O sucesso mais inesperado do cinema brasileiro dos últimos anos foi Bezerra de Menezes - O Diário de um Espírito (2008), produção de baixo orçamento que rendeu mais de 5 milhões de reais. Já Chico Xavier, a biografia do médium mais famoso do país, é o atual campeão de bilheteria entre os filmes brasileiros. Então não chega a ser uma surpresa que a adaptação de Nosso Lar, o livro mais vendido do médium (psicografando o médico André Luiz), com cerca de 2 milhões de cópias, chegue aos cinemas com intenções hollywoodianas.
Trilha de Philip Glass
Antes de mais nada, um filme não pode ser avaliado por sua doutrina, mas por seus valores técnicos. Não é por passar uma mensagem de desapego, altruísmo e generosidade que Nosso Lar mereça ser julgado com vendas nos olhos. Se um longa contrata o renomado Philip Glass (As Horas, Kundun) para a trilha sonora, o mesmo diretor de fotografia de O Dia Depois de Amanhã e pontua 350 cenas com efeitos especiais feitos pela produtora de Watchmen, ele almeja um resultado cinematográfico ambicioso para passar sua doutrina.
O problema é que Nosso Lar não funciona como filme. É equivocado do começo ao fim. A história do médico André Luiz (Renato Prieto), que emocionou tantas pessoas no papel, não tem a mesma carga nas telonas.
André era um médico de sucesso, no início do século passado, mas ausente da família e com defeitos comuns a vários humanos. Ele morre e, depois de passar um tempo no purgatório, é levado para uma cidade paradisíaca, onde precisará se redimir para transcender e, quem sabe, reencarnar para aprender novas lições.
Tramas de redenção são batidas, mas nem com tantos exemplos para seguir o diretor e roteirista Wagner de Assis conseguiu criar uma obra que lembre um filme de verdade: a edição é truncada, os diálogos são jogados apenas para passar alguma informação didática sobre a passagem dos espíritos no local, a mixagem de som é horrorosa (em vários momentos, você percebe os atores fora da sincronia na voz) e os efeitos especiais parecem ter saído das sobras de Aeon Flux (2005). Era mais fácil terem realizado um filme modesto e bem feito do que algo grandioso no sentido errado da palavra. Uma lição que os produtores precisarão aprender para conseguir a elevação cinematográfica.





























