Guilherme Winter: um ator múltiplo

Após o trabalho intenso na novela Paraíso, ele comemora o sucesso e revela que o segredo de um bom ator é a versatilidade

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Guilherme Winter interpretou o Otávio na novela Paraíso

Foto: JOAO MIGUEL JUNIOR/ Tv Globo

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Quem acompanhou a atuação de Guilherme Winter, 30 anos, como Otávio na novela Paraíso, da Rede Globo, notou que o ator se destacou ao lutar pelo coração da Santinha, interpretada por Natália Dill. Que ele tem um sorriso arrasador, isso também não foi difícil de ver. No entanto, o que não deu para perceber nas telinhas é que Guilherme tem muitos outros talentos além da interpretação. Velejar, tocar violão, trompete e se aventurar em desenhos em quadrinhos são apenas alguns dos dotes desse paulistano que é apaixonado pelo que faz. Em conversa pelo telefone, ele (simpaticíssimo) contou que, ao iniciar a carreira de ator, logo sentiu que interpretar o faria feliz. Quando questionado se algo no mundo artístico o incomodava, o astro pensou, pensou e respondeu: ''Nada, estou muito satisfeito com o que eu faço''.

Após o término da novela Paraíso, você ainda sente saudades do elenco e da rotina das gravações?
Sem dúvida! Eu sinto muitas saudades. A convivência com as pessoas durante nove meses foi muito gostosa, e eu ainda falo bastante com o pessoal para matar a saudade, relembrar os bons momentos das gravações.

Você, que atuou em teatro, gostou da experiência de fazer novela?
Muito, gostei sim. Já tinha atuado em Cobras & Lagartos e em Malhação, mas o meu papel de maior destaque foi em Paraíso, e a troca com o elenco foi maravilhosa. Adorei a direção, as cenas, tudo!

Sua primeira experiência de destaque na TV foi em Malhação. Como surgiu o convite?
Para Malhação, foi a produtora de elenco, que por sinal também era produtora em Paraíso, quem me ligou. Quando ela entrou em contato comigo, me disse apenas que o papel era o de um professor. Na época eu até pensei que seria um professor de Educação Física, mas no final foi de Geografia, que adorei. Não fiz teste para Malhação, mas fiz para entrar em Paraíso.

Os testes são muito difíceis?

Testes nunca são confortáveis, mas vão acontecer para os atores que estão no início da carreira. É sempre uma pressão; mesmo assim me considero um cara tranquilo, acho que me acostumei com isso. Já fiz muitos testes para comerciais de televisão, então eles não me assustam mais.

É verdade que você fez Desenho Industrial no Mackenzie?

Sim, cursei um semestre em 2000, mas acabei trancando. Eu sempre desenhei e gostava da faculdade, fiz muitos amigos lá, só que no fundo não estava feliz, não queria terminar o curso. Na época achava que seguiria para o caminho da música.

Música? O que você toca?
Toco violão e estou aprendendo trompete.

Trompete é difícil de tocar, hein...

Muito difícil, gostaria de ter mais tempo para treinar.

E quando, afinal, chegou às artes cênicas?
Puxa, fiz muita coisa antes disso. Estudei na Escola Panamericana, em São Paulo, trabalhei com cenografia e com o setor náutico na Bahia, mas em um determinado momento percebi que eu gostava mesmo era de atuar. Depois de um tempo morando em São Paulo, decidi ir para o Rio de Janeiro fazer a CAL (Casa de Artes de Laranjeiras). E aí tudo começou.

E você gosta do Rio de Janeiro?
Eu nasci em São Paulo, mas gosto muito do Rio, me adaptei superbem ao estilo de vida dos cariocas. Eles praticam muito exercício físico, eu aproveitei e até levei minha bicicleta para lá. Fiz muitos amigos, consegui uma galera de teatro, que já tinha se formado na área, então a troca de experiência foi muito grande. Não quero sair mais de lá, não! (risos)

E ainda desenha?
Ainda desenho, sim. Caricatura, ilustração, quadrinhos, desenho de tudo, o que vier na cabeça, eu faço. E o meu traço foi mudando com o tempo, isso é muito interessante de se perceber também.

Você fez muita coisa na vida e depois partiu para novos desafios. Quando você percebe que algo não é para você?

Desde o começo eu tive convicção que não queria desenho industrial, alguma coisa me dizia que não era isso, mesmo porque eu não gosto de trabalhar com computação visual, gosto de desenhar à mão, gosto do lápis e do pincel. Hoje, essas habilidades ainda me ajudam, é fundamental para um ator ter versatilidade, saber fazer várias coisas.

Por que você gosta de atuar?
Porque eu me encontrei. Você tem a possibilidade de viver outras vidas, a carreira de ator te dá isso.

Além de atuar, você pensa em trabalhar como diretor?
Alguns amigos me dizem que eu levo jeito para a coisa. O Daniel Boaventura, na época da Malhação, me falava muito isso. Eu penso em dirigir, sim, mas mais para frente.

Você gosta de se assistir na TV?
Isso é bem difícil. No começo é terrível, você fica em crise (risos), mas depois acostuma.

Tem alguma coisa da qual você não gosta no meio artístico?
O pessoal reclama bastante pelo fato de, na TV, precisarmos esperar muito até gravar uma cena, mas isso não me incomoda tanto. Na época da novela, eu estava feliz com o meu trabalho.

Já tem projetos para o ano que vem?
Quero muito fazer teatro novamente, já faz dois anos que não trabalho em uma peça, mas por enquanto estou de férias. Sou mais tranquilo, penso no presente, o resto é consequência. É claro que tenho planos, vontades, mas prefiro viver o aqui e o agora.


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