Notícias e Comportamento





























