Ser consagrado o ídolo do Campeonato Brasileiro de Futebol sendo argentino não é para qualquer um. Mas o meia Darío Leonardo Conca, 27 anos, com sua garra e humildade, conseguiu driblar todas as rivalidades.

E depois de quatro anos difíceis no país, conquistou não só o título para o Fluminense, como também o carinho de todas as torcidas, que o queriam em seus times (mas ele já renovou, na sexta-feira (10), por mais cinco anos com o Flu).

De quebra, Conca foi conquistado por uma brasileira, Paula Araújo, 21, com quem mora há três anos na Barra da Tijuca, Rio, depois de iniciarem o namoro em 2007. Os dois têm planos de casar no ano que vem e ter cinco filhos! Todos cariocas.

''Só saio do Fluminense se me mandarem embora. Poderia ter renovado por 20 anos. Queria trazer minha família para morar comigo'', disse o jogador ao receber CONTIGO! com exclusividade, na quarta-feira (8), com a mãe, os três irmãos e Paula. Tímido com seu 1,67 metro - e chuteiras 38 -, porém espontâneo, abriu o coração e revelou seu lado brincalhão.

''Ele se faz de santinho, mas em casa é extrovertido e romântico. Somos apaixonados'', entregou Paula. Os dois embarcaram para Bahamas e St. Barths na sexta e voltam para o Natal em família.

Quase brasileiro

''Estou me naturalizando para ter passaporte brasileiro, só que não vou ter direito a votar nem jogar na Seleção Brasileira. Mas quem iam tirar para colocar o Conca? (risos). Não penso nisso. Quero jogar na Seleção Argentina, é o meu país, meu ídolo máximo no mundo é Maradona.''

Argentino da gema

''Gosto muito de praia, meu 'point' é aqui na frente, no posto 6 da Barra. E amo churrasco. Na minha casa tem uma churrasqueira e sempre recebo os amigos. Mas não sei fazer, só gosto de comer mesmo. Quem faz o churrasco é a Paula. E, na Argentina, é meu irmão Daniel, que puxou a meu pai e faz igualzinho a ele.  

Saudades do pai

''Só faltou meu pai aqui para ser tudo perfeito (ele faleceu há seis anos). Mas sei que, onde estiver, ele deve ter comemorado muito o título. Nunca esqueço que minha mãe e meu pai deram tudo por mim, por isso não posso ficar no meio do caminho.''

Jogador ''família''
 
''Sempre fui tranquilo, nunca fui de sair muito. Conheci a Paula em 2007, numa festa no Recreio. Ela nem sabia que eu era jogador. Foi ela quem me ensinou a falar português, porque eu não entendia nada. Ano passado, nossa relação se fortaleceu muito. Chegava mal em casa na época da sequência de derrotas, empates, quase rebaixamento no campeonato. Muita gente falava para eu sair, mas jamais faria isso sem ser campeão. E ela me dava força. Cuida de mim, é a mulher da minha vida. Paulinha até me veste. Estou bonito, estou muito estiloso, né? (risos).''

Romântico e apaixonado

''A gente sempre tem tempo para namorar. Sou romântico, quero casar em 2011. E, depois, ter filhos. Sou louco por criança, quero de cinco para cima. Ela quer menos, diz que vai ter que contratar babá. Mas vou ajudar a cuidar.''

Ídolo modesto

''Tento ficar na minha, só que não tem como não aceitar que, hoje, sou um ídolo. Eu me sinto muito bem com isso. Dizem que o que vale é competir, mas ganhar o título é tudo. Foi um trauma perder o pênalti na Libertadores (2008), mas no ano que vem tem revanche. Futebol, para mim, é 90 minutos de felicidade. Sou Tigre na Argentina, tricolor também. Mas, de verdade, sou Fluminense.''