Leona Cavalli em ensaio exclusivo para Contigo!
Foto: Priscila Prade

Por Elisa Duarte
Escorpião com ascendente em leão, Leona Cavalli tem caracterÃsticas de uma pessoa sincera: tom de voz firme e direto, um olhar penetrante e um sorriso franco. Em apenas cinco minutos ela pode parecer sua melhor amiga e no momento seguinte recuar como se quisesse adivinhar o que se passa pela mente do seu interlocutor. Em Negócio da China, sua próxima novela, ela fará o papel que sempre quis fazer, presente de Miguel Falabella. ''Justine é leve'', diz a atriz, dona de personagens densos. Os cabelos, inspirados em Julia Roberts, receberam uma cor mais escura e iluminada nas pontas. Dividida entre a ponte aérea Rio-São Paulo, tem sua base na capital paulista. “Acordo de bom humor. Eu adoro viver e consigo ficar feliz com pequenas coisas do dia-a-dia. Rir bastante ajuda. Moro sozinha. Gosto de ler, dançar e brincar com a minha pitbull Nana. Quando saio, vou ao cinema e teatro.'' Para ser conquistada, avisa: ''O homem precisa ser inteligente, ter bom caráter e bom humor. Essas caracterÃsticas são fundamentais''.
Nascida para brilhar
''Pisei no palco pela primeira vez aos seis anos, em uma peça escolar. No primeiro dia interpretei uma mãe, no dia seguinte fiz a vaca (risos). Nunca pensei em ter outra profissão. Cheguei em casa falando que seria atriz. Ninguém levou muito a sério. Lembro que disseram, "daqui a pouco passa'''
Inspiração nas divas do teatro brasileiro
''Em Porto Alegre vi três peças com atrizes extraordinárias e me inspirei. Divina Sarah, com a Tônia Carrero, As Lágrimas Amargas de Petra Von Kant, com Fernanda Montenegro e Renata Sorrah, e Brincando em cima Daquilo, com MarÃlia Pêra. Quando fiz 15 anos, troquei o baile de debutantes por uma viagem a Londres.Chegando lá assisti ao espetáculo Motim, liguei para o meu pai e disse "só volto para ser atriz e morar em Porto Alegre''
Carreira como forma de amar
''Aos 16 anos fiz a peça Valsa Nº 6, de Nelson Rodrigues, em Porto alegre. Foi lá que conheci José Barbosa Costa, que estava fazendo Tartufo. A gente se encontrou, se apaixonou. Ficamos 5 anos juntos. Quando eu decidi sair do Sul, eu larguei o namorado que mais amei porque decidi colocar minha carreira em primeiro lugar. Ele queria morar lá e pra mim não dava. Eu nunca tive outro desejo. Me descobri como pessoa, liguei a carreira de atriz à felicidade, poder criar, ser outras pessoas além de mim. Aprendo a ser gente com as minhas personagens. O aprendizado humano não tem fim. É fundamental exercitar o amor ao ser humano e o meu trabalho me faz amar as pessoas. Ver as alegrias e dificuldades como parte da condição humana mesmo''
Desejo materno
''Vim pra São Paulo aos 20 anos. Tive alguns relacionamentos sérios e com eles a oportunidade de engravidar. Tive que escolher entre a gravidez e a minha profissão. E eu escolhi o que me faz feliz hoje. Se surgir, vai ser legal, mas se não acontecer, eu não vou ser infeliz porque não tive filhos''
Ah, o amor
''O amor está em fazer o que se gosta. No meu caso, encontro a felicidade no que faço. Agora estou sozinha, claro que estar ao lado de uma pessoa amada complementa. Mas projetar sua vida na outra pessoa não é legal. Mesmo namorando ou apaixonada, isso é uma coisa que eu não faço''
Pele de bebê
Aos 38 anos, a atriz tem uma pele branquinha, sem sinais de idade. ''Não sei por que não tenho rugas, nunca fiz plástica, meus pais também parecem ser mais novos do que são. Tem um pouco de genética. Não durmo com maquiagem, bebo muito água, faço compressa com soro fisiológico e uso filtro solar''
Gaúcha vegetariana, tchê!Â
''Fui criada comendo muita carne, mas quando cheguei em São Paulo a carne começou a pesar. Eu precisava de pelo menos meia hora para digerir bem, só que aqui não tinha esse tempo. Era sempre de um lugar para o outro. Há oito anos parei de comer carne e frango, mas foi por sensação de bem-estar. Peixe, deixei de comer há pouco tempo. Quando eu estava na Amazônia fui a um restaurante em que os convidados escolhiam o peixe vivo na hora dentro de aquário. Eu achei tão agressivo, foi um momento, sei lá. Parei ali''Â
''Não sei fazer chimarrão''
''Até gostaria, mas eu não sei fazer chimarrão. Que absurdo (ri, tÃmida)! Na verdade, eu sei fazer, mas é que não fica tão gostoso. Do Sul eu trago o amor pela natureza. Cresci na beira do rio, nos campos, adoro andar a cavalo, apesar de ser difÃcil ter tempo para cavalgar. Quando posso, viajo para o Sul. Nunca foi o sonho da minha famÃlia que eu me tornasse atriz. Hoje meu pai aceita, mas não acha tão legal. Minha mãe sempre gostou de arte. Mas eles sempre me apoiaram, nunca precisei fazer outra coisa, perder o foco''
O começo em São Paulo
''Vim para são Paulo em 1990 com a minha prima Brenda. Morei um tempo com um amigo e depois fiquei com o apartamento pra mim, pago pelo meu pai. Entrei para o curso de teatro da PUC e fiz O Homem e o Cavalo, de Oswald de Andrade. Depois trabalhei com Miriam Muniz e Pascoal da Conceição, que me chamou para fazer a Farsa de Inês Pereira e Auto da Barca do Inferno, de Gil Vicente''
Teatro com grandes nomes
''Também em São Paulo fiz a reabertura do Teatro Oficina, onde fiquei durante três anos, com a Ofélia de Hamlet. Foi depois do Zé Celso Martinez que a cineasta Tata Amaral me chamou para fazer Um Céu de Estrela, meu primeiro filme. Foi com o Zé que eu me envolvi com o trabalho no teatro. Depois do Zé fui convidada pela Bibi Ferreira para fazer o espetáculo Viva o Demiurgo, onde contracenei com Murilo Rosa. Foi legal porque saà de uma mestre para trabalhar com outra''
Cinema
''Com Um Céu de Estrela fui premida na Itália com o Trieste, pela APCA (Associação Paulista de CrÃticos de Arte) e pelo Cinesesc. Para depois da novela, tenho um projeto do cineasta Tadeu Jungle. Eu fiquei encantada com o filme. Vai ser legal contracenar com o Lázaro (Ramos) de novo. Fizemos juntos no cinema Cafundó, do Paulo Betti. Eu e o Lázaro conversamos e ficamos muito empolgados, porque é um filme diferente de tudo que tá aÃ''
FascÃnio pela TV
''Quando eu era pequena, minha referência de atriz vinha da televisão. Na minha cidade não tinha teatro. Ir pra TV foi uma coisa substancial. A televisão é o veÃculo de maior alcance de pessoas. Quando gravei a minissérie Amazônia eu vi uma tribo indÃgena. E eles tem aparelhos lá. É bacana falar com todas as idades e todas as classes sociais. Nuca tive preconceito com a TV. Ter preconceito com a TV é ter preconceito com o público''
O padrinho Silvio de AbreuÂ
''Silvio de Abreu me chamou porque ele me viu no filme Amarelo Manga, de Claudio de Assis, e na peça Um Bonde Chamado Desejo. Um dia ele me encontrou e disse 'vou fazer um papel pra você. Você vai fazer novela e ficar conhecida'. E fez. Ele me chamou para fazer uma participação em BelÃssima, como a Valdete. Foi uma honra. Foi aà que ele me chamou para fazer a participação em BelÃssima. Depois fiz uma temporada de Abdul Saião, em Portugal e Espanha. Quando voltei, fiz a minissérie Amazônia e a novela Duas Caras''
A alegria do cotidiano
''Eu gosto da abrangência que a tevê tem, de conseguir se comunicar com muitas pessoas. O ator que não pensa no público não deveria ser ator. A coisa que eu aprendi na televisão é a alegria do cotidiano. Em uma peça ou filme você faz parte da vida de uma pessoa por no máximo duas horas com aquela história. Na tevê são meses, tem aquelas cenas que as pessoas estão tomando café, abrindo a aporta. Tudo tem importância. Porque na vida é assim. É que não costumamos a dar importância as pequenas coisas''
Amizades de coração
''Em Duas Caras fiz uma amizade muito grande com o Thiaguinho Mendonça e com a Betty Faria. Em BelÃssima fiquei amiga da Camila Pitanga. Eu sempre faço amigos, Zé de Abreu, Vera Fischer. Os amigos acabam sendo minha famÃlia''Â
A personagem do sonhos está por vir
''Primeiro, foi muito bacana o convite do Miguel Falabella para ver sua novela Negócio da China. Ele é brilhante em tudo que faz. Sempre fiz personagens densas. A Justine é cômica. Uma cantora, a estrela de uma casa de show que canta tudo errado. É o núcleo musical da novela. É bacana, vou exercitar o meu lado cantora. Também tem o Ney (Latorraca), que tem um senso de humor incrÃvel. É um papel que eu queria fazer sem saber. A gente lida com muito amor e honestidade o sentimento da personagem''
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