Foto: Arquivo pessoal

Após vivenciar os costumes orientais no papel da empresária Chiara em Caminho das Índias, Vera Fischer, 57 anos, deixou de lado a ficção e viajou ao Egito, onde passou 15 dias desvendando os mistérios da terra dos faraós. Entre pirâmides, templos e lendas da Antiguidade, a atriz buscou energia e inspiração para levar adiante seus novos projetos: o livro Allegra, que está em fase final de produção, e uma peça de teatro - ainda indefinida -, que fará com o amigo e diretor Ulysses Guimarães. Antes de voltar ao trabalho, no entanto, Vera conta com exclusividade aos leitores da CONTIGO! como foi a viagem.
''Este é o Egito, terra dos faraós, terra dos Ptolomeus, lar de Cleópatra. O meu olhar ávido logo se fixou nas gigantescas estátuas de pedra, nas ruínas cobertas de areia, nos relevos dos hieróglifos e nas imagens coloridas em paredes e tetos, nas colunas que sustentam os templos, nas palmeiras ao longo do Nilo, nas feluccas (barcos a vela) brancas, que deslizam pelas águas, e nas areias infinitas.
Assim que botei os pés no Cairo fiquei extasiada com os cheiros, as cores, os homens andando de mãos dadas, as mulheres cobertas dos pés à cabeça. Tudo tão misterioso e romântico. Adoro países exóticos! Já conheci alguns países da África, o Marrocos, a Turquia, a Índia e agora o Egito. E este me fascinou.
Vi de perto as riquezas de Tutancãmon, no Museu do Cairo. E é claro que eu fui ver as pirâmides de Quéops - a única das sete maravilhas do mundo antigo que ainda está em pé -, Quéfren e Miquerinos.
Também visitei a Esfinge de Gizé, uma escultura de considerável tamanho, com 57 metros de comprimento e 20 metros de altura. Conta uma lenda que a esfinge perguntou a Édipo, rei de uma província grega: ''O que é que anda com quatro pernas pela manhã, com duas à tarde e com três à noite?'' Édipo, então, respondeu: ''Pela manhã é um bebê engatinhando, à tarde um adulto andando e à noite é um ancião com suas duas pernas e uma bengala''. Diante da exatidão da resposta de Édipo, a esfinge se atirou do alto do rochedo. Lendas...
Compras
No país ainda há muitas mesquitas e mercados. O maior mercado do Cairo é Khan el-Khalili, onde eu ia todos os dias. Comprei camisetas para meus filhos e meus amigos, pashminas de cashmere lindas e túnicas longas de algodão e seda para mim. Além de colares de turmalina, coral, prata, pedras da lua, lápis-lazúli. Comprei, em especial, um brinco de prata com ametistas para a minha filha, Rafaela, e coloquei dentro de um baú lindo de madrepérola e madeira. Ela adorou!
Para Gabriel, trouxe uma túnica de algodão azul-clara. Ele estranhou um pouco, mas disse que ia usar para receber a namorada e os amigos. Comprei também pirâmides de lápislazúli e alabastro, cinzeiros com a cara de Tutankamon, sarcófagos com múmias de madeira e dois gatos pretos, um para Rafaela e outro para mim, que representavam Bastes, a deusa felina protetora. E muitas e muitas outras coisas mais.
Magdy Rachad, meu guia do Cairo, foi incansável me acompanhando, sempre querendo o melhor para mim. Afinal sou uma consumidora nata! Ele também me ensinou a pedir as comidas certas e cuidou de mim como quem cuida de uma criança. Certo! Sou uma criança e adorei que ele cuidasse de mim.
Ele era um senhor gracinha, de uma generosidade a toda prova, inteligente, sensível, que morou no Brasil e fala português. A mulher dele disse que viu minhas novelas e gostava muito de mim. Disse que eu era elegante.
Nas águas do Rio Nilo
Depois de curtir o Cairo, fui conhecer os sítios arqueológicos em um cruzeiro no barco Sun Boat IV pelo Rio Nilo. Vi os Colossos de Memnon, estátuas monolíticas de quartzo cristalino, de 24 metros de altura, que representam o faraó Amenófis III.
Seguimos, ainda de barco, até o Templo de Philae, e à noitinha cheguei a Karnak, quando os templos estão iluminados e tudo fica mágico. No céu brilhava a lua cheia, coroando esse dia imperdível. Eu me emocionei. Esse é o mais solene e mais majestoso complexo de templos encontrado em todo o Egito. Impossível descrever tudo. Povo abençoado, o egípcio, onde crescem deuses nos seus jardins.
Aprendi logo que a gentileza e a educação eram as coisas mais importantes para eles. Quando visitei a mesquita muçulmana na cidadela de Saladino, no Cairo, por exemplo, me puseram uma capa fechada, cobrindo os meus ombros. As pantufas sobre as minhas sandálias serviam para não danificar os tapetes e não pisar em solo sagrado com os pés sujos. Há que se respeitar a crença religiosa.
Durante a viagem, fiz dois grandes amigos: os guias, Magdy e Alaa Saleh, este um homem elegante, natural da Núbia, muito culto e gentil, que me acompanhou no barco. Eles não saíam do meu lado, me contando histórias antigas e me dando sempre água mineral, para que eu não me desidratasse. Aprendi que água quer dizer ''maya'' e é a coisa mais importante no calor egípcio.
Meus guias foram meus anjos da guarda e vou me corresponder com eles. Afinal, o que há de mais importante num lugar se não a figura humana, os amigos que se faz?!
Ruas como as da Índia
Os egípcios têm, como coincidência com os indianos, o caos no trânsito. Os sinais ficam verdes o tempo todo, os carros vêm de todos os lados, eles buzinam sem parar e estacionam de qualquer maneira, em qualquer lugar. Às vezes, é impossível passar, e atravessar a rua, então, é uma temeridade.
Mas, tirando isso, o povo é amistoso e gentil. Os homens vestem túnicas longas e turbantes na cabeça. As mulheres cobrem as pernas e os ombros e usam um véu na cabeça.
Desde que comecei a estudar a história dos egípcios na escola, meu sonho era conhecer essa terra. Quando eu era menina queria ser arqueóloga. E aqui estou, descobrindo coisas novas, nas coisas já descobertas.
Bom, se eu chamei a atenção dos homens? Chamei, sim. Há muitas turistas loiras de shortinhos por lá, mas eu me enfeitava com vestidos longos e colares no pescoço. E modéstia à parte, sou simpática. Dava bom-dia para todos, sorria e era educada. É claro que os homens me olhavam. Teve um que me mostrou uma estátua da Nefertiti e disse que eu era mais bonita que ela. Depois me deu a estátua.
Fui ainda a vários outros templos. Impossível não se encantar com a pujança daquelas obras. Foram duas semanas de puro encantamento. Como saber qual era a maneira com que eles construíram obras gigantescas naquela época? Muitos já tentaram descobrir, mas tudo ainda não passa de mistério...''
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