Os fios de cabelos brancos marcam a nova fase de Affleck
Foto: Getty Images

Por Eduardo Graça, de Los Angeles
Comedido nos gestos, o ator Ben Affleck, 36 anos, sente novamente o sabor do sucesso. Depois de virar alvo por filmes como Demolidor e Contrato de Risco, ele faz as pazes com a crítica ao estrelar Intrigas de Estado. Casado com a atriz Jennifer Garner, 37, com quem tem duas filhas, Violet, 3, e Seraphina, 5 meses, Ben aproveita o momento para falar de sua outra paixão, a política. ''Frequentei os escritórios dos deputados e fiquei comovido em ver a democracia funcionando. Mas vi que o trabalho principal deles é tentar se reeleger.'' Seu parceiro de cena é ninguém menos que Russell Crowe, 45. Ao ser questionado sobre a dura tarefa de contracenar com o astro, ele abre um sorriso e devolve os elogios que vem recebendo.
Você ficou com medo do Russell Crowe, que tem aquela fama toda de difícil?
Do Rus?! Que é isso?! Adorei trabalhar com ele. A gente precisava ser melhores amigos no filme e tínhamos de recriar do nada a sensação de que nos conhecíamos de longa data. Então passamos muito tempo juntos. Eu e minha família passamos a conviver quase que diariamente com ele, os amigos e a família dele. E ele foi um querido, sempre.
Russel tem aquela fama de beber pacas. Teve de encher a cara com ele?
Sim (risos), o tempo todo! Quase não sobrevivi (rindo mais). Que nada! Russell é um doce, juro! E é um grande ator, como você sabe.
No filme, seu personagem diz que ''minha preocupação maior é ser lembrado por meu trabalho e não pelas fofocas e pelos escândalos''. Você pensa assim quando olha para seu legado?
Acho que não fui uma vítima tão grande assim de escândalos. Honestamente, não me preocupo muito com isso.
Mas como gostaria de ser lembrado?
Gostaria de... Espera aí! Você está me enterrando vivo, é isso (risos)? O que você sabe que eu não sei?
Bem, inegavelmente, você está com cabelos brancos, né?
Estou, sim, com cabelos brancos. Ah, mas você também, né, meu querido (risos)? Desculpe a brincadeira! Mas, sério, gostaria, pela ordem, de ser lembrado como um bom pai, uma boa pessoa e, claro, pelo trabalho que fiz.
Mas você andava afastado da telona...
Verdade. Decidi tirar uns anos de folga como ator. Mas dirigi um filme (Medo da Verdade) e fiquei curtindo um pouco a vida em família. Em agosto vou dirigir mais um, The Town. Eu me sinto mais confortável fazendo dramas que contenham uma pequena dose de comédia, como em Medo da Verdade, aquele filme que você não gargalha, mas degusta a ironia fina de determinadas cenas.
Você se destacou contra a política de George W. Bush. Já pensou em se candidatar a algum cargo público?
Muita gente me pergunta isso, mas não há essa chance, não me pareceu um estilo de vida interessante. Ou vai ver eu não sou tão abnegado assim (dá uma piscadela e termina a entrevista).
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