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Morre Arthur Penn, o “diretor invisível” que mudou o cinema americano

O New York Times anunciou: aos 88 anos,  morreu o cineasta Arthur Penn.

Não se martirize ao falar “quem?”. Só procure remediar a situação.

Penn é o diretor de Bonnie & Clyde, o filme que deu o pontapé inicial na escola de cinema setentista americana, a   mesma que gerou Martin Scorsese, Robert Altman, Francis Coppola, Terrence Malick, Mike Nichols e influenciou toda uma geração de diretores e roteiristas.

Se você é fã de Quentin Tarantino, Oliver Stone, David Fincher ou Darren Aronofsky, pode derramar uma lagriminha de agradecimento a Arthur Penn.

Mas ele nunca gostou de receber o holofote. Gostava de dramaturgia, pura e simplesmente.

Deixava a fama para seus atores. Aliás, era disputado pelas estrelas dos anos 60 exatamente por sua direção brilhante de interpretação, forjada na TV, no teatro e, sobretudo, nos estudos do russo Michael Chekhov, discípulo de Constantin Stanislavski, um dos pais da atuação moderna, e que ajudou a formar atores como Clint Eastwood e Marilyn Monroe.

Arthur Penn era um rebelde controlado e talentoso. Assumia filmes de estúdio, mesmo para ser demitido. Foi o caso em The Train, quando bateu de frente com o astro Burt Lancaster, que já tinha um Oscar por Entre Deus e o Pecado – o trabalho foi para John Frankenheimer, e Caçada Humana, que foi sequestrado pelo estúdio na época e mutilado, resultando em péssimas críticas e uma bilheteria ainda pior.

A verdade é que Penn só teve paz no início da carreira quando adaptou O Milagre de Anne Sullivan, que conhecia bem ao encená-la na Broadway. Não era comum ouvi-lo dizer que deixaria o cinema para voltar de vez para o teatro, que os Estados Unidos não estavam preparados para a revolução estética e narrativa da Nouvelle Vague.

Até Bonnie & Clyde – Uma Rajada de Balas em 1967.

As razões do sucesso artístico e financeiro do filme são várias, mas a principal delas foi a confiança de Warren Beatty, que havia trabalhado com Penn no ambicioso Mickey One. Beatty, um dos atores mais poderosos da época, começava a brilhar por trás das câmeras também e havia comprado parte dos direitos da obra, prometendo controle total sobre o corte final para o diretor – algo raro numa época em que os estúdios mandavam e desmandavam como queriam.

Bonnie & Clyde recolocou o cinema americano nos trilhos. Moderno e sensível, rebelde e verdadeiro, violento e bonito. Abriu caminho para os anos 70. Para a crueza de Taxi Driver, a ambição de O Poderoso Chefão e para a ascensão de atores de verdade como Robert De Niro, Dustin Hoffman e Al Pacino.

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