O visual punk de Eduardo Smith de Vasconcellos Suplicy, o Supla, 43 anos - cabelo cuidadosamente espetado, correntes de metal e tatuagem de caveira no braço direito - não combinam com o esporte que ele pratica desde a infância, o aristocrático polo. Mas não é só essa surpresa que a reportagem de Contigo! teve ao passar seis horas com o cantor entre o Haras São José e o Clube Helvetia, em Indaiatuba (SP), no início de abril. Por trás do figurino radical está uma pessoa pontual, gentil, que (pasmem!) carrega uma inseparável nécessaire equipada com pasta de dente com sabor de chiclete e perfume com cheirinho de baunilha. No passeio, no qual ele aproveitou para dar umas tacadas, Supla se emocionou ao falar sobre o avô materno, que o iniciou no polo, lamentou a saudade da namorada, que mora em Londres, mostrou-se supersticioso ao não deixar a repórter falar a palavra azar e admitiu adorar salão de beleza. Confira.
Como um pai
''O meu avô materno, Luiz Affonso Smith de Vasconcellos (morto em 2005 aos 87 anos), ensinou-me tudo o que sei sobre polo. Comecei a praticar com 9 anos, quando voltei dos Estados Unidos para morar com ele (com 1 ano, Supla se mudou com os pais, o senador Eduardo Suplicy, 67, e a ex-ministra de Turismo Marta Suplicy, 64, para o país). Era um incentivador do esporte e me ensinou todos os macetes e as jogadas. Além disso, era como se fosse um pai para mim, carinhoso, bem-humorado, gozador, tinha paciência e pegava muito no pé, mas isso eu tirava de letra, pois era disciplinado. Comecei a jogar bem e até pensei em transformar o polo em profissão. Meus pais não assistiam aos torneios. Minha mãe, às vezes, ia, mas não gostava muito. Nunca me importei com isso, pois meu avô sempre estava lá. Quero sempre guardar a imagem dele no campo, fumando charuto, reclamando e dando risada. Quando ele estava nas últimas nem consegui ir vê-lo. Ele não reconhecia ninguém (emociona-se ao relembrar).''
Esporte de elite
''Tenho plena consciência de que esse é um esporte caro, mas foi fácil para eu começar porque meu avô já tinha tudo pronto, os cavalos, os equipamentos, lugar para treinar (uma fazenda em Avaré, interior de São Paulo). O nosso país é muito pobre e fico com receio de parecer antipático. Sei que sou meio exibido, mas isso é com as minhas roupas, para fazer shows. Nunca escondi de ninguém que jogava polo e também nunca inventei que morava na periferia para parecer mais punk.''
Susto
''O polo é um esporte perigoso e já sofri um acidente grave. Uma vez levei uma tacada no rosto. Acertou em cima do olho, quase fiquei cego. Desmaiei e fiquei pendurado pelo estribo, só acordei no hospital. Depois desse dia, fiquei esperto e só jogo com aquele capacete de grade. Hoje, jogo superpouco, mas, se voltar a treinar, com certeza, volto a ser um ótimo jogador.''
Separados pelo Atlântico
''Há pouco mais de um ano namoro Brijitte West (cantora). Ela mora em Londres. É muito difícil essa distância. Lido com muito sofrimento (Supla viaja, pelo menos, a cada dois meses ao exterior). Dá uma saudade forte. Mas isso me inspira na hora de escrever músicas. A canção Mulher Americana (que sairá no CD PUnka Nova) é em homenagem a ela. A primeira coisa que me chamou atenção nela foi o visual. Achei-a linda.''
À moda antiga
''Sou romântico e fiel, a não ser que a relação seja aberta, mas isso não me agrada, sou à moda antiga e conservador nesse sentido. Tive os meus dias de cachorrão, mas foi uma fase. Já traí, mas me arrependi. Acabei magoando uma pessoa de que eu gostava muito. Já pedi perdão e estamos bem. Tenho prazer em levar a minha namorada para jantar, ir à praia ou a um lugar de clima frio. Gosto bastante de mandar flores. Outro dia, ela estava doente em Londres e mandei um ramalhete de rosas. Agora, bilhetinho nem pensar. Prefiro falar pelo telefone.''
Teto próprio
''Nunca morei com uma namorada. Gosto muito do meu espaço, mas não sou uma pessoa difícil de conviver, apesar de ter ciúme das minhas coisas. Sou tranquilo, organizado, muito dócil e meigo. Há três anos, eu me mudei para o meu próprio apartamento, no centro de São Paulo. Como artista é legal. Lá vejo todo tipo de gente passando: homem de negócio, prostituta, secretária.''
Casamento
''Tenho vontade de me casar e ter filhos. Acredito no amor. Ainda não me acho velho para isso. Outro dia, uma amiga me disse que já estava na hora de eu me casar, mas estou bem assim, não sigo regras.''
Vaidade
''Minha namorada traz vários cremes para mim, mas não uso. Só pinto o cabelo, adoro ir a salão de beleza. Tinjo desde os 15. Foi aos 18 que o deixei bem mais claro. Não tenho medo de ficar careca, posso fazer loucuras na cabeça mesmo assim.''
Herança
''Não sou de balada. Quando você é uma pessoa famosa, ainda mais com pais políticos, fica complicado. Preciso estar preparado espiritualmente para sair de casa. Escuto de tudo, principalmente sobre minha mãe. Sei que será sempre assim e não tem jeito.''
Isola!
''Tem uma palavra que eu não gosto de falar. Sabe o oposto de sorte? Não fala, não fale essa palavra!!! (para a repórter que fez menção de falar azar). Acho que atrai coisas ruins. Não tenho mais nenhuma superstição. Às vezes, vou à igreja, sou católico.''
Punk mais bossa
''Eu e João (João Suplicy, 34, e o advogado André Suplicy, 39, são os dois irmãos de Supla) gravamos o nosso primeiro CD, PUnka Nova, em Los Angeles (EUA). Foi tudo feito no estúdio do Jack Johnson (cantor havaiano) e com o produtor dele também. São 16 músicas inéditas, minhas e dele. Sai em junho.
Um novo cara
''Quando eu tinha 13 anos e ainda praticava polo, decidi fazer uma tatuagem de cavalo alado. Aos 18, já não estava dando mais, a música era forte na minha vida e o desenho não combinava com meu estilo. Resolvi cobrir com uma caveira da morte.''
27/04/2009 - 18:43
Aristocrata punk
Contigo! levou o cantor ao interior de São Paulo para relembrar os tempos de jogador de polo e colher confissões surpreendentes
Mateus Mondini
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