Em sua primeira vez na América do Sul, Kevin Costner, 55 anos, conheceu o som dos Tribalistas, ouviu uma coletânea de sambas-enredo, degustou uma de suas bebidas prediletas (chá verde com mel) e aprendeu que Bauru é uma cidade, para ele, com um nome impronunciável. E também um sanduíche, cuja receita ele anotou.
No sábado (20), o ator americano esteve na metrópole do centro-oeste paulista para se apresentar no SP Onlive Festival. Costner venceu dois Oscars em 1991 - melhor diretor e melhor filme, por Dança com Lobos -, tem 29 anos de cinema, protagonizou 13 blockbusters, ganha, no mínimo, 7 milhões de dólares por filme e, há três anos, decidiu seguir a carreira de cantor.
Ele formou uma banda de folk, a Modern West, e, como todo artista, vai aonde o povo está. Naquela noite de sábado, Costner fez seu 81o show do ano no Recinto Mello de Moraes e foi a terceira atração da noite.
Antes dele, subiram ao palco Caetano Veloso, 68, em dueto com Maria Gadú, 24, e a banda Jota Quest. Kevin esquentou o público para o show da dupla César Menotti & Fabiano. ''Ele ganha muito dinheiro com o cinema, não precisaria investir em outra carreira, mas faz isso por prazer. A música proporciona a ele um contato direto com o público, conhecer novas culturas'', diz John Coinman, amigo de adolescência do ator e guitarrista da banda.
Reconectar com a música
Essa aventura do galã começou quando ele completou 50 anos. ''Percebi que precisava de um novo desafio, algo que me emocionasse. Então, minha mulher (a modelo Christine Baumgartner, 36) me encorajou a me reconectar musicalmente com John (o amigo músico)'', diz o ator.
A mulher dele, Christine, não veio. Ela ficou na fazenda do casal, no interior da California, nos Estados Unidos, cuidando da caçula Grace, 5 meses. Costner está no segundo casamento e tem sete filhos.
''Eu me diverti bastante. Quero voltar ao Brasil'', declarou no fim do show em Bauru, na madrugada do domingo (21), oito horas antes de embarcar de volta para Los Angeles. A seguir, as melhores aventuras do ''lobo'' de Hollywood no centro-oeste paulista:
Hollywood com preço de Brasil
O show de Costner foi o mais caro das oito atrações que se apresentaram nos dois dias de festival. Não que ele tenha pedido um preço hollywoodiano. Nos bastidores, afirmava-se que o cachê do ator/cantor é equivalente a de um artista brasileiro do primeiro time, algo em torno de 200 mil reais por apresentação. ''O que encarece é o custo de trazer a equipe de 60 pessoas de Los Angeles para o Brasil'', disse uma pessoa da produção.
O mensageiro
No Brasil, quem descobriu o lado cantor de Costner foi o executivo Luiz Oscar Niemeyer, 54. Ele também trouxe ao país o ex-Beatle Paul McCartney, 68. ''Há dois meses, o agente do Paul ligou para o nosso administrador e gostamos da proposta'', revelou Coinman.
Costner e sua banda foram convidados a assistir à apresentação do ex-Beatle em São Paulo, no domingo (21). Kevin preferiu voltar para casa, na Califórnia, para descansar. Em 10 de dezembro, eles caem na estrada e fazem show na Rússia. ''Ano que vem, ele vai desacelerar e se dedicar mais ao cinema'', diz Coinman.
Intocável?
Nem um pouco. ''Ele foi o artista que fez menos exigências. Foi também quem mais recebeu convidados no camarim. Costner teve uma postura mais simples do que algumas atrações internacionais'', disse Renata Affonso, 37, uma das idealizadoras do evento.
Como Robin Hood
Quem chegou perto do astro levava no mínimo um aceno. O cantor quis passar o som do show inteiro. Para isso, saiu do Hotel Unique, em São Paulo, por volta das 10h da manhã do sábado e foi direto ao Recinto, chegando pouco antes das 14h. Os seguranças tiraram fotos e ele acenava.
''Agradeço por tudo''
O show de Costner começa com um clipe de cinco minutos com cenas de seus filmes, como Waterworld e Dança com Lobos. O público delira e faz declarações de amor. De pronto, ele não entendeu o gesto de juntar as mãos, como um coração.
Costner desembarcou em São Paulo na manhã de sexta-feira (19) e foi embora domingo à noite. Além de trabalhar, ele foi à piscina do Hotel Unique e conheceu São Paulo pela janela do carro. ''É uma cidade moderna. Espero voltar ao país. Estou agradecido por essa recepção calorosa'', disse aos amigos antes de embarcar.
Louco por chá
A única excentricidade de Kevin Costner foi exigir um fogareiro e uma chaleira no quarto onde se hospedou. Lá, pediu saquinhos de chá verde e mel natural. Ele mesmo prepara. ''Onde tiver esse chá, ele se sente em casa'', falou Coinman.
Eis o guarda-costas!
''Sabia que fariam essa piada comigo'', disse Mário (que não quis falar o sobrenome), 35 anos, o guarda-costas do personagem do filme O Guarda Costas (1992). Mário tem 18 anos de trabalho e já protegeu celebridades nacionais, como Silvio Santos, 79. ''Costner é muito simples'', disse.
Durante o trajeto São Paulo-Bauru, de quatro horas de carro, eles conversaram. Costner treinou falar ''Bauru''. ''Não saiu de jeito nenhum'', revelou Mário. No show, ele falou ''São Paulo'' e mencionou o nome da cidade uma vez. Como não conhecia nada de música brasileira, Costner quis ouvir os CDs do motorista. ''Ele gostou dos Tribalistas e da coletânea de sambas-enredo'', contou.
O público é deles
Com um astro de Hollywood no palco, os flashes das máquinas na plateia não pararam de disparar, mas poucos cantaram as músicas, como Mr. Tambourine Man, um clássico de Bob Dylan, 69, que foi o bis do ator.
Mas quando César Menotti, 28, e Fabiano Silva, 32, entraram no palco... A arena se tornou um bailão sertanejo. ''Ficamos muito honrados em conhecer o Kevin e felizes por ser uma atração brasileira a encerrar este festival'', disse Fabiano.
Os irmãos não chegaram a tempo de assistir à apresentação do americano. ''Mas conhecemos a música dele e é bem legal. O country e o folk são inspirações para o sertanejo brasileiro'', comentou César.
A dupla demorou aproximadamente 20 minutos para subir ao palco. A primeira providência foi ver o figurino. A roupa de Fabiano foi reajustada recentemente. ''Estou em um regime e perdi 10 quilos'', disse. A esposa, a psicóloga Gabriela Silva, 24, comemora.
''Estudo transtornos alimentares e cuido do cardápio do meu marido, até por uma questão de saúde'', explicou. Depois, os cantores prepararam a pele. César teve a sobrancelha preenchida com rímel. Evangélicos, a última ação de todos foi juntar a equipe em uma roda e fazer uma oração. ''Foi uma noite inesquecível'', avaliou Fabiano.





























