Força e coragem. As palavras que Lea T., 29 anos, carrega tatuadas nos pulsos muitas vezes lhe valeram como grito de guerra e inspiração. Transexual assumida, a filha do ex-jogador de futebol Toninho Cerezo, 56, sofreu com o preconceito desde o primeiro momento em que decidiu revelar para o mundo o que sempre sentiu: que era uma mulher no corpo de homem. Hoje, modelo da grife Givenchy, capa da Elle de dezembro (a primeira revista feminina de sua carreira) e requisitada para estrelar marcas no mundo inteiro, Lea se prepara para a cirurgia de mudança de sexo. “Mas não quero mudar minha pessoa, quero transformar meu corpo. Sou a mesma pessoa desde que nasci”, declara.

Você mora na Itália desde pequena. Como é sua relação com o Brasil?
Eu amo o Brasil. Talvez tenha sido o país que teve uma curiosidade maior a meu respeito. Tenho vontade de morrer aqui.

Mas não sofreu preconceito?
Sim. Eu li coisas horríveis em jornais e revistas e também nos meus vídeos no YouTube. As pessoas acabam comigo, falam que tenho cara de homem. Mas não ligo.

A sua autoestima parece ser  bastante elevada...
Não é, não. Eu não me vejo bonita. Também não sou vaidosa. Faço unha e cabelo quando sou obrigada. Sou um desastre (risos). Não gosto de ser sexy, uso roupa esportiva e tênis.

Você está namorando?
Não. Mas esse é o único assunto do qual eu não gosto de falar.

Os homens se aproximam mais, agora que é famosa?
Os homens me odeiam! Eu não faço a linha  gostosa. Sou moleca.

E quando vai fazer a cirurgia de mudança de sexo?
Deus é quem sabe. Vou fazer na Tailândia, mas ainda não tenho a data, estou esperando uma folga na agenda. Também não quero ficar divulgando para não banalizar uma coisa que é tão íntima. Mas é claro que nunca vou esconder do meu futuro parceiro.

O que vai mudar depois da operação?
Nada. Uma pseudovagina não tem de mudar sua cabeça. Não quero mudar minha pessoa, quero transformar meu corpo. Sou a mesma pessoa desde que nasci. Porque eu era o Leandro e minha cabeça era de uma mulher. Será algo puramente estético.

Vai congelar o sêmen?
Pensei em congelar para poder ter filhos naturais daqui a alguns anos. Mas depois vi que tem tanta criança precisando de ajuda e carinho que achei melhor adotar um bebê.

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