Paulo José é um daqueles atores com os quais já estamos acostumados a conviver. Ele tem 73 anos e trabalha desde os 10. É normal vê-lo na TV, nos filmes, em peças teatrais. Há 17 anos, sua intensa produção é um dos remédios para o seu mal de Parkinson. Quando está trabalhando, o ator consegue controlar seus movimentos. Ele mesmo explica que em cena, seus movimentos involuntários não aparecem porque suas ações não são espontâneas e sim, estudadas.
Em um de seus trabalhos mais bacanas, Benjamim, o ator contracena tranquilamente com a atriz revelação Cléo Pires. Na adaptação da obra de Chico Buarque pelas mãos da diretora Monique Gardenberg em 2004 fica fácil perceber que o mal de Parkinson não transparece na tela. Assim como em seus outros trabalhos, a doença fica em segundo plano, o que possibilitou ao ator continuar a carreira sem intervalos. Um personagem famoso de Paulo José, o Orestes da novela Por Amor (1997), rende até hoje apelidos aos amigos que bebem demais. Também impressiona ver o trailer de seu próximo lançamento cinematográfico, Quincas Berro d´Água. Ele passa o filme inteiro morto, imóvel, sendo carregado pelos amigos de copo para festas.
Em entrevista realizada em Paulínia para falar de O Palhaço, segundo longa-metragem com direção de Selton Mello, Paulo chegou tímido, dizendo não gostar de coletivas, mas depois sossegou. ''Costumo não gostar, mas desta aqui estou gostando, vendo essas carinhas todas'', disse. Ao seu lado, deixou um copo de suco de laranja apoiado no braço do sofá. Entre uma reposta e outra, Paulo retirou seus remédios da bolsa e ingeriu os comprimidos. Devido ao Parkinson, ele tem uma rotina de horários para sua medicação, treinos e ginástica levada à risca. ''O Parkinson e a idade te obrigam a ser mais conseqüente'', explicou. O ator recebeu a noticia há mais de 15 anos e ainda não esqueceu a frase do médico. ''Ele olhou pra mim e disse que eu tinha uma doença degenerativa, progressiva e irreversível. Eu senti que ele teve um certo prazer em dizer isso. Olhei pra ele, careca, e retruquei: ''O senhor também né.''
Sua reação bem humorada e sua tirada irônica ao médico fazem parte de seus métodos para afastar a dor emocional. ''A doença te dá outra consciência, interiorizando. Faço palhaçada para esconder, mas não é mais complicado viver com o Parkinson'', resumiu. O ator explicou também que os movimentos involuntários se devem mais os medicamentos que toma do que da própria doença. ''Eu estava com movimentos involuntários. Parecia uma Carmem Miranda louca e fiz uma cirurgia que deixou um eletrodo na minha cabeça que tira esses movimentos'', explicou.





























