1 – Exit Through The Gift Shop - Um maluco que, meio sem querer, começa a registrar os nomes mais importantes da cena de street art do mundo e termina virando, ele mesmo, um subproduto do gênero. Banksy, o subversivo e misterioso baluarte do estilo, confia no sujeito e vira o foco do filme. Sem perceber, o protagonista sequestra do documentário e subverte a trama de uma maneira tão genial que nem o espectador nota. Alguns dizem que o personagem central é fictício, forjado pelo próprio Banksy. Mas isso não deixaria o filme ainda mais genial?
2- A Origem – Um sonho dentro de um sonho dentro de um sonho. O filme mais falado do ano deixa um legado de apaixonados fãs e fervorosos detratores. Mas isso é Christopher Nolan, um cineasta que sempre aposta em mistérios grandiosos e em roteiros que mais parecem partidas de xadrez – mesmo que nem sempre funcionem, como em O Grande Truque. Mas desde Matrix que uma ficção científica não injetava filosofia e pseudo-ciência para um público que geralmente encara o mês das férias como um sinônimo de “não parar para pensar”. Nolan provou que existe espaço para argumentos complicados e narrativas orquestradas como uma dança de salão. Não há uma sequência tão engenhosa no cinema em 2010 quanto a da última invasão onírica, passada em quatro tempos e realidades diferentes. Sim, a missão do personagem de Leonardo DiCaprio poderia ser mais fácil (a piada diz: “por que não levar seus filhos para a França”), mas qual a graça em pensar tão por baixo?
3 – A Rede Social – Quando a comunicação se torna cada vez mais curta, descartável e rápida, David Fincher dirige um filme recheado de diálogos longos e complexos. O mais irônico: sobre o Facebook, o totem da interação pós-moderna. Fincher só deixou a caneta de Aaron Sorkin, de West Wing, trabalhar e não ficou no meio dos personagens. Não há invencionices visuais, apenas um longa à moda antiga sobre uma geração que está no comando do mundo, apesar do mundo ainda não perceber isso.
4 – Scott Pilgrim Contra o Mundo – Vou morrer sem entender o fracasso desse filme. A direção de Edgar Wright é a mais empolgante do ano, os efeitos são inovadores, a ação é incessante, os personagens são o retrato do jovem de hoje, as músicas são incríveis, o roteiro é enxuto e não há um segundo de tédio na película. Será que o descompromisso do público para o qual o longa foi feito bateu forte? Ele foi uma das produções mais discutidas no twitter em 2010, ao ponto de gerar a frase: “pare de tuitar sobre Scott Pilgrim, vá vê-lo.” Não importa, a produção tem uma aura cult imbatível e, quem viu (e entendeu), se apaixonou.
5 - Cisne Negro – O melhor filme de horror dos últimos 10 anos é sobre balé. Sério. Barbara Hershey está assustadora e Darren Aronofsky usou tudo que aprendeu com os filmes de Polanski para criar uma obra desgastante e tensa – o clima é puro O Bebê de Rosemary. O sofrimento de Natalie Portman (Oscar mais fácil do ano) é tão forte e real que você sai do cinema acabado. E ainda tem A cena lésbica do ano (Mila Kunis e Natalie), além de resgatar a musa eterna Winona Ryder. Filmaço. Único que pode impedir a vitória de A Rede Social no Oscar.
6 – Ninguém Sabe dos Gatos Persas – Admito que só entrei no cinema porque vários amigos, sabendo da minha paixão musical, me recomendaram fervorosamente o filme. Afinal, o título não atrai e o fato de ser do Irã, menos ainda (eheh). Mas ainda bem que tenho amigos. A ficção com cara de documentário é um retrato surpreendente e emocionante da cena roqueira indie de Teerã. A trilha sonora é sensacional, mas rara de achar.
7 – Minhas Mães e Meu Pai - Um casal de adolescentes deseja conhecer o pai biológico, nunca revelado pelas mães lésbicas. No manual do cinema, existe um capítulo a parte para esse tema com todos os clichês, mas o longa consegue desviar de todos. Não há um pingo de obviedade nos personagens, nem mesmo no de Mark Ruffalo, que poderia ser o homem bruto que não deixou nenhuma herança genética aos filhos, mas interpreta um sujeito bem de vida, masculino, mas longe de ser um idiota estereotipado. Não há um elenco tão em sintonia neste ano. Pena para Annette Bening que exista uma Natalie Portman neste ano.
8 - Onde Vivem Os Monstros – Como um filme infantil pode emocionar tanto? Sei que a maioria das listas está com Toy Story 3 no lugar. Mas a história do garotinho tentando compreender os sentimentos adultos em forma de monstros ainda bate mais forte no coração.
9 - Inverno da Alma - O longa só estreia em janeiro no Brasil, mas não dá para esperar para jogar na lista do ano que vem. É uma produção sobre uma garota (Jennifer Lawrence, perfeita) em busca do pai no meio de uma área habitada por famílias violentas do Wisconsin. É um filme bruto, sem uma faísca de sensibilidade ou delicadeza. Daniel Woodrell segue a linha de Cormac McCarthy (Onde os Fracos Não Têm Vez). Comparado de forma mais musical: se Cormac McCarthy for Neil Young, Daniel Woodrell é Jack White.
10 – Monstros – Sou um demente por ficção científica politizada. E essa obra independente sobre um fotógrafo levando uma garota pela fronteira do México com os Estados Unidos, uma zona considerada “infectada” (por extraterrestres gigantes), prova que não é preciso gastar zilhões para ter efeitos bacanas e uma história enxuta. Imagine que é a continuação perdida de The Mist, de Stephen King, e fica ainda melhor.









































